"O Trigésimo Terceiro Contrato de Amor" Capítulo 13
Gabriel riu baixo, afagou minha cabeça e disse: "Não se preocupe."
Relaxei a expressão.
"Quem era aquele?"
"O alvo da investigação do caso atual", respondeu Gabriel casualmente. "Não venha a esta praça por um tempo, fique longe dele."
Como sou formada em Direito, já tive contato com muitos casos comerciais e conheço a índole desses empresários.
Assenti e guardei aquele aviso.
Gabriel não queria que o encontro fosse arruinado; ele sugeriu: "Vamos jantar em outro lugar, tem um restaurante de comida apimentada muito bom na Rua Sudeste."
Eu amo pimenta, então fiquei cheia de expectativa.
Hoje foi, talvez, o dia mais feliz da minha vida.
Desde que Gabriel se tornou adulto, ele raramente me levava para passear.
Comi até me sentir satisfeita e larguei os talheres.
Gabriel pediu licença para ir ao banheiro.
Nisso, o garçom trouxe a conta e a estendeu para mim, dizendo: "A conta de vocês, por favor, verifique."
Aceitei sem suspeitar de nada, conferindo os pratos na mesa, quando meu olhar foi subitamente atraído pelas palavras "Contrato de Casamento" no papel.
Levei um susto e quase derrubei a louça.
"Isso é—"
Virei-me bruscamente e descobri que o garçom atrás de mim era o Gabriel.
Gabriel ajoelhou-se diante de mim, segurou minhas mãos e disse sorrindo: "Os trinta e três contratos de casamento que você me deu, eu assinarei cada um deles. Quando chegarmos ao último, você aceita se casar comigo?"
Foi como se mel tivesse sido derramado em meu coração; não sentia mais o gosto da pimenta, apenas a doçura.
Baixei a cabeça, envergonhada, e disse com teimosia: "Ainda está saindo barato para você, eu não vou aceitar."
Embora fosse uma recusa, o tom era totalmente manhoso.
Gabriel conhece meu gênio; eu ainda estava reclamando de como ele me tratou no passado.
Ele não ficou impaciente; eu o persegui por tanto tempo, agora ele estava disposto a me perseguir pelo tempo que fosse necessário.
Após o jantar, foi hora da diversão noturna.
A feira de rua estava cheia de memórias de infância.
Parecia que tínhamos voltado à nossa época de inocência.
Uma maçã do amor durava muito tempo na minha mão, e Gabriel continuava sendo o rei do jogo de argolas.
Todos os bichos de pelúcia que ele ganhava viravam meus.
Entre eles, havia uma pulseira de estrelas semelhante à original; Gabriel a colocou em mim novamente.
Notei que a pulseira de estrelas no pulso esquerdo de Gabriel estava um pouco desbotada, mas ele nunca a tirava.
Embora a nova fosse bonita, eu preferia a antiga.
"Eu quero aquela", disse apontando para o pulso dele.
Gabriel deu sua primeira recusa do dia: "Aquela é da irmã, esta é da namorada."
Fiquei vermelha instantaneamente e resmunguei: "Eu ainda não aceitei!"
Apesar de não estar totalmente feliz com a resposta, ver como Gabriel cuidava daquela pulseira me fez perder a raiva.
A mão esquerda dele segurou minha mão direita; as duas pulseiras de estrelas brilhavam juntas, refletindo uma na outra.
...
Na beira da estrada, o Sr. Luís acabara de desligar o celular e viu a mim e a Gabriel ao erguer a cabeça.
Ele apertou o botão para fechar o vidro, isolando-se do mundo exterior.
Estávamos muito próximos, conversando, sem notar que dentro do carro parado na rua, aquele homem sorria de forma sinistra.
Capítulo 27
O vento de verão soprava quente; os gatos nos arredores da cafeteria estavam tão calorosos que ficavam deitados na porta, aproveitando o ar-condicionado que escapava pelas frestas.
Preparei a ração, e esses pequenos adoráveis, um a um, levantavam as caudas e se esfregavam em mim por turnos.
Bia entrou trazendo uma pilha de encomendas da porta.
"Ali, tem uma carta para você."
Um envelope simples de cor bege, sem nada escrito por fora.
Percebendo o que havia dentro, aceitei o envelope com o rosto levemente corado.
Bia provocou: "Outro contrato de casamento, hein? Casar antes mesmo de namorar, vocês realmente sabem como se divertir!"
Dei um chute de brincadeira nela e me encolhi em um canto segurando o envelope.
Ao abrir, o aroma do papel me envolveu.
No contrato de casamento constava a assinatura de Gabriel Rocha; do outro lado, estava a que eu havia assinado tempos atrás.
Com as assinaturas de ambas as partes, tecnicamente já estava em vigor, faltando apenas o selo do cartório.
Bia perguntava enquanto abria os pacotes: "O cunhado não apareceu esses dias, né? Ele foi embora?"
Dobrei a carta cuidadosamente e a guardei na bolsa, junto com os outros protocolos.
"O caso dele está muito corrido, ele não tem tido tempo de vir."
Bia comentou algo sobre como promotores são realmente ocupados.
Além do contrato, havia uma carta de amor.
O conteúdo era extremamente formal, quase como um documento oficial; era difícil imaginar como Gabriel conseguia escrever aquilo nos intervalos de descanso.
Se eu mesma não fosse da área do Direito, provavelmente acharia aquela carta detestável.
Frases como: "Você é como a estrela vermelha do norte, calorosa e ardente."
Tem certeza que isso não é um manifesto de alguma organização?
Terminei de ler rindo; eu guardaria essas cartas como tesouros para me entreter de vez em quando.
Em seguida, tirei um livro de Direito da bolsa; ando revisando meus conhecimentos antigos ultimamente.
Não importa por qual motivo escolhi o Direito no passado, ser juíza ainda é o meu sonho.
Além disso, nas consultas recentes, o Dr. Carlos disse que estou me recuperando muito bem.
Com a ajuda dele, estou deixando os remédios aos poucos.
Agora, posso tentar dar um passo adiante — tanto na carreira quanto no amor.
Enquanto estava imersa na leitura, o celular ao meu lado tocou.
Eu ia ignorar, mas vi que o nome de quem enviara a mensagem era Gabriel Rocha.
A mensagem continha um endereço e perguntava se poderíamos nos ver hoje.
Fiquei hesitante por um momento; lembrava-me de que Gabriel sempre vinha me buscar pessoalmente. Será que ele estava tão ocupado hoje que me pediu para ir até lá?
Apesar da leve dúvida, arrumei minhas coisas.
"Bia, hoje eu..."
"Já sei! Vai ver o cunhado de novo, né!" Bia assentiu como quem já está acostumada. "Eu realmente quero que o dono da loja contrate mais alguém logo."
Dei uma risadinha: "Da próxima vez eu cubro o seu turno."
Bia estava apenas brincando e logo me deixou ir.
Não fui de bicicleta, escolhi ir de metrô.
Olhei para a tela do celular: "Este lugar parece um pouco longe da Procuradoria, será que ele está investigando por lá?"
Sem suspeitar de nada, cheguei ao destino conforme combinado.
Olhei ao redor e vi que Gabriel ainda não havia chegado.
O lugar não era exatamente deserto, mas havia poucos pedestres; dos prédios de escritórios ao lado, saía um grupo de funcionários para o almoço.
Abri caminho e fui para um canto.
De repente, alguém tocou meu ombro.
Abri um sorriso de alegria e me virei rapidamente: "Ga—"
Puchi. Uma sensação de perfuração surgiu subitamente em meu abdômen. Meu sorriso congelou e olhei para baixo, atônita.
O sangue vermelho gotejava lentamente no chão.
Arregalei os olhos e olhei para cima.
Um homem vestindo um sobretudo preto usava um capuz que cobria todo o corpo e uma máscara que escondia o rosto.
Mas aqueles olhos estavam expostos; eram os olhos que eu observei por anos.
Tão gelados quanto eram há três anos.
Segurei o braço do homem, e um filete de sangue escapou da minha boca: "Gabriel Rocha..."
O homem apunhalou novamente.
Perdi totalmente as forças e caí no chão com um baque surdo.
Os contratos e as cartas de amor caíram da bolsa, tingindo-se de vermelho escarlate.
Capítulo 28
Procuradoria de Justiça da Metrópole.
Gabriel estava sentado em meio a pilhas de documentos; uma leve barba por fazer surgia em seu queixo e sua expressão era de exaustão.
Do lado de fora do prédio, ouviu-se de repente a sirene de uma ambulância; o som insistente interrompeu seus pensamentos.
Gabriel, com um toque de irritação, bateu os documentos na mesa e foi até a copa buscar um café.
Na copa, Yasmin e o supervisor estavam conversando; pararam assim que ele entrou.
Gabriel cumprimentou-os, deixou o celular ao lado da cafeteira e esperou pelo café.
O supervisor, vendo o esforço de Gabriel, não resistiu em alertar: "Vá dormir um pouco. Não fique só no café, faz mal para a saúde."
Gabriel agradeceu o conselho e voltou para seu posto com a xícara.
O café solúvel não era bom, e ao tomar um gole, ele só pensava em terminar logo para ver Alice.
Com esse pensamento, alongou os ombros e continuou mergulhado no trabalho.
Fora da sala, Yasmin segurava o celular de Gabriel; o aparelho vibrava sem parar com o nome de Alice na tela.
Yasmin olhou para dentro da sala, desligou a chamada, desbloqueou o aparelho com a senha e apagou o registro da ligação.
Em seguida, ela entrou e colocou o celular ao lado da mão de Gabriel: "Você esqueceu isto."
Gabriel notou: "Obrigado."
E voltou ao trabalho.
De repente, o celular tocou; o nome de Tiago Santos apareceu na tela.
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