"Amada por Vingança" Capítulo 5
Nara sorriu, mas com lágrimas nos olhos: — Está bem.
Nos dias seguintes, Sérgio ocupou-se com os preparativos da festa, enquanto Nara começou a arrumar suas malas.
Ela organizou todas as suas coisas e despediu-se de seus amigos, um a um.
Na véspera da festa, Sérgio voltou para casa.
Ele a abraçou, querendo beijá-la, mas ela o afastou alegando estar em seu período menstrual.
Sérgio não insistiu, mas, com um instinto possessivo, deixou uma série de marcas de beijos em seu pescoço, sussurrando: — Assim todos saberão que você é minha.
Nara não disse nada, apenas suportou seus beijos em silêncio.
No meio da noite, quando Sérgio dormia, ela pegou o celular dele silenciosamente.
A primeira coisa que viu foi o grupo de conversa com os amigos.
Lá, eles discutiam os planos para o dia seguinte.
— Sérgio, amanhã é o aniversário da Nara. Não tínhamos combinado de postar os vídeos íntimos dela no dia? Por que ainda não enviou os vídeos?
— É verdade, Sérgio, envia logo.
— Sérgio, não viu as mensagens? Estamos te lembrando desde cedo, já é noite.
Os dedos de Nara tremiam. Ela saiu do grupo, encontrou a pasta privada e deletou cada um daqueles vídeos, um por um.
No momento em que tudo foi excluído e a lixeira esvaziada, ela finalmente sentiu uma sensação de libertação.
Na manhã seguinte, ela pegou suas malas para partir.
Sérgio acordou bem na hora e, ao vê-la na porta, demorou a entender a situação: — Querida, onde você vai?
— Buscar o meu irmão — Nara respondeu calmamente.
Sérgio olhou para as malas, parecendo confuso: — É só buscar alguém, por que levar malas?
— São roupas de dança que quero que ele leve de volta.
Agora, talvez por ter aprendido com Sérgio, ela mentia com naturalidade.
Como esperado, ela conseguiu enganá-lo. Ele não fez mais perguntas, apenas saiu da cama e a abraçou: — Espere por mim, eu vou com você.
Nara balançou a cabeça: — É melhor revelarmos nosso relacionamento na festa, senão tenho medo de que meu irmão não aceite bem. Vá primeiro para a festa.
Sérgio pensou por um instante e, achando que talvez fosse apressado demais, acariciou o cabelo dela e assentiu sorrindo.
— Está bem, venha logo, estarei te esperando na festa.
Ele se arrumou e dirigiu direto para o local do evento. Nara, após vê-lo partir, chamou um carro e foi para o aeroporto.
Check-in, despacho de bagagem, embarque... tudo foi muito rápido.
Já dentro do avião, Nara abriu a conversa com Sérgio.
Ela havia pensado em muitas coisas para dizer naquela última mensagem.
Queria dizer que ouviu tudo o que foi dito no clube naquele dia.
Queria questionar por que ele a tratara daquela forma.
Mas agora, no momento do adeus definitivo, ela apenas digitou uma frase curta.
【Sérgio, vamos terminar. Eu não te amo mais.】
Após enviar, o avião começou a decolar. Ela olhou para as nuvens pela janela, bloqueou todos os contatos dele e desligou o aparelho.
Nunca mais.
São Paulo, e Sérgio.
Capítulo 9
O carro de Sérgio parou lentamente em frente à entrada do salão de festas. Assim que a porta se abriu e ele deu o primeiro passo, foi cercado por um grande grupo de amigos.
Eles se aproximaram falando todos ao mesmo tempo, com rostos cheios de empolgação e expectativa, como se esperassem pelo início de um grande espetáculo.
— Sérgio, e o vídeo? Não disse que ia postar hoje? — alguém perguntou impacientemente, com os olhos brilhando de curiosidade.
Sérgio franziu levemente a testa. Sem pressa, tirou o celular do bolso e, sob o olhar faminto de todos, o brilho da tela do aparelho reluziu em sua mão.
No entanto, no instante em que todos acharam que ele desbloquearia o celular, ele subitamente o guardou de volta no bolso e disse calmamente: — Não vou mais postar.
Essas quatro palavras foram como uma pedra gigante atirada em um lago sereno, levantando ondas instantâneas.
Todos arregalaram os olhos, com expressões de total incredulidade.
— Não vai mais postar?! — exclamaram em uníssono.
Alguém não resistiu e insistiu: — Sérgio, o que quer dizer com isso? Não tínhamos combinado que hoje daríamos um "presentão" para o Yuri?
— É verdade, nos preparamos por tanto tempo, por que desistir agora? Sérgio, não brinque com a gente!
O olhar de Sérgio esfriou, e seu tom carregava irritação: — Não quero dizer nada, apenas sinto que ainda não é o momento. Quanto mais vídeos acumularem, maior será a dor do Yuri. Qual é a pressa?
Os amigos trocaram olhares, claramente surpresos com a resposta.
Alguém murmurou baixo: — Já estamos nessa há três anos, ainda não é o suficiente? Sérgio, você está agindo de um jeito cada vez mais estranho ultimamente. — Outro foi direto ao ponto: — Sérgio, me diga a verdade, você por acaso está...
— Não! — Sérgio o interrompeu bruscamente, com a voz fria como gelo. Seu olhar severo percorreu cada pessoa presente. — Os vídeos são meus e dela, eu posto quando eu quiser. Agradeço a preocupação de vocês como amigos, mas não ultrapassem o limite.
O clima ficou tenso de imediato. Os amigos logo trataram de amenizar a situação com tons bajuladores.
— Sérgio, não foi isso que quisemos dizer, não fique bravo — disse um, dando um tapinha em seu ombro.
— Isso, isso, foi só um comentário bobo, não leve a sério.
Sérgio não disse mais nada, virou-se e entrou no salão para verificar a decoração.
Seu olhar analisava cada detalhe, e sua testa franzia cada vez mais.
Ele apontou para um arranjo de flores na mesa, com uma voz profunda e autoritária. — Estas flores não servem, troquem. Ela não gosta de rosa, gosta de azul. Vão comprar outras agora mesmo.
Apontou para o tapete: — Este tapete também, a cor está muito escura, troquem por um de tom mais claro.
— E por que este espaço está tão vazio? Coloquem balões.
— Empilhem os presentes aqui. Eu não comprei um monte de presentes?!
Os garçons e a equipe de organização corriam de um lado para o outro sob seu comando. Os amigos assistiam a tudo boquiabertos.
Alguém cochichou: — O que deu no Sérgio? Ele nunca se importou tanto assim antes. Este é o mesmo Sérgio cínico que conhecemos?
— Pois é, não sei o que ele está pensando. A Nara não era só um objeto de uso? Era só fazer qualquer festinha de aniversário e pronto, precisa de todo esse exagero?
Outro balançou a cabeça: — Tem algo errado, muito errado.
Sérgio parecia não ouvir as conversas. Ele tirou do bolso uma caixa sofisticada e a abriu delicadamente, revelando um colar deslumbrante.
Ele levantou o olhar e perguntou aos que estavam por perto:
— Vocês acham que ela vai gostar deste colar?
Alguém se aproximou para ver e soltou um grito: — Caramba! Esse não é aquele colar que a Princesa Diana usou? Vale mais de cem milhões! Sérgio, você vai mesmo dar isso para a Nara? Isso é investir pesado demais!
A expressão de Sérgio ficou um pouco sem jeito, mas o tom permaneceu frio: — Só assim ela vai me amar ainda mais profundamente.
Os amigos suspiraram aliviados, e um deles riu, batendo em seu ombro: — Então o Sérgio está jogando a isca para pegar o peixe grande! Típico do Sérgio, sempre meticuloso!
Sérgio não respondeu, apenas guardou a caixa novamente. Seu olhar percorreu cada canto do salão, como se quisesse confirmar que tudo estava perfeito.
Sua concentração era tamanha que parecia um estranho, como se aquela festa, para ele, fosse muito mais do que apenas uma ferramenta de vingança.
Logo, os convidados começaram a chegar. Eram, em sua maioria, figuras importantes da elite de São Paulo. Ao verem Sérgio, todos se aproximavam sorridentes para cumprimentá-lo.
— Sérgio, que festa grandiosa para a namorada! Você não economizou nada, hein? — alguém brincou. — Quando sai o casamento? Estamos todos esperando pela festa!
Sérgio deu um leve sorriso e respondeu com naturalidade: — Em breve. Assim que ela aceitar, eu me caso com ela.
Os convidados riram alto, elogiando sua dedicação.
Os amigos, observando a cena, ficavam com expressões cada vez mais complexas.
Um deles disse baixo: — O Sérgio está atuando bem demais, não está? Eu estou quase acreditando.
Outro balançou a cabeça repetidamente: — Não está certo, realmente não está certo. O Sérgio nunca foi tão sério assim antes.
A festa começou oficialmente, com luzes brilhantes e música suave.
Mas Nara ainda não havia aparecido.
Sérgio estava parado no centro do salão, desviando o olhar para a porta a cada instante, com a testa cada vez mais franzida.
Ele pegou o celular, prestes a ligar para ela.
De repente, as portas se abriram.
Capítulo 10
No momento em que as portas do salão se abriram, um brilho de alegria passou pelos olhos de Sérgio, mas logo foi substituído por um frio glacial.
Pois quem entrou não foi Nara, mas Jéssica.
Ela vestia um traje luxuoso e estava impecavelmente maquiada, mas não conseguia esconder a mágoa e a fúria em seu rosto.
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