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"A Vingança da Pastora" Capítulo 1

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Capítulo 1

Estela precisava acumular pontos para ganhar beijos, abraços ou qualquer momento de intimidade com o próprio marido. Tudo isso apenas por ser uma "garota do Pantanal" que precisava se adequar ao padrão de Dimitri, herdeiro de uma tradicional família de intelectuais de São Paulo.

A paixão vibrante e a natureza selvagem daquela mulher do interior haviam fascinado Dimitri perdidamente no início. No entanto, ao terceiro ano de casados, ele trouxe para casa uma preceptora de etiqueta com modos impecáveis.

— Seu comportamento ainda está longe do que se espera de uma senhora da família. Valentina é filha única de uma linhagem centenária e domina cada regra de etiqueta e educação. A partir de agora, ela será o seu modelo.

Estela pensou que apenas aprenderia postura e como se portar em jantares sociais. Jamais imaginou que, logo no primeiro dia, ao rir enquanto tomava sopa, teria cera de vela quente pingada diretamente em sua garganta. No esforço para se desvencilhar, o óleo fervente escorreu pelo canto de sua boca, deixando metade de seu rosto em um tom escarlate vivo.

Dimitri, angustiado, fez menção de protegê-la, mas foi contido por Valentina.

— Não se fala à mesa. É a regra, e o erro exige punição. Se o senhor pretende mimar sua esposa dessa forma, não conseguirei ensiná-la. É melhor contratar outra pessoa.

O homem hesitou por um instante, impedindo Valentina de sair. Em vez de socorrer a esposa, ele se voltou para ela com um tom de consolo vazio:

— O processo de eliminar velhos hábitos é doloroso. Aguente firme.

— Onde há castigo, haverá recompensa. Se o senhor não interferir, garanto que transformarei sua esposa em uma verdadeira dama — afirmou Valentina.

Dali em diante, o pesadelo de Estela começou.

Ela foi obrigada a realizar todas as tarefas domésticas sozinha. Limpava a mansão inteira e lavava à mão as roupas de todos, inclusive as dos empregados. Suas mãos rachavam repetidamente pelo frio e pelo esforço.

Para ser "apresentável", precisava copiar as regras de etiqueta cem vezes por dia. Um único erro resultava em dez repetições extras como punição. Muitas vezes passava a noite em claro, sem conseguir fechar os olhos por dias seguidos.

Sua disciplina era testada com dietas rigorosas. Comia apenas refeições simples e insossas; se sua cintura aumentasse um centímetro que fosse, era punida com três dias de confinamento e desidratação.

No caderno de pontos, os registros eram cruéis: bolhas nos dedos valiam um beijo; vinte eventos sociais sem erros de fala valiam um abraço; subir mil degraus de joelhos em oração pela família valia uma noite de intimidade.

Com a aproximação do aniversário de sessenta anos da matriarca, Dona Helena, Valentina sugeriu que Estela fizesse uma apresentação de piano. Forçou a mulher, que só sabia manejar o laço no pasto, a praticar dia e noite. Estela só conseguiu dominar uma peça musical após seus dedos sofrerem fraturas por estresse.

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Valentina apenas anotou com indiferença: "Passável. Recompensa de 20 pontos."

À noite, quando Estela não suportou mais e foi ao escritório de Dimitri com as mãos trêmulas, segurando sua folha de pontos atingidos, ouviu risadas libertinas vindas de dentro.

— Senhor Dimitri, você me quer?

Dimitri, sempre tão frio e contido, olhava com os olhos anuviados para Valentina em seus braços. Ele parecia um predador prestes a devorar sua presa, com um desejo evidente que já rompia a barreira do tecido.

— Foi você quem começou.

Valentina tinha um olhar sedutor. Suas roupas antes impecáveis foram alteradas para peças mínimas e provocantes. Com as pontas dos dedos deslizando para baixo, ela rompeu as amarras daquele ambiente, e os dois instantaneamente se entrelaçaram.

Aquela cena obscena e os gemidos apressados cortaram o coração de Estela como uma lâmina. Seu sangue congelou e seu coração parecia ter parado de bater.

Ela jamais imaginou que os dois, que viviam pregando autocontrole e etiqueta, pudessem ser tão desavergonhados!

Ao escancarar a porta, a atmosfera luxuriosa a fez sentir náuseas.

Valentina manteve a expressão calma, sem qualquer traço de vergonha por ter sido flagrada.

— Uma esposa deve saber como servir bem ao marido. Como você ainda não aprendeu, estou apenas fazendo o seu trabalho por enquanto.

Dimitri não parou seus movimentos, com a respiração ora acelerada, ora pesada.

— Valentina é a melhor preceptora. Ela está me demonstrando a etiqueta de alcova. No futuro, nossa vida íntima será muito mais harmoniosa.

Decência? Moralidade? Eram apenas máscaras para a depravação deles!

— Vocês estão tendo um caso! É adultério!

Valentina deu um tapa no rosto de Estela e a repreendeu com desprezo:

— Ensinei você em vão! Esse vocabulário vulgar é o que se espera de uma dama?

— Que ridículo! Desde quando adultério precisa de eufemismos?

Antes que Estela pudesse reagir, foi chutada por Dimitri. Sua testa bateu na quina da mesa, e sua visão escureceu por um momento.

— Chega de bobagem! Quem te deu permissão para falar assim com sua professora?

Somente quando Estela pareceu estabilizar-se é que ele olhou para ela. Sua visão passou brevemente pelas mãos enfaixadas e parou na folha de pontos.

— 20 pontos? Venha aqui. Estou com tempo agora, vou te dar esse beijo como recompensa.

— Recompensa?

Seu coração sangrava. Ela havia se esforçado tanto por Dimitri, suportando tudo dia após dia! Todo o suor e dor eram para estar à altura dele, e ali estava ele, se envolvendo com outra!

— Eu tive que sangrar meus dedos para conseguir um beijo de esmola do meu próprio marido...

Dimitri bateu o copo com força na mesa de centro e franziu o cenho.

— Sou homem e tenho necessidades normais. Se você se esforçasse o suficiente, eu não precisaria me conter tanto. Valentina está apenas me ajudando a aliviar a tensão. Eu não fiz nada de mais, por que você ainda não está satisfeita?

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Que palavras convenientes. No fim das contas, ela é quem estava errada?

Amor à primeira vista, sacrifícios para salvá-lo, promessas de uma vida inteira... Foi ele quem a perseguiu incansavelmente. Foi ele quem abriu o coração com promessas absurdas e desafiou os anciãos da família para casar com ela. Ele a fez deixar sua terra natal e, em apenas cinco anos, ela passou de "razão da vida dele" para uma mulher irracional e sem educação.

A porta se fechou violentamente diante dela, mas as palavras de Dimitri ainda ecoavam:

— É normal que homens procurem diversão fora de casa. A tolerância é uma lição essencial que toda esposa deve aprender.

Ela soltou uma risada fria. Voltou para o quarto e retirou do fundo do baú o seu chicote de couro, aquele que usava no pasto.

E, mais uma vez, escancarou a porta do escritório!

Capítulo 2

ESTALO!

O chicote atingiu os dois em cheio. Valentina gritou, escondendo-se atrás do homem.

— Você ficou louca!

Dimitri tinha uma marca no rosto. Ele segurou o chicote com força e puxou, arremessando Estela ao chão junto com a arma.

— Valentina ensinou que não se usa chicote em casa. É falta de educação, você não aprendeu nada?

O pai de Estela a ensinou que apenas o chicote poderia punir os desonestos. Assim era com as ovelhas, e assim deveria ser com os homens.

As feridas em seus dedos se abriram novamente, manchando as ataduras de vermelho. O gosto de sangue em sua garganta e suas lágrimas caíram juntos no chão.

— Você me trai com outra mulher e vem falar de educação? Você traiu o nosso amor!

Traiu o amor pelo qual ela abandonou tudo.

O estado histérico de Estela apenas fez Dimitri rir com deboche.

— Meu coração ainda pertence a você, como isso pode ser traição? Você está aqui há cinco anos e ainda não perdeu esses hábitos rústicos do Pantanal. Não tem modos. Vá copiar as regras da casa mil vezes...

— Senhor Dimitri — interrompeu Valentina, exibindo as marcas vermelhas em seu braço —, ela já copiou essas regras inúmeras vezes, mas nada entra naquela cabeça.

Ele sentiu uma pontada de remorso ao ver o ferimento da amante e cedeu:

— Diga como devemos puni-la, então.

Um calafrio subiu pelos pés de Estela, fazendo-a tremer incontrolavelmente.

— Que ela copie as regras com sangue. Mas as feridas da senhora cicatrizam rápido; antes de terminar a primeira cópia, o sangue vai parar — Valentina ergueu o queixo, com um olhar gélido. — Se passarmos sal nas feridas, elas não fecharão tão cedo. É o castigo pela falta de educação.

— Não! Dimitri, eu vou morrer de dor!

Estela tentou recuar, mas foi segurada firmemente pelos empregados.

O homem não se comoveu com o choro desesperado. Pelo contrário, reforçou a ordem de Valentina:

— A preceptora está apenas educando a patroa. Se ela não aprender, todos vocês estarão demitidos!

Naquela noite, a ponta de uma lâmina suja de sal fino cortou a pele de Estela repetidamente. Para cada uma das mil cópias, uma nova incisão era feita.

Ela gritou e lutou. O sangue manchou o quarto inteiro enquanto a forçavam a escrever uma página após a outra, até que ela desmaiou.

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