"Memórias de um Amor Perdido" Capítulo 8
No divã, o homem gemia e rugia como uma fera encurralada.
Sentado ao lado, o psiquiatra ajeitou os óculos e apertou o botão de play.
Ao som de uma música suave, o homem que se contorcia de olhos fechados foi se acalmando, até que finalmente abriu os olhos.
Aquelas orbes profundas escondiam uma dor desconhecida; agora que despertara, o olhar era de pura desolação.
"Sr. Silva, a sessão de hoje termina aqui. Tem se sentido melhor ultimamente?"
"Não." A voz de Xavier era plana, sem qualquer oscilação.
"A qualidade do seu sono também não melhorou?" O psiquiatra sentia-se frustrado.
"Não... Teve uma noite em que consegui dormir quatro horas." Xavier lembrou-se daquele dia.
"Por quê? Aconteceu algo especial naquele dia que o tenha feito sentir-se diferente?" O médico tentava guiá-lo suavemente, buscando romper sua rígida barreira psicológica.
Xavier, recém-desperto de um pesadelo, tinha a testa coberta de suor. Seus pensamentos estavam lentos.
"Nada de especial."
O psiquiatra franziu o cenho levemente: "Então me conte algo que tenha te marcado."
"Eu saí de casa e vi uma pessoa de vestido azul. As costas dela eram parecidas com as 'dela'..."
A lógica estava um pouco confusa e os pensamentos não eram claros.
O psiquiatra, porém, deu um suspiro de alívio. De fato, o trauma do Sr. Silva ainda estava ligado a "ela".
Em quase três anos de tratamento, os resultados deveriam ser mais visíveis, mas o progresso era pífio.
No início, ele pensou que houvesse um erro em sua abordagem, mas depois de várias sessões de hipnose, descobriu que o Sr. Silva simplesmente se recusava a abandonar seus próprios sonhos.
Fosse um sonho bom ou um pesadelo, ele queria desesperadamente ver aquela "ela" e tentava a todo custo mantê-la ao seu lado.
Mas o psiquiatra sabia que a pessoa por quem ele ansiava não existia mais.
"Você gostaria de conhecer aquela garota?" A pergunta do médico foi um pouco abrupta.
Xavier levantou o olhar, descontente: "Usá-la para me fazer dormir? Não é necessário. Se não for a Tali, ninguém mais serve."
Diante do olhar hostil do paciente, o médico estremeceu e suspirou profundamente: "Sr. Silva, você precisa aprender a sair desse buraco sozinho."
"Conhecer novas pessoas pode ser uma boa escolha."
Capítulo 17
Ao ouvir isso, Xavier apenas soltou um riso de desprezo: "Eu não quero sair."
A frase deixou o psiquiatra sem palavras.
Xavier já estava de pé. Pegou seu paletó que estava ao lado e saiu do consultório com passos largos.
O médico observou as costas imponentes do homem e não pôde deixar de lamentar: "O amor realmente destrói as pessoas."
Xavier foi até o estacionamento e entrou no carro.
O espaço confinado lhe trazia uma estranha sensação de segurança. Ele debruçou-se sobre o volante e respirou fundo.
O sonho de agora pouco fizera seu desejo de autodestruição disparar. Ele vinha para o tratamento a cada quinze dias e, na maioria das vezes, exigia apenas um tempo para dormir no consultório.
Sempre sob a orientação do médico, ele conseguia sonhar com o passado.
Sonhava com a Talita Rocha que, em condições normais, nunca aparecia em seus sonhos.
Ele sentia muita, muita falta dela.
Mesmo que a probabilidade de pesadelos fosse muito maior que a de sonhos bons, ele estava viciado naquilo, como um dependente químico querendo vê-la.
"Talita Rocha, o que eu faço?" murmurou Xavier. Uma lágrima solitária caiu rapidamente, sumindo ao atingir a calça preta do terno.
Xavier dirigiu sem rumo por um tempo, até que acabou indo parar na antiga casa de Talita.
Na casa onde ela morava; após o acidente de três anos atrás, a família dela se mudou.
Ele nunca mais conseguira encontrar qualquer informação sobre ela ou seus familiares.
Apenas a notícia de que ela havia falecido, dada pelos médicos na época.
Xavier olhou para o sobrado colonial, perdido em pensamentos.
Em sua memória, Talita era otimista e forte, um pouco mimada, mas estranhamente resiliente; via-se que vinha de uma boa família.
Naquela época, ele era jovem e impetuoso, achando que teriam todo o tempo do mundo.
Às vezes, Talita queria um pouco de romance e rituais, e ele sempre agia com indiferença.
Depois... não houve um "depois".
Pouco depois de o carro de Xavier se afastar lentamente, um carro preto estacionou exatamente onde ele estivera.
"Murilo, a Tali não vai voltar a morar aqui?" Zeca Oliveira tinha a mesma idade de Talita e era três anos mais novo que Murilo.
Murilo olhou para o carro que desaparecia à frente por um instante, confuso, e só voltou a si ao ouvir a pergunta de Zeca.
"Ela ainda prefere ficar no Beco Treze. Eu vim buscar algumas roupas para ela." Murilo abriu a porta e desceu.
Zeca o seguiu: "Como ela está agora? Tentei ligar várias vezes, mas ela não me deixa visitá-la."
"Então venha comigo hoje."
Murilo virou-se para Zeca: "Antes ela não estava bem emocionalmente, mas agora melhorou muito."
"E os olhos dela..." Zeca calou-se imediatamente ao notar a expressão de Murilo escurecer.
"Sobre os olhos, ainda não há nada definido. Os médicos não deram um veredito final. O risco da cirurgia é alto, então por enquanto estamos apenas em tratamento conservador", disse Murilo rapidamente, como se quisesse evitar o assunto.
Zeca também ficou desanimado. Como alguém de fora, ele já sofria por ela; imagine os irmãos de sangue.
Embora Murilo vivesse implicando com Talita, ele era sempre o primeiro a protegê-la quando algo acontecia.
"A Tali está sensível, mas não precisamos evitar o assunto propositalmente. Ela é mais forte do que pensamos. Em alguns dias, ela vai começar a ajudar na floricultura."
Ao falar sobre isso, um leve sorriso surgiu nos olhos de Murilo.
Zeca suspirou aliviado. Tudo ficaria bem.
Beco Treze.
"Talita Rocha." Zeca parou ao lado dela, observando-a sentada no sofá, com o olhar completamente vago.
Mesmo preparado, seu coração não pôde deixar de doer.
Os olhos de Talita sempre foram belíssimos, mas agora pareciam ter perdido a alma.
"Zeca, você veio!" Talita abriu um grande sorriso, parecendo genuinamente feliz.
Mas Zeca conseguia enxergar a tristeza profunda que aquele sorriso tentava esconder.
Capítulo 18
Babu agachou-se ao lado de Talita Rocha. Ao ver um estranho, ele instintivamente se colocou à frente dela, observando Zeca Oliveira com um olhar vigilante.
Zeca recuou dois passos para manter uma distância segura. Só depois de analisá-lo por alguns instantes é que Babu voltou a se deitar calmamente.
“Seu cachorro é muito inteligente”, disse Zeca com uma voz suave. Ele sempre conseguia iniciar conversas confortáveis com facilidade, tornando impossível alguém sentir aversão por ele.
Talita conversava calmamente com ele. Zeca não falava rápido e os assuntos eram variados, abrangendo de tudo um pouco.
Dona Zilah, observando como Zeca fazia Talita rir sem parar, assentia com aprovação frequentemente.
Ela sussurrou para o marido e para o filho, que preparavam o jantar: “Eu sabia que o Zeca era um bom rapaz. Ter marcado aquele encontro às cegas foi mesmo a escolha certa.”
O pai de Talita não comentou.
Murilo, porém, franziu o cenho levemente: “Mãe, não tem problema se a Tali não se casar. Além disso, o Zeca Oliveira não é o homem certo para ela.”
Zilah ficou atônita e resmungou: “Como assim não é certo? O que há de errado com a nossa Tali? Os olhos dela vão melhorar...”
“O Zeca é ótimo, mas você acha que a mãe dele é a pessoa certa para lidar?”
Ao lembrar da mãe de Zeca, Zilah calou-se imediatamente.
Após o acidente de três anos atrás, a mãe de Zeca chegou a ligar, mas suas palavras deixavam claro a rejeição ao relacionamento após o ocorrido com Talita.
A família Rocha não era de se humilhar, mas aquilo os deixou profundamente desconfortáveis.
Eram vizinhos há mais de dez anos, mas a frieza humana provou ser amarga. Eles aceitaram o distanciamento com educação.
Desde então, o contato entre as duas famílias diminuiu drasticamente.
“Eu entendi, fui ansiosa demais”, suspirou Zilah, voltando sua atenção para Murilo: “E você? Se preocupa tanto com a Tali, por que não se preocupa consigo mesmo? Já está bem crescido e não tem nem namorada.”
A mão de Murilo parou por um segundo, mas ele não respondeu.
Vendo que o filho a ignorava, Zilah transferiu sua energia para o marido, que, como de costume, aceitava as reclamações em silêncio, sem retrucar.
Entre discussões e risos, a atmosfera no pequeno Beco Treze era de puro acolhimento.
...
Na mansão dos Silva, a atmosfera à mesa estava estagnada.
Xavier Silva fingia não notar, comendo com total indiferença enquanto os adultos o observavam.
Finalmente, o pai de Xavier não aguentou: “Até quando você vai ser tão teimoso? Está esperando que eu e sua mãe morramos?”
Xavier franziu o cenho e pousou os talheres: “Eu já discuti isso com vocês. Achei que não tivessem objeções.”
O pai de Xavier sentiu a raiva subir: “Aquilo foi discussão? Foi um comunicado! Eu sei que nossa família errou com aquela moça e que você deve a vida a ela.”
“Mas ela se foi! O que mais você quer? Eles não aceitam indenização, e nós fazemos doações beneficentes todos os anos. Você pretende passar o resto da vida se punindo por ela?”
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