"O Trigésimo Terceiro Contrato de Amor" Capítulo 18
De repente, uma notícia me atingiu em cheio.
"Um promotor desta cidade, de sobrenome Rocha, sofreu uma retaliação criminosa e envolveu-se em um grave acidente de carro na Estrada Dongting esta manhã."
Capítulo 38
Clanc—! A marmita caiu no chão.
Levantei-me de repente, olhando para a televisão com horror.
Meus pais ficaram atônitos por um segundo, mas logo viram a notícia e suas expressões mudaram drasticamente.
"Ali..."
Antes que minha mãe terminasse de falar, saí correndo desesperadamente.
"Ali!" Minha mãe tentou ir atrás, mas escorregou no chão liso.
Meu pai parou por um instante para acudir a esposa, mas levou um tapa: "Vá atrás da Ali agora! Ela está doente!"
Mas, num piscar de olhos, o vulto de Alice já havia desaparecido.
Corri freneticamente para fora; o ar invadia meus pulmões e minha garganta doía como se estivesse sendo rasgada, mas eu não parava.
Peguei o celular e liguei para aquele número familiar.
"Desculpe, o número discado não pode atender..."
Meus olhos baixaram e o desespero me envolveu: "Gabriel, por favor, atenda..."
Na terceira tentativa, a ligação finalmente foi atendida.
"Gabriel!" gritei ansiosa.
"Alô, aqui é da polícia. O Gabriel Rocha está no hospital agora..."
Perguntei o local rapidamente, fui para a beira da estrada e parei um táxi.
Assim que me acomodei, meu celular tocou; era o Tiago.
Assim que a ligação caiu, Tiago perguntou imediatamente: "Onde você está agora?"
"Eu... eu estou indo ver o Gabriel..." Minha voz carregava um rastro de pavor.
"Entendi. Eu também estou indo, não faça nada imprudente."
Assenti de qualquer jeito e perguntei com cautela: "Irmão, como ele está?"
"Ele está bem, não fique nervosa."
Nessa situação, Tiago não sabia como explicar direito, então apenas tentava me acalmar repetidamente.
Talvez o consolo tenha funcionado; eu me acalmei aos poucos e, tirando a ansiedade estampada no rosto, não demonstrava outras alterações.
O carro logo parou na porta do hospital e eu entrei correndo.
Meu médico responsável já havia recebido a ligação de Tiago e me esperava.
Ele consolou: "Não se apresse, o estado dele não é crítico, tente se acalmar primeiro."
Assenti, respirei fundo por três minutos no corredor antes de subir.
Nesse meio tempo, Tiago também chegou ao hospital.
Ele me levou até a frente da sala de cirurgia.
A luz vermelha refletia no meu rosto, tornando minha expressão ainda mais aterrorizada.
Uma poça de sangue vermelho escorria por debaixo da porta da sala de cirurgia.
"Ah—!"
Gritei, tapando os ouvidos.
"Ali!"
O médico interveio rapidamente: "Tirem-na daqui, levem-na para a sala de medicação!"
O sedativo já estava preparado.
Eu lutava, contorcendo o corpo, mas meus olhos permaneciam fixos no sangue que fluía lentamente no chão.
Dentro da sala de cirurgia, o homem abriu os olhos com dificuldade.
Um grito o fez despertar lentamente; seu cérebro entorpecido o fez lembrar de algo.
Ele moveu os lábios, tentando dizer algo.
A enfermeira inclinou-se imediatamente.
"...Apaguem a luz."
A enfermeira não entendeu.
"Apaguem a luz da porta, ela tem medo de vermelho..."
O médico e a enfermeira se entreolharam.
Não sabiam como um paciente gravemente ferido conseguia acordar sob o efeito duplo do coma e da anestesia.
"Senhor, apagar a luz vai contra o protocolo."
O homem não ouvia mais; apenas murmurava: "Ela tem medo."
O médico, resignado, cedeu.
Nisso, outra enfermeira entrou e sussurrou algo em seu ouvido.
O médico se surpreendeu e disse: "Então apaguem."
Clac—! A luz vermelha da sala de cirurgia apagou-se subitamente, e o branco voltou a dominar o corredor.
Todos olharam surpresos para a porta.
Tiago estranhou que a luz não estivesse mais vermelha, mas também não mudara para verde.
De repente, parei de lutar, meus olhos reviraram e eu desmaiei.
Capítulo 39
Acordei e minha memória parou no momento em que a luz vermelha desapareceu.
Ouvi um som de choro ao meu lado; virei a cabeça confusa e vi minha mãe sentada no sofá, soluçando baixo.
Tentei falar, mas uma sensação de fraqueza tomava conta de meus membros.
Eu conhecia essa sensação; ela vinha sempre após as crises, quando as emoções intensas desgastavam o corpo.
Nisso, o Dr. Renato entrou apressado; ao me ver na cama, seus olhos mostraram tristeza.
Tiago aproximou-se: "Conto com você para este processo judicial."
Renato assentiu: "Fique tranquilo, não darei chance para aquele homem sair da prisão."
Os dois saíram para começar a investigar as evidências.
Minha mãe parou de chorar e veio até a cama, radiante ao ver que eu acordara.
"Ali, onde dói?"
Balancei a cabeça fracamente: "Mãe, como está o Gabriel?"
A atitude de perguntar por ele assim que acordou deixou minha mãe irritada: "Ele está bem, mas de agora em diante eu não permito que você o veja!"
Quase aconteceu uma tragédia sem nem se verem; se se vissem, quem sabe o que ocorreria.
Não me opus; eu já estava preparada para partir.
Apenas o susto de hoje me deixou desorientada.
Já que Gabriel estava bem, eu poderia partir em paz.
"Mãe, desculpe. Quando eu estiver melhor, vamos embora."
Apesar da raiva, minha mãe assentiu.
"O voo foi remarcado para a noite."
Assenti.
Meu médico entrou e me examinou novamente.
Permaneci em silêncio o tempo todo.
O médico disse, resignado: "Embora a crise não tenha sido agressiva, você deve evitar picos emocionais."
Após um longo tempo, eu disse: "Eu tive alucinações hoje... achei que aquele era o sangue do Gabriel..."
O médico estancou: "Foi a primeira vez?"
Balancei a cabeça negativamente.
"Eu ainda recomendo que você fique em observação no hospital."
"Não quero", respondi, erguendo o olhar. "Se eu ficar aqui, no mesmo hospital que ele, não vou resistir à vontade de vê-lo."
"Por favor, deixe-me ir embora daqui."
...
Renato terminou de resolver as questões no hospital e voltou à tarde.
Nesse momento, eu já havia retornado ao meu estado normal.
Eu sabia que Renato aceitara o caso e só podia agradecer.
"Eu já queria agradecer ao veterano por doar sangue para mim antes, e agora ainda tenho que te incomodar com isso."
Renato sorriu: "Não é incômodo, este é um caso ganho, é como ganhar dinheiro fácil."
Eu sabia que ele estava tentando me consolar.
Renato continuou: "Cuide da sua saúde, você está bem mais magra do que antes."
Assenti.
Houve um momento de silêncio.
"Vou indo, já que você está bem; ainda tenho muito trabalho com o caso", disse Renato, levantando-se.
"Espere!"
Chamei por ele subitamente.
Renato parou e esperou que eu falasse.
"Veterano, se eu tivesse continuado meus estudos na capital naquela época, você acha que eu seria diferente do que sou agora?", perguntei.
Renato abriu a boca e finalmente disse: "Se você tivesse escolhido aquele caminho, você deixaria de amar o Gabriel Rocha?"
É verdade, não importa o que acontecesse, eu continuaria amando-o, então o desfecho não mudaria.
"Mas eu não posso mais amá-lo", disse lentamente. "Como posso vê-lo neste estado? Ele tem um futuro brilhante; carregar um fardo como eu arruinaria a vida dele!"
"Meu sonho de ser juíza não existe mais, então, pelo menos o sonho dele, eu quero proteger."
Capítulo 40
Renato saiu do quarto do hospital e, em seguida, pegou o celular; a tela mostrava que uma gravação estava em curso.
"Eu pretendia gravar o depoimento do médico como evidência, mas acabei esquecendo de desligar...", ele suspirou, resignado. "Talvez o destino esteja ajudando vocês."
Assim, Renato guardou o celular e dirigiu-se a outro prédio da ala de internação.
Com a permissão dos médicos, ele caminhou até a beira da cama de Gabriel.
Ele ligou a gravação do celular e deu o play naquele trecho.
A voz feminina ecoou pelo quarto, parando apenas com o som da porta se fechando.
Renato guardou o aparelho e olhou para Gabriel.
Ele estava com uma máscara de oxigênio, quase todo o corpo envolto em gazes e uma das pernas suspensa.
Naquele momento, Gabriel ainda estava inconsciente.
Contudo, Renato viu uma lágrima escorrer pelo canto do olho dele.
"Gabriel Rocha, embora eu sinta bastante inveja de você, não sou capaz de me aproveitar da situação", disse Renato suavemente. "Eu cuidarei do processo para você; recupere-se bem e, quando ela voltar, converse seriamente com ela."
Dito isso, Renato virou-se e saiu do quarto.
A porta se fechou e Renato olhou para trás uma última vez.
A pessoa na cama moveu levemente os dedos, como se lutasse para acordar.
Renato soltou um longo suspiro, desviou o olhar e pegou o celular novamente.
Do outro lado, recebi uma mensagem de Renato, que resumia brevemente o estado de Gabriel.
Ele disse: "Ele só reagiu quando ouviu o seu nome."
Essas palavras foram como água quente despejada em uma frigideira com óleo, fazendo com que meu interior perdesse a paz.
Tentei me hipnotizar repetidamente, mas meus pensamentos iam na direção oposta.
O médico responsável e meus pais conversavam no consultório; Tiago já havia ido à delegacia para investigar o ocorrido.
Pisei descalça no chão e abri a porta, olhando para os lados.
Ao notar que não havia conhecidos, escapei de fininho.
Não era possível entrar no quarto de Gabriel; havia guardas da Procuradoria vigiando a porta.
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