"O Trigésimo Terceiro Contrato de Amor" Capítulo 15
Pouco depois, a enfermeira apareceu à porta.
"A paciente Alice acordou, vocês já podem visitá-la."
Capítulo 31
Os dois correram para a UTI.
Através do vidro, viram Alice deitada na cama com os olhos abertos, fixos no teto de forma vaga.
Era um olhar de cinzas sem vida.
"Podemos entrar para vê-la?", Tiago perguntou ao médico.
O médico balançou a cabeça: "A paciente está emocionalmente instável no momento e não pode receber nenhum tipo de estímulo agora."
Os dois não tiveram escolha senão desistir.
Fechei meus olhos; agora, sempre que os abro, tudo o que vejo é um vermelho de sangue.
Embora eu saiba que é psicológico, não consigo controlar.
Sempre que penso naqueles olhos atrás da máscara, tremo de medo.
Aquele olhar desprovido de qualquer emoção corrói minha sanidade como vermes.
Eu sei, racionalmente, que aquela pessoa não era o Gabriel, mas ainda assim sinto pavor.
Pavor de não conseguir me controlar ao vê-lo e acabar machucando-o.
Realmente, como uma paciente psiquiátrica, não sou digna de estar ao lado dele.
Ao chegar a essa conclusão, senti que as duas facadas no abdômen doíam menos do que o meu coração.
Vultos se moviam do outro lado do vidro de observação.
Inclinei a cabeça para olhar por um instante, mas logo desviei o olhar.
Agora, eu simplesmente não tenho coragem de encarar o Gabriel.
...
Os dias no hospital eram intermináveis; só tive coragem de me sentar quando me senti um pouco melhor.
Vi o Dr. Carlos, que veio diagnosticar meu estado.
Conversamos sobre temas rotineiros e ele agia com naturalidade, mas ainda pude ver a gravidade em seus olhos.
Depois de um tempo, o Dr. Carlos disse: "Seu irmão e seu namorado estão lá fora, quer vê-los?"
"Não." Recusei sem hesitar.
O médico ficou surpreso: "Nem mesmo o seu irmão?"
Hesitei por um longo tempo.
O Dr. Carlos compreendeu e saiu do quarto levando o prontuário.
O silêncio voltou ao quarto, e isso relaxou meus nervos tensos.
Atualmente, não sinto medo apenas de estranhos; até pessoas familiares me causam temor.
"Alice, você está completamente acabada...", murmurei para mim mesma, entre o deboche e a resignação.
No dia da alta, apenas Tiago veio.
Ele vestiu roupas brancas especialmente hoje, para evitar gatilhos de estresse em mim.
Parada na porta do quarto, eu critiquei: "Que feio."
Tiago, que é moreno, parecia ainda mais escuro vestindo branco.
Ele deu um sorriso amargo: "Ainda se lembra de me alfinetar, parece que está quase recuperada."
Dei um "voto de silêncio" com os olhos para o meu irmão.
"E ele?"
Tiago estancou, sabendo imediatamente de quem eu falava.
"O Gabriel ainda está investigando o culpado, e tem um caso em mãos que ainda não fechou. Provavelmente está mais ocupado do que antes."
Tiago falava sobre as novidades enquanto me conduzia para fora do hospital.
Minha mente divagava, mas por hábito profissional, perguntei: "Que caso é esse afinal, por que demora tanto?"
Como Gabriel é o investigador, ele não pode vazar segredos, por isso eu nunca perguntei a ele.
"Não sei os detalhes, ouvi dizer que é um caso comercial envolvendo valores enormes, mas o Gabriel e a equipe não encontram provas, então está se arrastando."
Assenti.
Nós dois trocávamos palavras soltas pelo caminho.
Ao chegar ao portão principal do hospital, Tiago largou a bagagem: "Fique aqui, vou buscar o carro."
Para cuidar de mim, ele alugou um veículo para facilitar os deslocamentos.
Tiago se afastou e eu fiquei encarando o chão, sem nada para fazer.
De repente, um grupo de médicos passou por mim; instintivamente abri caminho e ergui o olhar.
Uma máscara branca cobria o rosto, e um par de olhos negros olhou lentamente em minha direção.
No momento em que nossos olhares se cruzaram, meu corpo congelou e o mundo diante de mim começou a transbordar sangue vermelho.
"Ah—" gritei, agachando-me e cobrindo a cabeça.
Todos ao redor levaram um susto.
Após o pavor, percebi subitamente que aquele homem era o assassino.
Lutei para erguer a cabeça, mas não vi mais aqueles olhos.
O celular escorregou do meu bolso; recuperei os sentidos e o peguei.
Quando estava prestes a guardá-lo, vi uma mensagem saltar na tela.
— Faça o Gabriel Rocha se comportar, ou você viverá nesse pesadelo para sempre.
Minhas pupilas tremeram freneticamente; era como se a lâmina estivesse entrando em meu abdômen e girando lá dentro.
Tudo no mundo tornou-se vazio; fiquei agachada ali, estática, perdendo o brilho nos olhos.
Capítulo 32
Gabriel, afinal, era um promotor renomado; através de apenas uma mensagem, ele chegou imediatamente ao Sr. Luís.
Embora não houvesse provas temporárias, isso não o impediu de acelerar a investigação sobre os ativos dele.
Fui levada de volta para casa; permanecer na metrópole era perigoso demais.
Quando Gabriel finalmente prendeu o Sr. Luís, já haviam se passado dois meses desde o meu retorno.
A viagem de trabalho dele também chegara ao fim.
Contando o tempo da minha internação, não nos víamos há cinco meses.
Ao chegar em casa, a primeira coisa que Gabriel fez foi vir à minha residência.
Tiago abriu a porta em silêncio e, ao ver Gabriel, não pôde deixar de suspirar.
Aquele gesto deixou Gabriel tenso.
"Ainda nada?", perguntou Gabriel.
Após a prisão do agressor, todos comentaram como os olhos do criminoso eram parecidos com os de Gabriel.
Realmente não se podia culpar Alice pelo erro.
Tiago disse: "É melhor você se preparar psicologicamente."
Gabriel estancou e subiu as escadas com ele, em transe.
Seguindo o sinal de Tiago, Gabriel bateu à porta, mas não houve reação.
"Ali, sou eu."
De repente, um estrondo alto veio de dentro do quarto, como se algo tivesse caído de um lugar alto.
O som fez o coração de Gabriel apertar.
Tiago entregou a chave.
Com o coração angustiado, Gabriel abriu a porta.
O quarto estava na penumbra; as coisas estavam amontoadas, e não se via sinal de Alice.
Gabriel pegou os documentos e livros do chão e os colocou na mesa.
Ele olhou para o lado; a porta do armário estava escancarada, edredons e roupas estavam misturados, e eu estava encolhida lá dentro.
Ao ouvir alguém se aproximar, abracei-me com mais força, escondendo o rosto nos joelhos; o cabelo desgrenhado ocultava minha expressão.
Gabriel agachou-se pacientemente do lado de fora: "Ali, eu voltei."
Meu corpo enrijeceu e soltei um grito: "Não abra a porta! O Gabriel Rocha vai me matar!"
Ao ouvir isso, Gabriel franziu a testa, segurou minha mão e tentou me acalmar com ternura: "Ali, o Gabriel não vai te machucar, olhe para mim, sim?"
Tentei puxar minha mão de volta desesperadamente, balançando a cabeça com frenesi.
"O Gabriel nunca me amou, ele só vai me ferir, eu não quero sair!"
Minha luta e resistência eram como espinhas de peixe presas na garganta de Gabriel; ele estava tão engasgado que não conseguia nem engolir a saliva.
Eu era uma garota vibrante, impetuosa e otimista desde criança.
Mesmo sendo rejeitada por ele repetidas vezes, eu conseguia me manter firme.
Por que as coisas chegaram a este ponto?
Gabriel sentiu o desespero pela primeira vez; aquilo era mais doloroso do que ver Alice inconsciente no hospital.
Ele não era um homem de expressar sentimentos; embora a emoção transbordasse em seu peito, ele não chorou.
Gabriel apertou a mão de Alice com força e consolou: "Ali, o Gabriel gosta de você, e você gosta dele também, não gosta?"
Meus movimentos bruscos pararam por um momento.
Vendo que aquela frase surtira efeito, Gabriel a repetiu sorrindo, como se acalmasse uma criança.
De repente, eu falei: "A Alice não pode gostar do Gabriel Rocha."
O sorriso de Gabriel congelou; ele sentiu a mão em sua palma ficar cada vez mais fria.
Aproveitei o momento para puxar minha mão de volta.
Então, ele me viu erguer a cabeça e olhar para ele sem qualquer expressão.
Aqueles belos e enérgicos olhos amendoados estavam agora cobertos pelas sombras.
Sem brilho, sem esperança, sem amor.
Eu repetia como um robô: "A Alice não pode gostar do Gabriel Rocha."
Capítulo 33
Gabriel ficou mudo.
Envolta nos cobertores, eu estava toda bagunçada, sem qualquer vestígio de como eu costumava ser.
Tiago estava parado à porta com os braços cruzados: "Esquizofrenia obsessiva. Quando está normal, é como antes; quando entra em crise, fica desse jeito."
Gabriel, de costas para Tiago, não tirava os olhos de Alice e perguntou: "Tem cura?"
"Tem, mas o processo é muito longo. Você não vai conseguir esperar."
Gabriel silenciou por um tempo e estendeu a mão para afastar meu cabelo.
"Não importa, eu vou ficar com ela."
Ao ouvir isso, Tiago soltou um longo suspiro.
Sentia-se impotente pelo caminho que sua irmã e seu melhor amigo teriam que percorrer.
Tiago retirou-se do local.
Gabriel e Alice ficaram sozinhos.
Ele sentou-se no chão, acompanhando-me em silêncio.
Ele nunca sentira o mundo tão quieto; apenas eu e ele.
...
Senti como se tivesse dormido um sono profundo; ao acordar, minhas costas doíam muito.
Saí do armário tateando no escuro.
Nesse momento, um vulto contra a luz da janela virou a cabeça subitamente; a imagem estática ganhando vida me deu um susto.
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