"A Substituta do CEO: Mentiras e Desejos" Capítulo 10
Capítulo 10
O casamento do século entre as famílias Cavalcante e Furtado era de um luxo desmedido. Celebridades e figurões se aglomeravam, e os flashes da mídia quase inundavam o tapete vermelho.
Paola usava um vestido de noiva de cauda longa, avaliado em milhões e feito sob medida por estilistas de renome. De braço dado com Henrique, ela caminhava em direção ao altar com um sorriso impecável de vencedora.
Henrique vestia um terno de alta costura inteiramente preto. Com sua postura ereta e rosto esculpido, ele continuava sendo o homem que encantava a elite. Ele seguia o protocolo do mestre de cerimônias, sorrindo, assentindo e trocando alianças de forma perfeita e irrepreensível.
Mas só ele sabia que havia um vazio em seu peito, como se faltasse um pedaço, por onde soprava um vento gelado que lhe trazia uma irritação inexplicável.
O celebrante perguntou com um tom solene e emocionante: "Henrique Cavalcante, você aceita Paola Furtado como sua esposa, para amá-la e ser-lhe fiel, na pobreza ou na riqueza, na saúde ou na doença, até que a morte os separe?"
Henrique levantou os olhos e, instintivamente, seu olhar atravessou os olhos apaixonados de Paola à sua frente e mirou as portas pesadas e fechadas da igreja. Lá fora estava o mundo barulhento; lá dentro, uma prosperidade ilusória.
Não havia ninguém ali.
Ele franziu o cenho quase imperceptivelmente e rapidamente desviou o olhar para encontrar os olhos inquisidores e levemente descontentes de Paola. Seus lábios se abriram para proferir a resposta padrão: "Aceito."
O leve descontentamento nos olhos de Paola foi substituído por satisfação. Ela se inclinou para beijá-lo profundamente e, entre o contato dos lábios, sussurrou com uma doçura ameaçadora: "Henrique, de agora em diante, seus olhos e seu coração só podem pertencer a mim."
O corpo de Henrique ficou rígido por um segundo, mas ele logo retribuiu o beijo com mais força, como se quisesse provar algo a si mesmo.
Naquela noite, na suíte nupcial.
Rosas, velas e champanhe caro; tudo seguia o roteiro mais romântico. Paola saiu do banho vestindo uma camisola de seda sensual e aproximou-se dele por iniciativa própria. Com um olhar de quem obteve a vitória, ela sussurrou ao seu ouvido: "Henrique, eu fiz aquela cirurgia por você... desta vez, com certeza vai dar certo."
Henrique a beijava, mas seus movimentos pareciam distraídos. Quando a intimidade realmente começou, ele fechou os olhos, tentando se concentrar.
Mas, no segundo seguinte, de forma incontrolável, outro rosto surgiu nitidamente em sua mente. Um rosto pálido, sereno, de olhos límpidos, que ocasionalmente sorria fazendo os cantos dos olhos se curvarem como luas crescentes.
Era a Clarice.
Henrique congelou, parando o movimento abruptamente. Todo o seu desejo desapareceu instantaneamente, como se tivesse recebido um balde de água gelada.
"Henrique?" Paola notou a pausa e chamou-o insatisfeita, com as mãos deslizando por suas costas.
Henrique abriu os olhos, revelando uma escuridão profunda. Ele se afastou, pegou o roupão ao lado e vestiu-o. Sua voz soou rouca, sem qualquer calor: "Lembrei que tenho um e-mail internacional importante para responder. Durma primeiro."
Sem esperar a reação de Paola, ele caminhou a passos largos para o banheiro. A porta se fechou com um estrondo e a trava foi batida.
Paola ficou deitada na cama, observando a porta fechada, com o rosto se contorcendo aos poucos e as unhas cravando-se nas palmas das mãos.
No banheiro, o som da água era constante. Henrique não ligou a água quente; deixou que o jato gelado castigasse seu corpo, mas isso não apagava a irritação e o vazio em seu peito. Ele se apoiou contra a parede fria de azulejos, olhando para baixo.
Por que? Por que, diante de Paola, ele pensava em Clarice? Aquela mulher que ele afirmava não amar e que servia apenas para suas necessidades?
A tela do celular acendeu com uma notificação de notícias financeiras. O papel de parede, em algum momento, fora trocado por uma foto artística de Paola, radiante e ocupando toda a tela. Ele encarou a foto, mas sua mente trazia a silhueta de Clarice sentada no sofá lendo um livro, ou o cabelo levemente úmido de suor enquanto ela cozinhava para ele... ou até mesmo o olhar de morte e desespero dela na mesa de cirurgia.
"Sexo e amor são inseparáveis..."
As palavras que Paola dissera uma vez, e a própria convicção que ele tinha, entraram em conflito agudo naquele momento. Se sexo e amor eram realmente inseparáveis, por que ele não conseguia se entregar à esposa que deveria amar, mas sempre se lembrava da mulher que definira como uma ferramenta?
E se fossem separáveis... então o que Clarice significava para ele?
Esse pensamento fez seu coração palpitar de susto, sendo logo esmagado por uma irritação ainda maior. Ele desligou a água e esfregou o rosto com força.
Devia ser apenas cansaço. Os preparativos do casamento, os assuntos da empresa e os caprichos de Paola... sim, era apenas cansaço.
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