"A Noiva Substituta do Magnata" Capítulo 14: Vá Dormir na Cama
Capítulo 14: Vá Dormir na Cama
A porta da sala de cirurgia abriu-se subitamente. Lucas e vários médicos saíram. Alice correu até eles, lançando um olhar para o interior da sala, mas recuou os olhos logo em seguida, como se temesse o que poderia ver.
— Doutor, minha mãe... — Ela fechou os olhos, e as lágrimas escorreram silenciosamente, como se estivesse esperando a sentença de morte.
Lucas retirou a máscara.
— O estado físico da Sra. Jiang é muito crítico. Ela terá que ficar na UTI e, por enquanto, só podemos mantê-la viva através de aparelhos. Embora tenhamos conseguido reanimá-la desta vez, se a condição continuar a piorar...
Ele não terminou a frase, mas todos os presentes entenderam o que ele quis dizer.
— Entendo. Obrigada, doutor. — Alice limpou as lágrimas, esforçando-se para recuperar um pouco de ânimo. Ela caminhou até a porta da Unidade de Terapia Intensiva e ficou olhando fixamente para a mãe através do vidro espesso. A Sra. Jiang estava cercada de instrumentos, pálida e em um sono profundo.
No consultório médico, Lucas tirava a roupa cirúrgica e lavava as mãos.
— Não há mesmo nada a fazer? — Arthur estava sentado em um canto, observando o amigo.
Lucas virou-se e abriu os braços em um gesto de impotência.
— Não há como. Seus órgãos internos sofreram danos severos; calculo que foram causados por impactos repetidos do veículo. Se ela vai sobreviver... — Lucas apontou para o teto. — Só depende da vontade divina.
— Impactos repetidos? — O olhar de Arthur tornou-se sombrio.
— Você não sabia? Os pais da Alice sofreram um acidente terrível. O pai morreu na hora. O atropelamento aconteceu em um ponto cego das câmeras de segurança e, até agora, não há pistas. Eu suspeito que alguém tenha batido neles de propósito.
Lucas deu de ombros, indicando que também não tinha certeza dos detalhes. Um brilho gélido passou pelos olhos de Arthur. "Os pais de Alice foram feridos intencionalmente? Quem teria audácia de chegar a esse ponto?", pensou.
— Mas eu conheço um professor da Universidade H — continuou Lucas. — Ele parece ter muitas pesquisas sobre casos como o da Sra. Jiang. Quer que eu tente chamá-lo?
— Traga-o — disse Arthur, de forma curta e grossa, com um tom que não admitia questionamentos.
Lucas piscou, com uma expressão provocadora.
— Ouvi dizer que os honorários desse professor não são nada baixos. Tem certeza, Arthur?
Arthur lançou-lhe um olhar afiado como uma lâmina.
— Menos conversa.
— Hahaha! Pelo visto, você se importa bastante com essa sua esposinha. Fique tranquilo, vou procurá-lo amanhã mesmo.
Arthur levantou-se. Seu rosto de traços marcados estava sem expressão, mas emanava uma frieza implacável.
— Tenho coisas a fazer. Vou indo.
— Ei! Não vai ficar para conversar mais? Que cara mais ingrato... troca os amigos por mulher...
Na porta da UTI, Alice encostou-se no vidro, sentindo uma tontura. Seu corpo alternava entre calafrios e ondas de calor. Por um instante, o mundo pareceu girar e, no segundo seguinte, mãos firmes ampararam suas costas. Ao ver Arthur, Alice endireitou o corpo imediatamente.
— Sinto muito por ter atrapalhado seu trabalho hoje.
O rosto dela tinha um tom avermelhado anormal e seus olhos estavam inchados como nozes. Arthur encostou a ponta dos dedos na testa dela; seus dedos estavam gelados.
— Você está com febre.
— Febre? — Alice tocou a própria testa. Parecia, de fato, mais quente que o normal. — Não é nada. Vou tomar um remédio quando voltar e ficarei bem. Posso não voltar para a empresa hoje? Queria ficar aqui com a minha mãe...
Arthur olhou para ela. Seus olhos tranquilos não revelavam nenhuma emoção.
— Como quiser.
Um leve sorriso surgiu no rosto de Alice.
— Obrigada, Arthur.
Foi a primeira vez que ela sorriu para ele. Aqueles olhos, claros como água mas envoltos em uma leve névoa, e o rostinho sujo de tanto chorar, despertavam um desejo instintivo de protegê-la. Arthur fixou o olhar nela por alguns segundos, com uma frieza que parecia querer atravessar sua alma. Logo depois, desviou o olhar e saiu do hospital.
Ao anoitecer, Alice retornou à mansão Qin. Como chegou tarde e já havia passado do horário do jantar, ela subiu direto para o quarto, não querendo incomodar os sogros. No sofá, ela se encolheu toda. Mesmo coberta por uma manta grossa, seu corpo não parava de tremer. Ela virava de um lado para o outro tentando achar uma posição confortável, mas cada movimento doía e sua garganta estava inflamada.
O som de sua inquietação impediu Arthur de dormir. Ele massageou as têmporas e sentou-se na cama.
— Alice, o que você está fazendo que não dorme?
Alice apertou os braços contra o corpo, tentando não fazer barulho.
— Desculpe por te acordar. Pode dormir, prometo não fazer mais som nenhum. — Sua voz estava anasalada e pesada.
— Venha para a cama — disse Arthur, afastando-se para o lado e liberando metade do colchão.
— O quê? Não precisa. Eu durmo bem no sofá, não preciso ir para a cama...
Alice chegou a pensar se a febre não a estava fazendo alucinar. O que deu nesse homem para convidá-la para a cama por iniciativa própria?
— Você vai me obrigar a usar a força?
— O quê?
Arthur caminhou até o sofá. Alice viu apenas uma silhueta alta aproximando-se e, no instante seguinte, braços fortes a pegaram no colo com facilidade. A súbita perda de equilíbrio fez com que ela agarrasse o pescoço dele por instinto.
— O que está fazendo, Arthur? Me solte!
Arthur a colocou na cama, franzindo ainda mais o cenho.
— Você não tomou o remédio? — O corpo dela estava fervendo.
— Não achei onde estavam os remédios...
Arthur fechou os olhos. Como ela podia ser tão tonta? Minutos depois, ele voltou com comprimidos e um copo de água.
— Tome isso.
Alice colocou o remédio na boca e deu um gole na água, mas quase cuspiu tudo de tão quente que estava.
— Está queimando!
Arthur pegou o copo e provou; realmente estava quente demais. Ele soprou a água por um momento e entregou novamente a ela.
— Beba. Agora está morna.
O coração de Alice balançou. Quem diria que o gélido Arthur Qin poderia ter um lado tão atencioso? Após tomar o remédio, ela se sentiu um pouco melhor. A cama era larga e macia, muito mais confortável que o sofá. Arthur deitou-se ao lado dela.
— Durma. E não se mexa mais.
— Tá.
Alice respondeu baixinho. O cansaço a atingiu e, sob o efeito do remédio, ela logo caiu em um sono pesado. Arthur virou-se e observou o rosto sereno da garota ao seu lado. Ela exalava um suave perfume de gardênia que o convidava a se aproximar. Com o olhar profundo, ele acariciou levemente os lábios dela com a ponta dos dedos. Arthur respirou fundo, passou o braço pela cintura dela, trazendo-a para perto, e fechou os olhos.
Pela manhã, Alice abriu os olhos lentamente. Talvez por ter dormido na cama, ela se sentia descansada e muito melhor da febre. Para sua surpresa, Arthur ainda não havia acordado. O braço dele ainda envolvia sua cintura; eles estavam tão próximos que ela sentia a respiração rítmica dele.
Foi a primeira vez que Alice o observou de tão perto. O nariz era alto, os lábios finos estavam cerrados e os cílios escondiam seus olhos severos. Tinha que admitir: Arthur era realmente muito bonito. Alice estendeu a mão para tocar levemente seus cílios longos. Como se sentisse o toque, Arthur abriu os olhos devagar.
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