"A Substituta do CEO: Mentiras e Desejos" Capítulo 17
Capítulo 17
Henrique fixou o olhar na tela, enquanto suas mãos começaram a tremer de forma incontrolável. Não era apenas raiva, mas um calafrio cortante que subia por sua espinha, acompanhado de uma sensação avassaladora de absurdo. Ele sempre acreditara que Clarice era invejosa e cruel, alguém que ferira Paola Furtado repetidamente. Sempre pensara que estava fazendo justiça ao punir uma mulher perversa.
No entanto, ele fora um cego do início ao fim! Fora um idiota manipulado por Paola e cúmplice de suas atrocidades. Cada ferimento que ele infligira a Clarice — o desprezo após a explosão, a tortura da remoção do útero, a água fervente, a morte de Bobi... cada um desses momentos tinha a mão calculista de Paola por trás. E ele se tornara a lâmina mais afiada e implacável nas mãos dela!
"ESTRONDO!"
Com um som surdo, o punho de Henrique atingiu com força a parede fria do quarto de hotel. A pele de seus nós dos dedos se rompeu e o sangue jorrou imediatamente, escorrendo pela parede branca em um rastro chocante. Contudo, ele não sentia dor. Em seu peito, era como se uma mão invisível tivesse arrancado seu coração, deixando apenas um buraco sangrento por onde soprava um vento gelado.
O assistente assustou-se: "Sr. Henrique! Sua mão..."
Henrique afastou a mão dele, com os olhos injetados de sangue e a voz rouca: "Saia". O assistente não ousou dizer mais nada, retirou-se em silêncio e fechou a porta suavemente.
Henrique ficou sozinho no quarto. Ele escorregou lentamente até sentar no carpete, encostado na parede fria, olhando com os olhos vazios para a vista noturna da cidade próspera e desconhecida além da janela. Passou a noite em claro. Inúmeras imagens giravam em sua mente sem controle.
Lembrou-se do primeiro encontro, quando seu carro a derrubou. Com a perna sangrando, ela levantou o rosto pálido e, com os olhos límpidos e assustados, perguntou baixinho: "O senhor... o senhor está bem?" Naquele momento, ele pensara que os olhos daquela garota eram puros como vidro lavado pela chuva.
A aproximação inicial fora, de fato, apenas para encontrar uma ferramenta limpa e conveniente para satisfazer suas necessidades. Investigara o passado dela: simples, estudante de medicina, mente pura; ela atendia aos seus requisitos de limpeza e ao seu desejo de evitar complicações. Mas, em algum momento, as coisas mudaram.
Ele se habituara àquela luz suave deixada propositalmente no hall de entrada sempre que chegava tarde da noite. Habituara-se à sopa que sempre o esperava aquecida no fogão, não importa a hora. Habituara-se a levantar a cabeça após trabalhar até a madrugada no escritório e vê-la encolhida no sofá da sala, dormindo com um livro de medicina nas mãos.
Lembrou-se de uma vez em que, após um jantar de negócios, bebera demais e seu estômago revirara. Voltara para casa em um estado deplorável. Ela cuidara dele a noite toda, limpando-o repetidamente, colocando toalhas mornas em sua testa e, quando ele resmungava de dor, dava tapinhas suaves em suas costas, dizendo baixinho como se acalmasse uma criança: "Está tudo bem, ponha para fora que você vai melhorar". No dia seguinte, ele acordara com uma dor de cabeça terrível e a vira debruçada ao lado da cama, ainda segurando a toalha úmida, com olheiras profundas.
Lembrou-se de quando ela, cautelosamente em um momento em que ele parecia de bom humor, aproximou-se e perguntou com a voz fina: "Henrique... vamos ter um filho?" Naquele momento, ele estava respondendo a uma mensagem de Paola reclamando que o vestido de noiva não estava perfeito e desdenhou: "Veremos depois". O brilho nos olhos dela se apagou, mas ela não disse mais nada, apenas murmurou um "hum" e foi buscar água para ele, com uma silhueta solitária e uma tristeza imperceptível.
Lembrou-se da sala de cirurgia ginecológica fria, sob a luz inclemente. Ela estava amarrada na mesa, com o rosto pálido como papel e os olhos cheios de desespero, implorando aos prantos "não", enquanto ele ordenava friamente "nada de anestesia". Lembrou-se do quarto de hospital, onde aquele louco mergulhou as mãos dela na água fervente; ela gritava de dor e usava suas últimas forças para olhar para ele na porta, com um súplica de morte nos olhos. E ele apenas olhara e partira porque Paola dissera que "a ferida doía".
Lembrou-se dela olhando para ele pela última vez, com aqueles olhos que antes transbordavam estrelas e amor, agora reduzidos a uma cinza mortal, dizendo calmamente: "Eu já sei de tudo". "A ferramenta estragou, é hora de jogá-la fora".
Uma náusea violenta subiu de seu estômago e Henrique curvou-se bruscamente, tendo ânsias de vômito sobre o tapete caro. Mas seu estômago estava vazio, apenas bile amarga queimava sua garganta. Ele vomitou até as lágrimas caírem, coberto de suor frio.
Não sentia nojo da maldade de Paola, mas de si mesmo. Nojo daquele Henrique Cavalcante cego e cruel que empurrara repetidamente a pessoa que mais o amava para o inferno! Como ele pôde... como pôde fazer aquilo com ela?! Que cara ele tinha para dizer que amara Paola? Ele não conseguia distinguir o certo do errado, nem se a pessoa ao seu lado era humana ou um monstro!
O que ele chamava de amor não passava de uma piada de autocomiseração, uma teia tecida meticulosamente por Paola, na qual ele era o peixe mais ridículo! O verdadeiro tesouro sempre estivera ao seu lado, tratado por ele como lixo e destruído por suas próprias mãos.
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