"Não Sou Sua Irmã: O Desejo Proibido" Capítulo 2
Na noite de sexta-feira, o céu desabou em uma tempestade torrencial.
Quando bateram à porta da mansão dos Silva, eu estava sentada no sofá assistindo TV, segurando uma xícara de leite quente. Na realidade, minhas mãos tremiam tanto que eu parecia ter Parkinson.
Chegou a hora. As engrenagens do destino começaram a girar.
O mordomo abriu a porta e uma garota completamente encharcada, mas com um olhar obstinado, apareceu na entrada. Ela apertava contra o peito um envelope meticulosamente protegido por várias camadas de sacos plásticos.
Era Beatriz. A grande protagonista desta história, a verdadeira joia perdida da família Silva.
O que se seguiu foi exatamente como eu imaginava: clichê e inevitável. O teste de DNA, os pais em choque, olhares de incredulidade e uma cena de reencontro regada a prantos desesperados.
Como uma estranha, eu observava tudo do topo da escada, sentindo-me tão deslocada quanto um enfeite de prateleira desnecessário.
Arthur estava nos arredores da multidão. Seu choque durou apenas um instante antes de recuperar a razão. Ele pegou o exame e o analisou detalhadamente.
Confirmado. Sem erros.
Minha mãe chorava a ponto de quase desmaiar, segurando as mãos de Beatriz sem soltar: "Minha filha... você sofreu tanto..." O Sr. Silva também estava com os olhos marejados, batendo suavemente nas costas de Beatriz para confortá-la.
Ninguém notou minha presença.
Somente quando a Sra. Silva se acalmou um pouco, seu olhar vagou sem querer pela escada e me encontrou. Em um segundo, sua expressão tornou-se extremamente complexa. Havia constrangimento, compaixão, mas também um traço de algo que eu nunca tinha visto antes: distanciamento.
"Alice..." ela chamou, com a voz levemente trêmula.
Todos os olhares se voltaram para mim. Incluindo o de Beatriz. Ela me encarava sem muita hostilidade, mas com uma dose óbvia de julgamento e cautela. Afinal, eu havia usurpado vinte anos da vida dela.
Deixei a xícara de leite de lado e tentei manter um sorriso o mais digno possível: "Pai, mãe. Já que... já que minha irmã voltou, não seria melhor deixá-la tomar um banho primeiro? Ela pode pegar um resfriado."
Eu não tive um ataque de histeria, não perguntei "o que será de mim?", nem sequer disse uma palavra de mágoa. Isso pegou Arthur de surpresa. Ele me olhou com as sobrancelhas travadas de tensão.
[Caramba! A Alice está tão calma assim? Isso não faz sentido!]
[Será que ela está planejando algo grande?]
[De repente, comecei a sentir pena da falsa herdeira, o que está acontecendo?]
Pena de mim? Com dinheiro no bolso, eu não preciso de pena de ninguém.
À noite, a casa dos Silva virou um caos. Como meu quarto ainda não havia sido esvaziado, Beatriz foi acomodada no quarto de hóspedes, rodeada pelos mimos e preocupações dos meus pais.
Voltei sozinha para o meu quarto e comecei a fechar as malas. Na verdade, quase tudo já estava pronto. Três malas grandes continham minhas roupas favoritas e documentos essenciais. As coisas caras, impossíveis de levar e que pertenciam à identidade da "Senhorita Silva", eu deixei para trás.
Às duas da manhã, arrastei minhas malas pronta para descer. Eu queria sair sob o manto da noite para evitar o constrangimento do dia seguinte. Ao chegar à sala, vi uma silhueta sentada na escuridão. O brilho de um cigarro oscilava entre os dedos.
Era Arthur.
"Onde pensa que vai?" Sua voz estava rouca, carregando um cansaço inédito.
Fiquei estática no lugar: "Irmão... quer dizer, Diretor Artur. Agora que a verdade apareceu, é hora de eu voltar para a minha própria casa."
"Sua própria casa?" Arthur apagou o cigarro, levantou-se e caminhou em minha direção passo a passo. Na escuridão, sua presença era esmagadora. "Você tem ideia de como é a sua família biológica? Sabe que tipo de homem é seu suposto irmão de sangue? Alice, uma inútil mimada como você duraria três dias fora da família Silva?"
Suas palavras foram cruéis, mas a Alice do passado acharia que isso era sinal de que ele se importava. Agora, eu só sentia que ele estava me ridicularizando.
"Se vou durar ou não, o problema é meu." Dei um passo para trás, criando distância. "Além disso, sou adulta. Não tenho motivos para ficar na casa de estranhos. Beatriz voltou e não quero que minha presença a incomode."
"Casa de estranhos?" Arthur saboreou as palavras, e seu olhar subitamente tornou-se feroz. Ele agarrou meu pulso com força. "Nós te criamos por vinte anos e você está com tanta pressa assim de traçar uma linha entre nós? Todo esse seu comportamento estranho nos últimos dias foi planejado para hoje?"
Meu pulso doía. Olhei para a legenda vermelha sobre a cabeça dele:
[Aviso! Flutuação anormal nos níveis emocionais do protagonista! Nível de escuridão +10!]
Fiquei um pouco assustada, mas mantive a determinação de quem já não tem nada a perder.
"Arthur, me solte." Encarei seus olhos diretamente. "Você mesmo viu, não temos laços de sangue. Antes eu te perseguia porque você era generoso e não se importava. Agora que sua verdadeira irmã voltou, se eu continuasse aqui seria uma sem-vergonha. Posso ser mimada, mas ainda tenho dignidade."
Arthur paralisou. Parecia que as palavras "não temos laços de sangue" o haviam espetado como uma agulha. O aperto em minha mão afrouxou por um milésimo de segundo.
Aproveitei a oportunidade para me soltar e arrastei minhas malas rapidamente em direção à porta principal.
"Adeus, irmão. Obrigada por esses vinte anos."
No momento em que me lancei na noite chuvosa, ouvi atrás de mim o som de algo sendo violentamente estraçalhado contra o chão. Mas não olhei para trás.
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