"O Príncipe e a Vilã: Um Jogo de Sedução e Poder" Capítulo 18
Capítulo 18: Recuperação de Terras
No caminho de volta com Silvia, Solana confiscou sucessivamente os territórios de três famílias de barões e viscondes.
Ían permanecia em silêncio dentro da carruagem, folheando um livro de história. Quando Solana desceu novamente, segurando uma sombrinha e sorrindo sob a luz do sol, a voz de Ían ecoou friamente atrás dela: — Cavando a própria cova.
Solana virou-se para ele e deu de ombros: — O que você pode fazer contra mim? — Ían largou o livro e levantou-se calmamente, fazendo menção de descer, mas foi imediatamente detido pela mão de Solana.
— O que pretende fazer?
Pessoas ao redor espiavam curiosas, tentando discernir quem era a figura sagrada que conversava com a Condessa Solana.
Apesar do medo, a multidão aguardava ali, ansiando pela redistribuição de terras.
Embora o imposto territorial tivesse sido estabelecido, aquela era a única forma de sobrevivência. Aqueles que sofreram com a opressão e a pobreza desejavam essa oportunidade rara, mas temiam a pessoa que lhes concedia tudo aquilo, com medo de perder o que ganharam ou de serem capturados e entregues.
Silvia saiu coberta de sangue, e Solana entregou-lhe um lenço com desdém. Ían observava as duas, com um sorriso carregado de ironia: — Por que não me deixa descer? Eu também poderia ajudar a Comandante Silvia.
Seu tom de voz fez Solana sentir que ele estava diferente, como se tivesse encontrado algum tipo de convicção.
Como se ele ainda fosse capaz de enxergá-la por dentro.
Solana subiu rapidamente na carruagem, agarrou Ían pelo colarinho e zombou: — Você está ficando muito arrogante. Dei-lhe muita corda nos últimos dias, não foi?
Ían ergueu a cabeça com audácia, retribuindo o olhar com indiferença.
Solana desferiu-lhe um tapa; Ían virou o rosto sorrindo e, em seguida, moveu-se subitamente para segurá-la pelo pescoço, beijando-a à força.
Ele mordeu os lábios dela, roubando-lhe o fôlego; Solana lutou com todas as forças, mas foi em vão.
Justo quando ela ia usar magia, Ían soltou-a subitamente.
Solana arquejava, com o peito subindo e descendo violentamente. Os dedos de Ían pararam em seu peito, deslizando lentamente para dentro.
Seu olhar era obsessivo, e seus lábios estavam tingidos de vermelho.
Silvia observava a cena de trás, franzindo o cenho; ela bateu a porta com força, saltou sobre seu cavalo branco e ordenou baixo: — Avancem!
Através da fresta da janela lateral, Silvia vislumbrou a cena dentro da carruagem. Solana empurrava com força, mas sem sucesso, as unhas cravando-se profundamente nas costas de Ían.
A dor familiar fez Ían recordar claramente aquela noite.
Aquela noite fora Solana.
Ele estava convencido de que, exceto ela, não tocaria em nenhuma outra mulher.
Ele também não se importava se ela tivera relações com outros homens, pois, de agora em diante, ela pertenceria apenas a ele.
As bochechas de Silvia coraram, e ela apertou as rédeas.
Entre o balanço das cortinas, ela pareceu ver Solana mordendo a própria mão para não emitir som, com um olhar vazio.
Os dedos de Solana tremiam; ela quis usar magia, mas hesitou, temendo que aquele louco do Ían aparecesse sem permissão diante do povo.
Ela precisava controlá-lo.
— Tem que ser aqui? Você está tão desesperado assim? Cachorro louco!
Ían a pressionou, dizendo friamente: — Foi você quem me seduziu primeiro. Por acaso não está gostando? Use sua magia para me afastar, se puder.
— É apenas um jogo de aparências, Vossa Majestade não deveria levar a sério.
— Eu bem sei que é apenas um jogo, afinal, foi você quem me descartou com as próprias mãos.
Ían aplicou força repentina, repetindo deliberadamente...
Ao retornar à mansão, nas primeiras horas da manhã, Solana empurrou levemente Ían, que estava ao seu lado. Já vestida, ela saiu lentamente do palácio dele.
Andre estava parado silenciosamente à porta do palácio, observando pacificamente as rosas cor-de-rosa que floresciam no pátio.
As rosas brancas puras que antes preenchiam o palácio haviam sido todas substituídas por tons de rosa.
— Finalmente acordou — disse Andre suavemente.
Solana massageou o pescoço dolorido, com um tom de desagrado: — O que você quer?
Uma brisa fria soprou, e ela instintivamente apertou a capa ao redor do corpo.
Andre virou-se, revelando olheiras profundas em seus olhos cansados. Solana estancou e perguntou: — Quando você chegou?
— No meio da noite. Não conseguia dormir, então trouxe as coisas e vim para cá. Vendo que já estava dormindo, esperei aqui — respondeu Andre.
Nesse momento, Ían observava os dois em silêncio pela janela.
Solana franziu o cenho e disse a Andre: — Você deveria cuidar de si mesmo. Nada é tão urgente assim.
Andre desamarrou uma pequena bolsa de pano da cintura e entregou-lhe: — São sementes de tomate. Foram mergulhadas em poções mágicas, são de alta qualidade e farão a colheita dobrar. Os magos da nossa Torre também encontraram um método de conservação prolongada; por favor, examine.
Dito isso, ele recuou um passo, acenou a capa e desapareceu instantaneamente. Solana olhou para a bolsa de sementes, perdida em pensamentos.
Do lado de Silvia, as terras perdidas deveriam ser totalmente recuperadas antes do fim do ano.
Os nobres já não tinham força para virar o jogo; parecia que logo encontraria aqueles dois Antigos Duques.
Isso também significava que a despedida estava próxima.
Solana olhou para a janela com o rosto pálido, mas com um brilho arrogante nos olhos.
Ían, escondido atrás da cortina, ouviu claramente o diálogo através de magia.
"Solana, ninguém além de mim pode te odiar; mas ninguém além de mim deseja que você viva...", pensou Ían. Ele já descobrira todos os motivos; ninguém era inocente, os envolvidos receberam o que mereciam, os inocentes ganharam nova vida, e você, Solana...
Os Antigos Duques estão unindo o povo, suas ações causaram pânico. O que você fará? Nunca pensou nos meus sentimentos? Você tem piedade do povo, mas ignora apenas a minha existência!
Como posso salvar você? Você me odeia tanto... e se eu a escondesse secretamente?
A vela queimou a carta enviada por magia até virar cinzas.
Passaram-se alguns meses de calmaria.
Solana finalmente teve tempo para descansar.
À mesa, Solana e Ían sentavam-se um em frente ao outro, mas nas posições mais distantes possíveis.
Embora na mesma mesa, pareciam separados por milhas; de um lado sabores doces, do outro algo insosso.
— A limpeza da nobreza está chegando ao fim? — Ían perguntou de repente, surpreendendo Solana.
— Antes do fim do ano — respondeu ela com sinceridade. Tudo estava decidido.
— Todos eles querem a sua morte — disse Ían, levando um pedaço de carne com mel à boca.
Solana mordeu metade de um pequeno tomate e, após engolir, disse calmamente: — Eu sei. Você também não quer? — Seu tom era casual, como se falasse de algo irrelevante.
— Como pretende lidar com isso? — Ían engoliu a carne, pousou os talheres e olhou-a seriamente.
— Eu jamais agirei contra o povo — disse Solana sorrindo.
Ían permaneceu em silêncio, fitando os olhos dela com dúvida. As expressões de ambos eram de calma ou sorrisos, exceto quando estavam na cama.
Após a refeição, Solana pegou o regador e caminhou até o jardim dos fundos.
Ela regou cuidadosamente cada muda de tomate nos canteiros e sentou-se em uma cadeira branca, folheando os registros dos assuntos do Estado.
— Não está mais ocupada ultimamente? — a voz de Ían veio de trás.
Solana não levantou a cabeça: — Está quase acabando, realmente não estou mais ocupada. — Ela empurrou o caderno de registros para Ían, que se sentara à frente, e disse: — Veja você. Estou cansada.
Essa era a sétima vez recente que Solana passava as tarefas para Ían. No início, ele perguntava brincando se ela não temia que ele sabotasse algo, mas a indiferença dela o deixava inquieto.
Ían trabalhava nos registros enquanto Solana debruçava-se sobre a mesa, dormindo profundamente. Ultimamente, ela dormia com frequência, no quarto ou ao ar livre, como se quisesse recuperar todo o sono perdido do passado.
Ían recebeu cartas dos dois Antigos Duques; Solana os convidara para um encontro amanhã, e eles pareciam preparados para o pior.
Finalmente, o dia chegou. Silvia entrou no palácio pela manhã. Solana fixou o olhar nos olhos dela e despejou silenciosamente uma poção azul no chá doce.
— Prove o chá que eu preparei. — Solana entregou-lhe a xícara.
Silvia bebeu sem hesitar, franzindo levemente o cenho: — Está doce demais.
Solana assentiu. Em seguida, a visão de Silvia escureceu, e sua expressão tornou-se estupefata: — Será que... — Antes de terminar, ela caiu no sofá. Solana chamou Andre, e o rosto de Silvia começou a se transformar devido à poção.
— Leve-a para um lugar seguro — ordenou Solana.
Andre assentiu em silêncio. No meio do caminho, ele olhou nos olhos dela e perguntou baixo: — E quanto a você?
— Depois de enviá-la para longe, tome a poção e parta também. Se teme não sobreviver sem as memórias, escolha a poção rosa; tudo estará resolvido.
A poção azul apagava a memória e mudava a aparência, enquanto a rosa apenas mudava a aparência; eram poções que Solana desenvolvera especificamente para este momento.
Tudo estava sob seu controle.
Andre assentiu calmamente, fez uma reverência profunda e partiu carregando Silvia nos braços. Uma lágrima escorreu do canto do olho de Silvia.
Os três viviam por seus ideais.
Solana seguiu de carruagem para a mansão do duque. No caminho, ouviu-se o galope apressado de um cavalo vindo de trás.
— Condessa Solana! — era um subordinado de Andre gritando.
— O senhor Andre cometeu suicídio com a própria espada!
Solana estancou, afastou a cortina e olhou para o homem de olhos vermelhos. Ela achava que Andre seria o mais obediente...
Silvia, que fora enviada para uma vila comum, acordou na cama sentindo algo estranho no peito. Ela tateou e retirou um envelope com uma frase escrita: "Solana, a primeira condessa sem igual na história, eu a seguirei para sempre."
Ela murmurou o nome; embora tivesse esquecido tudo, sentia que ele era extremamente importante. De repente, ela cuspiu sangue e olhou confusa para as manchas em sua mão; deveria sentir medo, mas sentiu uma paz inexplicável.
Acontece que Silvia já havia tomado veneno antes de entrar no palácio, apenas para ver Solana pela última vez... No fim, ela esqueceu tudo.
A camponesa que entrou no quarto assustou-se; ela viera cumprir a missão secreta de cuidar daquela mulher para ganhar uma loja de poções. Agora que a mulher morrera, a loja não seria retomada, seria? Ela balançou freneticamente o corpo sem vida sobre a cama.
O coração de Solana doía. Ao chegar à mansão do duque, ela desceu lentamente e viu a multidão de manifestantes cercar a carruagem.
Dois idosos de passos vacilantes saíram da multidão. Seus parentes haviam partido; restavam apenas os dois entre a nobreza. Eles riam abertamente.
Solana ergueu a mão, e um feixe de luz atravessou o corpo de ambos; seus sorrisos congelaram instantaneamente. Ao mesmo tempo, Solana desabou subitamente.
Ao acordar novamente, ela estava em seu próprio palácio. Tudo parecia um sonho, mas o limitador mágico em seu pulso lembrava-lhe que tudo era real e que tudo terminara.
Solana sentiu, na verdade, um alívio.
Ían talvez a levasse pessoalmente ao cadafalso para conquistar o coração do povo.
Ela retirou uma caixa debaixo da cama; dentro repousavam a pedra mágica rosa que Ían lhe dera e o relógio de bolso deixado por seu pai.
Tudo, finalmente, chegaria ao fim.
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