"O Reencontro Sob a Chuva Eterna" Capítulo 11
Capítulo 20
O canto das cigarras no auge do verão era incessante. Com o sinal do último exame, o vestibular de Lucas e o trabalho de tutoria dela chegaram ao fim. Antes mesmo dos resultados, o alívio no rosto do rapaz indicava que ele fora bem. Os pais de Lucas, transbordando gratidão, pagaram todo o salário e ainda lhe deram um bônus generoso como agradecimento.
Olhando para a quantia acumulada em seu cartão — uma "fortuna" para seus padrões —, ela sentiu uma paz profunda. Planejou tudo com cuidado e transferiu anonimamente um terço do dinheiro para a conta de sua mãe. O valor era suficiente para quitar a parte mais urgente das dívidas da família, evitando que seus pais caíssem no abismo imediato. Com isso, ela encerrou sua última obrigação moral para com eles.
O restante do dinheiro seria para o seu grande plano: estudar no exterior. Na vida passada, ela fora prisioneira de dívidas, doenças e um relacionamento sufocante. Enquanto isso, Sofia, a "irmã" que roubara toda a sua sorte, voava para o outro lado do oceano com dinheiro que não lhe pertencia. Desta vez, ela veria o mundo com seus próprios olhos.
Ao revelar seu desejo aos patrões, recebeu um apoio entusiasta.
— Isso é maravilhoso! Você é talentosa e esforçada, vai se sair bem em qualquer lugar! — disse a mãe de Lucas, segurando as mãos dela. — Para ser sincera, planejamos enviar o Lucas para estudar fora também. Vocês podem ser companhia um para o outro lá!
O pai de Lucas concordou: — Se você permitir, cuidaremos de toda a papelada e dos contatos com as universidades. Temos amigos no exterior que podem acelerar o processo. Considere isso nossa forma de agradecer por tudo o que fez por nosso filho.
Graças à eficiência deles, tudo correu rápido. Logo, a carta de aceitação e o visto estavam em mãos. Na véspera da partida, ela voltou ao dormitório para pegar seus últimos pertences. O quarto estava vazio, pois as colegas já haviam partido. Quando ia fechar a mala, a porta se abriu e João apareceu, bloqueando a luz.
Ele segurava uma caderneta de poupança com força: — Alice... — a voz dele estava extremamente rouca. Ele entrou e forçou a caderneta nas mãos dela. — Isto é tudo o que eu tenho, todas as minhas economias. Eu sei que o que te devo não se paga com dinheiro, mas é apenas o começo. Posso te dar tudo: minha empresa, minha casa, tudo! Só peço uma chance de cuidar de você nesta vida.
Ela não olhou para o documento. A caderneta escorregou de sua mão e caiu no chão com um baque seco.
— João — a voz dela era clara. — Eu não preciso e não quero seu dinheiro, sua empresa ou nada que venha de você.
— Na vida passada, enquanto eu estava na cama de hospital, tremendo de dor e contando meus últimos minutos; enquanto eu ouvia sua família feliz ao telefone e eu não conseguia engolir nem um gole de mingau; enquanto eu desmaiava vomitando sangue e você me deixava sozinho por causa de um cachorro... meu coração morreu.
Ela encarou o rosto dele, que empalideceu subitamente.
— Ele morreu completamente. Não sobraram nem cinzas. Você entende o que é perder a esperança? Não importa o que você faça — arrependimento, compensação ou se você arrancasse seu coração para me mostrar —, eu não sentiria nada. Não haverá perdão, nem sequer tenho energia para te odiar.
João recuou, trêmulo. Ele abriu a boca, mas nenhum som saiu.
— Você reencarnou e talvez ache que isso é uma chance de consertar as coisas — disse ela, pegando sua mala. — Mas para mim, este é o meu nascimento. E o primeiro passo da minha nova vida é me despedir totalmente do passado. Incluindo você.
Ela passou por ele, deixando um rastro de brisa leve.
— Se você ainda sente algum remorso, ou apenas por decência — ela parou na porta, sem olhar para trás —, por favor, de agora em diante, fique longe de mim. Não me procure. Esse é o único modo de me compensar.
Ela seguiu pelo corredor iluminado pelo sol, sem olhar para trás. João ficou paralisado, com a caderneta aos seus pés. Ele se agachou lentamente para pegá-la, com os dedos tremendo. Um gosto amargo de sangue subiu à sua garganta. A frase "nem sequer tenho energia para te odiar" ecoava em seus ouvidos. Ele entendeu que, pior que o ódio, é a indiferença absoluta.
No dia seguinte, no aeroporto, ela levava apenas uma mala e uma mochila. A família de Lucas foi se despedir. Antes de passar pela segurança, ela olhou uma última vez para o saguão. No meio da multidão, não havia sinal dele. Ela desviou o olhar com tranquilidade e caminhou em direção ao portão de embarque.
Capítulo 21
A universidade onde ela ingressara possuía um ambiente acadêmico rigoroso e, ao mesmo tempo, libertador. A área de especialização que escolhera era o ponto exato onde seus interesses e habilidades se encontravam. A orientadora, uma professora renomada no campo, de olhar perspicaz mas imensa paciência, logo notou o potencial dela.
— Alice, você é uma pesquisadora nata — disse a professora após um seminário, com admiração genuína. — Sua forma de pensar é única; você não é superficial, consegue se aprofundar nos problemas. Continue explorando este caminho e colherá frutos brilhantes.
Esse reconhecimento foi um incentivo vital. Ela dedicou toda a sua energia aos estudos e à pesquisa. A vida entre a biblioteca, o laboratório e o dormitório era simples, mas trazia uma satisfação que ela nunca experimentara antes. Ela amava esse mundo construído através do conhecimento e a sensação de conquista ao desvendar, passo a passo, as camadas de um problema complexo.
Às vezes, ao deixar o laboratório tarde da noite e olhar para o céu estrelado e límpido daquele país estrangeiro, sentia uma felicidade serena. Financeiramente, a ajuda inicial da família de Lucas permitiu um começo tranquilo, e logo ela conseguiu bolsas de estudo e cargos de assistência de pesquisa. A vida não era luxuosa, mas o suficiente para que pudesse se concentrar totalmente na vida acadêmica.
Ela passou a explorar a cidade desconhecida, visitando museus, assistindo a concertos e fazendo trilhas no interior. Visitou os pontos turísticos famosos que Sofia costumava ostentar nas redes sociais na vida anterior, mas também percorreu trilhas isoladas e encantadoras que poucos conheciam.
Ao observar a imensidão da costa e sentir a brisa salgada no rosto, Alice começou a entender, em parte, por que o João da vida passada era tão fascinado por Sofia, que havia "visto o mundo". Naquela época, Alice estava presa na lama da sobrevivência, lutando para pagar dívidas e suportando a dor da doença, enquanto olhava de longe para aquela "liberdade" e para o "ser amada" que pareciam inalcançáveis. Naquele cenário de desgaste diário, era inevitável que os sentimentos mudassem.
Ela balançou a cabeça, afastando esse pensamento sobre o passado. Tudo aquilo era um sonho antigo que não tinha mais relação com sua vida presente. Ela só precisava viver bem o agora.
Os anos passaram voando entre teses, experimentos e conferências acadêmicas. Alice concluiu o mestrado com distinção e, por recomendação enfática da orientadora, seguiu para o doutorado, integrando a equipe principal de pesquisa. Seus resultados começaram a ser publicados em periódicos internacionais, e ela passou a ganhar destaque em sua área.
A orientadora a elogiava constantemente como a aluna mais promissora dos últimos anos e fez um convite formal para que ela permanecesse na universidade como docente após o término do doutorado. Alice aceitou prontamente. Ela amava a atmosfera acadêmica, valorizava a gratidão pela mentora e encontrara ali um propósito pelo qual lutar a longo prazo. Aquele lugar se tornara o solo onde ela fincara raízes e continuaria a crescer.
Foi durante o doutorado que ela conheceu Bernardo. Ele era doutorando do mesmo departamento, mas de uma área diferente, um ano à frente dela. O primeiro encontro ocorreu em um evento de intercâmbio interdisciplinar. Bernardo estava no palco compartilhando um tema de pesquisa fascinante; ele era lógico, bem-humorado e arrancava risadas genuínas da plateia. Alice, sentada em um canto, sentiu que a forma de pensar dele era muito especial.
Mais tarde, devido a colaborações em projetos, os dois se aproximaram. Bernardo era inteligente sem ser arrogante, culto e humilde, apaixonado pela academia e com um olhar atento aos detalhes da vida. Tudo aconteceu naturalmente entre pesquisas compartilhadas, discussões intelectuais e caminhadas casuais. Eles se atraíram, se entenderam e, finalmente, suas trajetórias se cruzaram.
O namoro e o pedido de casamento foram consequências naturais. O casamento foi celebrado em uma tarde ensolarada de outono, em uma pequena capela centenária. A cerimônia foi simples e acolhedora. Alice usava um vestido de noiva elegante e minimalista, com o cabelo preso de forma leve, adornado por uma flor de lírio-do-vale.
Enquanto caminhava pelo corredor da igreja banhado pela luz do sol, seu olhar passou involuntariamente pelas sombras ao fundo dos bancos de convidados. Por um breve instante, pareceu ver uma silhueta familiar. Seu coração falhou uma batida.
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