"A Esposa Invisível: O Preço do Seu Desprezo" Capítulo 9
"A família Ferraz cortou seu sustento financeiro e você só pode ganhar a vida arriscando-se em corridas de carros. Bia, essa senhorita que nunca lavou um prato na vida, provavelmente não poderá ajudá-lo em nada, não é?"
O rosto de Bernardo escureceu visivelmente, e sua mandíbula se retesou. Alice sabia que tinha tocado na ferida.
"Para que ser tão obstinado?"
O tom dela adquiriu uma nuance persuasiva, mas permanecia frio, "Daqui em diante, você e Bia terão uma vida longa pela frente, e tudo custa dinheiro. Quando a pobreza entra pela porta, o amor sai pela janela; acredito que você entende bem esse ditado."
Ela olhou novamente para o anel.
"Alice."
A voz de Bernardo era grave, "Este anel é o anel de noivado que vou dar para a Bia!"
A expressão no rosto de Alice não mudou em nada; o leve esboço de sorriso no canto de sua boca até se intensificou, mas seu olhar era ainda mais frio: "Portanto," ela pronunciou as duas palavras suavemente, "você deve considerar minha sugestão com ainda mais cautela."
Dito isso, ela parou de olhar para ele e se virou novamente com agilidade.
Desta vez, seus passos não hesitaram.
Após caminhar dois ou três metros, a voz grave e clara de Bernardo veio de trás: "E o seu telefone?"
Capítulo 18
Alice não parou de caminhar.
"Seu número antigo está desativado."
A voz de Bernardo a seguiu, carregando uma imposição inquestionável, "Se eu... decidir, como entro em contato com você?"
A silhueta de Alice estancou. Ela se virou lentamente. Alice o observou em silêncio por alguns segundos, retirou um cartão de visitas do seu estúdio da bolsa; o papel branco e limpo continha apenas um logo minimalista, o endereço e um telefone fixo.
"Quando decidir, ligue para este número. Procure pela Curadora Alice."
A voz dela não demonstrava emoção.
"Eu quero o seu número pessoal."
Bernardo deu um passo à frente, o tom com uma estranha obsessão, "Antes que eu mude de ideia..."
Alice o encarou por alguns segundos e, subitamente, arqueou o canto da boca em um gesto que parecia deboche ou impaciência. Ela pegou uma caneta e escreveu rapidamente uma sequência de números no verso do cartão, entregando-o a ele.
Bernardo imediatamente pegou seu próprio celular e discou o número diante dela. Segundos depois, o celular dentro da bolsa de Alice vibrou; a tela acendeu, exibindo um número desconhecido de São Paulo.
"É verdadeiro."
Bernardo desligou a chamada, olhando fixamente para ela, como se confirmasse algo importante.
Nesse exato momento, Bia e Henrique surgiram do meio da multidão próxima.
Os olhares de Bia e Henrique se voltaram para os dois, que estavam em uma atitude ambígua. O ar parecia ter congelado naquele instante. ...
No caminho de volta para o subúrbio, a atmosfera dentro do carro estava tão tensa que parecia prestes a explodir. Bia mantinha os lábios cerrados, olhando pela janela para a paisagem noturna que passava rapidamente.
Bernardo sabia que ela estava brava, mas seu próprio coração estava um emaranhado de confusão; aquela análise fria e racional de Alice ecoava em sua mente como um feitiço.
Ele afrouxou a gravata com irritação e, ao contrário do habitual, não tentou confortar Bia de imediato.
Assim que o carro parou diante do apartamento alugado, o céu começou a chorar.
Bernardo pegou o guarda-chuva e, por hábito, preparou-se para descer e dar a volta para buscar Bia no banco do passageiro.
Mas, assim que ele abriu a porta, Bia disparou para o meio da chuva.
"Bia!"
Bernardo exclamou baixo, abriu o guarda-chuva e correu atrás dela.
Na pequena sala do apartamento, pairava o cheiro de mofo úmido misturado ao de gordura de cozinha.
Bernardo colocou a toalha sobre os ombros dela: "Você vai se resfriar na chuva, vá trocar de roupa primeiro..."
"Não me toque!"
Bia afastou a mão dele bruscamente e se virou; os olhos estavam inchados e o rosto era uma mistura de chuva e lágrimas, "Vá atrás dela! Vá atrás da Alice! Tão feliz trocando telefones com ela! O que você acha que eu sou?"
"Eu não fui!"
Bernardo franziu a testa, a voz carregada de exaustão, "Eu apenas..."
"Você apenas o quê? Apenas ficou com pena porque ela não conseguiu arrematar o anel? Ou ainda sente algo por ela?"
A voz de Bia tornou-se aguda, "Bernardo! Abra os olhos! Quem está aqui ao seu lado sofrendo e passando privações agora sou eu! Sou eu, Bia! Não é ela, a Alice! Ela já não te quer mais há muito tempo! Agora ela é uma curadora importante e sofisticada! E o que você é? Um deserdado que só sabe ganhar dinheiro arriscando a vida em corridas! Você acha que ela ainda olharia para você?"
"Chega!"
A raiva de Bernardo também se acendeu; ele segurou os ombros de Bia e rugiu,
"Sim! Eu sou um inútil! Não posso te dar a vida de antes! Mas pelo menos estou lutando! Aquele anel, por que eu o arrematei? Foi para cumprir a promessa que te fiz! Foi você quem disse que queria um diamante azul único! Alice estava lá apenas representando o museu para negociar a compra! Ela subiu o preço por necessidade do trabalho! O que você tem na cabeça para pensar essas coisas?"
Capítulo 19
"O que eu estou pensando?"
Bia o empurrou enquanto chorava.
"O que eu estou pensando, Bernardo, é se você se arrependeu. Se você acha que a Alice era melhor para você. Se sente que estar comigo se tornou um fardo."
"Claro que não!"
Bernardo passou as mãos pelo cabelo de forma irritada, em um tom que beirava uma súplica impotente.
"Eu só sinto que devo a ela! No passado... eu fui um canalha, eu a usei e a magoei. Ver que ela está bem agora me traz um pouco de paz de espírito. Se eu puder ajudá-la de alguma forma, encaro como se estivesse pagando uma dívida. Só isso! Bia, olhe nos meus olhos e diga: desde o início, quem mais esteve no meu coração além de você?"
Ele envolveu Bia em um abraço apertado, e sua voz baixou, carregando uma rouquidão quase imperceptível: "Não imagine coisas. Lutamos tanto para ficarmos juntos, não vamos brigar por causa de alguém que não faz parte da nossa vida. Eu te amo, Bia. Nesta vida, só amo você."
Nos braços dele, o choro de Bia diminuiu gradualmente, transformando-se em soluços magoados.
No silêncio da noite, Bernardo estava deitado na cama. Ao seu lado, Bia já havia adormecido de exaustão após tanto chorar, mas ele não tinha nenhum sinal de sono.
Na escuridão, aqueles olhos frios e distantes de Alice surgiam repetidamente em sua mente.
Então, imagens que já haviam se tornado nubladas começaram a emergir com uma clareza surpreendente:
Logo que se casaram, ela sempre trazia para ele, com todo o cuidado, uma sopa quente para ressaca, com um olhar cheio de uma preocupação tímida; quando ele trabalhava até tarde da noite, a sala de estar sempre tinha uma luminária amarela acesa, e ela o esperava encolhida no sofá, ainda segurando um livro lido pela metade; houve uma vez em que sua gastrite atacou e ele suava frio de dor, foi ela quem passou a noite inteira em claro cuidando dele, usando toalhas mornas para limpar seu suor repetidamente, com dedos frios, mas extremamente gentis...
Naquela época, essas cenas pareciam comuns, e ele chegava a se sentir irritado com aquela virtude excessiva dela.
Agora, lembrando-se disso no escuro, era como se pequenas agulhas fossem cravadas densamente em seu peito, trazendo ondas de uma amargura e de uma dor surda que chegaram tarde demais.
Ele virou-se na cama, inquieto, e enterrou o rosto no travesseiro.
Por que estava pensando nisso? Seria por culpa? Com certeza era culpa.
Ele se forçou a fechar os olhos.
No entanto, em seus sonhos, Alice continuava lá. No sonho, ela não era mais fria; usava aquele vestido de cor suave de quando "saíram" pela primeira vez em um café e dava um sorriso leve para ele, um sorriso limpo como a luz da manhã.
Então, aquele sorriso desaparecia rapidamente assim que ele se aproximava, restando apenas o distanciamento...
Bernardo acordou de sobressalto, com a testa coberta de suor frio.
Bernardo passou o dia inteiro inquieto. Ao entardecer, movido por um impulso inexplicável, ele discou aquele número que Alice havia deixado no dia anterior.
Após um longo sinal de chamada, o telefone foi atendido, e a voz fria e calma de Alice soou: "Alô, quem fala?"
"... Sou eu." A voz de Bernardo estava um pouco seca.
Houve um silêncio de alguns segundos do outro lado: "Sr. Bernardo? Aconteceu algo?"
"Preciso te ver." Bernardo disparou. "Agora. No lugar de sempre."
Outro silêncio prolongado. Justo quando Bernardo achou que ela desligaria, a voz de Alice veio, sem demonstrar emoção: "Está bem."
Aquele café onde tiveram o primeiro encontro ainda existia, mas havia sido reformado e tinha um estilo mais moderno. Sob uma luz suave, Alice estava sentada em uma mesa perto da janela, com um copo de água com limão à sua frente.
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