"O Príncipe e a Vilã: Um Jogo de Sedução e Poder" Capítulo 20
Capítulo 20: Na Verdade
Solana permanecia imóvel junto à janela, mas Ían não permitia que ela desse um passo para fora do quarto.
Todo o ambiente parecia envolto em um mundo de pelúcia; mesmo deitada preguiçosamente no chão, era possível sentir o calor acolhedor que emanava de cada canto.
Solana, naturalmente, fez exatamente isso. Quando Ían entrou e viu a cena, apavorou-se, pensando que ela havia desmaiado. Ele a envolveu apressadamente em seus braços, com o corpo tremendo descontroladamente por um longo tempo.
Mesmo naquele ambiente quente como a primavera, Solana sentia com clareza que, provavelmente, não sobreviveria àquele longo inverno.
Lembrou-se dos tomates no quintal que não visitava há muito tempo, e uma ponta de preocupação surgiu em seu coração.
— O vento na janela é forte, não fique aí parada — a voz de Ían veio suavemente de trás, e Solana sequer percebeu o som da porta se abrindo.
Ela recuou alguns passos resignada, sentou-se levemente na cama e murmurou: — Aqueles tomates que plantei... provavelmente já apodreceram.
— Não. Eu colhi as sementes antes do inverno começar. Poderemos plantá-las na primavera.
Ían espremia-se num canto do quarto lidando com os assuntos oficiais. Solana sentia nitidamente o pavor dele; ele tinha tanto medo de perdê-la que os dois eram quase inseparáveis, exceto pelos breves instantes em que Ían se reunia com os ministros.
— Se Wesir soubesse que ainda estou viva, como reagiria? — Solana soltou uma risada astuta. Estava genuinamente curiosa para ver a expressão no rosto dele. Afinal, sua vida agora era monótona demais.
— Ele não saberá. Se um dia souber, esse será o dia de sua morte — disse Ían com serenidade. Solana arqueou a sobrancelha; não esperava palavras tão definitivas vindas dele.
Ían pousou a pena e retirou da estante um livro intitulado
Terra dos Sonhos
. Folheando as páginas, murmurou para si mesmo: — "3812 amanheceres", dizem que se pode obter a bênção da Deusa, mas procurei em todos os lugares e não parece haver tal lenda.
Solana bocejou, levantou-se com semblante exausto e acomodou-se languidamente na espreguiçadeira.
Fechou os olhos e encostou o relógio de bolso do pai ao ouvido, escutando o tique-taque sutil e rítmico.
Aquele relógio estivera firmemente seguro nas mãos de seu pai e agora girava entre seus dedos.
Naquela época, seu pai morrera exatamente assim: sentado em silêncio no único sofá da casa. O interior era quente, a lenha na lareira queimava alegremente; tudo parecia normal.
No entanto, sua mãe descobriu secretamente que, antes do suicídio, o pai se encontrara com o Conde Degue.
Pouco depois, ele escolheu deixar este mundo. Ninguém sabia o que haviam conversado, mas sua mãe, naquele momento, jurou que Degue teria um fim terrível.
Sua mãe lhe disse: — Você não deve morrer, deve viver bem. Só assim poderá se lembrar de seu pai.
Assim, Solana disse a si mesma que precisava sobreviver.
Quando o ódio de sua mãe foi finalmente vingado, ela viu aqueles nobres outrora arrogantes discutindo os assuntos de sua família como palhaços, e um ódio inexplicável surgiu.
Ela percebeu que, como sua mãe, tinha uma personalidade que não perdoava a menor ofensa.
Ela faria daqueles chamados nobres a piada de suas próprias histórias.
Incluindo você, Ían.
Naquela época, você tinha aquela postura superior, consentindo com as fofocas e zombarias de todos. Ela odiava aquilo profundamente; e por se importar com o que ele pensava, odiava ainda mais.
Ían pensou que Solana estivesse apenas dormindo profundamente. Com expectativa, ele seguiu a orientação dos números para folhear as páginas, mas não importava como tentasse, não encontrava nada correspondente.
Após testar todas as combinações de números que pôde imaginar sem sucesso, e quando já estava exausto e prestes a desistir, uma ideia brilhou como um raio: havia uma forma de folhear que ainda não fora explorada.
Dividir os quatro números ao meio: página trinta e oito, parágrafo doze.
Ían arregalou os olhos, como se visse a verdade emergindo da névoa.
A primeira frase daquele trecho saltou aos olhos:
"O amante dos meus sonhos possui olhos azuis como águas profundas; creio que seu olhar deseja pousar apenas em mim."
"Só posso encontrá-lo naquele reino onírico e ilusório, pois ele não é uma borboleta de voo leve. E eu sou apenas uma borboleta incompleta; ele, porém, é como a flor mais nobre e exuberante, exalando uma fragrância inebriante. Então, desperto do sonho, e aquele reino de dor entrelaçada finalmente encontra seu ponto final neste instante."
Ali era exatamente a antepenúltima página. As duas últimas descreviam a fundação de um novo reino de borboletas, um mundo novo, cheio de incógnitas e esperança.
Alguns poetas interpretavam com emoção que a borboleta que simbolizava a beleza talvez já tivesse partido, e seu desaparecimento carregava tristeza e lamento infinitos. Outros diziam que a borboleta morreu após acordar e testemunhar o novo reino, incapaz de suportar o contraste com a realidade.
Desde que o livro fora classificado como proibido, ninguém mais ousara aprofundar-se em seus significados. E o autor daquela obra misteriosa era justamente o pai de Solana, Vance.
O que transparecia nas entrelinhas parecia ser um tabu profundo do Império; contudo, tornou-se a pedra fundamental da literatura fantástica imperial.
Lá fora, a neve parou silenciosamente. Ían baixou o livro e, ao olhar para o rosto de Solana, pálido como papel, sentiu uma tensão indescritível.
Aproximou-se com cautela para sentir a respiração dela; o hálito, tão fraco que era quase imperceptível, fez seu coração afundar num abismo sem fim.
Recusando-se a aceitar a realidade cruel, seus joelhos cederam e ele caiu ao chão, para logo em seguida levantar-se em pânico e correr em busca de um médico.
Solana jazia imóvel na cama, como um anjo adormecido.
Ían expulsou a todos com um gesto e ajoelhou-se sozinho ao lado do leito. A dor jorrou como uma inundação após o rompimento de uma represa; seu choro lancinante ecoou pelo quarto vazio até que, incapaz de se controlar, ele vomitou sangue.
Naquele momento, suas forças pareciam ter sido drenadas. Ele debruçou-se sem forças ao lado de Solana, aninhando-se ao corpo dela, as mãos tremendo ao segurar a mão dela.
Solana segurava o relógio de bolso; o som do tique-taque soava nitidamente no quarto silencioso, como o suspiro do tempo que flui impiedoso.
Ían retirou o relógio com delicadeza extrema, como se Solana estivesse olhando para o objeto junto com ele.
Ao abrir o relógio, surgiu um retrato borrado: Solana criança com seus pais.
Um brilho de ternura surgiu no olhar de Ían. Ele sussurrou: — Você se parece tanto com sua mãe. — Os dois pareciam conversar casualmente como sempre, mas a única resposta era o silêncio infinito.
— Seu pai foi um escritor magnífico, suas obras-primas serão lembradas por eras; sua mãe foi a Santa mais devota e responsável da Igreja, até hoje o povo recorda seus feitos. E o que você fez pelo novo Império deixará uma marca profunda na história. Solana, eu te amo.
O fecho do relógio se soltou e o retrato saltou; Ían o virou e encontrou um pequeno bilhete escondido atrás. Infelizmente, a maior parte da caligrafia fora destruída, restando apenas este trecho:
"Ían, viva bem, não me decepcione, e não deixe que tudo o que fiz se torne uma farsa ridícula. Na verdade, desde a primeira vez que te vi, eu já gostava de você, certamente antes de você gostar de mim. Mas esse sentimento não mudava o meu desprezo por você naquela época. Agora que te contei o segredo de gostar de você, você me deve um favor. Nos dias que virão, trabalhe com dedicação e use suas ações para me retribuir."
Ían estancou. Jamais imaginaria que a sempre solene e rigorosa Solana escreveria algo assim. Com os olhos ainda cheios de lágrimas, guardou o bilhete cuidadosamente no relógio e pressionou o objeto contra o peito.
Enxugou as lágrimas e, contendo a dor, ordenou que uma criada trouxesse um pintor.
Ele sentou-se no sofá abraçando o corpo de Solana, uma imagem que causava calafrios em quem visse. O pintor observava-os tremendo da cabeça aos pés.
— Majestade... devo pintar assim mesmo? — perguntou o pintor, fazendo um esforço hercúleo.
— Sim. Pinte os olhos como se estivessem vivos — Ían forçou um sorriso mínimo.
O pintor secou o suor frio na testa. Ao ver o baú de ouro brilhante ao lado, seus olhos se arregalaram. Subitamente, sentiu que não temia mais nada.
— Então... posso deixar os olhos da senhorita por último? Peço que Majestade me mostre outros retratos dela, para que eu possa captar melhor o olhar.
Ían assentiu. Após a conclusão da pintura, Solana foi colocada em um caixão coberto de flores frescas.
No caixão de laca preta, o nome completo de Solana estava gravado em fios de ouro, usando o sobrenome de seu pai biológico. Esse ato pareceu resgatar a família Idehai do lamaçal da culpa, coroando-a novamente como uma linhagem de mérito.
A pintura logo foi terminada. Ían frequentemente ficava olhando para o relógio de bolso em transe.
Naqueles momentos de silêncio, ele parecia compreender subitamente a dor de Solana.
Durante os longos e sombrios anos do domínio nobre, uma maga extraordinária surgiu silenciosamente na Cidade Baixa do Império Aslan.
Ela, como uma estrela brilhante na escuridão, fundou hospitais e orfanatos que trouxeram calor e esperança a inúmeras pessoas, tornando-se a amada noiva do Príncipe Herdeiro.
Com coragem indômita e sabedoria incomum, ela rompeu os grilhões de trezentos anos da nobreza, trazendo mudanças drásticas ao Império. Sob seus esforços, a profissão de mago finalmente se libertou, ganhando o direito ao livre desenvolvimento. Os tomates gigantes que ela cultivou tornaram-se frutos mágicos da vida, livrando o povo da fome e trazendo uma nova era de fartura.
Faleceu no ano 812 do Império, aos vinte e oito anos, de morte súbita.
Ían, já de cabelos brancos, com profundo respeito e amor, escreveu os feitos gloriosos dela no mural de conquistas dos imperadores passados. Ele posicionou cuidadosamente o retrato dela à frente do seu.
O tempo passou até o ano 842 do Império. Naquele ano, Ían passou o trono ao seu sobrinho, Ostin.
Ían, que nunca se casou, dedicou toda a sua vida ao Império, trabalhando com afinco e retidão. Faleceu aos cinquenta e oito anos, de morte súbita.
FIM
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