"O Trigésimo Terceiro Contrato de Amor" Capítulo 5
Não respondi. Baixei a cabeça, enxuguei as lágrimas que caíam sem eu perceber e disse com a voz rouca: "Vou subir primeiro."
Fugi apressadamente, não querendo parecer tão miserável diante do meu irmão.
Escondi-me no quarto.
Encolhi-me na cama, com a outra mão apertando firmemente a pulseira de estrelas no pulso.
As arestas afiadas feriam minha palma.
Eu só conseguia continuar aguentando através dessa dor física.
Mas as imagens de Gabriel me ignorando passavam repetidamente em minha mente, e minha mão apertava a pulseira inconscientemente.
Com o passar do tempo, as pontas das estrelas cortaram a carne da minha palma.
A dor latejante invadiu meus nervos, e uma mancha vermelha tingiu minha saia.
Só então notei o ferimento na palma da mão!
Instintivamente soltei a mão, e a pulseira, que havia se partido em algum momento, caiu no chão.
Ao mesmo tempo, gotas de sangue pingaram, manchando de vermelho as estrelas azuis...
Aquela cena foi como uma agulha perfurando o silêncio mortal.
Peguei a pulseira apressadamente para guardá-la, estanquei o ferimento e desci para procurar a caixa de primeiros socorros.
Ao passar pela porta de Tiago, ouvi subitamente um rugido vindo de dentro: "Eu já te disse que o estado psicológico da Alice é muito sério! Eu te pedi para não provocá-la mais! Você tem ideia de que ela chegou em casa chorando sem parar hoje?!"
"Ela não é sua irmã, você não sente a dor dela, mas eu sinto!"
Fiquei parada sem saber o que fazer.
Desde quando eu tinha problemas psicológicos?
Antes que eu pudesse entender, outra voz familiar soou lá de dentro.
"Sinto muito", disse Gabriel com a voz calma.
Tiago também se acalmou, mas sua voz carregava cansaço: "Gabriel, pelo bem da nossa amizade, tente ficar com a Alice, faça um teste."
"Mesmo que seja só até ela melhorar, depois você pode rejeitá-la! Eu só tenho essa irmã, não quero perdê-la. Eu te imploro."
Ouvindo aquilo, senti uma dor opressiva no peito.
Todos esses anos perseguindo Gabriel, eu nunca considerei os sentimentos da minha família.
Muito menos imaginei que meu irmão, sempre tão orgulhoso, chegaria ao ponto de implorar assim por mim!
Eu... eu estava realmente errada?
Comecei a duvidar de mim mesma.
Nesse momento, a voz de Gabriel soou novamente, fria e implacável.
"Eu não devo nada a ela, e não tenho necessidade de me sacrificar."
Capítulo 10
Aquelas palavras definitivas explodiram em meus ouvidos.
Recuei instintivamente, e a caixa de primeiros socorros bateu na porta, fazendo barulho.
A porta do escritório se abriu. Tiago Santos olhou para a palidez cadavérica de Alice Santos e desligou o telefone às pressas: "Ali..."
Naquele instante, mil coisas passaram pela minha cabeça, mas ao mesmo tempo parecia que eu não pensava em nada.
Depois de muito tempo, murmurei: "Mano, quando você estava conquistando a cunhada, também foi tão difícil assim?"
Ao mencionar a esposa, a voz de Tiago ganhou um tom de calor: "Foi tranquilo. Naquela época a pressão era mais dos nossos pais, mas eu e ela nos amávamos. Saber que ela também gostava de mim fazia com que nada parecesse difícil."
"...Entendi", assenti entorpecida.
Um amor correspondido é sempre melhor do que um amor unilateral.
Fiquei em silêncio por um longo tempo e forcei um sorriso que parecia mais uma careta de dor: "Eu ouvi tudo."
"Todos esses anos, você se sentiu muito pressionado entre eu e o Gabriel, não foi?"
Tiago não sabia o que dizer, apenas tentou me confortar: "Eu me acostumei."
"Quando você era pequena e se metia em encrenca, não era eu quem levava a culpa? Deixe-me ver... aos sete anos você quebrou o tinteiro favorito do papai, aos seis destruiu os cremes caros da mamãe..."
Tiago falava do passado com um tom de saudade e carinho.
Eu o ouvia e o abracei gentilmente. Lágrimas quentes escorreram silenciosamente, molhando a camisa em seu peito...
Clínica de psicologia.
O médico me orientou a fazer uma série de testes.
Ele tinha uma expressão séria: "Eu já tinha avisado vocês que deveriam contar a ela. A obsessão da paciente é muito grave. Se não houver intervenção terapêutica, ela corre o risco de se ferir."
Apertei a barra do meu vestido. Então eu estava realmente doente, e era tão sério assim.
Tiago estava visivelmente preocupado: "O erro foi nosso. Existe alguma forma de curá-la agora?"
O médico balançou a cabeça: "A psicose obsessiva é, em essência, um desejo de posse. Para curar, ou o paciente consegue o que quer, ou ele se afasta totalmente."
Ao ouvir isso, minhas pálpebras tremeram.
Gabriel jamais ficaria comigo, e eu não queria deixar minha família...
"Existe algum outro jeito?"
"Existe", a voz do médico era profunda. "...Hipnose."
De volta para casa.
Fiquei parada diante da janela. A luz do quarto de Gabriel, logo à frente, acendeu-se subitamente, revelando a silhueta alta do homem.
Naquele momento, apenas alguns metros nos separavam, mas ele parecia tão distante quanto o horizonte. Tanto que usei sete anos e não consegui me aproximar nem um centímetro!
Perdida em pensamentos, Gabriel pareceu notar algo e olhou para cima.
Nossos olhares se cruzaram. Fui a primeira a baixar os olhos e, lentamente, fechei as cortinas, bloqueando a presença daquele homem...
Depois disso, puxei a caixa de recordações debaixo da cama.
Ali estavam guardados com cuidado todos os itens relacionados a Gabriel ao longo dos anos.
Os presentes de aniversário que ele me deu, as lembrancinhas de suas viagens, os cartões-postais... e a pulseira de estrelas azuis — o fio de nylon havia se partido na última crise e eu ainda não tinha tido tempo de consertar.
Peguei-a com cuidado, observei-a por um tempo e usei um fio reserva da gaveta para refazê-la.
A cada conta que eu enfiava, uma memória com Gabriel passava pela minha mente.
Até a última estrela... o dia amanheceu.
Olhei para a pulseira restaurada e lembrei das palavras de Um Sonho de Liberdade: "Qualquer lugar que você não goste mas não possa sair, qualquer vida que você não goste mas não possa se livrar, é uma prisão."
Ergui meu pescoço rígido, olhei para o sol que nascia lá fora e guardei a pulseira junto com todo o resto na caixa, selando-a com fita adesiva.
Empurrei a caixa para o fundo mais escuro debaixo da cama e bati na porta de Tiago, comunicando minha decisão.
"Eu decidi me libertar. Eu vou... esquecê-lo."
Capítulo 11
Quando Gabriel Rocha percebeu que Alice Santos não o contatava há muito tempo, já haviam se passado três dias.
Ao voltar do trabalho, passou pela casa dos Santos e notou que tudo estava às escuras.
Gabriel achou estranho, mas não deu muita importância.
Na sala de estar.
Ao vê-lo entrar, a mãe de Gabriel deu a notícia: "A família Santos se mudou ontem. Disseram que a filha mais nova conseguiu um estágio em outra cidade e eles não ficaram tranquilos, então decidiram se mudar todos juntos."
Nesse ponto, a mãe de Gabriel fez uma pausa e disse sorrindo: "Mas é estranho, quando mencionaram você, a senhora Santos disse que, no futuro, a Alice talvez nem se lembrasse mais de você."
"Imagine só, nossas famílias se conhecem há tantos anos, vocês dois eram tão próximos, como poderiam se esquecer só por causa de alguns anos de distância!"
Alice Santos... se mudou?!
Um evento tão importante e ela nunca tinha mencionado nada para ele.
Gabriel sentiu um desconforto momentâneo, mas logo pensou que talvez a mudança tivesse sido apressada, afinal, o estágio dela não podia esperar.
Além disso, com a tecnologia atual, era impossível perder o contato totalmente.
Ele só não esperava que, com aquela mudança, Alice desapareceria completamente de sua vida.
Por dois anos inteiros.
Nesse período, Gabriel tentou entrar em contato, mas todas as mensagens enviadas foram ignoradas.
Ele chegou a perguntar a Tiago Santos, recebendo apenas uma resposta: "A Alice finalmente conseguiu desistir de você, não venha atrapalhar agora."
Gabriel olhou para a mensagem e sentiu uma irritação irracional crescer em seu peito.
Ele abriu o aplicativo de passagens, pronto para digitar o endereço da nova casa da família Santos que havia conseguido com sua mãe.
Mas, no momento de pagar, seus dedos hesitaram.
As palavras de Tiago ecoaram novamente em sua mente. Enquanto hesitava, alguém bateu à porta do escritório e ele voltou a ficar mergulhado no trabalho...
Gabriel tentava usar o excesso de trabalho para encobrir a ausência de Alice em sua vida.
Mas, quando algum colega perguntava por ela, ele sempre caía em um transe repentino, antes de recompor suas emoções e responder: "Ela está ocupada com o estágio."
No fundo, ele sabia que aquela frase era apenas uma desculpa para afastar os colegas e manter as aparências.
A preocupação com Alice, que ele sempre reprimiu, já havia ultrapassado os limites que ele mesmo estabelecera, sem que ele percebesse.
No silêncio da noite.
Gabriel observava a escuridão lá fora, com a tela do celular fixada no perfil de Alice, que nunca mais fora atualizado.
A foto de capa ainda era uma foto dos dois juntos.
Ao olhar para o sorriso da garota, ele não pôde deixar de se perguntar: se ele soubesse que o resultado da desistência de Alice seria o desaparecimento total dela, ele ainda teria sido tão firme na rejeição?
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