"Troca Cruel: Nos Braços do Inimigo" Capítulo 24
35
"Lucas, me solta!" Eu batia nele freneticamente, mas a diferença de força entre um homem e uma mulher era um abismo; eu não conseguia movê-lo nem um centímetro.
De repente, um estrondo violento veio do quarto onde Dante estava.
Senti como se uma corda tivesse arrebentado em minha mente. Eu mal ousava imaginar o que faria se algo realmente acontecesse com ele. Com esse pensamento, cravei meus dentes no braço de Lucas com toda a força.
Mesmo sentindo o gosto metálico do sangue em minha boca, Lucas não se moveu.
Um sorriso doentio surgiu no canto de seus lábios. "Seja através do ódio ou do amor, contanto que seus olhos estejam em mim, eu aceito".
"Cai fora!"
Usei cada grama de energia para socá-lo e chutá-lo, olhando desesperada para a direção do quarto de Dante.
"Me desculpa... se eu soubesse, nunca teria te trazido aqui".
Se eu não guardasse ainda aquela ponta de esperança em relação aos meus pais, Dante não estaria passando por isso. Ele odiava tanto o pai, mas por mim ele mudou, ele aceitou até voltar para os Cavalcante. E eu? O que eu fiz?
"Vou odiar vocês para o resto da minha vida!" Empurrei Lucas e recuei.
Eu precisava encontrar o Dante; não suportaria vê-lo sofrer o menor dano por minha causa. Atrás de mim estava a janela, e eu não conseguia romper o bloqueio de Lucas.
Então eu pularia. Se eu pulasse, poderia salvá-lo.
Lucas pareceu perceber minha intenção, e o pavor surgiu em seu rosto antes imperturbável. "Beatriz, você enlouqueceu!".
"Eu não vou ficar aqui parada vendo vocês machucarem o Dante". Segurei o batente da janela, o ódio queimando minha razão. "Lucas, você me salvou uma vez e disse que a fraqueza era conivência com o mal! Sim! Você tinha razão! Eu confundi gratidão com amor! Fui usada e descartada por vocês repetidamente! Eu fui burra! Eu mereci! Mas agora vocês querem ferir o homem que eu mais amo!".
"Eu odeio vocês! De hoje em diante, não tenho mais nada com os Vasconcelos! Eu preferiria voltar a seis anos atrás!".
Gritei em pleno desespero: "Lucas, eu preferiria nunca ter te conhecido!".
A expressão de Lucas tornou-se sombria e maníaca. Ele cerrou o punho e desferiu um soco contra a parede atrás dele. O sangue escorreu de seus dedos enquanto ele se aproximava, com os olhos transbordando dor.
Sua voz soou rouca e suplicante: "Não pule. Eu prometo, eu vou salvar o Dante. Por favor, desça daí".
"Não, você não vai! Eu nunca mais acreditarei em vocês!". Eu estava prestes a me lançar pela janela.
Nesse momento, uma voz ecoou: "Bia, eu estou aqui".
Levantei a cabeça bruscamente. Dante segurava uma faca, com o rosto pálido. Sua coxa estava sangrando.
Desci da janela desajeitadamente, empurrei Lucas e corri em direção a ele. Dante estava quase caindo devido à perda de sangue.
Ele soltou a faca e me abraçou. "Por pouco eu não perco a minha honra".
Isadora apareceu logo atrás, também manchada de sangue. Bernardo e Helena não apareceram.
37
Abracei Dante enquanto as lágrimas caíam sem parar. "Desculpa, desculpa... Vou te levar ao hospital. Dante, você não pode morrer".
Dante levantou a mão para enxugar minhas lágrimas. "Não chore. Sorria um pouco. Aquela mulher horrorosa quase me fez chorar de desgosto, sorria para mim, Bia, para limpar meus olhos".
Ele falava como se não fosse nada, mas eu pressionava o ferimento em sua coxa e o sangue continuava a jorrar sem parar.
"Por que você foi tão bobo? Por que fez isso?".
Eu chorava compulsivamente, tentando manter a calma para ligar para a ambulância. Dante se apoiou em mim, com o olhar cansado, e sussurrou: "A água que me deram estava batizada. Bia, eu guardei uma amostra. Podemos denunciá-los. De agora em diante, ninguém mais vai te humilhar".
"Vou te levar para o hospital!". Como a ambulância demorava, tentei carregar Dante com esforço.
Isadora bloqueou meu caminho. "Beatriz, você não pode chamar a polícia. Eu só estava testando o Dante".
"Cai fora!".
Dei um chute em Isadora. "Vocês me forçaram a isso! Nunca mais terei piedade de vocês!".
Isadora caiu no chão. Helena, que não aparecera até então, correu para socorrê-la. "Beatriz, o que você pensa que está fazendo?!".
"Chega!". Segurei o ferimento de Dante, rindo em meio ao desespero. "O que eu preciso fazer para cortar relações com vocês de vez? Por que eu carrego o mesmo sangue que o de vocês?".
Gritei para Helena com ressentimento: "Eu nunca reclamei de terem me gerado e não me criado, mas por que... por que fazer isso comigo?!".
Helena paralisou, com uma expressão confusa. "Eu só... a Isadora disse que queria ver se o Dante era sincero... por que tanta raiva...".
"Não... chega".
Eu nunca mais queria pisar na casa dos Vasconcelos. "Helena, considere que você não tem mais essa filha".
Amparei Dante e segui em frente. Lucas tentou me bloquear novamente. "Beatriz...".
"Saia da frente." Meus olhos transbordavam ódio. "Lucas, é melhor você rezar para que o Dante fique bem, caso contrário, passarei o resto da vida sendo sua maior inimiga".
......
"Esposa, não chore mais." Dante estava encostado no banco do carro; mesmo exausto, tentava me consolar. "É só um ferimento superficial, está tudo bem".
"Não, não fale." Minhas lágrimas não paravam. "Foi minha fraqueza que permitiu que chegássemos a esse ponto. Se eu tivesse cortado relações com eles antes, isso não teria acontecido".
O ferimento de Dante parara de sangrar, mas seu rosto estava pálido pela perda de sangue. Ao me ouvir, ele franziu a testa: "Pelo que sua mãe disse, ela não sabia da droga".
"Não importa se sabia ou não. Eles vão pagar por isso".
Enxuguei as lágrimas, pisei no acelerador e levei Dante rapidamente para o hospital.
38
O médico tratava o ferimento de Dante; a carne estava exposta e o quarto cheirava a sangue. Vendo a gravidade da lesão, segurei a mão dele com força, chorando novamente.
Dante suspirou. "Está tudo bem, eu mesmo fiz o corte, sei o que estou fazendo".
O médico ficou surpreso. "Você mesmo se cortou?". Enquanto desinfetava, concluiu: "Você realmente não tem pena de si mesmo".
Ao ouvir o médico, chorei ainda mais. Dante teve que implorar: "Doutor, não pode falar algo mais animador? Veja como está assustando minha esposa".
Após fazer o curativo, o médico colheu sangue de Dante para exames, já que ele fora drogado. Após colher três tubos, ele me olhou. "Sua esposa realmente se importa com você, aproveite".
Dante limpou minhas lágrimas com o polegar. "Eu preferia que ela não sofresse por mim, é de partir o coração". Seu rosto estava sem cor. "Bia, eu já estou mal o suficiente; se você continuar chorando, meu coração vai se despedaçar".
"Desculpa." Eu pedia desculpas sem parar. Dante soltou um gemido de dor.
Parei de chorar imediatamente. "Abriu o ferimento?". E implorei ao médico: "Doutor, por favor, seja gentil".
O médico suavizou os movimentos e pediu à enfermeira que aplicasse o soro. "Pronto, é só um ferimento na pele, não chore mais, mocinha".
Assenti e, após a saída do médico, sentei-me ao lado da cama. "Melhorou?". Vendo sua palidez, minha culpa aumentava.
Dante fechou os olhos e encostou o rosto na palma da minha mão. "Esposa, quero dormir um pouco".
"Tudo bem, durma. Eu estou aqui".
Dante mergulhou em um sono profundo. Levantei-me, fui até a porta, enxuguei as lágrimas e disquei um número: "Alô, eu gostaria de fazer uma denúncia".
Meia hora depois, na mansão dos Almeida.
A senha da porta de Lucas nunca mudara. Digitei os números e entrei. Ele estava sob a luz da lua, observando-me com um olhar profundo. O ferimento em sua mão não fora tratado; o sangue estava seco.
Estava tudo em silêncio; os seguranças não estavam lá. Era como se ele soubesse que eu viria e tivesse dispensado todos para me esperar.
"Lucas."
Parei diante dele segurando a adaga manchada com o sangue de Dante. Lucas me olhou; a luz fria da lua caía sobre ele, tornando-o uma figura solitária e isolada.
"Veio se vingar pelo Dante?", ele perguntou com um sorriso amargo. "Em tão pouco tempo, você já o ama tanto assim?".
Apertei a adaga, retrucando: "E em tanto tempo, você nunca me amou, não foi?".
Suas pupilas se contraíram e seu olhar tornou-se sofrido. Sua voz soou entrecortada: "Ninguém passa a vida sem errar. Eu não sou um deus, e agora sei que errei".
Ele deu um passo em minha direção. "Bia, você pode me perdoar uma vez?".
"Tarde demais".
No instante em que ele se aproximou, cravei a adaga em seu peito sem piedade. Ele nem sequer tentou desviar. Em vez disso, olhou para mim com ternura, e sua mão manchada de sangue tocou meu rosto.
"Bia... o erro foi meu por não entender o amor... o erro foi ter sido criado apenas como uma máquina de fazer dinheiro".
Ele baixou a mão. "Eu realmente te perdi".
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