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"O Preço da Vingança: Entre o Ódio e o Desejo" Capítulo 3

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O Sr. Augusto bateu uma pilha de documentos na frente de Beatriz enquanto fumava um charuto.

— Ele não tinha capacidade antes e não conseguiu descobrir a verdade, não o culpo por isso. Mas, agora que voltou para a família Duarte, ele não pensa em como investigar os fatos, apenas acredita no que quer acreditar. Um homem assim está destinado a nunca realizar grandes coisas.

Beatriz relembrou as fotos nos arquivos, sentou-se na banheira e sussurrou suavemente um nome: Isabela Castro.

A noiva de Gabriel Duarte.

Durante aquele ano, Beatriz tentara contar a verdade a Gabriel várias vezes, mas recebia apenas sarcasmo e deboche em troca.

Ele achava que ela estava tentando semear a discórdia entre eles e, por isso, difamava Isabela deliberadamente.

Cada vez que ela dizia a verdade, a atitude de Gabriel tornava-se ainda mais gélida. Isabela, por outro lado, agia como um anjo, defendendo Beatriz com doçura. Depois de tantas vezes, Beatriz cansou-se.

Nunca se consegue acordar alguém que finge estar dormindo. Então, ela escolheu o silêncio.

Beatriz saiu do banheiro com o corpo exausto e caiu no sono imediatamente. Ao acordar, deparou-se com Gabriel, que no dia anterior jurara não aparecer mais. Ele estava de braços cruzados, com um sorriso frio.

— A senhorita Lacerda tem muita sorte em conseguir dormir até agora.

Beatriz sentou-se, afastou os cabelos e sorriu sedutoramente para ele. — Já sentiu minha falta tão cedo?

O rosto de Gabriel esfriou instantaneamente e seu olhar tornou-se sombrio.

Ele jogou um vestido de festa no rosto de Beatriz. — Tenha um pouco de vergonha. Vista-se e venha comigo; a Isabela quer te ver.

Beatriz deu de ombros, indiferente, vestiu o traje de decote baixíssimo e entrou no carro de Gabriel.

No banco de trás, Gabriel lançou um olhar de soslaio para o vestido dela; uma faísca de fúria brilhou em seus olhos, mas ele a suprimiu rapidamente.

— Comporte-se bem na festa. Não me faça passar vergonha.

Beatriz manteve-se sentada ereta, pois qualquer descuido poderia deixá-la exposta. Ela reprimiu a indignação e respondeu suavemente: — Fique tranquilo, Sr. Duarte. Com certeza vou deixá-lo satisfeito.

Ao ouvir as palavras submissas de Beatriz, Gabriel sentiu um aperto no peito e uma raiva indescritível borbulhou em seu coração.

De repente, ele puxou a cabeça de Beatriz e a beijou ferozmente. Beatriz soluçou enquanto resistia, mas Gabriel imobilizou as mãos dela com facilidade, pressionou seu corpo ardente contra a pele alva dela e começou a puxar o vestido.

No banco do motorista, o condutor mantinha os olhos fixos na estrada, fingindo não ver nada e reduzindo a velocidade.

O aquecimento do carro estava forte, mas o coração de Beatriz parecia ser atingido por um vento gélido. Ela era como um peixe em uma tábua de cortar, sendo retalhada sem qualquer dignidade diante de outra pessoa.

A humilhação intensa subiu como lava, e ela não aguentou mais. Empurrou-se com força contra Gabriel; seus dentes se chocaram e ela mordeu o lábio dele até sentir o gosto metálico de sangue, o que trouxe a razão de volta ao homem.

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Gabriel soltou um gemido de dor e a empurrou. Limpou o sangue do lábio e rosnou entre dentes: — Você me mordeu de novo!

Beatriz puxou rapidamente a alça do vestido e encolheu-se no canto, querendo distância.

Com olhos sombrios, ela o olhou com sarcasmo. — Não sabia que o Sr. Duarte estava tão sedento. Por acaso a Isabela não consegue te satisfazer? Quer me possuir logo aqui? Eu não me importaria, mas... — Ela apontou para o motorista, que fingia ser invisível, e sorriu. — Ter plateia custa um valor extra.

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Gabriel desviou o olhar, o desejo desapareceu completamente e ele xingou friamente: — Você pode não ter vergonha, mas eu tenho.

Dito isso, ele fechou os olhos para descansar, ignorando Beatriz. Ela soltou um riso amargo, ajeitou o vestido e sentou-se corretamente.

Ao chegarem ao local do evento, Gabriel estendeu o braço, mas Beatriz não se aproximou. Ele virou a cabeça e a viu sorrindo e agradecendo ao motorista por abrir a porta.

Aquela gratidão suave era algo que Gabriel nunca tinha visto nela. Durante todo aquele ano, Beatriz só lhe dera sarcasmo e mentiras.

Uma irritação inexplicável surgiu novamente, mas antes que ele explodisse, sentiu um braço apertar o seu.

Isabela, sorridente, aproximou-se usando um vestido de alta costura que ressaltava sua semelhança com a Beatriz de dezoito anos. Gabriel teve a ilusão de ver a jovem Beatriz sorrindo para ele.

— Gabriel, por que demorou tanto? Eu estava te esperando.

A voz doce trouxe Gabriel de volta à realidade.

Ele baixou o olhar e escondeu o desapontamento.

— Você não disse que queria ver a Beatriz? Eu a trouxe.

Isabela seguiu o olhar de Gabriel e, ao ver Beatriz, sentiu uma inveja avassaladora. Mesmo sendo prisioneira por tanto tempo, o orgulho inato de Beatriz era algo que Isabela nunca conseguira copiar.

Isabela odiava exatamente isso nela. Mas, para manter sua imagem diante de Gabriel, ela fingiu inocência e correu para abraçar Beatriz, apertando com força a pele da cintura dela onde ninguém via.

— Bia, senti tanto a sua falta! O Gabriel está sendo bom para você? Se ele te maltratar, me avise que eu dou um jeito nele.

Beatriz sentiu uma dor aguda na cintura e soltou o ar ruidosamente, empurrando Isabela com o cenho franzido.

Antes que pudesse questioná-la, Isabela caiu no chão, segurando o pé e gemendo de dor. Gabriel correu para amparar Isabela e olhou furioso para Beatriz.

— Beatriz Lacerda, o que você pensa que está fazendo?

Isabela agarrou o colarinho de Gabriel e balançou a cabeça. — Gabriel, não foi culpa da Bia. Eu que não me equilibrei bem.

Gabriel franziu a testa, com o rosto gélido. — Isabela, eu vi com meus próprios olhos. Não tente defendê-la.

Com os olhos cheios de lágrimas, Isabela mordeu o lábio inferior e disse:

— Nossas famílias são amigas de longa data. Se meu pai tivesse avisado o pai dela sobre o golpe, a família dela não teria falido. É justo que ela me culpe.

Gabriel limpou as lágrimas de Isabela e disse friamente:

— O mundo dos negócios é uma guerra. O pai dela foi estúpido, não pode culpar os outros.

Beatriz observava em silêncio o teatro dos dois. O vento noturno soprou, causando-lhe arrepios.

Ela esfregou os braços e disse calmamente: — Já terminaram o show? Está frio aqui fora, quero entrar.

Gabriel levantou a cabeça bruscamente, com um olhar afiado. — Beatriz, você não vai pedir desculpas pelo que fez?

— Você tem problemas de audição? A Isabela disse que ela mesma não se equilibrou. Não tive nada a ver com isso.

Gabriel soltou um riso sarcástico, pegou Isabela no colo e disse com crueldade: — Muito bem, digno de uma ex-herdeira. Espero que consiga manter essa calma lá dentro.

Ele entrou no salão com Isabela nos braços, e ela chamou baixinho:

— Bia, o Gabriel preparou um filme para todos. Entre logo para ver se você gosta.

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