"O Preço do Seu Desprezo" Capítulo 1
Fui trocada no dia em que nasci. A herdeira de uma linhagem nobre acabou perdida em um orfanato.
Meus pais e a minha própria vida foram roubados por uma impostora, e até mesmo o marido que eu amava com todo o meu coração só tinha olhos para ela.
Eu achava que aquele sofrimento já era o suficiente.
Mas hoje, no meu vigésimo quinto aniversário, o presente que o destino me reservou foi um diagnóstico de doença terminal.
Fora do hospital, a neve caía intensamente. Por instinto, liguei para o meu marido, Bernardo Silva.
O telefone chamou e chamou. Quando estava prestes a cair na caixa postal, a voz impaciente dele finalmente ecoou do outro lado: "O que foi?".
Minha mão tremeu ao segurar o aparelho.
Engolindo a amargura que subia pela garganta, implorei: "Eu estou doente. Você poderia vir me buscar no hospital?". Eu realmente precisava vê-lo.
No entanto, a resposta foi um escárnio mais gelado do que a neve lá fora:
"Você adoece trezentos e sessenta e cinco dias por ano. Pare de usar essa desculpa para me amolar". Antes que eu pudesse dizer algo, ele desligou.
Naquele instante, o vento parecia cortar a minha pele.
Olhei para a tela escura do celular e sussurrei desolada:
"Mas eu nunca menti para você. Eu só tenho, no máximo, mais um mês de vida".
Duas horas depois, cheguei ao Edifício Silva. Eu estava parada no saguão, ainda meio atordoada.
Mesmo sabendo que Bernardo não me amava, meus pés me trouxeram até aqui sem que eu percebesse.
Uma lufada de vento frio me fez sentir um formigamento no nariz.
Ao passar a mão, vi que meus dedos estavam manchados de sangue.
Limpei-o apressadamente com um lenço e caminhei cambaleante em direção ao elevador.
Bernardo. A opressão no meu peito me causava uma dor física, como se apenas vê-lo pudesse me curar.
As portas do elevador se abriram com um sinal sonoro. Desta vez, parecia que os céus haviam ouvido o meu clamor.
Vestindo um terno sob medida impecável, Bernardo Silva saiu do elevador. Seus traços eram marcantes e cada passo exalava uma aura de nobreza e autoridade.
"Bernardo."
Não consegui me conter e dei um passo à frente.
Assim que os olhos dele me atingiram, tornaram-se gélidos.
"O que você está fazendo aqui?", perguntou ele, com um tom de profundo desprezo.
Minha coragem desmoronou instantaneamente.
"Eu queria saber a que horas você volta para casa hoje".
Ele soltou uma risada sarcástica.
"Eu vou para casa, sim, mas o que isso tem a ver com você?".
Ele se aproximou, olhando-me de cima com desdém.
"Por ostentar o título de Senhora Silva por três anos, você esqueceu quem realmente é?".
"Um pardal não se torna fênix só por vestir penas douradas. Uma mulher vinda de um orfanato realmente acha que merece ser parte da minha família?".
Aquelas palavras foram como lâminas afiadas cravadas no meu coração.
Antes que eu pudesse me recuperar, uma voz manhosa surgiu atrás dele:
"Bê, nossos amigos do jantar de aniversário já estão nos esperando em casa. Por que você ainda está demorando?".
Fiquei paralisada. Sem precisar me virar, eu sabia que era Camila Lins, a impostora que ocupou o meu lugar na vida.
Na infância, quando eu estava no orfanato, cheguei a disputar comida com cães de rua por causa da fome.
Quando fui finalmente levada de volta pela família Lins, achei que a felicidade havia chegado, mas por causa de uma única frase de Camila, meus pais me expulsaram de casa no dia seguinte.
Mais tarde, ao me casar com Bernardo, pensei que finalmente teria alguém para me amar.
Mas na nossa noite de núpcias, ele ficou com Camila e não voltou para casa.
Agora, o olhar de Bernardo foi instantaneamente atraído por Camila, tornando-se terno e protetor.
"Querida, eu já estou indo. Vou ficar com você".
Naquele momento, até respirar doía.
Mas Bernardo parecia achar que a minha dor ainda não era suficiente.
Ao passar por mim, deixou um último aviso cruel: "Se você voltar aqui para me enojar de novo, não me culpe por ser impiedoso com você".
——————————
Tarde da noite, na Mansão Royal Garden.
Eu usava meu pijama, sentada no sofá da sala, esperando em silêncio.
Evitava olhar para o celular, esforçando-me ao máximo para não imaginar com quem Bernardo Silva estaria naquele momento.
Afinal, Bernardo só havia se casado comigo por causa das ordens de seu avô, o Vovô Ricardo.
Segundo as ordens, ele era obrigado a vir aqui em datas específicas e em dias especiais, como o meu aniversário.
Em três anos de casamento, Bernardo realmente cumpriu o prometido.
No entanto, para me enojar, ele sempre chegava faltando apenas três minutos para a meia-noite, dava uma volta pela casa e ia embora assim que o relógio batia as doze horas.
Bernardo nunca provou uma única colherada da comida que eu preparava, e jamais colocou os pés em nosso quarto de recém-casados.
Mesmo assim, eu costumava me sentir satisfeita, sonhando que o resto da vida seria longo o suficiente para que, talvez, ele visse o meu valor e me aceitasse.
Baixei a cabeça, fitando o lenço manchado de sangue em minhas mãos; a desolação inundou meu coração instantaneamente.
Agora, eu não tinha mais nem o direito de sonhar.
O som de um motor ecoou do lado de fora. Olhei para o relógio de parede: onze e cinquenta e sete da noite.
Bernardo havia chegado. Joguei apressadamente o lenço ensanguentado no lixo e, assim que me levantei, ouvi o clique da porta principal se abrindo.
Bernardo entrou, envolto em um forte cheiro de álcool.
Peguei a tigela térmica sobre a mesa de centro e fui ao seu encontro, aconselhando-o com cautela: "Seu estômago não está bem, por que não toma um pouco desta canja para se aquecer?".
O homem olhou para mim. Suas sobrancelhas marcadas estavam franzidas e seus olhos escuros e profundos pareciam querer me congelar como uma escultura de gelo.
Recuei instintivamente, mas meu movimento foi lento demais.
Com um estrondo, a tigela foi derrubada no chão pela mão forte dele.
Vinda de cima, ouvi sua voz fria e desdenhosa: "Não preciso da sua falsa bondade!".
"Eu não quis..."
A canja preparada com tanto esforço estava espalhada pelo chão; meu coração sentia uma dor insuportável, como se estivesse morrendo.
"Eu não tive outra intenção, só queria que você se sentisse um pouco melhor..."
Engolindo a humilhação, estendi a mão para tentar ampará-lo, com movimentos suaves para não machucá-lo.
No entanto, fui repelida por Bernardo. Embriagado, ele se apoiou com uma das mãos no batente da porta.
Massageando a testa latejante, ele lançou um olhar cortante em minha direção:
"Fique longe de mim!".
Dito isso, ele se virou para sair. Desta vez, ele nem sequer quis entrar pela porta principal! Eu estava profundamente ferida.
A mágoa reprimida por anos e o desespero da morte iminente se misturaram em meu peito, fazendo-me gritar sem pensar:
"O vovô quer que voltemos juntos amanhã. Bernardo, você não pode ir embora".
Bernardo parou.
Com o rosto sombrio, ele se virou:
"Alice Torres, você sempre usa o vovô como desculpa. Você não tem nojo de si mesma?".
Não respondi.
Que ele tivesse nojo de mim, então.
De qualquer forma, eu só o importunaria por mais um mês, no máximo.
Bernardo acabou ficando, mas foi para o quarto de hóspedes.
Ao vê-lo caminhar de forma instável, entrei no banheiro para preparar seu banho, preocupada.
Quando estava prestes a desligar a água para sair, ouvi uma voz debochada atrás de mim:
"Vestida desse jeito, quem você está tentando seduzir?".
Assustei-me e apertei o botão errado.
A água espirrou em mim instantaneamente, molhando metade do meu pijama fino, deixando-o semitransparente e revelando minhas curvas.
Na porta, o olhar de Bernardo escureceu.
Ele afrouxou a gravata com irritação:
"Ainda não sumiu?".
Eu tentava, em pânico, ajustar o pijama molhado que caía pelo meu ombro, mas parei ao ouvir seu tom de desprezo.
Ergui a cabeça lentamente, com os olhos feridos começando a lacrimejar:
"Você é meu marido. Quem mais eu seduziria além de você?".
Ao ouvir isso, Bernardo exibiu um olhar de desdém, como se confirmasse suas suspeitas: "Alice Torres, quão baixa você pode ser?".
Estremeci, mas não fugi. Em vez disso, deixei a alça do pijama escorregar lentamente pelo meu ombro.
Acho que eu era baixa mesmo.
Caso contrário, por que eu continuaria grudada nele como um chiclete, sabendo que ele não me amava?
Caminhei passo a passo em direção a Bernardo e envolvi sua cintura firme com meus braços trêmulos.
Olhei para cima, devota, disposta a arriscar tudo:
"Já que você já me decifrou, poderia, por favor, me amar pelo menos uma vez?".
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