"A Noiva Substituta do Magnata" Capítulo 49: Como Eu Queria Voltar a Ser Criança
Capítulo 49: Como Eu Queria Voltar a Ser Criança
Alice pegou o menu ao lado e o entregou à amiga.
— Veja o que você quer comer, eu pago.
— Ah, então não vou ter cerimônia!
Yolanda pediu uma mesa farta e começou a comer com entusiasmo, murmurando entre uma garfada e outra:
— Que pena que no nosso primeiro encontro depois de tanto tempo a gente não possa beber. Mas me conta, Alice, quem é o seu marido? Ele é que nem você dizia quando era pequena: alto, charmoso, imponente e bonitão?
Alice quase cuspiu a comida.
— Como é que você ainda lembra dessas bobagens com tanta clareza?
Yolanda assumiu uma expressão fofoqueira:
— Claro que lembro! Lembro até do seu ator favorito daquela época. Conta logo, deixa sua amiga feliz aqui.
Alice colocou um pedaço de frango com pimenta (Lazi Ji) na tigela dela, respondendo com indiferença:
— Eu me casei com o Arthur. Ele não é nada de mais, sabe? Apenas um homem comum.
Ela não queria ficar se gabando diante da melhor amiga. Como Yolanda tinha acabado de voltar ao país, ainda não conhecia a fama de Arthur Qin.
O tom de Yolanda foi de decepção:
— É, a gente sempre quer casar com um príncipe encantado quando é criança, mas quando cresce, acaba tendo que aceitar a realidade e casar com um sujeito comum qualquer.
Alice teve que segurar o riso.
— Não exagera, não é bem assim.
Ela ficou imaginando qual seria a cara de Arthur se soubesse que estava sendo chamado de "sujeito comum qualquer". Yolanda deu um suspiro dramático e continuou comendo, mas no segundo seguinte, ela começou a tossir e seus olhos lacrimejaram.
— Alice! Você está tentando me assassinar?! Você sabe que eu não aguento pimenta e ainda me serve frango com pimenta!
Alice olhou para as pimentas vermelhas brilhando no prato e, sentindo-se culpada, entregou-lhe rapidamente um copo d'água.
— Ai, mil desculpas! Eu esqueci que você não come pimenta.
Talvez pela gravidez, Alice andava desejando comidas picantes e acabou se esquecendo desse detalhe sobre Yolanda. A amiga deu um gole na água e a cuspiu imediatamente. Com o rosto vermelho e lágrimas escorrendo, ela exclamou:
— Alice! Você quer mesmo acabar comigo! Essa água está pelando de quente! Buááá...
Alice caiu na gargalhada enquanto entregava lenços de papel para ela.
— Desculpa, desculpa...
Aquele jantar estava sendo, no mínimo, conturbado.
Meia hora depois, Yolanda deu um tapinha na barriga e soltou um arroto de satisfação.
— Enchi o bucho!
Porém, o contorno de sua boca estava vermelho e inchado, o que lhe dava um ar bem cômico. Alice também estava satisfeita e encostou a cabeça no ombro de Yolanda, distraída. O celular tocou; ao ver o nome no visor, ela sorriu docemente.
— Oi, querido.
— Onde você está? Vou pedir para o motorista te buscar.
Alice olhou para o relógio; sem perceber, já passava das nove da noite. Ela lembrou da promessa que fizera a Arthur e sentiu um frio na espinha.
— Não precisa, eu já estou voltando.
Houve um silêncio do outro lado da linha.
— Hum. Cuidado no caminho.
Alice desligou e deu de cara com Yolanda sorrindo maliciosamente para ela.
— Ui, "oi querido"... que doçura!
Alice não resistiu e deu um peteleco na testa dela. Yolanda massageou o local:
— Continua violenta como na infância. E aí, o maridão mandou recolher?
Alice assentiu:
— É, já está tarde, preciso ir.
Yolanda fez beicinho:
— Tá bom, vou te liberar por causa do bebê. Mas e amanhã? Se não tiver planos, vamos passear?
— Combinado. Eu te ligo quando acordar.
Yolanda piscou:
— OK, estarei aguardando seu chamado, amiga.
O que Yolanda não esperava era que esse "esperar" fosse durar até o meio-dia do dia seguinte. Alice só abriu os olhos e sentou na cama por volta do meio-dia. Ao ver as várias chamadas perdidas no celular, ela despertou instantaneamente.
— Droga! A Yolanda está me esperando. Como eu pude dormir tanto de novo?
Ela se arrumou às pressas e ligou para a amiga. A voz de Yolanda soou resignada:
— Amiga, olha que horas são. Não me diga que você acordou agora.
Ela já estava quase desistindo de esperar. Alice desceu as escadas correndo enquanto terminava a maquiagem:
— Eu perdi a hora! Estou saindo agora, me espera só mais um pouco.
Ao chegar na porta, a empregada a barrou:
— Jovem Madame, o patrãozinho disse que a senhora só pode sair depois de tomar o café.
Alice engoliu algumas garfadas rapidamente e saiu voando.
No campus da antiga escola, Alice e Yolanda caminhavam calmamente pela pista de atletismo. O pôr do sol alongava as sombras das duas. Por ser final de semana, o local estava vazio. Yolanda olhou para ela de lado:
— Você lembra daquele nosso teste de oitocentos metros?
Ela ainda recordava das duas meninas de uniforme escolar que, todo dia após a aula, tinham que dar voltas no campo. Só de lembrar da cara severa do professor de educação física, o coração delas ainda palpitava. Alice sorriu:
— Lembro sim. Você era fofinha e ficava ofegante logo nos primeiros passos. Era lenta demais!
Yolanda dobrou as mangas, mostrou os "músculos" e riu:
— Eu era muito gulosa naquela época! Mas olha pra mim agora, sou puro poder e energia.
Alice deu um chutinho de brincadeira nela:
— Para com isso, que poder o quê? Isso aí é tudo gordurinha acumulada.
Yolanda colocou as mãos na cintura, fingindo indignação:
— Ei, não me subestime!
— Você lembra daquela loja de chá de bolhas (bubble tea) na porta da escola? Vamos lá tomar um? — Alice esfregou as mãos; depois de tantos anos, ela queria muito sentir aquele sabor de novo.
As duas correram para o portão da escola de braços dados. Ao chegarem na loja, pararam boquiabertas.
— Nossa, quanta gente! — Yolanda cruzou os braços e fez um biquinho.
A loja tinha crescido muito, a decoração era outra e havia uma fila enorme. Alice já ia arregaçando as mangas para entrar na fila:
— Não quero nem saber, hoje eu vou tomar esse chá custe o que custar!
Yolanda a puxou de volta, apontando para uns assentos vazios:
— Deixa de ser desesperada. Você é uma grávidinha, não pode ficar se espremendo no meio do povo. Vai lá guardar lugar que eu enfrento a fila.
Yolanda mergulhou na multidão. Alice esperou por quase vinte minutos até que a amiga reaparecesse com dois copos na mão, ofegante.
— Quase fui esmagada!
Ela entregou o sabor de morango para Alice; ela ainda lembrava que a amiga era viciada em tudo que fosse de morango.
— Toma, é seu.
Alice sorriu de orelha a orelha, feliz da vida.
— Obrigada!
Ela deu um gole e sua expressão foi de pura satisfação.
— Que delícia!
Yolanda também deu um gole generoso. Elas se olharam e riram juntas. As duas amigas, bebendo seus chás, visitaram a papelaria e o parque onde costumavam ir. Sentadas em um banco do parque, de costas uma para a outra, conversaram por muito tempo, sentindo-se, por um momento, naquelas tardes de infância sem preocupações.
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