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"O Reencontro Sob a Chuva Eterna" Capítulo 1

正文开头

Capítulo 1

“Um mês. Receio que não passe do Ano Novo.”

O médico retirou os exames do suporte e olhou para Alice, sentada à sua frente. “Dona Alice, a situação está piorando mais rápido do que prevíamos. O ideal seria que algum familiar viesse aqui; precisamos discutir certas coisas juntos. Você não vai conseguir lidar sozinha com o plano de tratamento e os cuidados de agora em diante.”

Alice ergueu o olhar.

“Eu não tenho família”, disse ela.

O médico hesitou por um instante. “No prontuário consta o nome do seu marido, João...”

“Isso foi antes”, Alice o interrompeu. “Agora sou só eu.”

O médico ficou em silêncio por alguns segundos, parecendo querer dizer algo, mas apenas digitou algumas notas no computador.

“Vou dobrar a dose dos analgésicos. Se a dor ficar muito forte, tome-os, não tente aguentar”, ele entregou a receita. “Tome um suplemento vitamínico de manhã e outro à noite. Você precisa voltar na semana que vem para um check-up; vamos ajustar o protocolo.”

“Está bem.”

Alice assentiu e saiu do consultório.

Ela olhou para o celular. A tela acendeu, mas a central de notificações estava vazia, exceto por um alerta de previsão do tempo. Nenhuma chamada perdida, nenhuma mensagem nova.

Alice subiu no ônibus, encostou a cabeça no banco e fechou os olhos.

Quando o veículo passou pelo shopping central, em meio à neblina da chuva, o letreiro luminoso de um famoso restaurante brilhava em vermelho. Através da vitrine de vidro, as luzes estavam radiantes e as silhuetas das pessoas se moviam.

O corpo de Alice congelou.

Na mesa ao lado da janela, havia quatro pessoas que ela conhecia bem demais.

João usava a camisa cinza que ela mesma havia passado naquela manhã. Ele estava inclinado, falando algo com um sorriso carinhoso no rosto. Ao lado dele estava Sofia, que acabara de retornar após três anos no exterior.

Sentados à frente deles, estavam os pais de Alice.

Seu pai colocava comida no prato de Sofia com um gesto natural e protetor, enquanto sua mãe sorria de um jeito que seus olhos se tornavam pequenas luas crescentes. Alice não via aquele sorriso genuíno e sem reservas há três anos.

Os quatro estavam reunidos em volta de uma mesa de jantar fumegante, o caldo borbulhando, e o prato de Sofia estava cheio.

O ônibus reduziu a velocidade e parou no cruzamento. O sinal ficou vermelho.

Alice pegou o celular. Nos contatos, o nome de João era o primeiro da lista.

O som de chamada ecoou no receptor. Um toque, dois, três.

Dentro do restaurante, a tela do celular de João, que estava sobre a mesa, acendeu. Ele baixou o olhar por um segundo. Então, calmamente, virou o aparelho com a tela para baixo sobre a mesa.

Ele voltou a dar atenção à Sofia, aceitou a bebida que ela lhe oferecia e disse algo que a fez rir ainda mais alto.

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Alice desligou. Ligou de novo.

Seus dedos repetiam o movimento de forma mecânica: desligar, discar, desligar, discar.

Faltavam trinta segundos para o sinal abrir.

Lá dentro, o pai dela erguia o celular para tirar uma foto. Os quatro se aproximaram: João à esquerda, Sofia à direita e os pais atrás. Sofia fez um sinal de "v" com os dedos, sorrindo como uma flor desabrochando.

Alice guardou o celular.

Ela já deveria saber. Desde que descobriu aquela conta secreta de João, três meses atrás. Desde que ele escreveu "O primeiro dia do reencontro". Desde que ele começou a registrar cada detalhe com a outra mulher.

O sinal ficou verde. O ônibus partiu lentamente.

Alice encostou-se na janela fria. Ela levantou a mão e escondeu o rosto na palma.

Ela se lembrou de três anos atrás, no dia em que sua família faliu. Também era um fim de tarde chuvoso. Seus pais entregaram a última caderneta de poupança para Sofia e disseram: “Sofia, pegue isso. Vá para o exterior estudar, não se preocupe com a família”.

Sofia chorou e abraçou a mãe: “Mãe, vou sentir saudades de vocês”. O pai deu um tapinha no ombro dela: “Minha filha querida, cuide-se bem”.

Alice estava parada à porta, com uma mochila velha contendo apenas algumas mudas de roupa. Ninguém olhou para ela. Ninguém disse uma única palavra.

Mais tarde, a chuva apertou e ela saiu sozinha da casa onde viveu por vinte anos. Sem guarda-chuva, encharcada até os ossos. Quando João a encontrou, ela estava encolhida em um ponto de ônibus, tremendo de frio.

Ele correu do carro, colocou o paletó sobre os ombros dela e disse: “Alice, vem comigo para casa”.

A voz no alto-falante do ônibus a arrancou das lembranças. Ela abriu os olhos; o veículo estava vazio e o motorista a olhava pelo retrovisor.

“Moça, chegamos ao ponto final.”

Ela pegou a sacola de remédios e desceu.

A casa estava escura, mas a luz do hall acendeu ao detectar movimento. Ela trocou os sapatos, colocou os remédios sobre o móvel e seu olhar pousou na parede ao lado. A foto do casamento ainda estava lá. Na imagem, João a abraçava pelo ombro, com um sorriso leve e um olhar gentil.

Alice encarou a foto por um longo tempo e depois desviou o olhar.

A luz da cozinha estava acesa. Ela caminhou até lá e, como esperado, a luz de "manter aquecido" da panela elétrica brilhava. Ao abrir a tampa, encontrou um mingau de arroz morno, preparado perfeitamente.

Ao lado, um bilhete: “Ouvi você dizer que seu estômago não estava bem ultimamente. Coma pouco e várias vezes, o mingau vai te fazer bem. Lembre-se de comer antes que esfrie. Volto mais tarde”.

Ela serviu uma tigela e sentou-se à mesa. O vapor subia com um aroma suave.

Nesse momento, o celular vibrou.

“Tomou o mingau? Estou acompanhando um cliente, pode ser que eu demore. Seu estômago é sensível, não coma nada frio. Tem maçã cortada na geladeira, espere um pouco antes de comer.”

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Ela encarou a mensagem por um tempo e desligou o aparelho.

Quando estava na metade da tigela, uma reviravolta violenta atingiu seu estômago. Ela se levantou bruscamente e correu para o banheiro. Curvada sobre o vaso sanitário, ela vomitou até sentir que suas entranhas seriam arrancadas.

Depois de um tempo, a náusea passou. Ela deu descarga, foi até a pia e abriu a torneira. A água gelada atingiu seu rosto.

Ela ergueu a cabeça e olhou para o espelho.

A pessoa no reflexo estava pálida, com os lábios sem cor e o cabelo grudado na testa e nas bochechas. Os olhos estavam vermelhos e inchados, com olheiras profundas.

Ela ficou observando a si mesma por muito tempo.

Então, de repente, deu uma risada curta.

Pelo menos, só restava um mês.

Capítulo 2

Alice estava encolhida na cama, deitada de lado, abraçando o próprio corpo enquanto a luz do celular iluminava seu rosto pálido na escuridão.

Ela se lembrou do dia em que Sofia foi "encontrada".

A casa estava toda decorada. O sorriso no rosto de seus pais era de um brilho e uma cautela que ela nunca tinha visto. Eles cercavam aquela garota tímida com todo o carinho, dando-lhe o melhor quarto e as palavras mais doces. Alice ficou no canto da sala, vendo a casa onde viveu por mais de uma década se tornar o palco de outra pessoa da noite para o dia.

Desde então, os olhos de seus pais raramente pousavam nela.

Apenas João.

O João que cresceu com ela, que subiu nas mesmas árvores e soltou as mesmas pipas, continuava ao seu lado como antes. Foi ele quem segurou sua mão e disse: “Alice, não tenha medo, você ainda tem a mim”.

Ela se agarrou a ele como se fosse sua única salvação.

No dia da falência, em meio ao caos dos credores batendo à porta, seus pais estavam desesperados. Escondida no quarto, ela ouviu a discussão lá fora. Por fim, sua mãe entrou com os olhos vermelhos: “Alice, não temos saída. Papai e mamãe sentem muito por essas dívidas, mas a Sofia... a Sofia ainda é jovem”.

Foi João quem a encontrou naquele fim de tarde. Ele não perguntou nada, apenas a levantou e a abraçou com toda a força do mundo.

E então ele disse: “Alice, vamos nos casar”.

Nestes três anos, ele foi impecável. Alice era cheia de gratidão e amor, acreditando que o sofrimento havia passado e que poderiam caminhar juntos para sempre.

Até três meses atrás, quando ela acidentalmente viu aquela conta secreta.

Viu "O primeiro dia do reencontro".

Viu, entre as linhas, a agitação reprimida, as memórias e o ressentimento dele. Ressentimento porque Sofia o abandonou sem hesitar para ir embora. Ressentimento por ter tido seu afeto desprezado.

E ela, Alice, do começo ao fim, foi apenas a ferramenta que ele usou para se vingar.

Ding-dong! Ding-dong!

Alice estremeceu. Rangendo os dentes, ela se apoiou na beirada da cama e arrastou-se até a porta.

Pelo olho mágico, a luz do corredor estava fraca. João estava carregando alguém nos braços. Sofia estava de olhos fechados, com as bochechas coradas e os cabelos desgrenhados, envolta no paletó dele, dormindo vulnerável.

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