"Memórias de um Amor Perdido" Capítulo 9
Os olhos de Xavier estavam escuros e sua voz era gélida: “Sim. Vou passar o resto da vida pagando por esse pecado.”
O pai de Xavier bateu com força o copo na mesa, fazendo um estrondo que assustou a todos.
“Seu canalha! Você não tem consideração pela sua família?”
“Eu ainda estou sentado aqui, indo trabalhar conforme as ordens de vocês. Isso já é o máximo que posso oferecer”, disse Xavier com frieza, como se estivesse acostumado àquelas reprimendas.
Sem esperar a reação do pai, ele se levantou e saiu.
Ao chegar à rua, a brisa fresca dissipou a irritação em seu peito, deixando apenas o vazio habitual.
No fundo, ele sabia que seus pais não eram os únicos responsáveis.
Mas ele não conseguia evitar. Desde que a perdeu, ele olhava para o resto do mundo como se todos fossem inimigos.
Cada brisa, cada gota de chuva parecia carregar uma culpa.
Sem ela, o universo inteiro tornou-se culpado.
Ele não conseguia amar nem a si mesmo, quanto mais qualquer outra pessoa.
Capítulo 19
A floricultura ficava no final do Beco Treze. Dona Zilah administrava aquela loja há muitos anos; fora seu primeiro empreendimento.
Sendo uma loja de décadas, gozava de excelente reputação.
Logo cedo, Zilah levou Talita para a loja. O espaço era aconchegante e a variedade de flores era impressionante.
A jovem que cuidava do balcão sorriu ao ver a patroa: “Bom dia, dona Zilah! Que surpresa boa a senhora por aqui hoje.”
Zilah sorriu para a moça: “Chen, esta é minha filha, a Tali. Ela vai começar a trabalhar aqui conosco.”
Chen ficou surpresa por um instante, mas logo abriu um sorriso: “Entendido, patroa!”
Em seguida, cumprimentou Talita: “Oi, Tali! Meu nome é Beatriz Chen, mas pode me chamar de Bia.”
Talita hesitou por um segundo e sorriu docemente: “Olá, Bia.”
Talita estendeu a mão, mas quando Bia não a apertou de imediato, a jovem percebeu que Talita não enxergava.
Antes que Bia pudesse dizer algo, Talita falou: “Sinto muito, eu não enxergo. Talvez eu cause algum transtorno no início, vou precisar da sua paciência.”
Ao ouvir aquela voz suave, Bia sentiu um aperto no peito. Como alguém tão bonita podia não enxergar? Um sentimento de lamento tomou conta dela.
“Imagina, Tali! Pode contar comigo para o que precisar”, disse Bia, subitamente preenchida por um senso de responsabilidade.
Talita soltou uma risadinha com o entusiasmo da colega.
Zilah, vendo a filha menos melancólica, suspirou aliviada.
“Tali, vou te mostrar onde fica cada flor. A posição e o perfume de cada uma são diferentes...”
Bia observou enquanto Zilah guiava Talita pela loja várias vezes. Embora sentisse muita empatia, ela não acreditava que Talita pudesse ajudar muito. Afinal, sem a visão, seria difícil fazer arranjos, cortes ou identificar as quase cem espécies ali presentes.
Contudo, no meio da tarde, Bia ficou boquiaberta.
“Tali, você realmente decorou tudo?”
“Sim. Pode testar”, disse Talita com um sorriso confiante.
Bia perguntou, incrédula: “Onde estão as papoulas?”
“Prateleira da esquerda, terceira fileira, quarta posição.”
Bia caminhou até lá desconfiada e deu um grito: “É verdade!”
Ela continuou testando com outras flores e, ao final, olhava para os olhos de Talita como se brilhassem: “Você é incrível!”
“Tali, como você consegue diferenciar tantas flores?”
“Eu era médica. Tinha que decorar muita coisa, então treinei minha memória. Quanto às flores, eu ia buscar mercadoria com a minha mãe desde pequena. Algumas são usadas em remédios, e agora meu olfato está muito sensível. Isso acaba ajudando.”
Bia agora estava totalmente convencida.
As duas trabalharam juntas por mais de dois meses e a afinidade cresceu. Talita podia ser um pouco lenta nos movimentos, mas raramente cometia erros.
Graças à nova ajuda, o trabalho de Bia ficou muito mais leve.
Nos momentos de folga, elas conversavam.
“Tali, qual é a sua flor favorita?” perguntou Bia, interrompendo um momento de distração de Talita.
“Minha flor favorita?” Talita hesitou antes de responder: “Eu gosto de camélias.”
“Por quê? Camélias parecem... não sei, sinto que não combinam muito com você”, comentou Bia, confusa.
“Porque o significado da camélia é seguir em frente com coragem, sem medo das dificuldades.”
“Entendi”, assentiu Bia.
Logo depois, ela acrescentou com um sorriso: “Eu achei que você gostasse por causa do significado ‘protegendo o nosso amor’.”
A mão de Talita estremeceu bruscamente: “Camélias significam isso?”
“Sim! É o significado mais comum. Acho que a maioria das pessoas que compra camélias é por causa disso.”
Capítulo 20
Talita não respondeu mais. A explicação de Bia causou um turbilhão em sua mente.
Ela passou a gostar de camélias no primeiro dia de primavera após sua formatura na faculdade.
Ela e Xavier haviam brigado — ela nem lembrava o motivo —, e fora a primeira vez que falaram em terminar.
No meio da noite, para fazer as pazes, Xavier percorreu várias lojas até encontrar um buquê de camélias, que já estavam até um pouco murchas.
Naquela hora, Xavier estava com o rosto corado; ele nunca fora bom com palavras românticas.
Ele dissera o significado da flor, mas nunca mencionou essa segunda interpretação.
“Tali, você lembrou de alguém? Ficou tão pensativa”, a voz brincalhona de Bia a trouxe de volta.
Babu cutucou a perna de Talita com o focinho. Ela acariciou a cabeça do cão e sorriu: “Lembrei de um... antigo amigo.”
“Alguém que dá camélias provavelmente não era só um amigo”, comentou Bia, tendo o bom senso de não insistir no assunto.
O coração de Talita, que estava calmo, voltou a oscilar.
Mesmo que tivesse tentado deixar o passado para trás, era inegável que aquele homem marcara sua vida de forma profunda. Nas suas memórias, ele parecia onipresente.
A loja fechou um pouco mais tarde naquele dia. Quando Talita saiu, o pôr do sol dourava o beco. O caminho era curto.
Faltavam apenas algumas centenas de metros para chegar em casa. A escuridão permanecia diante de Talita.
Babu levantou-se prontamente e a guiou com segurança.
O aroma de diferentes comidas vindo das casas permitia que Talita identificasse exatamente onde estava.
Foi nesse momento que Sabrina Santos, de forma totalmente inesperada, avistou a pessoa que deveria estar "morta".
Sabrina acompanhava a sogra até o beco para encomendar um vestido sob medida; antigamente, ela nunca teria motivo para vir aqui.
As ruas antigas guardavam as memórias das gerações passadas, mas, fora alguns jovens turistas, os moradores locais raramente apareciam.
Ela esperava do lado de fora da alfaiataria quando levantou a cabeça e viu aquela silhueta familiar caminhando ao longe.
Seu rosto empalideceu e ela soltou um grito: “Talita Rocha!”
Talvez pela distância, Talita pareceu ouvir algo e parou por um segundo, mas não houve um segundo chamado.
Achando que fora uma alucinação, Talita continuou caminhando com Babu.
Sabrina percebeu a estranheza. A distância não era tão grande; Talita deveria tê-la visto.
Por um momento, pensou ter se enganado.
Mas conforme Talita passava passo a passo diante dela, o coração de Sabrina afundou.
Ela teve certeza: era mesmo Talita.
Mas ela estava cega!
Sabrina não sabia o que sentir. Antigamente, ela perseguira Xavier como se estivesse sob um feitiço.
Só depois de conhecer seu atual marido é que ela conseguiu se libertar.
Foi então que entendeu que aquilo não era amor.
Talvez tivesse amado Xavier de verdade um dia, mas, após descobrir o passado dele com Talita, aquele amor tornou-se uma obsessão que a aprisionava.
Na época de estudante, ela nunca superou Talita.
No amor, também perdeu para ela.
Amor? Na verdade, era apenas frustração.
Ao sair desse ciclo vicioso, ela percebeu o quanto fora ridícula, agindo como a vilã de um romance barato.
Mas o mundo não girava em torno deles. Sabrina Santos agora era a protagonista da própria vida.
Olhando agora para Xavier e Talita, ela sentia apenas piedade.
Xavier perdera seu amor e nunca saiu do ciclo de culpa e arrependimento.
E agora, vendo Talita cega, sentia apenas lamento.
Talita era uma ótima pessoa, tanto como médica quanto como amiga.
Infelizmente, eles haviam perdido muito pelo caminho.
Enquanto observava as costas de Talita desaparecendo no final da rua, a dona da alfaiataria comentou: “Você conhece a menina da família Rocha?”
Capítulo 21
Sabrina voltou a si e olhou para a senhora gentil ao seu lado.
“Conheço, fomos colegas.”
A senhora abanava-se com um leque, com voz pesarosa: “Uma pena, não é? Uma moça tão boa e agora não enxerga mais.”
Sabrina sentiu um aperto: “Eles moram aqui há muito tempo?”
A idosa animou-se: “Você não faz ideia! A família Rocha está aqui há décadas, são moradores antigos do Beco Treze. A menina vinha pouco, mas começou a morar aqui direto desde que perdeu a visão, há uns anos.”
“Todo mundo no beco se conhece. A família fica tranquila porque a gente sempre dá uma olhada nela e ajuda no que pode.”
Sabrina assentiu, compreendendo.
“Olha lá no final do beco”, apontou a senhora com o leque para a entrada da rua principal.
Era a direção de onde Talita acabara de vir.
“A floricultura deles fica ali. A menina tem trabalhado lá ultimamente.”
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