"Contrato de Amor Interstelar: A Herdeira e Seus Protetores Ferais" Capítulo 3
"Srta. Cavalcante, que bom que chegou." O funcionário veio ao nosso encontro com um sorriso radiante, seguido por uma silhueta esguia. "Seu segundo parceiro já está esperando por você há um bom tempo."
Espreitei para ver e meus olhos brilharam instantaneamente.
Que homem lindo!
Ele tinha longos cabelos loiros claros e macios, presos de forma casual atrás da cabeça. Suas feições eram delicadas como as de uma boneca de porcelana, a pele muito alva e olhos heterocromáticos — o esquerdo azul-celeste e o direito âmbar — que me observavam com doçura.
O mais irresistível era que, no topo de sua cabeça, havia um par de orelhas brancas e peludas, e atrás dele, uma cauda longa e pomposa balançava levemente.
Um gato persa!
Fiquei encantada; ele era o ápice da beleza entre os felinos!
"Olá, irmã", ele se aproximou, com uma voz doce e suave, levemente anasalada. "Meu nome é Bernardo."
Senti meu coração derreter. Eu ia abrir a boca para falar, mas Dante me puxou bruscamente para trás dele, encarando Bernardo com ferocidade: "Fique longe. Ela não precisa de um segundo parceiro."
Bernardo piscou seus olhos de cores diferentes e, em vez de se zangar, assumiu uma expressão injustiçada, olhando para mim com tristeza: "Irmã, esse irmão é tão bravo... eu fiz algo que o deixou descontente?"
Um manipulador! Esse era um legítimo gato "falsamente inocente"!
Meu radar interno apitou na hora, mas devo confessar: eu caí totalmente no charme dele.
"Dante, não o assuste", coloquei a cabeça para fora de trás de Dante. "Ele não fez nada de errado."
Dante olhou para mim incrédulo, sua mão apontando para Bernardo chegava a tremer: "Você está protegendo ele? Você está me trocando por um estranho que acabou de conhecer?"
"Que estranho o quê? Ele é um parceiro legalizado pelo sistema", corrigi.
Bernardo aproveitou a chance para se aproximar, puxando levemente a barra da minha blusa, enquanto sua cauda peluda roçava de forma sutil em minha perna: "Irmã, eu tenho um temperamento muito bom, como pouco e posso aquecer sua cama... por favor, não me dispense, tudo bem?"
Sentindo o toque daquela cauda, perdi completamente a postura e assenti várias vezes: "Não vou dispensar, não vou. Eu cuido de você."
"ALICE!" Dante soltou um rugido furioso, liberando instantaneamente a pressão de um leopardo das neves. As pessoas no saguão empalideceram na hora.
Bernardo imediatamente se escondeu atrás de mim, envolvendo minha cintura com os braços e apoiando o queixo no meu ombro, com a voz trêmula: "Irmã, estou com medo... ele vai me bater?"
Dei um tapinha na mão de Bernardo e virei-me para encarar Dante seriamente: "Dante, aqui é o Gabinete de Casamentos, não perca o controle. Se você não estiver disposto, nosso compromisso também pode ser anulado."
Dante paralisou, um traço de pânico cruzou seus olhos, mas foi rapidamente encoberto pela raiva. Ele fixou o olhar nas mãos de Bernardo em minha cintura e disse entre dentes: "Anular? Nem em sonhos! Hoje eu faço questão de ver que tipo de truques esse gato atrevido vai tentar usar!"
Assim, sob o olhar chocado dos funcionários, saí segurando a mão de cada um dos meus dois grandes felinos, após concluir o registro de casamento triplo.
5
De volta à minha grande mansão, o "campo de batalha" começou oficialmente.
A vila dos Cavalcante é enorme e tem quartos de sobra. Apontei para dois quartos no segundo andar e disse: "Um para cada um, podem escolher."
Dante soltou um bufo de desdém e abriu diretamente a porta do quarto ao lado da suíte principal.
Bernardo, por outro lado, segurava uma pequena mala com um ar obediente e caminhou até mim: "Irmã, eu tenho medo de dormir sozinho, posso dormir com você?"
"Nem pensar!" Dante saiu disparado do quarto, agarrando Bernardo pelo colarinho. "Não abuse da sorte!"
Bernardo aproveitou o impulso e caiu no chão; seus olhos ficaram vermelhos instantaneamente e as lágrimas pareciam prestes a rolar: "Desculpe, irmão... eu não sabia que a irmã era só sua. É que eu sou muito inseguro..."
Apressei-me em ajudar Bernardo a se levantar e lancei um olhar severo para Dante: "Por que você partiu para a agressão?"
"Eu nem fiz força!" Dante estava tão furioso que suas orelhas ficaram achatadas como asas de avião. "Alice, você está cega? Não consegue ver que ele está fingindo?!"
"O Bernardo é tão frágil, como você pode intimidá-lo?" Protegi Bernardo e disse a ele: "Vá para o quarto de hóspedes por enquanto, depois resolvemos isso."
Bernardo assentiu docilmente: "Tudo bem, irmã. Contanto que eu possa ficar ao seu lado, posso até dormir no corredor."
Dante bufou de raiva ao lado e, por fim, bateu a porta do quarto com estrondo.
Nos dias seguintes, minha vida tornou-se um verdadeiro caos emocional.
Toda manhã, Bernardo aparecia vestindo uma camisa branca larga que deixava suas clavículas delicadas à mostra. Ele trazia o café da manhã feito por ele mesmo até a minha cama e me acordava com aquela voz doce:
"Irmã, prove o sanduíche que eu fiz. Não sei se será do seu agrado."
Dante, então, sentava-se à mesa com o rosto gélido, criticando tudo o que Bernardo preparava: "Este ovo frito passou do ponto, nem um cachorro comeria."
Bernardo imediatamente baixava a cabeça, entrelaçando os dedos com tristeza: "Desculpe, irmão. Eu não comia coisas boas no orfanato, então não sei cozinhar muito bem. Se a irmã detestar, eu jogo fora."
"Quem disse que eu detestei?" Dei logo uma mordida generosa no sanduíche. "Está uma delícia! Bernardo, você é incrível!"
Dante apertou o garfo até entortá-lo, chutou a cadeira e saiu batendo o pé.
Olhando para aquelas costas furiosas, senti um aperto no peito. Persegui Dante por três anos e ele nunca me deu atenção; agora que tenho outra pessoa, ele não para de rondar e parece estar sempre se corroendo por dentro.
Homens... realmente não sabem valorizar o que têm.
Certa tarde, eu estava tomando sol no jardim. Bernardo estava sentado no tapete, apoiando a cabeça nos meus joelhos, deixando-me pentear seus lindos cabelos dourados.
Os pelos de um gato persa são tão macios e sedosos que o toque é maravilhoso; eu suspirava de satisfação.
De repente, o portão foi aberto com violência e Soraia entrou furiosa.
"Alice Cavalcante, você não tem vergonha?!" Ela já entrou gritando e apontando o dedo para o meu nariz. "Não bastou forçar o Dante a se casar com você, agora ainda traz um homem qualquer para humilhá-lo?"
Franzi o cenho e parei o que estava fazendo: "Soraia, esta é a minha casa. Quem te deu permissão para entrar?"
Soraia deu uma risada de deboche: "O Dante não gosta de você, ele gosta de mim! Você usa o seu dinheiro sujo para mantê-lo preso ao seu lado, não sente nenhum remorso?"
Antes que eu pudesse responder, Bernardo levantou a cabeça.
Seus olhos heterocromáticos lançaram um olhar gélido para Soraia; toda aquela fragilidade de antes desapareceu, dando lugar a uma frieza sombria.
Mas ele rapidamente retomou a expressão de vítima, segurando minha mão: "Irmã, quem é essa tia? Ela fala de um jeito tão feio, está me dando dor de cabeça."
"Tia?!" Soraia gritou histérica. "Quem você está chamando de tia? Seu gigolô que vive às custas de mulheres!"
"Irmã..." Bernardo enterrou o rosto em minhas pernas, com os ombros tremendo levemente. "Eu não sou gigolô, sou o parceiro legalizado da irmã. Ela nem parceira é, com que direito vem me insultar?"
Dei tapinhas nas costas de Bernardo e olhei friamente para Soraia: "Ouviu bem? Nós somos uma família. Você, uma estranha, vir à minha casa fazer esse escândalo... não teve educação?"
"Você!" Soraia estava fora de si. "Alice, não cante vitória! Eu sempre estive com o Dante nos períodos de cio dele, nós temos sentimentos!"
"Ah, é mesmo?"
Uma voz gélida veio da escada.
Dante descia lentamente, vestindo roupas caseiras cinzas e com as mãos nos bolsos. Ele olhava para Soraia com puro asco: "Quando foi que eu deixei você me acompanhar em um período de cio?"
Soraia empalideceu e gaguejou: "Dan... Dante... seis meses atrás, no seu cio, eu deixei incensos calmantes na sua porta..."
"Incensos?" Dante sorriu com desdém. "Você acha que uns incensos baratos podem acalmar um híbrido de leopardo das neves? Naquela vez eu sobrevivi à base de sedativos fortes, quase morri na sala de isolamento. Você saiu espalhando por aí que me ajudou e eu não quis me dar ao trabalho de te desmentir, mas você realmente se acha importante, não é?"
O rosto de Soraia ficou vermelho de vergonha, com lágrimas nos olhos: "Mas... mas eu gosto de você! O que a Alice tem além de dinheiro? Ela não te merece!"
"Se ela não merece, você merece?" Dante parou ao meu lado, olhando para Soraia de cima para baixo. "E o que tem ela ter dinheiro? Eu gosto justamente do dinheiro dela, algum problema?"
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