"A Substituta do CEO: Mentiras e Desejos" Capítulo 7
Capítulo 7
Clarice sentiu o corpo enrijecer enquanto uma onda avassaladora de náusea e humilhação a invadia.
Ela se encolheu bruscamente e tentou empurrá-lo com a mão esquerda, que não estava ferida, com a voz trêmula: "Não... saia daqui! Eu não quero!"
Henrique segurou com facilidade a mão que o rejeitava, franzindo o cenho com um tom de desagrado: "Clarice, pare de birra. Somos marido e mulher, cumprir os deveres conjugais é a coisa mais natural do mundo."
Deveres conjugais? Natural do mundo?
Clarice olhou para aqueles olhos cheios de desejo, mas desprovidos de qualquer vestígio de amor. Ela se lembrou da certidão de casamento falsa, do sorriso triunfante de Paola Furtado, do seu útero removido à força e da dor excruciante da água fervente queimando suas mãos.
Uma indignação e um desespero intensos destruíram seu último resquício de sanidade.
"Marido e mulher?" Ela olhou para ele e, de repente, começou a rir. Era um riso lúgubre, enquanto as lágrimas rolavam sem parar. "Henrique Cavalcante, somos realmente marido e mulher?"
Henrique parou o movimento, e seu olhar tornou-se subitamente afiado: "O que você quer dizer com isso?"
"O que eu quero dizer?" Clarice ria, com a visão embaçada pelas lágrimas. "Você não sabe muito bem?"
Ela quase despejou tudo, queria questioná-lo, amaldiçoá-lo e arrancar aquela sua máscara hipócrita. Mas as palavras morreram em sua garganta.
Mesmo que falasse, o que mudaria? O que ele faria com Paola? Ele poderia devolver o útero dela? Poderia fazer suas mãos pararem de doer? Poderia... lhe pedir perdão?
Não. Com o poder que ele tinha, esmagá-la era mais fácil do que esmagar uma formiga. Ela não podia vencê-lo, nunca pôde.
Ela fechou os olhos, permitindo que ele a pressionasse. As feridas em seu corpo doíam ao serem tocadas, e a queimadura em suas mãos ardia intensamente. Contudo, nada disso se comparava à dor em seu coração.
Henrique movia-se sobre ela com uma respiração pesada, mas seus olhos estavam fechados e suas sobrancelhas levemente franzidas, como se estivesse cumprindo uma tarefa obrigatória ou como se... estivesse pensando em outra pessoa através dela.
Sexo e amor, afinal, podiam realmente ser separados de forma tão drástica.
Nos dias seguintes, Henrique permaneceu no hospital. Cuidava dela durante o dia e deitava-se com ela à noite. Seus movimentos eram frenéticos como sempre, mas seu olhar permanecia sem um pingo de afeto.
Até que, quando suas feridas físicas estavam quase curadas e o trabalho no hospital totalmente entregue, ela voltou à casa que compartilhava com Henrique para pegar suas coisas e partir definitivamente.
Assim que guardou algumas roupas e documentos importantes em uma pequena mala, a campainha tocou.
Era Paola Furtado. Ela carregava um gato persa branco nos braços e apertava a campainha com impaciência. Clarice não queria abrir, mas Paola parecia certa de sua presença e começou a esmurrar a porta: "Clarice! Eu sei que você está aí! Abra agora!"
Clarice respirou fundo e abriu a porta. "O que você veio fazer aqui?"
"O que eu vim fazer?" Paola soltou um riso sarcástico enquanto acariciava o gato, com um tom cheio de escárnio. "Vim ver que tipo de feiticeira é você para ter enfeitiçado o Henrique a ponto de ele ignorar minhas ligações nestes últimos dias!"
A fúria de Paola cresceu. Ela se levantou bruscamente, caminhou até Clarice e deu-lhe um tapa violento no rosto!
"Sua ordinária! Eu te dei corda e você achou que era a dona da casa? Escute bem, Henrique vai se casar comigo em breve! É melhor você se colocar no seu lugar de amante e parar de sonhar com o que não te pertence!"
Clarice virou o rosto lentamente e olhou para a face de Paola, contorcida de inveja. Sentiu que tudo aquilo era absurdo e ridículo. Ela não disse nada, apenas limpou o canto da boca com a mão.
Esse silêncio enfureceu Paola completamente. Ela ficou lívida e gritou para o lado de fora: "Entrem! Arranquem a roupa desta vagabunda e joguem-na na rua! Quero que todos vejam como é a cara de quem tenta roubar o noivo dos outros!"
Dois seguranças vestidos de preto entraram e avançaram em direção a Clarice sem qualquer expressão. Clarice empalideceu e tentou correr para dentro, mas não era páreo para dois profissionais e foi facilmente capturada.
"Me soltem! Soltem-me!" Clarice lutava e gritava desesperadamente.
Os seguranças rasgaram suas roupas com brutalidade. O tecido fino foi destruído, expondo sua pele. Humilhação, medo e desespero a inundaram instantaneamente.
No meio da confusão, o gato nos braços de Paola assustou-se e saltou, correndo em direção à porta aberta!
"Floquinho!" Paola gritou.
O gato foi extremamente rápido e correu da mansão direto para a estrada! No mesmo instante, Clarice conseguiu se soltar e também correu para fora!
"Peguem-na!" Paola estava furiosa.
Clarice saiu e deparou-se com o tráfego intenso. Ela viu o gato branco agachado no meio da pista, aterrorizado, enquanto um carro aproximava-se em alta velocidade com os faróis ofuscantes!
"Miau—!"
O grito agudo do gato e o som estridente dos freios ecoaram ao mesmo tempo! Com um estrondo surdo, o vulto branco foi arremessado e caiu pesadamente, convulsionou duas vezes e parou de se mexer.
Tudo aconteceu em um piscar de olhos. Clarice e Paola congelaram, olhando para a mancha branca imóvel no centro da estrada.
Passos apressados vieram de trás. Henrique chegou às pressas, olhou para o gato morto e depois para Clarice, desgrenhada, e para Paola, que estava pálida e tremendo.
"O que aconteceu?"
Paola pareceu despertar e atirou-se nos braços dele chorando copiosamente, apontando para Clarice: "Henrique! O Floquinho! Meu Floquinho! Foi a Clarice! Eu vim vê-la com boas intenções, mas ela roubou meu gato e o jogou na estrada! Ela o matou! O Floquinho estava comigo há cinco anos, era minha família! Como ela pode ser tão cruel..."
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