"Casei com o Irmão do Meu Ex" Capítulo 24
— Cuidado na estrada, dirija devagar e me ligue quando chegar — disse ele, debruçado na janela do carro, como um pai preocupado enviando o filho para longe.
— Já entendi — Leticia sorriu da preocupação dele e deu partida no carro.
Pelo retrovisor, a figura de Pietro ficava cada vez menor até desaparecer na curva. Leticia voltou a focar na estrada.
O carro tinha um excelente desempenho, saindo suavemente da cidade e pegando a estrada sinuosa em direção ao subúrbio.
No início, tudo estava normal. No entanto, em uma curva acentuada na descida, quando ela instintivamente pisou levemente no freio para reduzir a velocidade...
O pedal do freio perdeu a resistência e foi direto até o fundo, completamente mole!
O carro não deu sinais de desaceleração; pelo contrário, devido à inércia, avançou direto para a beira do penhasco, onde não havia qualquer proteção ou guard-rail!
Naquele milésimo de segundo, o sangue de Leticia quase congelou!
Um pavor imenso tomou conta dela, mas o instinto de sobrevivência falou mais alto!
Ela mordeu o lábio inferior com força, sentindo o gosto de sangue na boca, e com as duas mãos, no último instante antes de despencar, girou o volante bruscamente para a esquerda!
"BANG!!!"
Ouviu-se um estrondo violento!
A frente do carro colidiu brutalmente contra a encosta da montanha no lado interno da curva!
O veículo parou, com metade da frente amassada e fumaça saindo do capô.
Leticia estava presa pelo airbag entre o banco e o volante, com um líquido quente escorrendo pela testa, embaçando sua visão.
Freio... o freio falhou!
Não foi um acidente.
Alguém mexeu no carro!
Com a mão trêmula, ela alcançou o celular caído no banco do passageiro.
A tela estava quebrada, mas ainda funcionava.
Seu primeiro impulso foi ligar para Pietro.
— Alô? Querida, já chegou? Eu ia te falar que à noite... — a voz alegre de Pietro veio pelo aparelho.
— Pietro... — a voz de Leticia era fraca e trêmula, carregada de um pavor incontrolável. — Eu sofri um acidente... na estrada da serra, na segunda curva... o freio... mexeram no freio...
Antes de terminar, uma tontura forte a atingiu e o celular escorregou de sua mão sem força.
— Leticia?! Leticia!! — Do outro lado, a voz de Pietro mudou de tom instantaneamente, aguçada, aterrorizada, em um grito dilacerante. — Aguenta firme! Estou chegando! Leticia! Está me ouvindo?! Leticia—!!
A ligação caiu, seguida pelo som de cadeiras sendo derrubadas e passos em disparada. Pietro correu desesperadamente para a garagem; seus dedos tremiam tanto que ele mal conseguia segurar as chaves.
Após algumas tentativas, deu partida no carro, e o motor rugiu enquanto o veículo disparava como uma flecha.
Ele fixava os olhos na estrada, com os olhos injetados e veias saltadas na testa, segurando o volante com tanta força que as articulações dos dedos ficaram brancas.
— Leticia... Leticia... você não pode morrer... — ele murmurava repetidamente, com a voz rouca e quebrada, tomado por um pânico sem precedentes. Ele não conseguia imaginar se algo acontecesse com ela... Não, não ia acontecer! Ela ficaria bem!
Quase ao mesmo tempo, no escritório da Diretoria do Grupo Bernardo.
Bernardo estava assinando um documento quando a tela do celular acendeu com uma mensagem criptografada de seu assistente especial.
Apenas uma linha e uma foto: "O carro da Sra. Leticia sofreu um acidente na estrada da serra. Suspeita de sabotagem, falha nos freios".
A foto era uma imagem distante do local; fumaça subia e a frente do carro estava severamente deformada.
As pupilas de Bernardo contraíram-se e a caneta tinteiro caiu sobre a mesa de madeira nobre.
Ele levantou-se bruscamente, derrubando a cadeira atrás de si com um estrondo.
— Sr. Bernardo? — A secretária entrou assustada ao ouvir o barulho.
Bernardo nem olhou para ela. Com o rosto pálido como papel, agarrou o paletó e correu para fora, tropeçando nos próprios passos, quase caindo no tapete da porta.
— Prepare o carro! Para a serra! Rápido! — Sua voz estava irreconhecível, carregada de um tremor e medo que ele nunca demonstrara.
Na estrada da serra, o cenário do acidente era de caos. Pietro chegou primeiro. Ele praticamente rolou para fora do carro antes mesmo de parar totalmente, avistando o SUV preto destruído e fumegante.
— Leticia!! — ele gritou, correndo desesperadamente.
A porta estava deformada e travada. Com os olhos vermelhos como uma fera acuada, Pietro agarrou a borda da porta retorcida; seus músculos saltaram enquanto ele puxava com toda a sua força!
— AH—!!
Com um urro e o som estridente do metal se contorcendo, ele conseguiu abrir uma fresta na marra! Viu Leticia lá dentro. Ela estava caída sobre o volante, com a testa ensanguentada e o rosto pálido, de olhos fechados e imóvel.
— Leticia! Leticia, acorde! Olhe para mim! — A voz de Pietro tremia descontroladamente. Com as mãos vacilantes, ele verificou a respiração dela. Um sopro fraco e quente tocou seus dedos. Estava viva!
Essa percepção quase o fez desabar de alívio, mas ele se forçou a manter a calma.
Evitando movimentos bruscos que pudessem agravar os ferimentos, soltou o cinto e a retirou lentamente da cabine destruída, carregando-a nos braços.
Leticia parecia não ter peso em seus braços; o sangue do ferimento na testa manchava a camisa dele.
— Leticia... não tenha medo, eu estou aqui, cheguei... — Pietro a abraçava, com a voz rouca e em prantos, chamando o nome dela repetidamente para tentar recobrar sua consciência.
As pestanas de Leticia tremeram e ela pareceu usar todas as forças para abrir uma pequena fresta nos olhos.
A visão estava embaçada, mas ela reconheceu o rosto cheio de pavor e dor à sua frente. Era Pietro. Ele viera.
— ... o freio... — seus lábios se moveram em um sussurro quase inaudível —, sabotaram... o carro...
Após dizer isso, pareceu esgotar sua última reserva de energia e as pálpebras se fecharam pesadamente.
— Leticia! Leticia! Não durma! Olhe para mim! — Pietro entrou em pânico, tocando levemente o rosto dela. — Quem foi?! Quem fez isso?! Eu vou matá-lo!! — Ele ergueu a cabeça bruscamente; seus olhos injetados varreram os poucos curiosos e funcionários que chegavam. O olhar era tão feroz e violento, como uma fera pronta para atacar, que todos recuaram assustados.
Nesse momento, ouviu-se o som estridente de pneus freados.
Outro carro parou em uma manobra arriscada e Bernardo saltou, correndo aos tropeços.
Ao ver Leticia nos braços de Pietro, ensanguentada e sem vida, ele sentiu-se atingido por um raio; seus passos pararam bruscamente e suas pernas fraquejaram, fazendo-o cair de joelhos diretamente no chão!
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