"O Trigésimo Terceiro Contrato de Amor" Capítulo 19
Tive que contornar até a janela de vidro do outro lado e, ao ver a situação lá dentro, meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente.
A pessoa na cama estava inconsciente, com ferimentos por todo o corpo.
Se eu não conhecesse Gabriel tão bem, provavelmente nem o reconheceria.
"Ali?"
Uma voz familiar veio de trás de mim.
Virei-me e vi um casal de casacos olhando para mim com surpresa.
"Tia, tio."
Eram os pais de Gabriel Rocha.
A mãe de Gabriel aproximou-se, olhou para dentro do quarto e seus olhos transbordaram preocupação.
O pai de Gabriel tocou no ombro da esposa e disse: "Felizmente, ele não corre mais risco de vida."
Ela assentiu.
Os dois observaram o filho por um momento.
Eu não queria incomodar a família e me preparei para sair.
De repente, a mãe dele me chamou.
Virei-me, confusa.
"Ali, sobre você e o Gabriel... eu e o pai dele já sabemos de tudo."
Ao ouvir aquilo, meu rosto empalideceu completamente.
"Desculpe..."
O pai disse: "Você não precisa se desculpar. Vocês sempre foram tão próximos que nós já suspeitávamos antes."
Ergui o olhar, sentindo um frio na espinha.
Os pais de Gabriel se entreolharam.
A mãe suspirou e disse: "No entanto, nós não podemos permitir que vocês fiquem juntos."
Fiquei estática.
O pai continuou: "Espero que compreenda. O Gabriel é o único herdeiro da família Rocha; precisamos garantir que ele tenha um caminho sem obstáculos."
Embora as palavras fossem repletas de desculpas e gentileza, elas penetraram como lâminas em carne viva.
A dor era tanta que eu estava anestesiada.
Tentei forçar um sorriso, mas não sabia se a expressão resultante era de riso ou choro.
Eu disse: "Tio, tia, fiquem tranquilos. Nós nunca estivemos juntos."
Capítulo 41
Fugi desesperada.
Eu já sabia que nosso destino era a separação, mas no momento em que a realidade foi exposta de forma tão nua, eu não consegui mais me segurar.
Meus olhos já não produziam lágrimas, apenas ardiam intensamente.
Encolhida sobre a cama, eu era uma covarde que se recusava a encarar a realidade.
A Alice destemida de outrora havia desaparecido.
Mesmo quando meus pais voltaram, não saí debaixo das cobertas.
Olhando para mim, eles sentiam uma mistura de pressa e impotência.
Por fim, o médico proibiu terminantemente que eles partissem: "Partir nessas condições causaria um dano ainda maior a ela!"
Eles sabiam disso, mas permanecer no hospital não me fazia bem.
Tiago, sem saída, prometeu ao médico que me levaria para casa para descansar e que não me levaria para o exterior.
A partir daquele dia, acostumei-me a ficar aérea; às vezes, nem sequer respondia à voz dos meus pais.
Havia momentos em que eu nem sabia se deveria dormir.
Tiago, não aguentando mais ver aquilo, tentou até me provocar com palavras ásperas.
Mas foi inútil.
Eu apenas ficava sentada, sem que ninguém soubesse o que eu pensava.
Naquele dia, Tiago contou a situação para Renato, que sugeriu vir me visitar.
Como Renato havia ajudado a família Santos, Tiago concordou.
De fato, quando Renato chegou, eu continuava sentada à beira da cama, observando o céu pela janela.
Um pássaro solitário cruzou o firmamento e meus olhos acompanharam seu movimento.
Renato agachou-se à minha frente e disse: "Alice Santos, você não pode continuar em silêncio. O Gabriel Rocha ainda está em coma, e o criminoso que o feriu continua impune."
Ao ouvir isso, movi os dedos, mas logo voltei à imobilidade.
Renato balançou a cabeça para Tiago, desanimado; os dois me olharam uma última vez e saíram.
Naquela noite, minha mãe subiu com a bandeja de comida e, ao abrir a porta, viu-me parada em frente ao espelho.
Eu vestia aquele traje formal que Gabriel me dera, com o cabelo preso, parecendo uma pessoa comum.
Minha mãe surpreendeu-se: "Ali?"
Virei-me e disse: "Mamãe."
Minha mãe largou a bandeja e correu para me abraçar: "Está tudo bem agora, está tudo bem."
Meu pai e Tiago, que subiram ao ouvir o barulho, ficaram aliviados.
Tiago brincou: "Finalmente posso voltar para cuidar da minha esposa e do meu filho."
Dei uma risadinha leve e disse: "Desculpe, irmão, por te dar tanto trabalho."
Ele afagou minha cabeça.
"O importante é que você esteja bem."
Irmão e irmã trocaram um sorriso, sentindo-se mais próximos.
"Mas, por que você vestiu essa roupa de repente?", Tiago perguntou curioso.
Afinal, desde que eu voltara da metrópole, nunca mais usara roupas profissionais.
Olhei para o traje e demorei a responder.
Após um tempo, eu disse: "Quero voltar para o escritório de advocacia."
Tiago opôs-se imediatamente: "Não, você não pode ir agora."
Ergui o olhar, encarando-o seriamente: "Quero encerrar tudo isso com minhas próprias mãos."
Meus pais também ficaram surpresos.
"Eu e o Gabriel estamos sempre presos um ao outro porque não conseguimos desapegar. Quero ajudá-lo a resolver este caso, deixar todo o passado para trás e retomar meu próprio caminho."
Falei pausadamente; aquelas palavras eram tanto uma explicação quanto um aviso a mim mesma.
Eu lembrava a mim mesma, repetidamente, do propósito do que estava fazendo.
E do desfecho final.
Uma vez que um paciente com transtorno obsessivo se fixa em algo, ele usará qualquer meio para atingir o objetivo.
Os três entenderam que tentar me impedir agora teria o efeito oposto.
Eles só puderam relatar o ocorrido ao médico e passar a me vigiar em turnos.
Enquanto os três discutiam como organizar os próximos passos, estendi os braços e os envolvi em um abraço.
Meus pais e Tiago ficaram atônitos.
"Papai, mamãe, irmão... desculpem por todo o transtorno."
"E, obrigada. Eu amo muito vocês."
Enquanto falava, as lágrimas escorreram pelo meu rosto, e meu peito foi inundado pelo calor daquele abraço familiar.
Capítulo 42
No dia seguinte, visitei Renato, que, como se já esperasse, preparou o trabalho para mim.
"Se o corpo não aguentar, você deve me avisar, não se force", alertou Renato.
Assenti: "Obrigada, veterano."
Faziam três ou quatro anos que eu não lidava com trabalho jurídico; felizmente, eu revisara alguns conteúdos antes, caso contrário, não teria coragem de assumir.
Como a vítima desta vez era um promotor, as autoridades deram muita importância ao caso.
As investigações transcorreram sem problemas, mas o grande desafio eram as evidências.
Para onde tinha ido o dinheiro usado pelo criminoso para contratar o assassino?
Como a cadeia financeira dessa pessoa era vasta, com uma grande parte no exterior, a investigação era complexa.
Certo dia, após o expediente, fui ao hospital visitar Gabriel e encontrei a Elisa.
Ela me olhou com incredulidade e disse: "Você já decidiu ir para o exterior, por que ainda vem incomodá-lo?"
Franzi levemente a testa: "O que eu faço não é da sua conta."
Dito isso, preparei-me para abrir a porta do quarto.
Elisa estendeu a mão, barrando a entrada.
"Você não é bem-vinda aqui."
Sorri com desdém: "Em que qualidade você está aqui me impedindo?"
Elisa: "Gente descartada insistindo é muito irritante; o Gabriel sempre odiou pessoas assim."
"Fique tranquila, essa pessoa é você, não eu", respondi, empurrando a Elisa para o lado.
Ela se desequilibrou e, ao perder a posição, agarrou minha roupa.
Não tive tempo de reagir e, sendo puxada por ela, quase caí.
De repente, um par de mãos me segurou por trás; virei-me e vi: "Tia."
A mãe de Gabriel olhou para Elisa com desagrado e disse friamente: "Quem é você? O que faz barrando a porta do quarto do meu filho?"
O rosto de Elisa mudou de cor ao perceber que aquela era a mãe de Gabriel Rocha.
"Eu..."
A mãe dele ignorou-a completamente e olhou para mim com preocupação: "Ali, entre primeiro. Vou chamar os seguranças para levá-la."
Assenti e entrei no quarto.
No momento em que fechei a porta, ouvi a mãe dele dizer a Elisa: "Se incomodar meu filho de novo, eu chamo a polícia."
Aquelas palavras calaram a Elisa, que não teve escolha senão ir embora humilhada.
No quarto, Gabriel continuava em coma.
Sentei-me no banco, observando em silêncio o rosto dele.
Não havia muitos cortes no rosto; o foco eram as pernas esmagadas e a concussão cerebral que o mantinha inconsciente.
Depois de um tempo, comecei a falar sobre o caso.
"A investigação da cadeia financeira está quase terminando; além disso, descobrimos muitos crimes de fraude financeira, o suficiente para que ele apodreça na cadeia..."
Enquanto eu falava, a mãe de Gabriel entrou, deu uma olhada e pediu para eu vigiá-lo um pouco enquanto ela ia comprar algo.
A porta se fechou novamente.
Estendi a mão e segurei a mão dele que não estava ferida.
Meus dedos finos acariciavam a mão grande; os calos deixados pela escrita nos dedos dele me traziam conforto.
"Gabriel, recupere-se logo. Espero poder vê-lo são e salvo quando eu partir."
Dito isso, retirei minha mão.
Subitamente, aquela mão virou-se e segurou a minha com força.
Assustada, ergui o olhar e vi que Gabriel havia aberto os olhos e me encarava com raiva.
Ele disse com dificuldade: "Aonde você vai?"
Naquele momento, eu já não conseguia ouvir o que ele dizia; minha mente estava focada apenas no fato de ele ter acordado.
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