"O CEO Gélido e a Herdeira Rebelde: Um Casamento por Contrato" Capítulo 37: Voltou às pressas, mas a ouviu chamar por outro homem em sonhos
O coração de Alice Guimarães estremeceu.
Este era o seu primeiro ano de casada e a primeira vez que não passaria o Ano Novo em casa. Seu avô e o Mordomo Jorge estariam sozinhos na imensa Mansão Guimarães; certamente seria solitário.
Mas o Sr. Augusto tinha pensamentos muito tradicionais.
Se soubesse que ela não passaria a véspera com os sogros e correria de volta para a casa da família, certamente a repreenderia por não conhecer as regras.
Além disso, Gabriel não estava em casa; por educação e bom senso, ela deveria ficar e acompanhar Ricardo e Helena.
Ela hesitou por um momento, mas balançou a cabeça sorrindo: — Papai, mamãe, quero ficar para acompanhar vocês.
Helena percebeu imediatamente o conflito interno dela e disse rindo: — Ora, se você ficar, vai ser apenas uma "vela" (intrusa) bem brilhante no meio de nós dois!
Alice: — ...
Ricardo desviou o rosto discretamente e pigarreou: — Nini, eu e sua mãe vamos voar para Singapura amanhã cedo para cumprimentar os parentes. Se quiser voltar, volte; não precisa se preocupar conosco. Quando o Gabriel retornar, deixe que ele fique alguns dias morando com você na casa do seu avô, e depois vocês vão juntos para Singapura nos encontrar.
— Então... — Alice não conseguiu conter a alegria nos olhos. — Eu vou para lá agora?
— Vá, vá! — Helena a empurrou levemente. — Dê nossos cumprimentos ao seu avô. Quando voltarmos de Singapura, iremos visitá-lo para desejar um feliz ano novo.
Alice caminhou alegremente para fora. Quando o carro entrou na Mansão Guimarães, a propriedade silenciosa instantaneamente ganhou vida.
— A Nini voltou! — Os gritos de alegria ecoaram do portão principal até a sala de estar.
O Mordomo Jorge esqueceu a solidão e levantou-se surpreso: — Senhor, a Nini voltou!
— Essa criança, por que voltou correndo na véspera? Os sogros podem não gostar — Augusto reclamou, mas o sorriso em seus olhos era impossível de esconder.
Quando Alice entrou correndo e se jogou nos braços dele, ele sorriu tanto que os olhos viraram fendas: — Você... por que voltou hoje?
— Estava com saudade, vovô. Eu sei que o senhor vai dizer que não tenho modos, mas no Ano Novo não se pode dar bronca em criança.
Augusto acariciou a cabeça dela com ternura: — Tudo bem, sem broncas.
Eles passaram a noite folheando álbuns de fotos antigos.
Augusto mostrava Alice recém-nascida, seu primeiro dia montando a cavalo aos cinco anos, e fotos dela aos oito anos, sempre seguindo Marcos e Lucas , chamando-os de "irmãos".
— Depois que seus pais se foram, foi graças ao Marcos e ao Lucas que você conseguiu sair da tristeza — Augusto comentou. — Naquela época, você corria para a casa dos Zhou todo dia. Sua tia Zhou até brincava que você deveria ser nora dela. Quem diria que acabaria casando com o Gabriel.
Alice teve um breve momento de distração e sorriu de leve: — As coisas mudam.
Augusto pediu que, quando Gabriel voltasse, ela fosse com ele visitar os Zhou. Alice concordou e convenceu o avô a ir dormir enquanto ela "vigiava o ano" (tradição de ficar acordada na virada).
Exausta após a noite em claro, ela adormeceu na cama ao amanhecer, mas o sono era agitado. Em seus sonhos, ela revivia o passado. Sem perceber, a porta do quarto foi aberta silenciosamente.
Gabriel Cavalcante, com roupas de viagem e semblante exausto após voar da Alemanha, aproximou-se da cama.
Ele sentou-se na borda, olhando com adoração para o rosto dela. Ele estendeu a mão para tocar a face de Alice, mas ouviu dos lábios dela um sussurro claro:
— Irmão Marcos...
A mão de Gabriel congelou no ar.
— Irmão Marcos... — ela murmurou novamente, com uma dependência e doçura juvenil.
O olhar do homem endureceu instantaneamente. Sua coluna tensionou-se, como se estivesse coberta por gelo.
Irmão Marcos.
O cérebro de Gabriel processou a informação e fixou-se em um nome: Marcos Zhou.
Em um estalo, a imagem daquele dia no escritório da Mansão Guimarães voltou à sua mente.
O caderno que caiu, o desenho e as letras que vira no canto da página:
ZJ
.
Gabriel, com os dedos tremendo, levantou-se e foi até o escritório dela. Ele encontrou o caderno e, ignorando qualquer etiqueta, o abriu.
Lá estava o nome completo:
ZJS
.
Z
hou
J
ian
S
hen (Marcos).
Não era o Lucas, como ele pensara antes. Era o Marcos.
O caderno inteiro estava cheio de desenhos de Marcos Zhou.
Na primeira página:
"Comi a bala de limão que o irmão Marcos me deu, meu coração não dói tanto"
. Gabriel reconheceu a bala; era a mesma que ela comia sempre.
Outra página:
"Vi ele na biblioteca... parece o filme 'Carta de Amor'"
. Gabriel vira esse filme com ela; era sobre o despertar do primeiro amor.
Havia desenhos de um patinho amarelo:
"Irmão Marcos me deu este patinho, estou tão feliz!"
. Era o mesmo patinho que ela abraçava todas as noites.
Até a última página, onde havia apenas uma lua minguante e uma frase:
"Amanhã, serei a noiva de outro. Não vou mais te esperar. Adeus."
Gabriel fechou o caderno, devolvendo-o ao lugar com uma calma gélida e meticulosa. Aquele caderno leve tinha um peso que ele mal conseguia suportar.
Ele podia aceitar que ela não o amasse, mas jamais permitiria que ela guardasse outro homem no coração.
A luz da manhã iluminava seu rosto afiado, desenhando sombras de silêncio e solidão. Seus olhos, sempre controlados, agora abrigavam uma tempestade invisível.
Marcos. Zhou.
Alice acordou e, ao ver a silhueta no sofá, achou que ainda sonhava: — Você voltou...
— Sim — respondeu uma voz rouca.
Alice despertou totalmente e correu para abraçá-lo, sem sapatos, circulando o pescoço dele: — Quando você chegou?
Gabriel apenas a encarava com um olhar estranho, profundo e complexo, que Alice não conseguia decifrar. Parecia dor, frustração e relutância.
— O que foi? — ela tocou o rosto dele. — As coisas na Alemanha foram difíceis? Você emagreceu.
Gabriel baixou os cílios: — Não, tudo correu bem.
Alice o puxou para a cama para descansar. Gabriel a segurou pela cintura em um gesto de posse absoluta: — Fique comigo.
Alice sorriu e deitou-se ao seu lado.
Quando Gabriel acordou novamente, Alice tinha ido com o avô resolver um problema familiar. Ele aproveitou para sair.
A concessionária da Rolls-Royce avisou que a SUV Cullinan amarela-limão que ele encomendara para Alice chegara.
Ao entrar na loja e ver aquele amarelo vibrante, o coração de Gabriel sentiu uma pontada.
— Sr. Cavalcante, a cor está errada? — perguntou o gerente, apreensivo.
— Mude a cor — disse Gabriel friamente. Ele agora detestava ver amarelo.
— Mudar... para qual cor?
Gabriel silenciou por um momento e respondeu: — Rosa cerejeira.
Saindo de lá, ele dirigiu até uma joalheria para buscar uma encomenda.
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