"Amada por Vingança" Capítulo 2
Depois de mais algumas recomendações, Yuri desligou relutante. Nara voltou para casa.
Ela tomou um banho para tirar o rastro do desespero e foi até a mesa de centro. Pegou uma folha de papel e começou a listar:
Jogar coisas fora, arrumar malas, pedir demissão, despedir-se de amigos, deletar os vídeos.
Essas eram as tarefas que precisava cumprir antes de partir.
Seu olhar se deteve no último item por um longo tempo. Seus dedos tremiam levemente.
Lembrando-se do "plano de aniversário" que ouvira no clube, ela sabia que precisava ir embora antes da data.
Com esse pensamento, pegou o calendário sobre a mesa e circulou aquele dia com uma caneta vermelha, marcando-o com força.
— Marcou assim para garantir que eu não esqueça?
A porta da mansão se abriu. A voz de Sérgio veio de trás dela, carregada de uma risada preguiçosa. Os dedos de Nara congelaram, e a caneta riscou o papel em um traço longo.
Ela se virou e viu Sérgio encostado no batente, segurando o paletó. A gola da camisa estava levemente aberta, revelando parte da clavícula.
O olhar dele pousou no calendário. Os cantos da boca se elevaram. — Como eu poderia esquecer o aniversário da minha querida? Preparei uma grande surpresa para você naquele dia.
Nara apertou a caneta com força, levantou o rosto e encarou os olhos dele, forçando um sorriso. — Eu também preparei uma grande surpresa para você.
Sérgio hesitou por um segundo e riu. — É o seu aniversário, por que preparou uma surpresa para mim?
Ele caminhou até ela, afagou seu cabelo e disse com carinho: — Mas me diga, você convidou o seu irmão para vir?
O coração de Nara deu um salto. Seus dedos apertaram a borda da mesa inconscientemente.
Ela levantou a cabeça e perguntou, fingindo indiferença: — Você quer que eu o convide?
Sérgio olhou para ela, um brilho complexo passando por seus olhos.
Ele sorriu, a voz profunda. — Convide. Seria bom acabar com essa rivalidade. Briguei com ele por tantos anos e não queria admitir derrota, mas o que posso fazer se gosto tanto da irmãzinha preciosa dele? Ceder por amor não é vergonha nenhuma.
A garganta de Nara parecia bloqueada; ela não conseguiu dizer uma palavra.
Sérgio se inclinou para beijá-la, mas ela virou o rosto. — Não estou me sentindo bem hoje, não quero fazer nada.
Sérgio parou por um momento, soltou um riso curto e beijou a testa dela. — Tudo bem, descanse então.
Dito isso, ele foi para o banheiro.
Nara permaneceu ali, ouvindo o som da água. Seu olhar caiu sobre o celular que Sérgio deixara jogado no sofá. Seu coração batia tão rápido que parecia querer pular do peito.
Ela pegou o aparelho silenciosamente. Tentou a senha várias vezes, mas não conseguiu desbloquear.
Uma sensação de impotência a dominou enquanto seus dedos tremiam.
Por fim, devolveu o celular ao lugar original, forçando-se a manter a calma para pensar em outro plano depois.
Na manhã seguinte, quando Sérgio acordou, encontrou Nara arrumando as coisas.
Aos pés dela, havia uma pilha de itens de casal: canecas combinando, chinelos, almofadas...
Sérgio franziu a testa e aproximou-se, confuso. — Por que está jogando tudo isso fora de repente?
Nara nem sequer levantou a cabeça, respondendo com neutralidade: — Não gosto mais. Compro outros depois.
Sérgio não insistiu, apenas sorriu. — Deixe isso. Peço para os empregados organizarem depois. Está quase na hora, quer que eu te leve para o estúdio de dança?
Nara balançou a cabeça. — Não precisa. Eu liguei e pedi demissão.
Sérgio estancou, a testa franzida. — Você não amava dançar? Por que demitiu-se assim do nada?
Nara levantou os olhos, o olhar calmo. — Estou cansada. Quero descansar por um tempo.
Sérgio ficou em silêncio por alguns segundos, então acariciou o cabelo dela. — Tudo bem. Dançar cansa muito, e além disso...
Seus dedos deslizaram suavemente pela cintura dela, a voz rouca. — Uma cintura tão macia assim... eu também não gosto que os outros fiquem olhando.
Nara esquivou-se da mão dele, fria. — Pode ir para o trabalho agora.
Depois que Sérgio saiu, Nara passou boa parte do dia jogando fora todos os itens de casal.
Parada na sala agora vazia, sentia um aperto no peito, como se não houvesse ar suficiente.
Nesse momento, seu celular vibrou.
Era uma mensagem de um número desconhecido.
"Encontre-me às três da tarde no Café Blue Mountain. Sou a noiva do Sérgio."
Os dedos de Nara apertaram o celular com tanta força que as juntas ficaram brancas.
Capítulo 3
Nara empurrou a porta do café, e o sino tocou com um som nítido.
Seu olhar percorreu o estabelecimento e rapidamente localizou uma mulher sentada em um canto.
A mulher vestia um conjunto Chanel impecável, com uma maquiagem sofisticada e cada gesto exalava uma superioridade inata. Nara aproximou-se, puxou a cadeira e sentou-se, sem demonstrar qualquer emoção.
— Meu nome é Jéssica, sou a noiva do Sérgio — disse Jéssica, indo direto ao ponto com um tom provocativo.
Nara permaneceu em silêncio, apenas observando-a calmamente, com um olhar tão estático quanto uma poça de água parada.
Jéssica claramente não esperava por essa reação e franziu a testa. — Você é a namorada do Sérgio. De repente aparece uma noiva e você não tem nada a perguntar?
Nara esboçou um sorriso amargo, sentindo um vazio gélido no peito.
Perguntar? O que mais ela poderia perguntar? Desde o dia em que ouvira aquelas palavras no clube, seu coração por Sérgio já havia morrido completamente.
Nada do que ele fizesse a surpreenderia mais.
Ao ver o silêncio dela, o rosto de Jéssica escureceu.
Ela revelara sua identidade esperando ver Nara histérica e desesperada, mas a garota à sua frente era como um bloco de gelo, tão fria que não lhe dava brechas para atacar.
Jéssica rangeu os dentes e seu tom tornou-se afiado. — As famílias de Sérgio e a minha se unirão em breve, e ele já concordou. Não importa quem você seja, ele vai terminar com você imediatamente. Sugiro que saia por conta própria; posso até te dar algum dinheiro. Caso contrário, só passará vergonha.
Nara levantou a cabeça e a encarou com serenidade. — Quando o anúncio da união será feito?
Jéssica hesitou por um segundo, então sorriu vitoriosa. — No início do próximo mês. A data exata ainda não foi definida, mas não vai demorar.
Início do próximo mês, exatamente após o seu aniversário.
Pelo visto, Sérgio já havia planejado tudo: divulgar os vídeos no dia do aniversário dela para descartá-la e, em seguida, unir-se à família de Jéssica.
Sérgio, Sérgio... você realmente não tem coração.
A voz de Nara saiu monótona. — Você chegou a me investigar? Se tivesse feito o mínimo de pesquisa, saberia que não me falta dinheiro. Se veio aqui hoje para me humilhar, errou o alvo.
O rosto de Jéssica tornou-se feio instantaneamente. Nara olhou para ela e acrescentou: — E deixo um aviso: Sérgio não tem sentimentos, ele não ama ninguém além de si mesmo. Casar-se por interesses mútuos é uma coisa, mas se você se apaixonar por ele, estará perdida.
Dito isso, ela se levantou para sair, mas Jéssica levantou-se abruptamente e agarrou seu pulso, gritando: — Com que direito você fala assim dele?!
Antes que Nara pudesse reagir, Jéssica pegou a xícara de café sobre a mesa e atirou contra ela.
O líquido morno escorreu pelo seu cabelo e bochechas, manchando suas roupas.
Não satisfeita, Jéssica empurrou Nara com força.
As costas de Nara bateram violentamente contra a quina de uma mesa e ela caiu no chão. Sua cabeça atingiu o piso, provocando uma dor aguda e turvando sua visão. Ela levou a mão à testa e sentiu os dedos cobertos de sangue.
Nesse momento, a porta do café foi aberta com violência.
— Jéssica, o que você pensa que está fazendo!
Uma voz gélida ecoou atrás delas, carregada de uma fúria contida.
Nara levantou o olhar e viu Sérgio caminhando a passos largos, seguido por alguns de seus amigos. Ele vestia um sobretudo preto, que acentuava ainda mais sua expressão sombria e assustadora.
Ele empurrou Jéssica para o lado, pegou outra xícara de café sobre a mesa e, sem hesitar, despejou sobre ela.
Em seguida, tirou o próprio casaco para envolver Nara, com a voz levemente trêmula. — Nara, você está bem?
Jéssica olhou para ele incrédula. — Sérgio, eu sou sua noiva! Você teve coragem de jogar café em mim por causa dela?!
Capítulo 4
Sérgio a ignorou completamente, apenas olhando para Nara com uma doçura fora do comum. — Querida, espere por mim no carro. Vou resolver isso aqui e vou logo em seguida.
Nara não disse nada, permitindo que ele a ajudasse a levantar e a conduzisse até a saída.
Sua mente estava um vazio total, com um zumbido nos ouvidos que só começou a dissipar quando se sentou no carro.
Pouco depois, os amigos de Sérgio saíram primeiro.
Um deles aproximou-se do veículo e bateu na janela.
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