"O Trigésimo Terceiro Contrato de Amor" Capítulo 2
"Você também chegou na idade de se apaixonar. Seria bom namorar um pouco."
Eu não conseguia aceitar a justificativa de Gabriel.
"É apenas por isso? Ou é porque você não vê a hora de me empurrar para outra pessoa?"
Fixei meus olhos no rosto de Gabriel, tentando discernir qualquer sinal de verdade ou mentira em sua expressão.
O olhar dele era de total serenidade: "Eu só quero que você seja feliz."
Aquelas palavras soaram tão sinceras e honestas que abaixei a cabeça sem forças, expondo a nuca frágil.
"Você não entende o que significa felicidade para mim."
O movimento de Gabriel ao beber água parou subitamente, e houve um breve momento de complexidade em seu olhar ao me observar.
Eu não vi. Passei por ele a passos largos e me tranquei no quarto.
Gabriel olhou para a porta fechada e apertou a ponte do nariz com os olhos fechados. Quando os abriu novamente, sua expressão era de total indiferença.
Dentro do quarto, desabei na cama com os olhos fixos na luminária do teto, encarando-a até que ardessem, para assim conter as lágrimas.
...
Depois daquele dia, não voltei a falar com Gabriel.
Até que, no sábado, ele subitamente disse que me levaria a um encontro com colegas de trabalho.
Eu não queria ir, mas quando dei por mim, já estava sentada no restaurante.
Ao meu lado, Gabriel conversava animadamente com a mulher sentada à sua outra lateral.
As pessoas ao redor não perdiam a chance de brincar: "Vejam só o nosso grande promotor Gabriel e a Yasmin. Tantos anos de amizade e eles parecem um casalzinho, sempre grudados!"
Gabriel não negou.
Yasmin apenas olhou para ele com um sorriso tímido.
Assistindo àquela cena, senti como se alguém estivesse apertando meu pescoço, dificultando minha respiração.
"Não estou me sentindo muito bem, vou sair para tomar um ar."
Soltei essas palavras e saí apressadamente.
Gabriel notou e levantou-se em seguida: "Vou dar uma olhada nela."
O vento frio da varanda entrava pelo colarinho.
Ouvi os passos atrás de mim e reconheci facilmente que era Gabriel.
Pensando em tudo o que ouvira na mesa, virei-me: "Parece que a senhorita Yasmin gosta muito de você."
Gabriel não demonstrou surpresa: "Você percebeu."
Como eu não perceberia?
O amor que transbordava dos olhos de Yasmin quando olhava para Gabriel era exatamente igual ao meu!
Fiz a pergunta que tanto temia: "E você? Vai corresponder... ao sentimento dela?"
Gabriel ajustou seus óculos de armação prateada: "Não."
Senti um alívio, mas ao mesmo tempo senti pena de mim mesma e de Yasmin.
"Assim como você nunca vai corresponder aos meus, não é?"
Gabriel disse solenemente: "No futuro, você encontrará alguém que corresponda ao seu amor, mas não serei eu."
Minha garganta travou e não consegui dizer mais nada.
Nesse momento, Yasmin abriu a porta da varanda: "Gabriel?"
Gabriel olhou para trás e, em seguida, afagou o topo da minha cabeça: "Se não quiser ficar aqui, vá para casa e durma cedo."
Dito isso, ele se virou e caminhou em direção a Yasmin.
Eu quis correr atrás dele, mas meus pés pareciam colados ao chão.
Só pude assistir, com os olhos bem abertos, aquele homem que nunca me pertenceu se afastar cada vez mais...
Madrugada.
A única fonte de luz no quarto era a tela do celular, que marcava uma da manhã.
Gabriel não havia voltado.
Apaguei a tela, virando-me de um lado para o outro sem conseguir dormir.
De repente, o aparelho emitiu um som de notificação; era uma mensagem de um número desconhecido.
Ao abrir, vi uma foto íntima de Gabriel abraçando Yasmin.
Minha respiração parou por um instante e, logo em seguida, o celular vibrou novamente.
Deslizei a tela e um texto apareceu: "Senhorita Santos, eu sei que você gosta dele, mas agora ele é meu."
Capítulo 4
No silêncio da noite escura, um barulho forte ecoou repentinamente.
Olhei para o celular que eu havia arremessado no chão e, contendo as lágrimas, saí correndo do quarto para procurar Gabriel!
Eu não queria mais esperar sem esperança, queria ver aquele homem, queria exigir explicações...
Meus pensamentos travaram subitamente.
Fiquei agachada no lugar, percebendo tardiamente: eu não tinha o direito.
As sucessivas rejeições de Gabriel e suas tentativas de me afastar haviam esgotado quase todo o meu entusiasmo e coragem.
Tive medo da humilhação de ser questionada por ele: "Com que direito?".
Enquanto estava perdida em pensamentos, ouvi o som da chave girando na fechadura.
Ergui o olhar e vi Gabriel entrando.
No instante em que nossos olhares se cruzaram, ele franziu levemente a testa: "O que você está fazendo aí?"
Ele estendeu a mão para me ajudar a levantar, mas encontrou apenas frio.
Antes que eu pudesse responder, um perfume intenso invadiu meus sentidos, deixando-me paralisada.
Aquele cheiro... era o perfume de Yasmin.
Instintivamente, soltei a mão de Gabriel. Se meu corpo estava frio, meu coração estava congelado.
"Combinei de sair com uns amigos." Fingi calma enquanto tentava passar pela porta.
Gabriel pressionou a porta com força, bloqueando minha saída.
"Uma hora dessas? Com quem você vai sair?"
"Isso importa para você?" Não contive a resposta ríspida, arrependendo-me no segundo seguinte.
Não ousei olhar para ele. "Você não conhece."
Saí apressadamente e bati a porta.
Gabriel ficou parado no mesmo lugar, com a mão ainda estendida no ar vazio...
No dia seguinte, no escritório.
Felipe caminhou até minha mesa com alguns documentos: "Surgiram vagas para um curso de especialização na Universidade de São Paulo. A partida é em uma semana e eu recomendei você."
A faculdade de Direito da USP é renomada em todo o país. Fiquei tentada, mas se eu partisse, provavelmente ficaria dois ou três anos sem voltar.
E eu e o Gabriel...
Felipe percebeu minha hesitação e aconselhou suavemente: "É uma oportunidade rara, você precisa pensar com cuidado."
Segurei os documentos com o coração cheio de incertezas.
Durante aquela semana, após hesitar repetidas vezes, terminei de arrumar minhas malas.
Mas eu ainda queria apostar uma última vez.
Aproximei-me do homem que lia documentos no sofá e contei brevemente sobre a especialização em São Paulo, esperando por sua reação.
Gabriel não hesitou nem por um segundo: "É uma oportunidade rara, você deve ir."
Eu já esperava por essa resposta, mas não era a que eu queria.
"Se eu for, provavelmente não voltarei por dois ou três anos. Pode ser que não nos vejamos nesse tempo. Mesmo assim, você acha que eu devo ir?"
"Comparado ao futuro, esse pequeno sacrifício de tempo não é nada. Por você mesma, você deve ir."
As palavras de Gabriel me colocaram em uma posição onde a escolha era "óbvia".
Qualquer pessoa normal não recusaria tal oportunidade, mas eu era diferente.
Eu escolhi o Direito por causa de Gabriel, apenas porque ele é promotor e ser advogada era o lugar mais próximo dele no tribunal.
Mas, ironicamente, foi essa escolha que me afastou dele.
Meu coração esfriou lentamente e tomei minha decisão final.
Minha voz tremou: "Vou te perguntar pela última vez. Em todos esses anos, você já teve, ao menos uma vez, o pensamento de me aceitar?"
"Não. Você é apenas a irmã do meu amigo", Gabriel respondeu secamente.
"Tudo bem, entendi."
Eu não conseguia sentir mais nada. Caminhei entorpecida até o quarto e peguei as malas que já estavam prontas.
Eu já previa esse resultado, mas ainda assim quis tentar uma última vez.
O resultado foi o mesmo: uma derrota total.
Gabriel, que havia me seguido, ficou surpreso ao ver a cena, mas apenas perguntou: "Você vai agora? Eu te levo."
Eu não tinha forças para recusar.
Durante todo o caminho até o aeroporto, permanecemos em silêncio.
Até que o alto-falante anunciou o início do embarque. Puxei minha mala em direção ao portão.
No momento de cruzar o portão, virei-me subitamente e, diante do olhar atônito do homem, beijei seus lábios...
Capítulo 5
O tempo voa.
Em um piscar de olhos, já fazia meio mês que eu estava em São Paulo.
Pela janela, as folhas caídas pareciam melancólicas.
Eu estava sentada à janela observando, enquanto ouvia pelo telefone a pergunta de uma amiga: "E então? Você foi embora assim mesmo? O Gabriel não te procurou mais?"
"Não." Tentei controlar a rouquidão na voz. "Depois de tudo o que foi dito, além de partir, eu não sabia mais o que fazer."
"Você gostou dele por mais de dez anos! Desistir assim, você se conforma?"
Eu não precisei pensar para negar essa resposta.
Como alguém poderia se conformar em desistir de quem tanto ama? Mas...
Olhei para a pulseira em meu pulso e disse baixinho: "Mesmo que eu não me conforme, o que posso fazer? Se eu insistisse em ficar, receio que não poderíamos ser nem amigos."
"Mais do que não estarmos juntos, tenho medo de perder até o direito de ter contato com ele."
Dito isso, desliguei o telefone.
Eu cheguei a fantasiar que, talvez saindo de casa e me afastando de Gabriel, o tempo pudesse apagar o amor.
Mas não esperava que ele continuasse pairando em minha mente, recusando-se a partir.
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