"O Príncipe e a Vilã: Um Jogo de Sedução e Poder" Capítulo 19
Capítulo 19: Aprisionamento
Ela caminhou casualmente pelos arredores e surpresa notou que ainda podia circular livremente pelo palácio, embora suas habilidades mágicas estivessem seladas.
De repente, o som pesado de cascos de ferro ecoou atrás dela.
Solana acariciou o próprio rosto levemente pálido; num piscar de olhos, a Guarda Real a cercou. O líder era o jovem que outrora conversara com Ían na mansão do Conde Dana.
Eles se erguiam como heróis da justiça sob a luz do sol, olhando-a de cima.
— Condessa, quanto tempo. — As palavras do homem transbordavam desdém, com um olhar de quem observa um perdedor.
Solana olhou para o sol escaldante no céu, sob o qual o homem se banhava.
"O aprendiz que você treinou pessoalmente é realmente extraordinário", pensou Solana, sorrindo levemente e assentindo em cumprimento: — Olá, novo Comandante da Guarda Real.
O homem franziu o cenho e perguntou: — Onde está minha mestra?
— Ela voltou para sua terra natal para descansar — respondeu Solana calmamente, indiferente à arrogância e ao desprezo dele.
O homem partiu apressado, e Solana também deu meia-volta, tentando recordar o nome dele. Lembrava-se de Silvia mencionando algo como Wesir, um cavaleiro de origem plebeia que era excepcionalmente esforçado.
Silvia deveria estar vivendo bem agora, exatamente como desejara: com sua pequena cabana de madeira e um pedaço de terra, levando uma vida tranquila e pacífica.
— Condessa Solana. — Ao ouvir o chamado, ela parou bruscamente e olhou para trás. Ían estava cercado pela multidão, recuperando sua antiga glória como centro das atenções.
— As terras do país não pertencem mais à nobreza, mas sim aos súditos do Estado. — Ían estendeu-lhe o relatório da conferência.
Solana não o aceitou, apenas acenou com a mão de forma apática: — Já que não há mais nobres, eu também não sou mais Condessa. Não preciso participar desses assuntos, não sou membro do conselho.
Sob os olhares atônitos de todos, ela se virou e partiu.
— Ela é uma criminosa, por que Vossa Majestade ainda ouve a opinião dela?
— Pois é, ela matou tanta gente, é uma louca. Por que ainda a mantemos aqui?
Wesir aproximou-se e disse: — Vossa Majestade, quando tudo terminar, gostaria de pedir licença para procurar minha mestra.
Ían assentiu, observando as costas de Solana. Ele pensara que haveria uma batalha feroz entre os dois, mas tudo correu com uma facilidade inesperada. Naquele momento, sua magia de atordoamento atingira o pescoço dela sem esforço, como se ela não tivesse nenhuma proteção mágica no corpo.
Solana deitou-se na cadeira de balanço de bambu, folheando um livro de contos e viagens. O relógio de bolso de seu pai estava enrolado em seu pulso. O calor da lareira a envolvia, a lenha estalava e a cadeira rangia suavemente; todos esses sons eram como uma melodia hipnótica.
Uma rara sensação de felicidade a cercava. Lembrou-se dos dias antes de seu pai se endividar. Todo inverno, a família de três se reunia ao redor da lareira; o pai ensinava-lhe a ler, enquanto a mãe tecia renda ao lado. O som da tecelagem era nítido e agradável. Solana apoiava a cabeça na mão, segurando a pena que fora de seu pai — um objeto antigo, de excelente qualidade e tão leve que parecia que ela nem a segurava. Gradualmente, ela fechou os olhos e mergulhou no sono.
Ao abrir os olhos novamente, percebeu que estava deitada na cama. O luar atravessava a janela, banhando o leito; o livro inacabado estava sobre o criado-mudo, com o relógio de bolso servindo de marcador entre as páginas.
Houve um ruído atrás dela, e braços fortes a envolveram firmemente.
— Por que fugiu de novo? — A voz do homem era profunda e magnética, e seu corpo, quente e vigoroso. Sentindo os ombros de Solana frios, ele cruzou as mãos quentes sobre o peito dela, apoiando-as nos ombros.
Era a essência de Ían; o perfume intenso e nobre de rosas pairava ao redor dela.
Solana fechou os olhos e permaneceu imóvel, fingindo que ainda dormia. Notou que o limitador em seu pulso fora removido, mas a magia restante em seu corpo não era suficiente para sustentar uma fuga, e ela também estava com preguiça de se mover.
O primeiro raio de sol da manhã atravessou a janela, acordando Solana suavemente. Embora tivesse nevado na noite anterior, o sol surgira ao amanhecer.
— Bom dia. — A voz de Ían trazia a preguiça matinal. Ele mantivera a mesma posição da noite anterior, sem se mover.
Solana lutou para se sentar, com os cabelos bagunçados sobre a cabeça, parecendo travessa e adorável. Ían, vestindo um pijama branco idêntico ao dela, ajudava-a cuidadosamente a livrar o rosto dos fios de cabelo.
O olhar de Solana estava perdido, como se ainda saboreasse o sonho; fazia muito tempo que não desfrutava de um sono tão estável.
Ían a puxou subitamente para um abraço apertado, com o rosto colado ao dela, e sussurrou: — Nosso casamento foi marcado para o início da primavera. Quando a hora chegar, você só precisará tomar uma poção de disfarce e ninguém descobrirá sua verdadeira identidade. Direi ao mundo que você é uma mulher que conheci na Cidade Baixa e que salvou minha vida.
Solana franziu levemente o cenho, confusa: — Não deveríamos ficar noivos primeiro? — Ao mesmo tempo, sentiu algo ardente atrás de si, pressionando sua coluna.
— Porque eu não posso mais esperar. — Ían enterrou o rosto no pescoço dela, depositando um beijo devoto.
Solana fechou os punhos e disse com certa ansiedade: — Eu não quero ser Imperatriz, nem quero...
Ían não esperou que ela terminasse; virou o rosto dela e selou seus lábios com um beijo profundo, calando todas as suas palavras. Seus pijamas eram leves como asas de cigarra, abrindo-se com um simples puxão.
Solana arquejava, como se estivesse vivenciando a asfixia de um afogamento.
Seu corpo estava em brasas, e suas pernas, tão fracas que mal tinham força. Com as mãos trêmulas, ela tentou cobrir-se com o pijama e alcançar o sino sobre a mesa, mas a mão atrás dela a puxou bruscamente de volta.
Somente quando ela esgotou totalmente as forças é que Ían a acolheu ternamente nos braços e tocou o sino. Nesse momento, uma criada familiar entrou. Não era a mesma que lhe dera a poção de amnésia anteriormente?
Ían a carregou para fora do quarto. Os criados originais do palácio haviam desaparecido, restando apenas aquela mulher. Ele a levou ao banheiro e a colocou suavemente na banheira.
Ele ajudou-a meticulosamente a lavar o corpo. Os cabelos de Solana, encharcados, colavam-se às suas bochechas, fazendo-a parecer especialmente frágil. Os dedos de Ían tremiam levemente, contendo-se com dificuldade.
Após acompanhá-la no almoço, Ían partiu apressado. Solana voltou ao quarto e encontrou a pedra mágica rosa repousando sobre a lareira, brilhando com uma luz sedutora. Bastaria absorver a magia daquela pedra para que ela pudesse realizar um teletransporte e escapar dali.
Solana estendeu a mão lentamente em direção à pedra, mas hesitou. Ían era mais forte do que ela imaginara.
Por fim, ela recolheu a mão, pegou o livro e sentou-se na cadeira de balanço como no dia anterior. O sono logo a atingiu.
Quando abriu os olhos novamente, percebeu que a cadeira de balanço parecia estar se movendo lentamente. Olhando para o lado, viu que era Ían quem a carregava com firmeza pelas mãos.
— Eu te acordei? — perguntou Ían com doçura.
Solana balançou a cabeça levemente, com tom calmo: — Você pode me acordar, eu consigo andar sozinha. — Ela ainda abraçava o livro com força.
Desde o dia anterior, o sorriso desaparecera de seu rosto; não havia tristeza nem desagrado, apenas como se ela, por natureza, não gostasse de rir. Agora, sentia uma leveza sem precedentes. Não precisava mais se forçar a sorrir; o que quer que acontecesse, ela aceitaria.
Ían a conduziu para o outro lado do quarto, que fora cuidadosamente reformado. Inadvertidamente, o olhar dela atravessou a janela e viu uma mulher com o rosto idêntico ao seu sendo escoltada para fora. Quem executava a tarefa era Wesir.
Wesir tinha olheiras profundas e, ao encarar a mulher idêntica a Solana, seus olhos transbordavam um ódio visceral. Solana percebeu a anomalia instantaneamente.
— O que aconteceu com ele? — perguntou em voz baixa.
— Silvia morreu. Suicídio por veneno — respondeu Ían de forma concisa, sem mencionar a carta ao lado do corpo.
O rosto de Solana empalideceu subitamente, e ela fechou os olhos com cansaço.
— Ele quer a sua morte — acrescentou Ían.
Solana apenas respondeu com um som vago, como se não se importasse.
— Quem exatamente é aquela mulher? — perguntou ela com indiferença.
Ían a colocou no chão com delicadeza e abriu a porta, explicando: — Ela é uma cavaleira que te admira. Ao saber que o Comandante pretendia te prejudicar, ela veio às pressas querendo te levar embora. Eu a encontrei e fiz uma proposta. Ela... aceitou, e pediu que eu te transmitisse uma frase: "Seus feitos nunca serão esquecidos pelo povo".
Solana virou levemente o rosto, e Ían não pôde ver sua expressão. A porta se abriu lentamente, revelando um escritório preparado especialmente para ela, muito diferente daquele no quarto andar que ficava longe de seu aposento.
Ían acomodou Solana perto da lareira, fechou a porta e começou a tratar dos assuntos sobre a mesa. Acontece que sua pressa ao meio-dia fora toda para preparar aquele momento.
Agora, ela não precisava mais trabalhar dia e noite naquelas minúcias; estava leve e confortável.
Solana continuou folheando seu livro de viagens quando, subitamente, uma lágrima caiu silenciosamente. Suas mãos tremeram involuntariamente, um zumbido ecoou em seus ouvidos e uma dor de cabeça a fez franzir o cenho.
Ela fechou os olhos e arquejou. Fragmentos do passado passaram rapidamente por sua mente como um filme. No último instante, ela fixou o olhar nos olhos perturbados e ansiosos de Ían, sentindo um gosto metálico indescritível na garganta.
Aquele inverno estava excepcionalmente frio. Mesmo estando tão perto da lareira, era difícil dissipar o gelo que penetrava nos ossos.
Quando abriu os olhos novamente, viu que estava deitada na cama. O médico conversava em voz baixa com Ían do lado de fora; a voz de Ían estava carregada de uma fúria contida, demonstrando grande agitação.
Com o som da porta abrindo, Solana viu Ían com os olhos injetados de sangue e uma expressão sombria, cambaleando até a beira da cama.
O médico informou que a depressão a acompanhava há muitos anos e que o uso prolongado de analgésicos agora manifestava graves efeitos colaterais. Pelo estado, estimava-se que o histórico da doença já durava mais de dez anos, caso contrário, os efeitos não seriam tão violentos.
Ían segurou firmemente a mão gelada dela, com o coração transbordando dor. Sem hesitar, ele tirou o casaco, subiu na cama e a abraçou apertado. Solana, com o olhar vazio, deixou-se aquecer por ele.
— Você precisa descansar bem, seu corpo está exausto demais — a voz de Ían era doce e firme, como se tudo fosse realmente simples assim. Solana anuiu suavemente.
Sua condição física, ela conhecia melhor do que ninguém.
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