"O Trigésimo Terceiro Contrato de Amor" Capítulo 8
Agradeci novamente e guardei tudo rapidamente na bolsa.
Com tudo de volta ao lugar, empurrei a scooter e disse: "Preciso ir."
Gabriel abriu caminho, sem intenção de me segurar.
Suspirei mentalmente; felizmente eu não criei expectativas, afinal, o desespero que vem após a esperança é ainda mais torturante.
Minha sombra foi se alongando, afastando-se da dele; sob o poste de luz, o calor da noite parecia me queimar.
De repente, Gabriel deu dois passos à frente e perguntou: "Posso te ver amanhã?"
Não esperava que ele fosse pedir permissão, já que nossa convivência sempre fora pautada pelas decisões dele.
Parei e olhei para trás; meus olhos, como os de um cervo assustado, mostravam apenas surpresa, sem o rastro do antigo amor.
Gabriel sentiu uma pontada de pânico; parecia que estava perdendo algo vital.
"Você está perguntando para mim?", questionei.
"Você disse uma vez que eu deveria te levar a sério. Eu refleti sobre isso e, por isso, quero saber a sua opinião", disse Gabriel com seriedade.
Aquele coração que estava mergulhado em um poço de gelo deu um salto súbito.
Senti minha respiração acelerar; a "eu" que estava morta há três anos parecia dar sinais de ressurreição.
"...Amanhã eu tenho que trabalhar."
Praticamente fugi em desabalada carreira, em total desalinho.
Nem dei atenção ao cumprimento de Bia; apenas me tranquei no quarto.
Abri a gaveta com pressa; o armário cheio de frascos de remédios chacoalhou com a força do movimento.
Engoli as pílulas vorazmente, sem sequer usar água, sentindo a garganta arder enquanto elas desciam a seco.
Mas eu não me importava.
Caí na cama tremendo da cabeça aos pés, apertando as mãos para tentar conter as emoções.
"Calma... não posso continuar..."
Murmurei palavras sem sentido, como se fizesse uma hipnose sombria em mim mesma.
De repente, a tela do celular acendeu.
Olhei instintivamente.
Número desconhecido: Boa noite.
Um "boa noite" após três anos de silêncio; eu fora derrotada por ele novamente.
Capítulo 16
O aroma do café carrega um leve amargor que se torna mais encorpado quanto mais tempo é preparado — o meu amor era exatamente assim.
Caminhei até a mesa da janela e coloquei o café artesanal diante de Gabriel.
"Obrigado." Gabriel deixou o livro de lado e aceitou a xícara com cautela.
Hoje ele trocou as roupas pretas que tanto amava por um sobretudo bege, sentado diante da janela.
Com a franja caída, ele parecia menos severo, lembrando o veterano idealizado dos tempos de escola.
As flores no parapeito perdiam o brilho perto dele, atraindo o olhar de quem passava na rua.
Voltei para trás do balcão com a bandeja.
Bia comentou com um tom de brincadeira e lamento: "Então não é um inimigo, é um amante..."
Bati com a bandeja levemente na cabeça dela e disse: "O que você está imaginando agora?"
"Ali, ele é seu ex-namorado?"
Travei por um segundo e respondi: "Não."
"Ah?" Bia pareceu decepcionada por não ter fofoca.
"Não é ex-namorado, é o irmão dela." Gabriel, que se aproximara sem que percebêssemos, interveio ao ouvir a conversa.
Os olhos de Bia brilharam; sua alma de fofoqueira despertou novamente.
Apenas eu permaneci impassível.
"Irmão" — a barreira parecia ainda mais sólida do que antes; não entendia por que Bia estava tão animada.
Gabriel pegou um sachê de açúcar e voltou para o seu lugar.
Bia disse empolgada: "Irmão de consideração é quase namorado! Você não joga limpo, Ali, onde encontrou alguém tão gato?"
"Se você continuar distraída, vou descontar do seu salário."
Aquela frase selou a boca de Bia.
Apertei o botão da máquina de café e olhei para o homem na janela.
Ele pareceu notar meu olhar, ergueu a vista do livro e nossos olhos se cruzaram à distância.
Ao perceber o que eu estava fazendo, desviei o olhar rapidamente.
Olhei para longe, pensando em quando o caso de Gabriel terminaria para que ele pudesse ir embora logo.
Por causa da aparição repentina dele, eu teria que gastar mais com as consultas no psicólogo.
Após o expediente, Gabriel apareceu na porta dos fundos da cafeteria.
Eu ainda estava surpresa com o surgimento dele quando ele pegou o lixo das minhas mãos.
"Você não precisa trabalhar?"
Ele passava o dia todo na cafeteria; mesmo em viagem de trabalho, ele não podia ser tão negligente!
Gabriel respondeu: "É um caso de colaboração, eu não sou o encarregado principal."
Após descartar o lixo, caminhamos lado a lado em direção à rua; o céu já exibia tons dourados.
A luz suave do entardecer me fez lembrar novamente da minha última declaração.
As flores de outono voando, aquele tom amarelo morno que nunca me trouxe calor de verdade.
Ao chegar ao pé do meu prédio, parei e disse o que estava entalado na garganta.
"Qual é o seu objetivo vindo aqui o dia todo?"
Gabriel olhou para mim e disse diretamente: "Venha para casa comigo."
"Impossível."
Até eu me assustei com a minha própria determinação.
Gabriel estancou, claramente sem esperar que eu o recusaria.
Gabriel: "É por minha causa que você não quer voltar?"
Eu queria dizer que sim, mas sabia que, se fizesse isso, eu perderia — seria uma derrota total e absoluta.
Respondi de outra forma: "Eu já deixei isso para lá nesses três anos. Gosto da liberdade daqui e quero ficar nesta cidade."
Gabriel quis insistir, mas percebeu subitamente que não tinha o direito de me dizer nada.
Ele não era meu irmão de sangue, nem nada meu.
Amigos de infância — o termo parece poético, mas não é uma jaula que possa nos manter presos.
"Entendi", disse Gabriel.
Ele partiu sem qualquer hesitação.
Fiquei parada observando-o se afastar e soltei um riso amargo.
Olhei para o céu, contendo as lágrimas: "No fim, continua sendo assim."
Em três anos, nada nele mudou; apenas eu continuo trancada no canto desse amor, definhando.
...
Após se afastar, Gabriel pegou o celular e fez uma ligação: "Tiago Santos, eu a encontrei."
Capítulo 17
Saí do consultório de psicologia carregando duas sacolas de remédios novos.
O médico temia que o reencontro com alguém do passado causasse uma recaída, por isso aumentou a dosagem.
Eu, que nunca gostei de remédios, hesitei ao ouvir a palavra "recaída" e aceitei a mudança na receita.
Lembro que, quando cheguei aqui, pela falta de contato prolongada com Gabriel, eu parecia um espectro vindo do inferno de tão abatida.
O médico quase me internou em uma clínica psiquiátrica, mas felizmente consegui superar.
"Falando nisso, os grãos de café devem chegar hoje." Guardei as caixas de remédio na bolsa e corri para a loja.
Gabriel já estava lá.
Ao entrar, não notei que havia outra pessoa sentada à frente dele.
"Bia, o café de hoje..."
Bia olhava de forma evasiva para trás de mim.
Parei, sem entender o que ela queria dizer.
"Ali."
A voz familiar soou e meu corpo congelou.
Após um instante, a pessoa continuou: "Não quer ver nem o seu irmão?"
Recobrei os sentidos e me virei para ver o homem de barba por fazer. Meus olhos arderam e chamei com a voz embargada: "Mano."
Tiago Santos ergueu a mão bruscamente, com a força do movimento gerando um vento que me fez fechar os olhos.
Após um tempo, o tapa não veio.
Abri os olhos timidamente e fui acolhida pelo abraço do meu irmão.
"Você tem ideia do quanto nossos pais ficaram preocupados?", sussurrou Tiago.
"Sinto muito."
Após me desculpar, olhei para o lado e vi Gabriel observando a cena.
Gabriel assistia em silêncio, percebendo subitamente que a relação entre irmãos de sangue era completamente diferente do que ele imaginava.
Pelo menos, o primeiro pensamento dele não fora repreensão ou preocupação, mas sim a alegria de tê-la de volta.
Além disso, ele não se atreveria a abraçá-la daquela forma direta.
Gabriel baixou levemente o olhar, começando a refletir sobre o que sentira ao reencontrar Alice.
Sob a luz, Alice parecia envolta em uma aura suave, exatamente como ele a vira inúmeras vezes em seus sonhos, mas de forma mais nítida e real.
Seus olhos, seu rosto, seus lábios...
O olhar de Gabriel transparecia pânico e desorientação; ele instintivamente reprimiu aqueles pensamentos.
"Gabriel", chamou Tiago, virando-se.
Gabriel sobressaltou-se e olhou para os dois irmãos.
Eles continuavam próximos, mas mantendo a distância natural entre um homem e uma mulher.
Tiago disse: "Ali, peça folga hoje. Eu vou te levar para almoçar."
Eu quis recusar, mas não queria decepcionar meu irmão. Olhei para Bia em busca de ajuda.
Bia trouxe uma xícara de café e disse: "Ali, beba seu café de hoje e estará tudo bem. Eu dou conta de tudo sozinha por aqui."
Era isso; eu viera para usar o sabor do café para conter minha obsessão.
Bebi o café e a ansiedade em meu peito se dissipou; senti que conseguiria aguentar.
Era apenas um almoço, e meu irmão estaria lá.
Durante a refeição, Tiago perguntou sobre minha vida na metrópole.
Respondi com naturalidade, omitindo o sofrimento dos primeiros dois anos na clínica; minhas respostas pareciam impecáveis.
Deveria ser assim; essa era a vida de uma pessoa normal, o desejo do meu irmão e dos meus pais.
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