"O Príncipe e a Vilã: Um Jogo de Sedução e Poder" Capítulo 17
Capítulo 17: Execução Violenta
Hoje, decidi novamente passar a noite no escritório. O vento noturno soprava como um monstro, atravessando livremente os corredores iluminados pelo luar.
Ían, se é para odiar, odeie-me por toda a vida.
Eu admito, eu realmente usei você.
Você foi a única oportunidade na minha vida que obtive sem precisar pagar um preço.
Solana parou de escrever aqui.
As coisas que desejava mudar acumulavam-se como uma montanha; mesmo sentada em silêncio, seus pensamentos voavam para longe.
Ela refletiu por um momento e continuou a escrever:
Deixo esta carta na esperança de que aceite minhas sugestões para governar o país adequadamente.
O povo é a sua lâmina, e você é o escudo do povo; somente quando ambos se complementam é que se tornam invencíveis.
A abolição da escravidão é urgente. Para indústrias cinzentas como apostas em cavalos, jogos de cartas, tráfico de drogas, comércio de escravos, bordéis e sequestro de crianças, deve haver legislação clara, além da criação de ordens de cavalaria para manter a lei e cargos de supervisão, como médicos em hospitais e professores em orfanatos.
...
Solana escreveu com extrema minúcia, parando frequentemente para pensar, sentindo sempre que algo faltava.
Após concluir o vasto conteúdo, ela largou a pena, suspirou e recostou-se na cadeira.
O caminho futuro é imprevisível; tudo dependerá dele agora.
Ao fechar os olhos, algo lhe ocorreu e ela rapidamente escreveu a última frase:
Enfraqueça gradual e lentamente a influência da Igreja, fortalecendo o senso de pertencimento ao Estado.
Terminada a escrita, ela escondeu a carta no compartimento secreto do relógio de bolso deixado por seu pai, onde originalmente ficavam os retratos de seus pais.
Solana fechou os olhos e beijou suavemente o vidro do relógio, pressionando-o contra o peito. Aquele pai, que nunca a forçara a apostar, seria para sempre a luz pura em seu coração.
Mesmo na pobreza daquela época, seu pai sempre conseguia comida, enquanto sua mãe sentava-se ao lado da lareira quente, segurando-a e contando histórias de princesas e príncipes. Princesas e príncipes sempre alcançavam a felicidade; infelizmente ela não era uma princesa, mas Ían era um príncipe de verdade.
— Você não vai descansar? — Ían abriu a porta, encontrando Solana prostrada na cadeira, olhando-o com serenidade.
— Estou cansada hoje. Daqui a alguns dias irei para a Cidade Baixa. — Solana massageou a têmpora. Ela já havia vazado essa notícia secretamente; logo alguém morderia a isca.
Mesmo que tivesse que agir diante de seus súditos, ela não se importava, pois já havia planejado seu próprio futuro.
— Não vai me levar? — perguntou Ían, cruzando os braços.
— Não vou. Você também quer ir? — Solana arqueou a sobrancelha em desafio.
Ían deu de ombros: — Se não me levar, darei um jeito de ir. Vou ficar aqui fazendo birra e não deixarei você partir. O que vai fazer? A menos que me mate.
Solana fixou os olhos nos dele: — Você ficou inteligente, sabe que não quero te matar. Não é mais bobo como antes.
— Ha. — Ían soltou um riso curto.
Solana pendurou o relógio de bolso no pescoço e levantou-se.
— Onde vai dormir? — Ían envolveu a cintura dela, sentindo a fragrância de tinta misturada com notas amadeiradas e florais.
O perfume amadeirado era o cheiro dele, recém-saído do banho.
— Vou para o meu quarto.
— Ir para o meu dá no mesmo. Não vou encostar em você, vamos apenas descansar. — Ían sorriu levemente, mas o brilho não atingia seus olhos.
Solana balançou a cabeça: — Você me irrita.
— Então agora é que vou te perseguir mesmo, de propósito. — O sorriso de Ían alargou-se, embora seu olhar permanecesse profundo e gélido.
Solana olhou de soslaio para ele e riu: — Você mudou, Ían. Foi por minha causa?
— Foi? — O sorriso de Ían diminuiu um pouco.
Os dois seguiram em silêncio. Suas palavras serviam apenas para provocar e causar asco um ao outro, mas ninguém saía ganhando ou sentia prazer nisso.
Solana pisou novamente no solo da Cidade Baixa. Tudo parecia renovado. Ela caminhou com familiaridade até sua antiga casa, seguida por um grupo de guardas. Desta vez, viera especificamente para visitar sua antiga morada.
A casa já tinha novos donos e tudo estava organizado, inclusive a lenha deixada por seu pai. Infelizmente, antes que ela pudesse queimar um único graveto, os novos moradores já a haviam vendido.
Estranhamente, ela sentiu vontade de recuperar aquela lenha, mas sabia ser impossível. Afinal, lenha é um consumível, tal como seu falecido pai: irrecuperável.
— Condessa Solana. — Uma voz soou; parecia que os novos moradores haviam retornado.
A mulher ajoelhou-se no chão, seguida por dois homens que também prestaram reverência.
Ían, sentado na carruagem, afastou levemente a cortina para observar.
Solana franziu o cenho para os três, enquanto Ían balançou a cabeça e soltou a cortina.
De repente, uma névoa roxa brotou de dentro da casa, desmaiando os guardas atrás de Solana.
Solana acenou levemente a mão, e seu poder mágico isolou a névoa instantaneamente.
A mulher à frente removeu a máscara: era Sui!
Solana estava preparada; sacou rapidamente uma adaga e a cravou com força no corpo de Sui.
— Isso não funciona com você? — Solana zombou friamente.
— Seja o poder de Deus ou do demônio, nada funciona contra mim. Não tenho fé, apenas o poder é eterno. Seu pai não passou disso — Sui disse lutando.
Acontece que aquele era um gás tóxico que Sui desenvolvera em segredo por anos; não ousando vir pessoalmente, enviara a própria filha para arriscar-se.
Solana riu e continuou: — Ninguém vai embora. Os dois chefes de família devem estar presentes também, suponho.
Com o girar de sua magia, um círculo surgiu sob seus pés. Sui apontou para o nariz de Solana, esbravejando: — Você é um demônio! A justiça eventualmente a derrotará! Um herói certamente surgirá no mundo para acabar com você! Esta é a minha profecia pós-morte!
Dito isso, Sui cuspiu sangue. Solana soltou a adaga e a chutou com desprezo.
Em seguida, perguntou sorrindo: — Adivinhem de quem é esta faca?
Sui olhou para baixo e rugiu: — Você usou a faca da Deusa para assassinar a Santa escolhida por ela!
— Você é a Santa escolhida? Hahaha. A Santa morta pela faca da Deusa... a fé desmorona. Estou curiosa para ver como os fiéis reagirão.
As pessoas ao redor começaram a se aglomerar, mas ao verem o cadáver, fugiram apressadas. No entanto, alguns mais corajosos espiavam pelas frestas das janelas.
— Deus enviará punição, você será julgada! — Sui rugiu uma última vez e expirou.
Os magos atrás dos dois chefes de família atacaram subitamente.
Solana repreendeu em voz alta: — Esconder magos e estocar pedras mágicas sem autorização real... é assim que os nobres que apoiam a realeza agem?
Ela gritou isso deliberadamente para Ían ouvir, mas não houve movimento dentro da carruagem.
Solana resolveu a batalha rapidamente. O local estava um caos; resíduos mágicos cintilavam como relâmpagos nas ervas daninhas sob seus pés. Aqueles nobres eram estúpidos; o mato no quintal estava tão alto que, se alguém realmente morasse ali, não estaria tão desolado.
Solana abriu a porta; a lenha de seu pai realmente havia sumido. Uma família de fato morara ali, mas provavelmente já havia partido. A disposição interna não mudara muito.
Solana correu para o segundo andar, enquanto Ían desceu da carruagem, observando o lugar com atenção.
No segundo andar, Solana empurrou a cama e levantou uma tábua de madeira, revelando um pequeno esconderijo escuro. Ela retirou de lá um desenho a lápis; embora borrado, era o retrato que seu pai fizera da família — a mãe com ela no colo e o pai atrás de ambos, sorrindo com a mão no ombro da esposa.
Naquele instante, ela pareceu ouvir a voz do pai novamente.
— Solana.
Ela virou-se lentamente, vendo Ían parado à porta, observando-a com o cenho franzido: — Você não deveria ter agido de forma tão imprudente. As testemunhas lá fora viram tudo.
— Não preciso que me diga. Eu não esperava que eles aparecessem de repente. Queria que eu ficasse parada esperando a morte? Ah, claro, no fundo você torcia para que eles me matassem — rebateu Solana asperamente.
— Você está cavando sua própria cova — Ían olhou para ela com desdém.
Solana o interrompeu bruscamente: — Meus assuntos não dizem respeito a você.
Depois, seguiram em silêncio e subiram na carruagem para percorrer outras áreas da Cidade Baixa.
Logo, a imprensa publicou os relatos, e Silvia chegou às pressas ao receber a notícia.
— Você ficou louca?! — Ao subir na carruagem, ela surpreendeu-se ao ver Ían ali.
Solana, apoiando a cabeça na mão, olhou para ela: — Estou cansada, não quero falar muito. Apenas me acompanhe; não há ninguém com quem conversar aqui.
Silvia sentou-se ao lado dela. Talvez apenas ela entendesse o que Solana quis dizer; Solana realmente precisava de descanso após tantas turbulências...
Silvia olhou cautelosamente para Ían, à frente.
— Você ousou trazê-lo para fora — questionou ela.
Solana deu de ombros: — Ele não é mais o mesmo de antes; aprendeu a fazer pirraça.
Silvia lançou-lhe um olhar de aversão.
Ían sorriu levemente, apoiando a cabeça na mão de forma impassível, observando as duas como se não estivessem falando dele. Ele realmente havia mudado.
— Passear um pouco e descansar faz bem — disse Silvia.
Ela cruzou os braços e olhou para Solana. Solana assentiu suavemente e, afastando a cortina, apresentou: — Este é o Rio da Deusa. O povo da Cidade Baixa depende deste rio para sobreviver; usam-no para cozinhar, banhar-se e lavar roupas. No inverno, o rio congela completamente; as pessoas precisam quebrar o gelo para obter água. Houve até duas famílias que brigaram feio por um buraco no gelo. Naquela época, meu pai cobriu-me com suas roupas, mentindo que estava suando de tanto quebrar o gelo.
Sua voz soava leve e agradável, como se estivesse apreciando a vista.
— Estes são problemas que um líder deveria resolver — concordou Silvia, olhando pela janela com ela. O Rio da Deusa era, de fato, magnífico.
— Eles estavam ocupados demais com lutas internas para se importar conosco, os chamados "pobres imundos" — acrescentou Solana.
Silvia deu um sorriso de escárnio: — No final, fomos nós, os pobres imundos, que viramos a mesa deles.
Palavras rudes, mas verdadeiras.
Solana franziu o cenho e olhou para ela: — Você já chegou a acreditar nas mentiras deles.
— Eu não sabia de nada. Foi você quem me abriu os olhos. Agora sei que devo treinar a ordem de cavalaria para evitar que forças estrangeiras invadam e oprimam nosso povo.
Silvia era direta e honesta, personalidade que Solana apreciava muito.
O sorriso de Ían tornou-se um tanto rígido, e ele optou pelo silêncio.
Notando sua expressão, Solana sorriu: — Claro, também devemos agradecer ao Imperador.
— De nada — sorriu Ían.
Ao lado, Silvia ficou estupefata.
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