"Cinzas do Passado: O Renascimento de Clarice" Capítulo 17
— BUM!
Arthur desferiu um soco violento contra a pesada mesa de madeira maciça. O impacto das juntas contra a madeira produziu um estrondo abafado; o dorso de sua mão inchou e a pele se rompeu instantaneamente, vertendo fios de sangue.
No entanto, ele não sentia dor física. Apenas na região do peito havia uma agonia dilacerante, como se seu coração estivesse sendo esvaziado! A dor era tanta que ele mal conseguia respirar!
— Carlos! — Arthur ergueu a cabeça abruptamente. Seus olhos estavam escarlates, repletos de veias rompidas, e sua voz soava rouca como o rugido de uma fera encurralada à beira da morte. — Vá investigar o Bernardo! Nestes cinco anos! Ele e a Clarice... cada vez! Horários, locais, todos os detalhes! Eu quero saber de tudo! Não ouse omitir uma única palavra!
Carlos estremeceu diante da loucura e do sofrimento aterrorizantes nos olhos do patrão e prontamente baixou a cabeça: — Sim, Sr. Arthur!
Naquela noite, no clube particular de Bernardo, no camarote mais oculto da cobertura.
A pesada porta acústica estava fechada. As luzes principais estavam apagadas, restando apenas o brilho ambíguo e sombrio das luzes de presença nos cantos. Bernardo estava recostado no amplo sofá de couro, com dois botões da camisa abertos; segurava um copo de uísque cor de âmbar com uma expressão lânguida, carregando seu costumeiro desdém.
A porta do camarote foi escancarada com um estrondo. Arthur entrou a passos largos, com o rosto tão sombrio que parecia prestes a transbordar fúria. Sem sequer olhar para Bernardo, ele arremessou uma pilha espessa de documentos sobre a mesa de centro de vidro!
— BUM!
Os papéis se espalharam, revelando textos densos e fotografias. Bernardo arqueou as sobrancelhas, pousou o copo e, pausadamente, pegou as primeiras folhas, correndo os olhos por elas de forma casual. Então, ele sorriu. Era aquele sorriso indiferente, misturado com libertinagem e sarcasmo.
— Ora, você investigou com bastante cuidado. — Bernardo balançou o papel que segurava. — Até a marca dos preservativos que usei você registrou? O que foi? Se arrependeu agora? Quer discutir os detalhes?
Ele ergueu o olhar para Arthur, com um escárnio indisfarçável: — Não foi você quem me mandou possuí-la? Você disse: "Desde que não a mate, faça o que quiser". Agora que ela morreu, você vem bancar o santo comigo, questionando as posições que usei ou as coisas que sussurrei? Arthur, você não sente nojo de si mesmo?
— Eu mandei você "humilhá-la"! — Arthur avançou um passo, com os olhos vermelhos e a voz distorcida pela raiva e dor extremas. — Eu não mandei você usar métodos tão baixos! Não mandei drogá-la! Não mandei forçá-la quando ela recusava explicitamente! Bernardo, você ainda é um ser humano?!
Cada linha daqueles relatórios de investigação era como uma agulha embebida em veneno, cravada em seus olhos e em seu coração! Ele viu como Clarice, sob o efeito de substâncias, ficava com a mente turva e era forçada a suportar tudo. Viu como ela franzia o cenho de dor em certas posições excessivas, sem conseguir emitir som. Viu como, nos momentos de consciência, o pânico e a resistência lampejavam em seus olhos, para finalmente se tornarem uma submissão mortal.
Afinal... nestes cinco anos, o que ele chamava de "humilhação" era esse inferno! E ele foi o cúmplice que a empurrou para lá com as próprias mãos! Ou melhor... o mentor!
— Eu não sou humano? — Bernardo reagiu como se tivesse ouvido a maior piada do mundo. Ele se levantou bruscamente, encarando Arthur de perto com um olhar feroz. — Arthur, quem não é humano é você! Você planejou o acidente para destruir as mãos dela e impedi-la de tocar piano! Planejou o aborto para matar o próprio filho! E ainda enviou a própria esposa para a cama de um amigo por cinco anos! E agora vem posar de homem apaixonado?!
— Cala a boca! — Arthur rugiu e, perdendo o controle, desferiu um soco violento no rosto de Bernardo!
Bernardo, pego de surpresa, cambaleou para trás, derrubando a estante de bebidas. Garrafas caras se estraçalharam no chão e o aroma forte de álcool inundou o ambiente. Ele limpou o canto da boca, sujando os dedos de sangue. O olhar de Bernardo tornou-se instantaneamente sinistro e cruel.
— Droga! — ele praguejou baixo e avançou, devolvendo o soco com força no abdômen de Arthur!
Os dois homens, altos e fortes, que cresceram brigando um com o outro, envolveram-se em uma luta corporal selvagem dentro do camarote luxuoso! Não havia técnica, apenas o desabafo mais primitivo e violento! O som surdo dos socos contra a carne, o barulho de objetos sendo estraçalhados, as respirações pesadas e os rugidos abafados criavam um cenário de caos. O sofá de couro foi virado, o lustre de cristal balançava sem parar e as pinturas nas paredes caíram.
Não se sabe quanto tempo passou; talvez apenas alguns minutos, mas pareceu um século. Ambos estavam exaustos, com os rostos e corpos marcados: lábios cortados, hematomas nos olhos e os ternos caros amassados e sujos de bebida e poeira. Eles desabaram no chão destruído como duas feras derrotadas, arfando pesadamente.
Bernardo foi o primeiro a rir. Era uma risada baixa, inicialmente contida, mas que se tornou cada vez mais alta e melancólica, soando quase como um choro no final.
— Arthur... que raio de paixão você está fingindo agora? — Bernardo ria enquanto arfava, com a voz fragmentada. — O mais cruel... não foi você? Hein? Agora que ela morreu... você vem cobrar os detalhes? Onde você estava antes, porra?
Arthur jazia no chão, com o peito subindo e descendo freneticamente, observando os fragmentos de luz refletidos pelo lustre quebrado no teto com um olhar vazio. A risada de Bernardo cessou gradualmente. Ele permaneceu ali, olhando para o mesmo teto destruído, com o olhar perdendo o foco.
— Eu também... não valho nada — a voz de Bernardo era leve, carregada de um cansaço e autoaversão. — Mas Arthur... você sabe de uma coisa?
Ele pausou, como se organizasse as palavras ou as memórias: — Às vezes... depois de terminarmos, ela dormia de exaustão. Eu ficava observando-a. Observando como ela dormia. Tão calma. Os cílios eram longos. Às vezes ela franzia o cenho levemente, como se tivesse um pesadelo.
A voz de Bernardo tornava-se cada vez mais baixa e distante:
— Eu pensava... se, na primeira vez... eu tivesse contado a ela. Que eu não era o Arthur. Que eu era o Bernardo. Será que ela... teria me olhado... ao menos por um instante?
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