"O Reencontro Sob a Chuva Eterna" Capítulo 7
Um pânico avassalador apertou seu coração como uma mão invisível, sufocando-o instantaneamente.
— João? Está me ouvindo? João? — a voz do amigo continuava saindo pelos alto-falantes.
— JOÃO! OLHA O CAMINHO! O SINAL ESTÁ VERMELHO!! — o grito desesperado da sogra veio do banco de trás.
João voltou a si e focou a visão. O sinal estava vermelho berrante! E seu carro já havia cruzado a faixa de retenção! Ao mesmo tempo, na pista da esquerda, veio o som agudo de uma freada brusca.
BUM!
Capítulo 12
Um impacto violento, um ruído ensurdecedor e, em seguida, a escuridão sufocante e a dor. João sentia-se como se estivesse flutuando em um mar profundo sem fim, com a consciência oscilando entre a clareza e o borrão. Ruídos confusos pareciam cercá-lo: gritos de pânico, sirenes de ambulância. Finalmente, todos os sons se distanciaram e ele mergulhou em um sonho bizarro.
No sonho, o tempo voltava para aquela tarde chuvosa de três anos atrás. Ele dirigia ansiosamente à procura dela e, por fim, viu Alice encolhida sob aquele ponto de ônibus familiar. A chuva encharcara seu cabelo e suas roupas, que colavam no corpo, delineando sua silhueta magra e frágil. Ela estava agachada, com a cabeça entre os joelhos e os ombros tremendo levemente, como um gatinho abandonado no meio de uma tempestade. Ao redor, o céu escuro, as gotas frias de chuva e os carros que passavam espirrando água; ela estava sozinha, isolada, como se tivesse sido esquecida pelo mundo inteiro.
João parou o carro e correu para a chuva. A água molhou seu cabelo e ombros instantaneamente, mas ele não sentiu nada. Tirou o próprio paletó, cobriu o corpo frio e trêmulo de Alice e a puxou com força para seus braços.
— Alice, venha para casa comigo.
Naquele momento, as emoções que borbulhavam em seu peito eram indescritíveis. Havia a decepção e um ódio latente por Sofia ter partido sem olhar para trás com o pouco dinheiro que restara à família, e havia a simpatia e a piedade por Alice ter perdido tudo da noite para o dia e ainda ter que carregar dívidas pesadas.
Ele sabia que Alice gostava dele, soubera disso desde a infância. Mas seu coração sempre pertencera à Sofia, que era como um sol brilhante que ele perseguia. Alice, para ele, era como uma sombra silenciosa ao seu lado: familiar, mas nunca presente no fundo de sua alma. Casar-se com ela fora um ato de piedade, de responsabilidade e, talvez, um pouco de rebeldia contra a partida cruel de Sofia.
Os dias após o casamento foram rotineiros e simples. Alice trabalhava incansavelmente para pagar as dívidas, economizando ao ponto de ser austera consigo mesma. Ela raramente reclamava, apenas suportava tudo em silêncio. Ele a via emagrecer dia após dia, via o cansaço em seu olhar, e aquela piedade inicial e o senso de dever começaram, sem que ele percebesse, a se transformar.
Ele começou a se acostumar a vê-la ao chegar em casa, acostumou-se com o mingau suave que ela preparava, com a água morna que ela lhe entregava silenciosamente quando ele estava exausto, com a presença serena dela ao seu lado, mesmo quando nada era dito. Ele sentia o coração doer pelas fragilidades que ela ocasionalmente mostrava, sentia uma irritação inexplicável quando outros homens a olhavam e ficava noites em claro cuidando dela quando ela adoecia...
Ele começou a incluí-la naturalmente em seus planos para o futuro. Achou que a vida seguiria assim, tranquila e sólida, que ele esqueceria Sofia gradualmente e amaria verdadeiramente a esposa que estava ao seu lado.
Até aquele dia no aeroporto. No meio da multidão, ele viu instantaneamente aquela figura familiar e ao mesmo tempo estranha: Sofia. Os três anos não pareciam ter deixado marcas nela; ela continuava linda e, ao olhar para trás com um sorriso, atingiu um canto esquecido de sua alma. Seu coração bateu descontroladamente, dominado por um misto de excitação, ressentimento, nostalgia e um prazer vingativo secreto.
Como se estivesse possuído, ele voltou para casa, abriu aquela conta social quase esquecida e escreveu a primeira linha: "Primeiro dia do reencontro". Tornou-se um vício. Ele começou a registrar cada encontro com Sofia, cada conversa, cada oscilação emocional.
Ele nunca pensou em se separar de Alice. Alice era sua esposa, seu presente e seu futuro; disso ele nunca duvidou. Chegou a pensar que, quando aquela novidade do reencontro passasse, tudo voltaria ao normal e ele e Alice estariam ainda melhores.
No sonho, o rosto de Alice tornava-se cada vez mais pálido e borrado. Ela olhava para ele com olhos vazios, como se estivessem separados por milhares de quilômetros. Ele tentava esticar a mão para segurá-la, mas ela escapava por entre seus dedos como areia, afastando-se cada vez mais.
— ALICE! — ele gritou o nome dela em pânico, um som rouco saindo do fundo da garganta.
— Senhor João? Senhor João? Acorde!
O toque da realidade e vozes forçaram-se para dentro do sonho. João abriu os olhos bruscamente; a luz branca ofuscante o fez fechá-los de novo imediatamente. Estava deitado em uma cama de hospital, com o corpo enfaixado, enquanto uma enfermeira o olhava com preocupação.
— Você acordou? Como se sente? Algum lugar dói muito? — perguntou a enfermeira.
João não respondeu. Seus olhos percorreram o ambiente apressadamente. — Nós... o acidente... — perguntou ele com a voz rouca.
— Sim, vocês sofreram um acidente — disse a enfermeira enquanto verificava o soro. — Foi um milagre, na verdade. O impacto foi maior do lado do motorista, mas os airbags funcionaram a tempo. Todos vocês tiveram apenas ferimentos leves, escoriações e leves concussões. Ficarão em observação por alguns dias. Sua sogra teve um choque emocional forte e alguns hematomas, precisa de repouso.
O coração de João não se acalmou. — E a minha esposa? — Ele agarrou o pulso da enfermeira com força, fixando os olhos nela enquanto a voz tremia de pavor. — Onde está a Alice? Ela... ela está viva? Em qual quarto ela está? Preciso vê-la!
A enfermeira sentiu dor com o aperto dele, tentou se soltar sem sucesso e sua expressão mudou para uma de pesar e relutância. Ela hesitou antes de dizer, no tom mais suave possível: — Senhor João, por favor, tente manter a calma. A senhora Alice faleceu devido ao câncer de estômago avançado. Foi ontem à noite, pouco antes da meia-noite.
Um zumbido ensurdecedor tomou conta da mente de João. As imagens do sonho e a realidade se fundiram impiedosamente. Um gosto metálico de sangue subiu à sua garganta e ele perdeu totalmente a visão; as forças de seu corpo foram drenadas e sua mão, que segurava a enfermeira, caiu inerte.
Capítulo 13
Quando João recuperou a consciência novamente, já era tarde do dia seguinte. Ele virou a cabeça com dificuldade. A mãe de Alice já acordara e estava sentada na cama, olhando fixamente pela janela com olhos vazios e marcas de lágrimas no rosto; parecia ter envelhecido dez anos em uma única noite. O pai de Alice estava sentado ao lado, em silêncio, segurando a mão dela com a testa franzida e os olhos injetados de sangue. Sofia também estava lá, ainda pálida, com a cabeça baixa.
Um médico e uma enfermeira entraram no quarto. O médico olhou para eles: — Estão todos acordados? Como se sentem?
Ninguém respondeu. O médico fez uma pausa e continuou: — Senhor João, como o senhor é o parente mais próximo, precisa cuidar dos trâmites legais o quanto antes, identificar o corpo e decidir sobre os preparativos finais.
O olhar vazio da mãe de Alice finalmente se quebrou, dando lugar a um pânico imenso e descrença: — Não, não pode ser. Minha Alice... eu quero vê-la! Quero vê-la agora!
Ela jogou a coberta para o lado e tentou descer da cama cambaleante, mas o marido e Sofia a seguraram. — Mãe! Calma! A senhora ainda não está bem! — exclamou Sofia.
— Me soltem! Quero ver minha filha! Eu não acredito! Não acredito! — A mãe de Alice debatia-se como se estivesse fora de si, com uma força surpreendente.
João observava tudo em silêncio. Ele não tentou impedi-la; em vez disso, apoiou-se para sentar e disse com a voz rouca: — Eu também vou.
Um funcionário os guiou friamente até um freezer etiquetado. — É este aqui. Por favor, confirmem. — O funcionário puxou a gaveta. Uma névoa fria se espalhou pelo ar.
A mãe de Alice avançou passo a passo, tremendo. Quando viu aquele rosto sem vida, de olhos fechados e tão magro que parecia deformado, ela estancou. Era a Alice, mas não era a Alice de suas lembranças. Em sua memória, a filha talvez não fosse radiante, mas era sempre serena, com uma cor saudável e cabelos macios. A pessoa à sua frente tinha a pele cinzenta como gesso, bochechas profundamente encovadas, lábios rachados e cabelos tão raros que alguns fios amarelados colavam na testa. Ela estava ali, deitada em um silêncio absoluto.
— Alice...? — A mãe esticou a mão trêmula para tocar o rosto, mas seus dedos pararam no ar, sem coragem de encostar. Ela olhou fixamente por um longo tempo e, de repente, soltou um grito dilacerante que nem parecia humano:
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