"Amada por Vingança" Capítulo 3
— Cunhada, não entenda mal. Esse compromisso foi um arranjo da família. Ele não te contou porque queria resolver sozinho, mas não esperava que a Jéssica tivesse a audácia de vir te provocar. Ele gosta tanto de você que jamais ficaria com outra pessoa.
Gosta?
Ela achou engraçado, mas manteve o olhar baixo, sem qualquer expressão, sentada como uma estátua sem vida.
Momentos depois, Sérgio apareceu. Jéssica saiu correndo em prantos, com uma aparência deplorável.
Sérgio dispensou o grupo e entrou no carro, começando a cuidar do ferimento de Nara com angústia.
Seus movimentos eram delicados, como se estivesse lidando com uma joia frágil, e sua voz soava rouca. — Nara, aquele arranjo é coisa da família. Eu não vou me casar com ela e vou esclarecer tudo com meus pais em breve, não pense bobagens.
Nara não respondeu, apenas olhava para o horizonte. — Entendi, Sérgio. Pode dirigir.
Sérgio olhou para ela, parecendo querer dizer algo, mas acabou dando partida no carro.
A atmosfera dentro do veículo era tão opressiva que dificultava a respiração. Nara fechou os olhos, com a mente em caos.
De repente, ouviu-se o som estridente de uma freada brusca.
Nara abriu os olhos rapidamente e viu apenas um caminhão vindo em sua direção.
Suas pupilas se contraíram e, no segundo seguinte, Sérgio jogou-se sobre ela, protegendo-a firmemente em seus braços.
— BUM! —
Um estrondo ensurdecedor fez o mundo girar.
Nara desmaiou em meio a uma poça de sangue.
Quando acordou novamente, estava em uma cama de hospital, e as luzes fluorescentes no teto feriam seus olhos.
Sérgio estava sentado ao lado da cama, pálido, mas com um olhar de pura euforia. — Nara, você finalmente acordou, que susto você me deu.
Nara moveu os lábios, a voz saindo rouca. — Como você está ferido?
Sérgio acariciou o cabelo dela, tentando soar leve. — Só quebrei uma costela, não é nada. Foi falha minha não ter te protegido direito.
Dito isso, ele levantou-se rapidamente. — Fique deitada, não se mexa. Vou chamar o médico para te examinar.
Após ele sair, o celular de Nara vibrou.
Ao pegá-lo, percebeu que era um vídeo enviado por Jéssica.
As imagens mostravam a cena ocorrida pouco antes no café.
No vídeo, o grupo de amigos explicava incessantemente:
— Senhorita Jéssica, quantas vezes precisamos repetir para você acreditar? O Sérgio estar com a Nara faz parte de um plano. Esse jeito apaixonado é puro teatro, só para se vingar daquele rival, o Yuri. Já que as famílias já acertaram a união, é com você que ele vai casar no final. Você já viu ele voltar atrás em uma palavra no mundo dos negócios? Não estrague tudo agora, por favor.
Jéssica, porém, olhava apenas para Sérgio, com a voz trêmula. — Sérgio, o que eles dizem é verdade? Você realmente não gosta nem um pouco da Nara e tudo isso é vingança?
Os amigos apressaram-se em responder: — Claro! Como ele poderia se apaixonar pela irmã do inimigo mortal? Isso não faz o estilo do Sérgio. Se ele se apaixonasse de verdade, não seria o Sérgio humilhando o Yuri, mas o Yuri pisando no Sérgio. Meu Deus, nem consigo imaginar uma cena dessas.
— Eu quero ouvir do Sérgio! — Jéssica encarava Sérgio com os olhos vermelhos. — Sérgio, diga você.
A expressão de Sérgio era complexa, ele olhava fixamente na direção onde Nara estava no carro.
Por fim, ele assentiu com a cabeça.
Jéssica finalmente se jogou nos braços dele, chorando. — Mas eu ainda me sinto insegura. Vamos nos casar logo e você ainda fica atuando com outra mulher. Faz assim: daqui a pouco, finja que o freio falhou, jogue o volante para o lado do passageiro e cause um acidente para a Nara se machucar. Aí eu acredito em você, pode ser?
Sérgio ficou em silêncio por um momento e respondeu baixo: — Está bem.
O vídeo terminava ali.
Capítulo 5
Os dedos de Nara tremeram tanto que o celular caiu no chão com um baque.
Então, até aquele acidente fora planejado por ele.
Ela fechou os olhos. Tristeza, desespero e humilhação se misturavam em seu peito, deixando sua respiração pesada e dolorida.
Ela não entendia até onde Sérgio pretendia chegar.
Lembrava-se de que, no momento da colisão, ele realmente jogara o volante para o lado do passageiro, mas no último instante, ele se virou para protegê-la.
Ela não compreendia o que ele pensava. Se estava determinado a se vingar, quanto mais ela se machucasse, mais feliz ele deveria ficar. Por que se dar ao trabalho de protegê-la e acabar com uma costela quebrada?
Uma leve suspeita cruzou sua mente, mas ela se recusava a continuar aquele raciocínio.
Sérgio.
Espero que seja como você disse: que não sinta absolutamente nada por mim e que tudo seja apenas vingança.
Caso contrário, se houver um pingo de sentimento, você sofrerá amargamente.
Nos dias seguintes, Sérgio não saiu do lado dela.
Mesmo com uma costela quebrada e contra as recomendações médicas de repouso, ele insistia em cuidar dela pessoalmente: servindo sopa, arrumando os cobertores, cortando frutas e contando histórias.
Qualquer pessoa que visse diria que ele estava loucamente apaixonado. Mas Nara não conseguia sentir alegria.
Ela sabia que tudo era falso.
Toda aquela ternura e preocupação não passavam de uma farsa meticulosamente planejada.
No dia da alta, Sérgio notou que ela estava abatida. Para tentar animá-la, levou-a a uma casa de festas recém-aberta por um de seus amigos.
O camarote tinha luzes baixas e a música estava ensurdecedora.
Sérgio era todo atenções, e seus amigos também a cercavam com gentilezas. No entanto, Nara sentia um desconforto crescente, um pressentimento de que algo estava prestes a acontecer.
Até que a porta do camarote se abriu e Jéssica entrou.
A expressão de todos mudou instantaneamente.
Ao ver que Sérgio estava prestes a explodir, os amigos se adiantaram e sussurraram para Jéssica: — Já não deixamos tudo claro? Você pediu para o Sérgio causar o acidente e ferir a Nara, e ele fez. O que você veio fazer aqui agora?
Jéssica sorriu de forma leve. — Fiquem tranquilos, não vim causar problemas. Desta vez, vim para me juntar ao plano. Afinal, Sérgio vai se casar comigo em breve; se ele tem alguém para destruir, eu também devo dar minha contribuição.
Dito isso, ela se inclinou e sussurrou algo no ouvido de um dos amigos.
Os olhos deles brilharam e sorrisos maliciosos surgiram em seus rostos.
Nara tentava ouvir o que diziam, mas a música estava alta demais.
Após o sussurro, Jéssica caminhou diretamente até ela com um sorriso hipócrita. — Senhorita Nara, peço desculpas pelo que aconteceu antes. Sérgio já me deu uma lição. Ele realmente não aceitou o compromisso da família; ele te ama tanto que se recusa a casar com outra mulher.
Nara franziu a testa, sentindo um mau pressentimento.
Ela não entendia por que a arrogante Jéssica havia cedido de repente, nem por que dizia aquelas coisas, mas seu instinto dizia que as coisas não eram tão simples.
A expressão de Sérgio também não era das melhores, seu olhar alternava entre Jéssica e Nara.
Jéssica, mudando completamente de atitude, tirou um chaveiro da bolsa e estendeu para Nara. — Senhorita Nara, acabei de comprar uma mansão no centro da cidade. É sua, aceite como um presente de desculpas pelo ocorrido.
Nara não aceitou, respondendo friamente: — Não é necessário. Não vou morar em São Paulo.
Ao ouvir isso, a expressão de Sérgio mudou drasticamente.
Ele agarrou a mão de Nara. O homem que sempre tinha o controle de tudo agora demonstrava um pânico indisfarçável em sua voz profunda: — Nara, o que você quer dizer com isso? Eu estou em São Paulo, você certamente vai se casar comigo no futuro. Se não vai ficar aqui comigo, onde pretende ir?
Nara olhou para ele com serenidade.
Ela pretendia, é claro, voltar para o Rio de Janeiro. Para casar-se com quem deveria e ficar ao lado de quem realmente importava.
Capítulo 6
Mas ela não disse a verdade, apenas respondeu de forma evasiva: — Foi apenas um comentário, não pense demais. Só acho que, no fim das contas, ninguém pode prever o futuro.
— Comigo aqui, o que poderia ser imprevisível?
Sérgio claramente não acreditou e quis insistir, mas Jéssica interrompeu: — Senhorita Nara, ouvi dizer que você estuda dança. Não fique aqui parada, vá para a pista dançar um pouco.
Nara balançou a cabeça: — Não precisa, não estou com vontade.
Jéssica, porém, foi persistente: — Fique tranquila, eu reservei este lugar inteiro. Não há mais ninguém na pista agora, nós acompanharemos você.
A expressão de Sérgio escureceu. Ele obviamente não queria que Nara fosse e desejava que ela explicasse o que quis dizer antes.
Nesse momento, os amigos começaram a persuadi-lo: — Sérgio, deixe a cunhada dançar um pouco. Nós também queremos apreciar o talento dela.
Dito isso, um deles se inclinou e sussurrou algo no ouvido de Sérgio.
O rosto de Sérgio fechou-se instantaneamente, mas, após hesitar por vários segundos, ele acabou assentindo.
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TerminadoCapítulo 12
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