"O Trigésimo Terceiro Contrato de Amor" Capítulo 7
E essa relação frágil fora estilhaçada por suas próprias palavras frias.
Atordoado, Gabriel saiu do aeroporto. Ao erguer a cabeça, viu um avião riscar o céu, deixando um rastro branco no silêncio da noite...
Ele não sabia como conseguiu voltar para casa.
O sol nasceu no dia seguinte.
Entre as folhas verdes, as flores de outono abraçavam-se apertadas, e o vento espalhava um perfume suave pelo ar.
Gabriel sentou-se em uma cadeira de vime sob a árvore de canela.
Olhando para as flores, ele lembrou-se de quando, pouco tempo antes, a garota expressara ali mesmo seus sete anos de amor por ele.
Nesse momento, Yasmin Oliveira estacionou o carro no acostamento e aproximou-se apressada.
"Gabriel!"
Gabriel virou-se e, ao ver Yasmin correndo em sua direção, a imagem de Alice saltitando e brincando passou por sua mente.
Naquela época...
Ele abria os braços para segurá-la, às vezes a girava no ar até que ela não parasse de rir.
Yasmin parou diante de Gabriel, dizendo ansiosa: "Você não foi trabalhar o dia todo. O chefe disse que você está procurando alguém, precisa de ajuda?"
Gabriel olhou em silêncio para Yasmin, que se sentiu desconfortável sob o escrutínio.
"Você não pode me ajudar com meus assuntos pessoais", disse Gabriel de forma plana.
Yasmin sorriu: "Como não? Não precisamos fazer distinção entre o que é meu ou seu."
Aquela frase cordial soou estranha vinda da boca de Yasmin.
Se ela estivesse apenas com a intenção de ajudar um colega, Gabriel talvez aceitasse a gentileza.
Mas, como o objetivo dela era se aproximar dele, ele não teria mais consideração.
Nem Alice diria algo assim, como ela ousava?!
"Yasmin." O rosto de Gabriel escureceu, sua voz carregada de frieza. "Você é apenas minha colega, não ultrapasse os limites."
Dito isso, Yasmin apertou a barra da roupa, olhando para ele com ressentimento.
Ao ver aquela expressão tão familiar, a visão de Gabriel ficou turva; parecia ver aquela garota olhando para ele com o mesmo inconformismo.
Agora, ela havia sumido.
Gabriel baixou a cabeça, derrotado. Ele finalmente provava o gosto do arrependimento — como um doce esquecido que se tornou amargo e intragável.
Após um silêncio, Gabriel levantou-se e colheu um ramo de flores.
Yasmin assustou-se: "Se virem isso, você será multado!"
Não se pode colher flores nos parques; Gabriel nunca fizera nada fora das regras, mas hoje ele parecia ter perdido o juízo.
Mas ele não se importava.
Ele apenas pensou que, se fosse a Alice...
Ela daria a ele todas as flores da cidade.
Capítulo 14
Três anos depois, em outra metrópole.
Tudo parecia ter mudado; como o meu cabelo longo que agora vivia preso, deixando-me com um aspecto mais maduro.
Ao mesmo tempo, parecia que nada mudara; eu continuava buscando a perfeição, levando até mesmo o preparo de um café ao extremo.
O aroma suave do café envolvia minha vida. Trabalho nesta cafeteria há dois anos; esse sabor amargo com retrogosto aromático me fascina.
"Bia, hoje vou representar o gerente na escolha dos novos grãos de café, conto com você à tarde", instruí minha subordinada enquanto tirava o avental marrom.
"Pode deixar comigo, Ali."
O sino da porta tocou e eu disse mecanicamente: "Bem-vinda."
"Você é a Alice Santos?" Uma voz feminina perguntou.
Olhei confusa e vi um rosto familiar, embora distante.
Levei um tempo para recordar o nome: "Yasmin?"
Yasmin vestia um terno preto formal, com o cabelo impecável e um crachá no pescoço; provavelmente acabara de sair do escritório.
Ela mediu a pequena cafeteria de cima a baixo e não conteve o deboche: "Naquela época você era uma aluna brilhante, como acabou virando garçonete?"
Franzi levemente a testa, sem vontade de discutir.
Nunca fomos próximas, afinal.
Sob o olhar preocupado de Bia, vesti meu casaco e saí casualmente.
Yasmin tentou me seguir, mas foi impedida por Bia: "Senhorita, deseja alguma ajuda?"
"Saia da frente!" Yasmin, uma funcionária de escritório, não tinha força para empurrar Bia.
Fechei a porta, isolando o barulho lá dentro.
Empurrei minha pequena scooter pelas ruas de estilo clássico.
Ao chegar na esquina, coloquei o capacete, pronta para partir.
Um vulto alto vinha em minha direção. Meu corpo travou; fiquei imóvel olhando para frente.
Era o homem que habitava meus sonhos há três anos.
Gabriel Rocha parecia mais maduro do que há três anos; o cabelo estava todo penteado para trás, revelando uma testa limpa e imponente, e os óculos de armação prateada conferiam-lhe um ar mais severo.
Ele também usava um crachá; devia estar em viagem de trabalho com Yasmin.
Gabriel não notou a pessoa à beira da estrada e passou direto por mim.
Quando ele passou, eu estava suando frio.
Balancei a cabeça e dei partida na scooter.
No caminho, refleti sobre como eu realmente havia crescido; conseguia me controlar mesmo ficando cara a cara com ele.
Gabriel encontrou a cafeteria que Yasmin mencionara. Ao abrir a porta, ouviu uma discussão e franziu a testa, descontente.
"Pelo crachá você é promotora, mas despreza quem trabalha no atendimento. Que pessoa horrível!", Bia esbravejava. "Sorte que a Ali é generosa, senão..."
Os olhos de Gabriel se arregalaram instantaneamente; ele não esperava ouvir aquele nome.
Ignorando a briga, ele deu um passo à frente e segurou o braço de Bia, perguntando: "Você disse Alice Santos?"
Bia assustou-se e, ao ver um homem tão bonito, respondeu instintivamente: "Sim."
Gabriel soltou o braço dela e olhou ao redor, mas não viu aquela silhueta familiar.
Nesse momento, Bia notou que Gabriel usava o mesmo crachá que a outra mulher, e seu alerta aumentou — será que esses dois eram inimigos da Ali?
Bia imaginou cinquenta capítulos de um drama de vingança e selou os lábios.
Não importava o que Gabriel perguntasse, ela dizia que não sabia de nada.
Ao ver a urgência de Gabriel, Yasmin mordeu o lábio inferior, inconformada.
Ela segurou o braço dele, tentando acalmá-lo: "Gabriel, é apenas alguém com o mesmo nome, não é ela."
Gabriel afastou a mão de Yasmin com frieza: "Olhe-se no espelho antes de mentir. Você acha que eu não sei o que você está tramando?"
Yasmin ficou estática.
Sem conseguir o paradeiro de Alice, Gabriel saiu da cafeteria. Ele pegou suas malas no hotel e mudou-se para uma pousada na mesma rua.
— Ele decidiu esperar pacientemente.
Terminei de escolher os grãos de café, exausta. Empurrava minha scooter lentamente pela rua.
Meu apartamento alugado ficava ali mesmo, um alojamento que dividia com Bia.
De repente, no fim da rua mal iluminada, um homem alto estava parado sob a luz de um poste. Sua sombra longa caía aos meus pés, como se quisesse me tocar.
Gabriel deu um passo à frente, com um olhar carregado de emoções complexas, e chamou: "Alice."
Capítulo 15
A linha da ferida, adormecida nas profundezas da memória, rompeu-se, deixando escapar uma gota de sangue como uma estrela escarlate.
Recuei um passo, como se estivesse diante de uma fera feroz.
Minhas mãos perderam a força e a pequena scooter caiu no chão com um estrondo; as coisas que estavam na cesta espalharam-se por toda parte.
Mas eu não me importava com aquilo; eu só queria fugir.
Não era medo de vê-lo, mas medo de não conseguir me controlar.
Gabriel Rocha ficou atônito ao me ver virar para fugir, mas logo reagiu e avançou a passos largos.
Eu jamais ganharia dele na corrida; em dois passos, ele me alcançou.
Sua mão grande, de ossos bem marcados, agarrou meu pulso como uma pinça gigante, não me permitindo qualquer resistência.
"Solte...", murmurei de cabeça baixa, rangendo os dentes.
Gabriel não disse nada. Ele me segurou com força e me puxou para frente dele.
Somente quando percebeu que eu não tinha mais forças para lutar, ele falou:
"Seu irmão está muito preocupado com você."
Abri os olhos lentamente, mas logo meu olhar tornou-se opaco — a primeira frase após um longo reencontro era tão típica do estilo de Gabriel.
"Diga a ele que estou muito bem", respondi com indiferença.
Se ele conseguia ser tão calmo, eu não queria ficar em desvantagem.
Desta vez, consegui livrar meu braço e ele não insistiu, soltando-me.
Ao baixar a mão, a pulseira de estrelas apareceu sob o punho de sua camisa branca.
Baixei o olhar e, naturalmente, a vi; um traço de surpresa cruzou meus olhos.
"Eu também senti muito a sua falta."
A frase flutuou sobre minha cabeça.
Senti minhas mãos tremerem, incapaz de contê-las.
Fechei os punhos com força, cravando as unhas na palma da mão; a dor me mantinha lúcida.
Aquele "senti falta" era apenas uma saudade comum.
Eu entendia: Gabriel sempre foi assim, dando esperança apenas para te lançar no desespero logo em seguida.
Desta vez, eu não cairia na armadilha.
"Obrigada." Ergui a cabeça e dei um sorriso sereno.
Passei por Gabriel, levantei a scooter e comecei a recolher as coisas do chão.
Gabriel ficou parado, apenas observando.
Pensei em silêncio: Vejam, ele continua o mesmo, apenas observando a minha vulnerabilidade sem dizer uma palavra.
De repente, uma mão estendeu-se diante de mim, pegando a caneta de estrela que estava no chão.
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