"A Noiva Substituta do Magnata" Capítulo 17: Ferida
Capítulo 17: Ferida
Poder relaxar um pouco ao ar livre era bom. Enquanto todos ainda estavam lá dentro bebendo e conversando, Bárbara esgueirou-se para fora silenciosamente. Ao vê-la desaparecer pela porta, Arthur franziu o cenho e também se levantou.
Alice protegia Pietro para que ele não tocasse na água fria. Ela pegava pequenos seixos e o ensinava a jogá-los no lago. Enquanto os dois se divertiam, Bárbara surgiu de repente atrás deles.
— Tão crescida e ainda brincando com pedras? Que infantil — desdenhou ela.
Alice olhou para ela com um tom nada amigável:
— O que você veio fazer aqui?
— Vim ver você. Por quê? Está com medo de mim? — Bárbara aproximava-se cada vez mais, com os olhos transbordando desprezo.
Alice não queria desperdiçar saliva com ela. Pegou Pietro pela mão e começou a caminhar de volta, mas Bárbara bloqueou seu caminho.
— Seu nome é Alice, certo? Ouvi dizer que sua família não passa de gente comum e que ainda por cima faliu. Você não acha que, só por ter casado com um Qin, vai virar uma princesa da noite para o dia, acha?
Alice encarou o olhar dela:
— Se eu vou virar princesa ou não, pouco importa. O que importa é que eu me casei com o Arthur e sou a Jovem Madame da família Qin.
Essa frase atingiu o ponto fraco de Bárbara instantaneamente. Sua voz subiu de tom:
— E daí que se casou com o Arthur? Você pode garantir que ele te ama de verdade? Ouvi dizer que seus pais sofreram um acidente; eles devem ter feito muitas coisas ruins para receberem esse tipo de castigo, não acha? Terem gerado uma filha do seu tipo... sinto vergonha por eles.
Alice ergueu o braço e desferiu um tapa forte no rosto dela.
— Bárbara, você pode falar de mim o quanto quiser, mas não tem o direito de comentar sobre os meus pais!
Seus pais eram pessoas íntegras e bondosas; Alice jamais permitiria que fossem insultados. Bárbara, que nunca fora humilhada assim na vida, segurou a bochecha inchada enquanto sua expressão se tornava diabólica.
— Você ousou me bater?
No momento seguinte, ela avançou como uma louca. Sem tempo para reagir, Alice apenas conseguiu proteger Pietro instintivamente, mas acabou sendo empurrada por Bárbara para dentro do lago.
À noite, a água do lago era gelada e cortante. O ombro de Alice raspou violentamente contra a parede de pedra da margem, começando a sangrar profusamente. Pietro, apavorado, correu para dentro de casa chorando. Bárbara ficou à beira da água rindo, com um brilho cruel em seus belos olhos.
— Tente lutar comigo de novo! Veja bem quem você é! É melhor rezar para segurar firme esse cargo de Jovem Madame, pois estou esperando o dia em que você será chutada para fora desta casa!
Dito isso, ela se retirou triunfante. Alice subiu a margem com dificuldade, segurando o ombro ensanguentado. O sangue escorria por seu braço alvo, pingando no chão. Frio... tanto frio... Ela ainda não havia se recuperado totalmente do resfriado anterior; temia que desta vez fosse piorar.
Nesse momento, Arthur aproximou-se. Ele vira Pietro entrar correndo e chorando, por isso viera verificar, mas não esperava encontrar aquela cena.
— O que aconteceu com você?
Alice não conseguia parar de tossir. Seu corpo tremia violentamente, fosse pela dor ou pelo frio.
— Cof, cof! A Bárbara me empurrou na água...
Arthur tirou o paletó e o colocou sobre os ombros dela. Pegou-a no colo e, ignorando os olhares atônitos dos convidados, subiu direto para o segundo andar.
— Tio Wu, chame o médico da família!
— Sim, patrão!
Dona Helena, ao ver a cena, também se assustou e subiu logo atrás.
— O que houve com a Alice? Como ela foi cair na água assim do nada?
O olhar de Arthur estava sombrio:
— Isso é algo que teremos que perguntar à Bárbara. Mãe, desça primeiro. Eu cuido de tudo aqui.
— Bárbara? — Helena murmurou o nome e, ao entender o que acontecera, fechou os punhos de raiva. — Ora essa! Atrever-se a maltratar minha nora assim!
Dito isso, desceu as escadas furiosa. Arthur trancou a porta, pegou roupas limpas para Alice e, ao retirar o paletó, viu o corte profundo em seu ombro. O sangue havia manchado todo o vestido branco. A expressão de Arthur tornou-se gélida ao extremo. Alice suava frio de tanta dor.
— Saia, por favor. Eu mesma troco a roupa.
Assim que ela tentou pegar a roupa, uma dor aguda atingiu seu ombro. Ela não conteve um grito de dor e agarrou o pulso de Arthur com força.
— Dói muito!
Arthur a ajudou a se encostar na cabeceira da cama com cuidado.
— Não se mexa. Eu faço isso.
Alice, temendo abrir ainda mais a ferida, apenas assentiu. Embora já tivessem tido intimidade, a ideia de ele trocá-la ainda a deixava envergonhada. O corpo da garota era imaculado; Arthur não hesitou, agindo de forma rápida e gentil. Logo a troca estava feita.
Bateram à porta. Era o médico. Ele analisou a ferida e começou a desinfecção e a sutura. Mesmo com a anestesia local, Alice sentia cada agulhada como uma dor penetrante. Arthur sentou-se ao lado dela, servindo de apoio. Alice encostou a cabeça no ombro dele, cravando as unhas nas próprias mãos, com o suor ensopando sua roupa.
Terminado o procedimento, o médico deixou os medicamentos.
— Patrão, a Jovem Madame está com febre. Estes são os remédios para febre e inflamação. Lembre-se de ministrá-los em breve.
Arthur assentiu e o médico saiu. Ele trouxe água quente, ajudou Alice a tomar os remédios e a acomodou na cama sob as cobertas antes de descer.
Lá embaixo, Helena aproximou-se de Pietro e perguntou baixinho:
— Pietro, conte para a vovó: o que aconteceu lá fora?
O pequeno já parara de chorar, mas continuava agarrado ao pescoço da mãe, Renata. Sua voz saiu tímida enquanto apontava para Bárbara:
— Eu estava brincando de pedrinhas com a titia Alice, e aquela moça empurrou ela no rio.
O salão entrou em polvorosa. Todos os olhares se voltaram para Bárbara. Renata explodiu:
— Então foi isso! Com razão a Alice estava naquele estado! Foi você quem armou tudo! Nós os convidamos por cortesia, não para virem aqui se comportar como selvagens!
Bárbara mantinha uma expressão de indiferença:
— Foi só uma brincadeira com a cunhada. Quem diria que ela era tão desajeitada a ponto de cair na água?
Cecília também tentou defender a filha:
— Essa menina sempre foi meio exagerada... foi só uma brincadeira...
— Uma brincadeira? — Helena deu uma risada de escárnio e avançou.
Ela agarrou Bárbara pelos cabelos e desferiu-lhe um tapa. Bárbara gritou e caiu no chão. Todos ficaram em choque, temendo pela moça.
— Eu também estou brincando com ela. Espero que a senhora não se importe, Sra. Cecília.
— Você! Como pode bater nela assim? Que absurdo! — Cecília acudiu a filha. O rosto de Bárbara, que já estava inchado pelo tapa de Alice, agora estava pior.
— No jardim da minha casa, ousar maltratar minha nora? Onde conseguiram tamanha audácia? Já que vocês não sabem educar a própria filha, eu farei isso! Vou ensiná-la o que é respeitar os mais velhos! Rezem para que minha nora fique bem, ou eu não os perdoarei!
O Sr. Ricardo também estava furioso, mas como patriarca, manteve a compostura sem usar a força física.
— Amigo Wilson, acho melhor você levar sua filha para casa e dar a ela a educação que falta. A casa dos Qin não é lugar para os seus caprichos!
Wilson, sabendo que estava errado, baixou a cabeça:
— Sim, sim! Vou educá-la devidamente ao chegar em casa!
Arthur desceu as escadas nesse momento. Pensando no ferimento de Alice, seu rosto estava ainda mais sombrio.
— Sumam daqui imediatamente! Ou querem que eu mande alguém retirá-los à força?
— Já estamos indo, já estamos indo — disse Wilson, puxando Bárbara. — Sinto muito, amigo Ricardo. Vou cuidar dessa menina.
Os três saíram do jardim cabisbaixos, como ratos acuados.
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