"O Reencontro Sob a Chuva Eterna" Capítulo 8
— AAAHHH! ALICE! MINHA FILHA!!!
Ela desabou sobre o freezer, chorando copiosamente até quase desmaiar, sendo segurada com força pelo marido. Golpeava a borda de metal, gritando entre soluços: — Isso não é verdade! Não é verdade! Minha Alice era tão jovem! Como ela poderia morrer? Como?!
Ao lado, a enfermeira, comovida, explicou em voz baixa: — Senhora, sinto muito pela sua perda. No estágio avançado do câncer de estômago, o paciente sofre muito na fase final. Dificuldade para comer, dores intensas... a quimioterapia também causa perda de cabelo e emagrecimento extremo. Os familiares geralmente notam esses sintomas no dia a dia, não?
Capítulo 14
João sentiu um choque violento percorrer seu corpo. Imagens que ele ignorara deliberadamente inundaram sua mente: o rosto cada vez mais pálido de Alice, as mãos dela sempre pressionando o estômago, o corpo definhando, o olhar exausto e as expressões ocasionais de dor contida.
E ele? Ele estava escrevendo diários de "reencontro", jantando e indo ao teatro com Sofia, culpando Alice por atrapalhar seus encontros quando ela desmaiava e, no momento em que ela mais precisou, ele a abandonou sozinha por causa do cachorro de Sofia.
— Notamos...? Nós notamos? — João murmurou para si mesmo em uma voz quase inaudível, carregada de um arrependimento infinito.
O choro da mãe de Alice parou bruscamente. Ela também se lembrou: no dia de seu aniversário, o rosto pálido e a figura frágil da filha; lembrou-se de ter pensado que ela estava "sem vida" e que trazia "má sorte", enquanto focava apenas em servir comida para Sofia e reclamar que Alice era "complicada" e "melindrosa". O remorso a fez perder o fôlego.
João olhou para o rosto de Alice no freezer, tão calmo que parecia indiferente. A irritação, a dor e a fúria reprimida por tanto tempo finalmente explodiram. Ele se virou para a sogra, que chorava desesperadamente, e disse com a voz rouca e cheia de mágoa:
— Agora você fica triste? Agora você chora? O que você fez enquanto ela estava viva? Alguma vez você a tratou bem quando a via? Ela trabalhou feito louca para ganhar dinheiro, economizou tudo o que podia para dar para esta família, e alguma vez recebeu uma palavra de carinho? No dia do seu aniversário, com a mesa cheia, havia um único prato que ela pudesse comer? O presente que ela comprou para você com o último centavo que tinha, aquele lenço... no dia seguinte você o usou para amarrar o cachorro!!!
Ele gritou a última frase, o som ecoando pelas paredes frias do necrotério. O choro da mãe de Alice parou de novo. Ela ergueu a cabeça, com o rosto manchado de lágrimas, mas com uma expressão de choque puro: — Lenço? Que história é essa de cachorro? Aquele lenço... eu não o deixei guardado em casa?
Seu olhar voltou-se para Sofia, que estava pálida e desviava o olhar. Vendo a reação culpada de Sofia e lembrando-se do cachorro em seus braços, a mãe de Alice teve um lampejo: Sofia segurando o cão pela coleira, e no pescoço do animal havia algo claro amarrado.
Ela se soltou do marido e avançou cambaleante em direção à Sofia, agarrando o braço da outra com as mãos magras, as unhas quase entrando na pele. A voz tremia descontroladamente: — Sofia, me diga... aquele lenço, o lenço que a Alice me deu... você... você o colocou no Floquinho?
Sofia sentiu dor pelo aperto e, vendo a loucura e o questionamento nos olhos da mãe prestes a colapsar, empalideceu de pavor e balbuciou: — Eu não... mãe, ouça, havia várias caixas parecidas no seu armário, todas cobertas de poeira, achei que a senhora não as queria mais.
A mãe de Alice recuou cambaleante, batendo contra o freezer de metal com um baque surdo. Ela não sentiu a dor física; apenas fixou os olhos em Sofia, as lágrimas fluindo silenciosamente enquanto sua voz saía como um sussurro:
— Aquelas caixas... cada uma delas foi dada por Alice ao longo desses anos. Aquela de veludo azul eram luvas de lã que ela comprou com o primeiro salário do primeiro emprego. Eu briguei com ela por gastar dinheiro, então ela nunca mais teve coragem de me dar presentes abertamente. Ela os deixava escondidos sob o meu travesseiro ou dentro do meu armário.
— Aquela caixa de papel com a fita desbotada tinha o primeiro cachecol que ela tentou tricotar. Os pontos eram tortos, eu achei feio e guardei depois de usar uma vez. E aquela caixinha de madeira... foi no meu aniversário de dois anos atrás; ela colocou um par de brincos de pérola, eram pequenos, mas do estilo que eu gostava quando era jovem. Eu estava tão ocupada preparando a festa da Sofia que nem olhei direito e apenas joguei na gaveta.
Ela foi enumerando cada item, a voz ficando cada vez mais baixa.
— Eu achei que aquelas caixas, assim como ela, estariam sempre ali, que não se perderiam nem iriam embora — ela desabou no chão, encostada no freezer, tremendo e mal conseguindo respirar. — Eu errei. Eu errei tanto. A mamãe guardou todas as caixas, Alice... a mamãe não as rejeitou, eu apenas achei que ainda tínhamos tempo, que ainda haveria muitos "depois".
Capítulo 15
O funeral de Alice ocorreu em uma manhã cinzenta.
Poucas pessoas compareceram; além de João e dos pais de Alice, havia apenas alguns ex-colegas da loja de conveniência onde ela trabalhava. A cena era de uma solidão de partir o coração. A mãe de Alice chorou do início ao fim, mal conseguindo parar em pé, sendo amparada de um lado pelo marido e do outro por Sofia. Ela olhava para o pequeno retrato fúnebre da filha, e as lágrimas de arrependimento não paravam de cair.
João, no entanto, estava estranhamente calmo. Vestia um terno preto solene, posicionado à frente de todos, com uma expressão estática e o olhar fixo na foto de Alice, que exibia um sorriso suave. Ao segurar a urna funerária, que ainda parecia carregar um resto de calor, os dedos de João tremeram levemente por um segundo, mas logo ele recuperou a compostura.
Ele não aceitou a sugestão da sogra de depositar as cinzas em um cemitério; em vez disso, levou-as para casa. Voltou para aquele apartamento que outrora fora cheio de vida e agora estava apenas frio e vazio. João colocou a pequena urna no armário mais visível da sala, ao lado da foto de casamento deles.
Ele olhou ao redor. Cada canto daquela casa parecia guardar vestígios de Alice. Na varanda, os vasos de plantas que ela cuidava com tanto zelo agora murchavam por falta de atenção. Na cozinha, a caneca com estampa de gatinho que ela sempre usava. No sofá, a manta fina e desbotada com que ela costumava se cobrir. Na prateleira do escritório, os livros antigos de culinária.
Ele se lembrou de quando se casaram: Alice criava banquetes com ingredientes limitados e dizia, sorrindo: "Quando tivermos nossa própria cozinha, farei um banquete completo para você". Lembrou-se de como ela trabalhava em vários empregos para pagar as dívidas e, ao chegar tarde da noite, acabava dormindo no sofá de exaustão. Quando ele a cobria gentilmente, ela segurava a mão dele em meio ao sono e sussurrava: "João, vou terminar de pagar logo, não vou ser um fardo para você".
Lembrou-se de quando ela sentia dores no estômago e aguentava em silêncio; ao ser descoberta, forçava um sorriso para confortá-lo: "É um problema antigo, um pouco de água quente resolve". Lembrou-se de quando ela economizava secretamente para comprar a caneta que ele mencionara gostar por acaso, entregando-a com os olhos brilhando como se oferecesse um tesouro.
E então, naquele último mês. Ele se lembrava claramente de dizer à Alice, já pálida: "A Sofia não vai ficar muito tempo desta vez, só falta um mês. Quero passar mais tempo com ela". E Alice apenas olhou para ele com serenidade, assentiu e disse: "Tudo bem".
Como ele pôde dizer aquilo com tanta facilidade? O que exatamente havia cegado seus olhos e seu coração?
A noite caiu. João continuava sentado no sofá da sala, com as luzes apagadas, deixando apenas a luz do luar e os postes de rua entrarem pela janela. O toque repentino do celular quebrou o silêncio mortal. Era Sofia.
João encarou o nome na tela. Sentiu um cansaço e uma dormência profundos, mas atendeu.
"João! Aconteceu algo horrível!", a voz de Sofia estava embargada pelo choro e cercada de ruídos. "A mamãe desmaiou de repente! Acabamos de trazê-la para a emergência do hospital!"
João massageou as têmporas. Alice acabara de partir e agora a sogra passava mal. Ele respondeu exausto: "Entendi. Estou indo para aí". Ao desligar, olhou para a urna de Alice e disse baixo: "Vou sair rapidinho".
Ao chegar na emergência, a mãe de Alice já havia sido levada para a sala de reanimação. O sogro esperava ansioso, com o rosto cinzento. Sofia, com os olhos inchados, correu para João como se visse um salvador: "João! Que bom que você chegou! O médico disse que ela precisa de uma transfusão urgente, mas o estoque de sangue é insuficiente!"
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 12
Amada por Vingança
Nara viveu um romance secreto de três anos com Sérgio, o maior rival de seu irmão. Ela acreditava ser a protagonista de um conto de fadas, entregando seu coração e permitindo que ele registrasse seus momentos mais íntimos. No entanto, na véspera de seu aniversário, ela descobre a cruel realidade: tudo não passou de um plano meticuloso de Sérgio para destruir sua família. Cada beijo era uma mentira; cada promessa, uma armadilha. Agora, Nara precisa encontrar uma saída desse jogo perigoso antes que o "presente" final de Sérgio destrua sua vida para sempre.Moderno|Romance16.6 mil palavras5 8 -
TerminadoCapítulo 21
O Trigésimo Terceiro Contrato de Amor
Trinta e três versões de um contrato de casamento. Alice Santos dedicou sua juventude a perseguir um homem que a via apenas como a "irmãzinha de um amigo". Gabriel Rocha é um promotor implacável que esconde seus sentimentos atrás de um sorriso irônico e palavras frias. Quando Alice decide desistir e partir para São Paulo, ela percebe que o amor não é uma questão de leis, mas de sobrevivência. Será que um último beijo no aeroporto pode mudar o veredito de um coração de gelo?Moderno|Romance28.6 mil palavras5 6 -
TerminadoCapítulo 23
Destruída pelo Desejo
Janaína pensou que Yago era a luz no fim do túnel em seu casamento sem amor com Lucas. Mas o que ela não sabia era que esse homem misterioso era uma armadilha preparada pelo seu próprio marido. Entre beijos ardentes e segredos perigosos em São Paulo, Janaína recupera memórias de cinco anos atrás. O herói que a salvou da morte é o mesmo vilão que agora a destrói. Quando o divórcio se torna inevitável, quem sairá inteiro desse jogo de poder e obsessão?Moderno|Romance48.6 mil palavras5 4 -
TerminadoCapítulo 21
Entre Lobos: A Herdeira Rejeitada
Alice viveu vinte anos como a princesa da poderosa Família Cavalcanti no Rio de Janeiro, cercada de luxo e protegida por três irmãos possessivos. Tudo muda quando um teste de DNA revela que ela é a filha da empregada. Da noite para o dia, a "Boneca de Vidro" perde seu trono e se vê cercada por lobos famintos. No momento de maior desespero, Henrique, o frio e implacável herdeiro mais velho, encurrala Alice em seu quarto: "Tenho uma solução... Case-se comigo." O que Alice não sabia era que, sob a máscara de irmãos protetores, eles escondiam desejos sombrios que não podiam mais ser contidos.Moderno|Romance55.2 mil palavras5 0 -
TerminadoCapítulo 19
Memórias de um Amor Perdido
Um terrível acidente tirou a memória de Xavier Silva, mas não a dor no coração de Talita Rocha. Eles eram o casal de ouro da equipe de resgate, até que uma tragédia soterrou o passado deles. Dois anos depois, o destino prega uma peça cruel: Xavier está prestes a se casar com a melhor amiga de Talita, e ele olha para a mulher que um dia amou como se ela fosse uma completa estranha. Entre corredores de hospital e escombros de terremotos, Talita conseguirá fazer o amor renascer das cinzas, ou o destino já escreveu o fim dessa história?Moderno|Romance27.3 mil palavras5 21 -
TerminadoCapítulo 66
Renascida para Amar o CEO: Protegendo Meu Destino
Pérola Paes, a renomada musicista e herdeira da maior família de São Paulo, morreu de tristeza após carregar o fardo de um império por vinte anos sozinha. Mas o destino lhe deu uma nova chance. Ela acordou no dia em que tudo começou: o dia em que rejeitou o noivado com Thiago Steiner. Na vida passada, ele morreu para salvá-la; nesta vida, ela será o seu escudo. Enquanto todos pensam que o CEO implacável é quem manda, Pérola está nas sombras, destruindo cada armadilha e afastando cada "erva venenosa" que tenta se aproximar do seu homem. "Thiago, desta vez, ninguém vai te tirar de mim."Moderno|Fantasia56.3 mil palavras5 330 -
TerminadoCapítulo 45
A Beleza Oculta da Minha Colega de Classe
No primeiro dia do último ano do ensino médio, uma nova aluna chega à classe de Lucas. Com cabelos desgrenhados e um visual desleixado, Valentina se torna o alvo de olhares de desprezo. No entanto, um misterioso "Sistema de Contra-ataque" surge na mente de Lucas, oferecendo-lhe uma escolha: ignorá-la ou tornar-se seu colega de banco. Lucas escolhe a segunda opção, sem saber que por trás daquela aparência comum, esconde-se a garota mais bonita que ele já viu. Entre risadas, estudos e segredos, ele descobrirá que o amor verdadeiro não precisa de filtros, mas a verdade por trás da beleza de Valentina vai mudar sua vida para sempre.Moderno|Romance35.1 mil palavras5 185 -
TerminadoCapítulo 11
Adeus, Meu Jovem Mestre: A Liberdade de Sofia
urante doze anos, Sofia foi a sombra de Leonardo, o herdeiro mais cobiçado de São Paulo. Ela foi sua companheira de brincadeiras, sua secretária e sua amante secreta, tudo para salvar os negócios de sua família. Mas, para Leonardo, ela era apenas uma substituta conveniente enquanto seu verdadeiro amor estava fora. Quando a "garota dos seus sonhos" retorna, Sofia decide que é hora de desaparecer. O que ela não esperava é que, ao tentar conquistar sua liberdade, o jovem mestre ficaria obcecado em trazê-la de volta. Mas agora, um novo jogador, Samuel, entrou no jogo, e ele não pretende deixá-la escapar.Moderno15.4 mil palavras5 116 -
TerminadoCapítulo 11
A Esposa Invisível: O Preço do Seu Desprezo
Alice se casou com Bernardo Ferraz por amor, vivendo três anos sob a sombra de um homem frio e distante. Após finalmente consumarem o casamento, ela descobre um segredo devastador: Bernardo nunca a amou. Ele a usou como um "escudo" para esconder sua paixão proibida por sua irmã adotiva, Beatriz. Consumida pela dor e pela traição, Alice pede o divórcio e desaparece sem deixar rastros. Anos depois, ela retorna como uma renomada designer de joias internacional, poderosa e deslumbrante. Enquanto Bernardo, agora em ruínas e preso a uma cadeira de rodas, percebe tarde demais que a mulher que ele destruiu era a única que ele realmente precisava. O jogo mudou, e agora é ele quem implora por perdão.Moderno15.5 mil palavras5 133 -
TerminadoCapítulo 70
Sob o Olhar do Capitão
Alice é uma mulher deslumbrante e perigosa como uma rosa com espinhos. Traída pelo ex-marido, Mateus, que a trocou por uma amante alegando que sua profissão de legista era "sombria", ela decide dar o troco na mesma moeda. Na noite do divórcio, ela seduz um estranho misterioso no bar: Ricardo, um homem de porte atlético, olhar gélido e virilidade arrebatadora — que por acaso é o ex-noivo da amante de seu ex. Alice achou que seria apenas uma noite de prazer para esquecer o passado, mas o destino tinha outros planos. Ao se transferir para sua nova unidade de trabalho, ela descobre que o homem de sua noite ardente é ninguém menos que o novo Capitão da Polícia Civil, seu chefe direto. Entre crimes brutais e uma tensão sexual incontrolável, o fogo entre os dois promete incendiar tudo ao redor.Moderno|Romance79.6 mil palavras5 386