"Destruída pelo Desejo" Capítulo 1
Capítulo 1: Cuidado com os limites
Fazia apenas seis meses que Janaína havia retornado a São Paulo, e ela não esperava reencontrar Yago tão cedo.
Ele era o homem que seu marido, Lucas, havia contratado para seduzi-la e forçá-la a pedir o divórcio.
Ambos tinham suas próprias intenções ocultas; fingiram uma paixão súbita no jardim de casa e, dois dias depois, já haviam iniciado um caso extraconjugal.
Hoje, Lucas estava voltando de uma viagem de negócios. À tarde, após uma reunião apressada na empresa, Janaína correu para casa.
No mesmo momento em que chegou, Yago também apareceu.
Janaína deu de cara com ele assim que desceu do carro.
O olhar dele pousou sobre seus ombros com uma temperatura quase tátil, obrigando-a a puxar os longos cabelos ondulados para a frente.
Uma tentativa óbvia de esconder o que havia acontecido.
Yago riu dela em silêncio.
Ao entrarem, Janaína sussurrou um alerta: "Os empregados estão todos nos observando, tenha modos e cuidado com os limites."
Ao ouvir isso, Yago se aproximou dela e disse em um tom perfeitamente audível: "Você não disse isso ontem na cama."
"Lembro-me de que, depois de ouvir suas palavras, fiquei muito motivado. Inclusive, durei muito mais tempo."
Janaína parou abruptamente e olhou para ele. Viu aquele rosto frio e atraente; ele parecia impecável em suas roupas elegantes, exalando uma aura de nobreza que tornava difícil acreditar que aquelas palavras tinham saído de sua boca.
"Vou subir. Sinta-se à vontade, Sr. Yago."
Mesmo com tanta intimidade, ela ainda o chamava de "Sr. Yago".
Yago interpretou aquela frase como um convite. Enquanto ela subia pelas escadas, ele pegou o elevador, chegando ao terceiro andar antes dela.
Assim que Janaína abriu a porta do quarto, uma mão larga envolveu seu pulso.
O som da porta se fechando ecoou, e um peito quente pressionou suas costas.
Ela não pôde evitar um calafrio.
"Yago..."
Ela tentou falar, mas hesitou.
Embora aquele fosse seu quarto de casada, ela e o marido não viviam uma união real.
Ela poderia se apaixonar por qualquer pessoa, mas sendo Lucas um membro da família de elite, ele era o único que ela jamais amaria.
Já haviam chegado a esse ponto, não havia mais volta.
Sentindo a reação dela, o homem atrás dela segurou suas mãos e a prensou contra a parede. Janaína sentia claramente em sua força o que era provocação e o que era punição.
Yago depositou beijos ardentes perto de seu ouvido e disse com uma voz grave: "Você quer que o nosso relacionamento continue sendo um segredo sujo para sempre?"
"Você é cruel."
Janaína cerrou os lábios e ergueu o olhar para encará-lo: "Não sou eu quem te mantém nas sombras. É você. Você se aproximou de mim com um objetivo, não foi?"
"Foi."
Yago nunca se deu ao trabalho de negar.
Assim como agora, ele não temia que alguém pudesse invadir o quarto.
Ele segurou o queixo dela com dois dedos e buscou seus lábios.
Sem qualquer hesitação, foi dominador, forte e implacável. Sob o toque dele, o corpo dela amoleceu completamente.
Quando ele tentou avançar, Janaína segurou firme em suas roupas: "Hoje não."
Ele perguntou com a voz rouca: "Por quê?"
"Lucas volta hoje. Vamos colocar as cartas na mesa, e você quer fazer isso agora... quer me colocar em uma situação difícil?"
A luz no quarto era escassa. Seus olhos, inocentes mas determinados, fitavam-no diretamente, despertando nele um desejo profundo.
Yago desviou o olhar levemente, com uma expressão indiferente, como se não se importasse com os sentimentos dela.
Talvez ele não fosse quem ela imaginava. Cinco anos se passaram e tudo mudou drasticamente; em São Paulo, ninguém mais mencionava a família de Jéssica.
"Como eu poderia te prejudicar?" Yago manteve o olhar fixo nela, com um tom de voz preguiçoso e carregado de luxúria. "Hmm? Ontem à noite, você me mandou uma mensagem dizendo que sentia muito a minha falta, não disse?"
Ele apertou o lóbulo da orelha dela, que estava fervendo, invadindo seu espaço passo a passo. "Eu perguntei do que você sentia falta, e você disse que o que mais queria era..."
Com o movimento lento de sua voz grave, a temperatura no quarto começou a subir rapidamente.
Janaína franziu as sobrancelhas: "Lucas volta para a cidade hoje, ele deve estar chegando."
Yago sorriu com desdém: "Por que tanto nervosismo? Nesses dias todos, ele se importou com você?"
Lucas fora quem chamou Yago para seduzi-la, era óbvio que ele não se importava.
Pensando nisso, ela baixou os cílios. "E você?"
Yago não respondeu. Afastou algumas mechas de cabelo do rosto dela e baixou a cabeça, cobrindo seus lábios com beijos curtos e intensos. Ele forçou a passagem entre seus dentes e, de repente, mordeu levemente a ponta de sua língua.
"Quando estivermos juntos, você está proibida de pensar nele!"
O tom foi mais pesado do que antes.
Hoje, ele estava agindo de forma diferente.
Antes, ele sempre parecia relutante ou passivo.
Até mesmo quando terminaram, Yago não ficou para conversar como de costume; ele foi direto para o banheiro.
A silhueta desaparecendo no corredor parecia distante, e o brilho nos olhos de Janaína foi se apagando aos poucos.
Toc, toc, toc...
"Quem é?"
Sua voz saiu carregada pela névoa do momento íntimo que acabara de ter.
A pessoa do lado de fora hesitou um instante antes de responder: "Senhora, a Dona Quitéria chegou. Ela está lá embaixo."
Dona Quitéria?
Sua sogra havia chegado.
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Capítulo 2: O seu marido não tem abdômen?
Janaína limpou a garganta: "Atenda a Dona Quitéria primeiro, eu já desço."
"Sim, senhora."
Ao ouvir os passos se afastarem, Janaína se levantou, vestiu-se e bateu de leve na porta do banheiro.
"Yago."
Assim que falou, a porta se abriu diante dela.
Ele segurava uma toalha, secando o cabelo com calma.
A água que escorria de seu peito passava pelos gomos definidos de seu abdômen. Janaína baixou levemente os olhos, encarando o rastro da água por instinto.
Yago ergueu a mão, tocou o queixo dela com dois dedos e sorriu: "Já olhou o suficiente?"
Janaína o encarou.
Ele tinha traços marcantes, uma linha de mandíbula altiva e fria. Alguém que cresceu em ambiente militar, mas que carregava a aura de um lobo solitário — para Janaína, ele era uma atração fatal.
Aquele homem que, anos atrás, em meio ao vento cortante das montanhas e entre a vida e a morte, a segurou com força, finalmente havia aparecido. Não era um sonho.
Ela se perdeu em pensamentos novamente. Yago, que já a observava há algum tempo, achou a garota cada vez mais interessante: "O seu marido não tem abdômen?"
Janaína despertou daquele transe com a provocação e disse, testando o terreno: "Ele não é 'meu'. Eu não gosto dele. Eu só gosto de você, agora e sempre. E você?"
A garota havia declarado sua lealdade, então o lógico seria ele ficar do lado dela.
Ela tinha um rosto radiante, especialmente os olhos expressivos que, quando brilhavam, despertavam um desejo de proteção.
Yago realmente não tinha coragem de ser cruel com ela: "Não importa o que você diga, no momento, você ainda é minha cunhada."
Ele parecia não querer tomar partido.
Janaína deu um passo à frente, tentando abraçá-lo.
Yago, porém, esquivou-se, e sua expressão esfriou um pouco: "Minha tia está lá embaixo, não a faça esperar."
A mão estendida de Janaína parou no ar. Após hesitar, ela recuou um passo, criando distância. "Desça daqui a pouco também."
Yago ergueu uma sobrancelha: "Você quer que eu apareça diante dos mais velhos junto com você?"
Janaína: "Você não tem coragem?"
Yago riu: "Como não teria?"
"Você é muito atrevido." Atrevido a ponto de fazer o que fez ali com ela.
"Não tem medo que o Sr. Lucas vire o jogo contra você? Isso afetaria o valor das ações da sua empresa e suas parcerias recentes."
Embora Yago não fosse o favorito na família e não tivesse direito à herança, ele era talentoso o suficiente para, ainda jovem, ser o presidente de um grande grupo listado na bolsa.
Ao ouvir as palavras dela, ele soltou uma risada curta: "Eu não tenho medo. Você está com medo?"
O rosto de Janaína mudou levemente de expressão.
A porta do quarto se fechou com um estrondo.
Lá embaixo, no salão principal.
Antes de chegar à curva da escada, Janaína recompôs sua postura.
"Janaína querida..."
A voz de Quitéria ecoou instantaneamente.
Janaína apressou o passo para recebê-la: "Sogra, a senhora veio!"
Quitéria vestia um traje elegante, exalando nobreza e distinção. Uma mulher como ela, muito bem educada, tratava todos com polidez externa, independentemente de gostar ou não da pessoa.
Janaína nunca foi a nora dos sonhos dela, mas Lucas havia sido irredutível em sua escolha.
"Eu estava de passagem e decidi visitar o casal", disse Quitéria com sua voz suave e melodiosa. "Lucas deve estar chegando em casa, certo?"
"Se não houver trânsito, ele chega em dez minutos. Sente-se um pouco, sogra. Recentemente, Lucas me pediu para comprar um conjunto de joias em um leilão para presentear a senhora..."
Não demorou muito; exatamente dez minutos depois, um carro de luxo preto parou no pátio.
Quitéria comentou: "Lucas chegou."
Janaína olhou para fora. Seu marido tinha uma estatura imponente, e o sobretudo marrom escuro acentuava sua aura naturalmente dominante e afiada.
Um homem que parecia inacessível, mas que, no fundo, era solitário.
Caso contrário, como ele poderia ter se sentido atraído por alguém como ela?
Bem feito. O destino é implacável e ninguém escapa das consequências.
Entre as três famílias mais poderosas da cidade, a de Lucas era a que tinha o herdeiro aparentemente mais maleável.
Mas, geralmente, homens assim também são os mais fáceis de serem enganados por outras mulheres.
Os eventos recentes apenas confirmavam que o pensamento de Janaína estava correto.
Sem pressa, Quitéria tirou o bracelete do pulso e disse calmamente: "Janaína, vamos para a mesa jantar."
"Sim, mamãe."
Janaína respondeu com um sorriso e se levantou, indo ao encontro de Lucas. Ela pegou o sobretudo que ele tirava e o entregou ao empregado. Quando seus olhos se encontraram, o sorriso dela, embora gentil, escondia uma lâmina afiada.
No momento em que Lucas ia falar, outra voz desceu as escadas, carregada de um tom descompromissado: "Primo, você trouxe algum presente para a sua esposa dessa viagem?"
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