"Casei com o Irmão do Meu Ex" Capítulo 32
— Ele me faz sentir que ser amada é algo leve e caloroso. Não preciso ficar na ponta dos pés, nem olhar para cima.
Ela fez uma pausa, observando o rosto cada vez mais pálido de Bernardo e a luz estilhaçada em seus olhos.
— Por isso, é tarde demais, Bernardo.
— Eu já amo outra pessoa.
Essa última frase foi dita com suavidade, mas caiu como um raio sobre a cabeça de Bernardo.
Todo o seu corpo tremeu violentamente, suas pupilas contraíram-se bruscamente e ele olhou para ela incrédulo, com os lábios tremendo sem conseguir emitir som.
Amo... ama outra pessoa?
Ela ama o Pietro?
Aquele irmão que ele nunca levara a sério, que achava que nunca estaria à sua altura?
Aquele playboy que só queria saber de diversão? Ela realmente... o amava?
Uma sensação imensa de absurdo e um desespero avassalador o inundaram como uma maré gelada.
— Não... impossível... — ele balançava a cabeça com a voz quebrada. — Você está mentindo... Leticia, você está mentindo para mim, não é? Como você poderia amá-lo? Como você poderia...
— Por que não? — Leticia rebateu, com o olhar sereno. — Ele me coloca como prioridade absoluta, esforça-se ao máximo para me tratar bem, me respeita, me protege, me dá segurança e um lar. É estranho eu amá-lo?
Cada palavra era como uma faca envenenada, perfurando o coração de Bernardo e girando repetidamente.
A dor era tanta que ele mal conseguia respirar, e sua visão escurecia em ondas.
Ele a observava — a mulher que ele amara sem perceber e que agora perdia com uma dor excruciante — enquanto ela declarava, com total calma, seu amor por outro homem.
Aquela calma doía mais que o ódio, mais que o rancor, mais que qualquer emoção intensa; trazia o desespero absoluto.
— Não... não... — Bernardo balançava a cabeça, as lágrimas jorrando. Como um homem à beira da morte, estendia a mão em vão, tentando agarrar algo, mas alcançando apenas o vazio. — Leticia... eu errei... eu realmente errei... olhe para mim... olhe para mim, por favor...
Ele chorava como uma criança, de forma dilacerante, perdendo toda a postura nobre e controlada que ostentara no passado.
Mas Leticia apenas o observava em silêncio — o homem que a fizera amar até a humilhação e sofrer até a medula agora desabava em prantos e arrependimento diante dela.
— Descanse bem.
Então, ela virou-se, abriu a porta do quarto e saiu. Sem olhar para trás.
— LETICIA—!!!
Atrás dela ecoou o grito desesperado e lancinante de Bernardo.
Mas ela não voltou mais.
A porta fechou-se suavemente, isolando o pranto dele e todos os passados e possibilidades entre eles.
Bernardo desabou na cama do hospital, fitando o teto; as lágrimas escorriam pelo canto dos olhos, molhando o travesseiro em silêncio.
Leticia saiu do hospital, e o sol da tarde estava forte.
Ela protegeu os olhos com a mão e respirou fundo, contendo aquele aperto inexplicável no peito.
Quando ia descer os degraus, seu braço foi segurado suavemente por trás.
Ela virou-se e encontrou os olhos de Pietro, carregados de preocupação.
— O que faz aqui? — Leticia perguntou surpresa.
— Não conseguia parar de pensar em você — Pietro a enlaçou com carinho, encostando o queixo no topo da cabeça dela, com voz abafada. — Minha mãe me ligou.
Leticia encostou-se no peito dele, sentindo o perfume fresco e agradável que ele exalava.
Aquele coração que pesara um pouco após a cena no quarto do hospital foi se acalmando aos poucos.
— Estou bem — disse ela.
— Hum — respondeu Pietro, abraçando-a com força, sem fazer mais perguntas. Ele, na verdade, estivera esperando lá embaixo o tempo todo, sem subir. Sabia que aquele era o acerto de contas final entre ela e o irmão. Ele confiava nela e a respeitava.
— Vamos para casa? — perguntou ele baixinho.
— Sim, vamos para casa — Leticia assentiu.
Pietro soltou-a e segurou sua mão, com os dedos entrelaçados com firmeza. Os dois desceram os degraus lado a lado.
O sol alongava suas sombras, unindo-as como se nunca mais fossem se separar. Subitamente, Pietro parou de caminhar. Leticia olhou para ele, confusa.
Pietro a encarava. Sob a luz do sol, os olhos dela estavam límpidos e brilhantes, refletindo a imagem dele. Ele engoliu em seco, parecendo nervoso.
— Leticia — chamou ele.
— Hum?
— Nestes dias, houve algo que eu quis muito te perguntar — a voz de Pietro estava um pouco seca, mas seus olhos brilhavam intensamente, fixos nela.
— O quê?
— Eu... — Pietro fez uma pausa, como se tomasse uma decisão difícil, antes de continuar: — Nestes dias, eu pedi para alguém te acompanhar.
Leticia franziu levemente a testa.
— Não fique brava, deixe-me terminar — Pietro apertou a mão dela e falou mais rápido: — Não foi por falta de confiança, nem para te vigiar. Eu apenas... eu tive medo.
— Tive medo de você amolecer o coração, de você voltar atrás, de você retornar para o meu irmão... eu sei que não deveria pensar assim, mas não consigo controlar. Cada vez que vejo você olhar para ele, mesmo que seja por um instante, eu sinto um ciúme que me enlouquece...
Ele respirou fundo, olhando nos olhos dela, e perguntou com total seriedade, palavra por palavra:
— Hoje, no hospital, eu ouvi você dizer... que já ama outra pessoa.
— Leticia, diga-me.
— Essa pessoa... sou eu?
Sua voz não era alta, chegando a tremer pelo nervosismo. Mas seu olhar era como uma chama ardente, carregada de uma esperança desesperada e de uma insegurança profunda, buscando a alma de Leticia.
Leticia o observava.
Observava aquele rapaz que costumava ser irônico e destemido agora transpirando de ansiedade e com o olhar vacilante por causa de uma pergunta. Observava a profundidade daquele amor que ele tentava esconder, mas que transbordava.
Sentiu algo tocar seu coração suavemente, deixando-o sensível e pleno. Ela sorriu subitamente. Foi um sorriso leve, como o degelo da primavera, trazendo calor.
— Seu grande bobo.
Ela pronunciou as três palavras suavemente e, então, tomou a iniciativa de ficar na ponta dos pés para selar os lábios dele, que estavam entreabertos pela surpresa, com um beijo terno.
Foi um toque rápido, mas foi como um raio que dissipou toda a tensão e insegurança de Pietro.
Ele estacou, com os olhos arregalados, sem conseguir reagir. Segundos depois, uma alegria imensa explodiu em seu peito como fogos de artifício!
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