"O Trigésimo Terceiro Contrato de Amor" Capítulo 17
Ele disse: "Eu preciso ouvir dela, pessoalmente, que ela não me ama mais para poder desistir. Diga à Ali que eu vou esperar por ela."
Tiago ficou sem palavras por um momento, frustrado.
"Você não vai conseguir esperar tanto tempo." Dito isso, Tiago virou-se bruscamente e saiu.
Gabriel permaneceu imóvel sob a luz de um poste.
Sua sombra solitária alongava-se no chão, mas já não tocava a sombra de mais ninguém.
...
Em um café num terraço, eu segurava uma xícara de café americano autêntico; o amargor invadia a ponta da língua e o sabor persistia.
Sentada ali, eu conseguia avistar toda a aldeia à beira da floresta; a brisa soprava, levando meus pensamentos.
Desde que vim para o exterior, passei muito tempo sem pensar no Gabriel.
Até eu mesma achava isso inacreditável.
Parece que o tempo realmente pode curar alguém e fazer esquecer uma pessoa.
Terminei o doce que estava na mesa e entrei na loja.
Meus pais esperavam em um canto; quando me aproximei, percebi que o semblante deles não estava bom.
"O que houve?", perguntei.
Eles se entreolharam e minha mãe disse: "Nada, é só que seu irmão teve um probleminha no trabalho, mas será resolvido logo."
Meu pai assentiu, mas seu olhar era de certa insegurança.
Percebi o desconforto deles e perguntei novamente: "O que aconteceu de verdade?"
Meu pai suspirou, resignado: "O Gabriel... por excesso de trabalho, ele foi parar na emergência."
Aquelas palavras caíram sobre mim como um raio.
"Ali!" Minha mãe levantou-se e segurou minhas mãos. "Ouça a mamãe, você não pode voltar! O Gabriel não corre risco de vida, mas se você voltar e seu estado piorar, o que faremos?!"
Meu peito, que antes lutava por ar, subitamente se acalmou.
É verdade, eu já dei problemas demais para a minha família; não posso voltar a ser como antes.
Sorri e disse: "Fique tranquila, mamãe, eu não vou voltar."
Capítulo 36
No hospital, Tiago Santos jogou uma trouxa de roupas em cima de Gabriel.
"Louco! Vocês dois são loucos!"
Gabriel afastou o embrulho com resignação; ele ainda estava tomando soro. "Sou um paciente, tenha cuidado."
"Ultimamente você nem pegou tantos casos! Só um idiota acreditaria que você ficou assim por causa de trabalho!"
Gabriel jazia fraco na cama, observando Tiago tagarelar sem parar.
"E a Ali?", ele perguntou.
Tiago parou subitamente de esbravejar, olhou para Gabriel com uma expressão complexa e disse: "Ela não vai voltar."
"Entendo." Gabriel não pareceu se importar e fechou os olhos.
Ao vê-lo assim, Tiago sentiu-se exausto.
Esse sentimento já estava sentenciado, por que se machucar tanto?
Uma, para não vê-lo, arriscou cortar o próprio pulso; o outro, para vê-la, quase teve uma parada cardíaca.
Eles não sabiam que, por um triz, poderiam morrer?
Tiago entendeu de repente: eles sabiam que poderiam morrer, mas estavam dispostos a dar a vida pelo outro.
"Se a minha morte puder curá-la completamente, seria uma boa escolha."
Tiago olhou para o homem que falava.
Ele estava de olhos fechados, com o semblante calmo, mas proferia palavras de arrepiar.
"Louco", disse ele.
Gabriel riu baixo: "O amor é algo feito para nos deixar loucos."
Antigamente, Tiago jamais imaginaria tais palavras saindo da boca de Gabriel.
Ele era frio por natureza; nenhuma garota conseguia atrair sua atenção.
Pensando bem, apenas a presença de Alice era tolerada por ele.
Tiago sentiu que, nesse campo de batalha amoroso, quem se apaixonou primeiro foi, provavelmente, o próprio Gabriel.
Do outro lado, após saber da internação de Gabriel, embora eu tenha escolhido não voltar, não pude evitar a preocupação.
Gabriel sempre se exercitou, por que algo assim aconteceu?
Como ele está agora?
Estendi a mão, olhando para minha palma esquelética, e a fechei com força.
As unhas cravaram-se na carne, e só então recuperei um pouco da calma.
— Tudo bem, o meu irmão está com ele.
"Ali, hora de comer", veio a voz da minha mãe da porta.
Levantei-me depressa, abri a porta pela metade e peguei a bandeja que ela trazia.
"Ainda quer comer sozinha hoje? Não quer vir conosco?"
Escondi-me atrás da porta; não queria ver ninguém e fechei-a com força.
A comida exalava um aroma convidativo, mas eu não sentia gosto de nada; engoli a comida como se mastigasse cera.
Ao terminar, senti-me tão cheia que me deitei na cama, inquieta.
Aos poucos o sono veio, e eu sonhei.
Os pesadelos de antes me faziam temer o sono, e desta vez não foi diferente; eu estava parada no vazio, em pânico.
O homem à minha frente já não segurava uma lâmina, mas caminhava para longe, passo a passo, até desaparecer.
Meus membros estavam travados; eu estava parada ali, impotente.
Na realidade, meu rosto já estava banhado em lágrimas.
No instante em que o vulto sumiu, acordei sobressaltada; encarei a parede, perdida em alucinações.
Como se estivesse sonâmbula, levantei-me, vi a louça sobre a mesa e, de repente, ergui a tigela e a estilhacei no chão.
Bum—!
Lá embaixo, meus pais ouviram o estrondo e assustaram-se.
Subiram correndo e usaram a chave reserva para abrir a porta.
No momento em que abriram, viram-me segurando um caco de cerâmica apontado para o meu pulso.
"Ali—" minha mãe gritou em pânico, avançando para segurar o estilhaço.
O sangue espirrou instantaneamente.
Meu pai me segurou por trás, dando chance para que minha mãe tomasse o caco.
Naquele momento, a palma da mão da minha mãe ficou com um corte profundo.
Eu permanecia indiferente, de cabeça baixa, com os olhos sem brilho e sem foco, sussurrando baixinho: "Eu vou te ver agora..."
Ao ouvir aquilo, minha mãe desabou em prantos.
Capítulo 37
Não sei quanto tempo se passou, mas finalmente recuperei a consciência.
Olhei para a palma da mão da minha mãe e comecei a chorar copiosamente, pedindo desculpas sem parar.
Minha mãe, não suportando me ver chorar, consolou-me: "Não foi nada. Assim a mamãe pode descansar um pouco e deixar seu pai cozinhar!"
Meu pai assentiu: "Vou praticar bastante minhas habilidades culinárias."
Minha mãe desdenhou: "Se for comestível, já está de bom tamanho."
Enxugando as lágrimas, observei meus pais brincando um com o outro e, por um momento, senti uma inveja profunda.
Infelizmente, eu jamais teria um amor tão feliz nesta vida.
Logo, a viagem deste mês terminou e voltei ao país para uma revisão médica.
Felizmente, a situação não havia piorado muito, e meus pais decidiram partir para outro país no dia seguinte.
Naquela noite, fiquei no meu quarto; muitas das minhas coisas haviam sido guardadas — todas relacionadas a Gabriel Rocha.
Eu folheava meus mangás de infância, mergulhada em meu próprio mundo por um tempo.
De repente, ouvi um baque vindo da janela.
Olhei confusa para fora e, em seguida, ouvi outro estrondo.
Caminhei intrigada até a beira da cama e abri as cortinas.
O quarto ao lado estava com as luzes acesas, e Gabriel, de pijama, estava na varanda.
Naquele momento, seu cabelo estava solto, caindo suavemente sobre o rosto, sem a imponência do dia a dia.
Meu coração deu um salto.
Faziam muito tempo que não nos víamos.
Imaginei inúmeras vezes como seria o nosso reencontro e se meu coração ainda bateria por ele.
Mas a realidade me provou que não; eu não o esqueci.
Eu ainda o amava.
Senti meu coração apertar e a respiração tornar-se difícil.
O que ele queria dizer? — pensei.
"Quer uma maçã do amor?" Gabriel levantou o doce e o balançou no ar.
Num instante, a maçã do amor do Dia das Crianças ressurgiu em minha mente.
E, com ela, o Gabriel brilhando sob as luzes.
Seu sorriso, seu olhar, seu toque — nada havia desaparecido.
— Você o ama perdidamente.
Segurei as cortinas com força, respirei fundo e disse: "Não quero."
Dito isso, fechei as cortinas.
Escorreguei pela parede até o chão, encolhendo-me e abraçando meu próprio corpo.
Assim está bem, assim é melhor.
Tudo acabou.
O romance não existe mais.
Ele continua sendo o promotor de futuro brilhante, e eu continuo sendo a viajante em busca de um lugar de cura.
...
No dia seguinte, arrumei minha bagagem e, sob a pressa de meus pais, dobrei os cobertores e abri as cortinas.
Um bilhete estava preso a uma maçã do amor pendurada na minha janela.
Uma linha longa a conectava à varanda ao lado.
A janela oposta estava escancarada, mas não se via ninguém.
Hesitei por um momento antes de pegar o bilhete.
[Antes era você quem me esperava, agora sou eu quem espera por você.]
Dei uma mordida na maçã do amor; o sabor agridoce se misturava em minha boca.
Eu disse: "Eu já não preciso de maçãs do amor."
Cuspi o pedaço da fruta e joguei o doce no lixo.
Puxei minha mala com determinação e saí pela porta.
No aeroporto, meus pais, preocupados com o horário cedo e com medo de que eu estivesse com fome, prepararam comida.
A comida aquecida não tinha gosto de nada, então eu a engoli à força.
Para desviar o foco da comida, olhei para as notícias no saguão de embarque.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 23
Destruída pelo Desejo
Janaína pensou que Yago era a luz no fim do túnel em seu casamento sem amor com Lucas. Mas o que ela não sabia era que esse homem misterioso era uma armadilha preparada pelo seu próprio marido. Entre beijos ardentes e segredos perigosos em São Paulo, Janaína recupera memórias de cinco anos atrás. O herói que a salvou da morte é o mesmo vilão que agora a destrói. Quando o divórcio se torna inevitável, quem sairá inteiro desse jogo de poder e obsessão?Moderno|Romance48.6 mil palavras5 3 -
TerminadoCapítulo 21
Entre Lobos: A Herdeira Rejeitada
Alice viveu vinte anos como a princesa da poderosa Família Cavalcanti no Rio de Janeiro, cercada de luxo e protegida por três irmãos possessivos. Tudo muda quando um teste de DNA revela que ela é a filha da empregada. Da noite para o dia, a "Boneca de Vidro" perde seu trono e se vê cercada por lobos famintos. No momento de maior desespero, Henrique, o frio e implacável herdeiro mais velho, encurrala Alice em seu quarto: "Tenho uma solução... Case-se comigo." O que Alice não sabia era que, sob a máscara de irmãos protetores, eles escondiam desejos sombrios que não podiam mais ser contidos.Moderno|Romance55.2 mil palavras5 0 -
TerminadoCapítulo 19
Memórias de um Amor Perdido
Um terrível acidente tirou a memória de Xavier Silva, mas não a dor no coração de Talita Rocha. Eles eram o casal de ouro da equipe de resgate, até que uma tragédia soterrou o passado deles. Dois anos depois, o destino prega uma peça cruel: Xavier está prestes a se casar com a melhor amiga de Talita, e ele olha para a mulher que um dia amou como se ela fosse uma completa estranha. Entre corredores de hospital e escombros de terremotos, Talita conseguirá fazer o amor renascer das cinzas, ou o destino já escreveu o fim dessa história?Moderno|Romance27.3 mil palavras5 21 -
TerminadoCapítulo 66
Renascida para Amar o CEO: Protegendo Meu Destino
Pérola Paes, a renomada musicista e herdeira da maior família de São Paulo, morreu de tristeza após carregar o fardo de um império por vinte anos sozinha. Mas o destino lhe deu uma nova chance. Ela acordou no dia em que tudo começou: o dia em que rejeitou o noivado com Thiago Steiner. Na vida passada, ele morreu para salvá-la; nesta vida, ela será o seu escudo. Enquanto todos pensam que o CEO implacável é quem manda, Pérola está nas sombras, destruindo cada armadilha e afastando cada "erva venenosa" que tenta se aproximar do seu homem. "Thiago, desta vez, ninguém vai te tirar de mim."Moderno|Fantasia56.3 mil palavras5 330 -
TerminadoCapítulo 45
A Beleza Oculta da Minha Colega de Classe
No primeiro dia do último ano do ensino médio, uma nova aluna chega à classe de Lucas. Com cabelos desgrenhados e um visual desleixado, Valentina se torna o alvo de olhares de desprezo. No entanto, um misterioso "Sistema de Contra-ataque" surge na mente de Lucas, oferecendo-lhe uma escolha: ignorá-la ou tornar-se seu colega de banco. Lucas escolhe a segunda opção, sem saber que por trás daquela aparência comum, esconde-se a garota mais bonita que ele já viu. Entre risadas, estudos e segredos, ele descobrirá que o amor verdadeiro não precisa de filtros, mas a verdade por trás da beleza de Valentina vai mudar sua vida para sempre.Moderno|Romance35.1 mil palavras5 184 -
TerminadoCapítulo 11
Adeus, Meu Jovem Mestre: A Liberdade de Sofia
urante doze anos, Sofia foi a sombra de Leonardo, o herdeiro mais cobiçado de São Paulo. Ela foi sua companheira de brincadeiras, sua secretária e sua amante secreta, tudo para salvar os negócios de sua família. Mas, para Leonardo, ela era apenas uma substituta conveniente enquanto seu verdadeiro amor estava fora. Quando a "garota dos seus sonhos" retorna, Sofia decide que é hora de desaparecer. O que ela não esperava é que, ao tentar conquistar sua liberdade, o jovem mestre ficaria obcecado em trazê-la de volta. Mas agora, um novo jogador, Samuel, entrou no jogo, e ele não pretende deixá-la escapar.Moderno15.4 mil palavras5 116