"O Erro do Magnata: Uma Noite para Sempre" Capítulo 52: A Anormalidade de Ricardo Holanda
Jasmine deu um suspiro de alívio.
Com um sorriso, ela se despediu dos colegas com um aceno.
O Secretário Silas acomodou os demais na sala de espera e seguiu com ela a sós para o escritório.
Jasmine foi direto ao ponto.
Silas franziu o cenho: — O contrato da Shengcai chegou ontem e está agora mesmo na mesa do Sr. Ricardo.
O coração de Jasmine saltou; o pior cenário havia se concretizado.
Essa colaboração só havia sido mantida por causa da insistência dela com Ricardo. Se ele visse um erro desse tipo, certamente ficaria furioso. Talvez fizesse tempestade em copo d'água e cancelasse tudo novamente.
Ao ver que Silas pretendia sair para pedir o contrato a Ricardo, Jasmine balançou a cabeça e o impediu.
— O erro foi do nosso lado, eu resolvo isso.
Ela não podia deixar que o Secretário Silas assumisse o risco.
Silas franziu a testa. Seu instinto era dizer que o Sr. Ricardo era implacável com falhas e que provavelmente estaria furioso, então seria melhor ele mesmo ir. Mas então ele se lembrou: a pessoa à sua frente era Jasmine.
Ele ouvira com os próprios ouvidos o patrão dizer que daria todos os seus bens a ela. Os assuntos entre ela e o Sr. Ricardo envolviam coisas demais; ele não devia se intrometer.
Assim, Silas assentiu prontamente e levou Jasmine pessoalmente até a porta do escritório presidencial.
A porta do escritório era composta por uma enorme parede de vidro opaco, impedindo que se visse o que acontecia lá dentro.
Assim que Silas se retirou, Jasmine bateu à porta e entrou.
Lá dentro, Ricardo estava de costas para ela, organizando papéis. No topo da pilha em suas mãos, estava nitidamente o contrato da Shengcai.
"Ah, ele já viu."
O fato de o contrato de ontem ainda estar no topo indicava que ele provavelmente estava furioso e não pretendia assinar. Ricardo sempre fora extremamente sério e meticuloso com o trabalho; ele detestava erros primários.
Jasmine sentiu um frio na espinha e, antes que pudesse falar, Ricardo ouviu o barulho e se virou.
— Jasmine? O que faz aqui?
— Sente-se.
Sua expressão não revelava se estava bravo ou não.
Jasmine não estava com paciência para jogos e perguntou diretamente:
— Você já terminou de assinar esses contratos?
— Sim.
Ricardo respondeu casualmente enquanto preparava pessoalmente uma xícara de café para ela.
Jasmine sentiu um formigamento no couro cabeludo.
No fim das contas, Ricardo nem percebeu o erro e assinou direto? Como ele podia estar tão descuidado com a revisão agora?
Em um gesto de impotência, ela virou o café de uma vez e avançou para puxar o contrato da mão dele.
— Este aqui está errado, não pode assinar.
— Oh? Onde está o erro?
Ricardo deixou a xícara de lado e aproximou-se dela para olharem juntos.
Eles estavam muito perto; o corpo quente do homem estava colado às costas dela, e sua respiração roçava seu pescoço. Em suas memórias, Jasmine estava acostumada a essa intimidade com ele. Ela chegou a inclinar-se para trás inconscientemente, apoiando-se no corpo de Ricardo.
De repente, sentiu um sobressalto ao perceber que não estavam mais no passado. Imediatamente, ela se empertigou.
— É bem aqui.
Ela folheou apressadamente o contrato até a coluna do preço unitário, e seus olhos se arregalaram.
O preço estava perfeitamente correto; não havia erro algum.
Atrás dela, veio a risada baixa de Ricardo.
— Você não achou que eu assinaria sem prestar atenção, achou?
— Eu mesmo já corrigi o contrato.
— Tsc.
Ricardo pareceu um pouco insatisfeito ao dizer isso: — Eu sou tão descuidado assim na sua opinião?
Jasmine ficou momentaneamente sem palavras.
— Desculpe, eu me enganei.
Ela largou o contrato e virou-se para ele: — O que você pretende fazer com um parceiro que comete esse tipo de erro?
— O que posso fazer?
Ricardo baixou o olhar, revelando aquela frieza indiferente típica de um homem de negócios.
O coração de Jasmine falhou uma batida.
Ricardo deu de ombros: — É um parceiro recomendado pela minha "esposa"; finjo que não vi e corrijo eu mesmo.
Jasmine abriu a boca, estupefata.
— Ob... obrigada.
Ela realmente não esperava que ele deixasse passar tão facilmente. Ele sempre fora muito zeloso com sua carreira; estaria mesmo tolerando um parceiro pouco confiável apenas por causa dela?
— Só um "obrigada"?
Ricardo olhou para ela: — Já é meio-dia, não pretende me convidar para almoçar?
Jasmine quase assentiu por instinto, mas logo franziu o cenho.
— Comer fora atrairia olhares.
— Podemos não comer fora.
Ricardo a conduziu para um cômodo dentro do escritório. A decoração ali era simples, com mesa, cadeiras e uma cama completa.
Sua voz era profunda, e o pomo de Adão pálido vibrava ao falar:
— Me acompanhe no almoço, por favor?
Antigamente, Jasmine não resistia quando ele pedia coisas com essa humildade. O amor do passado e o rancor de depois se entrelaçavam, dando-lhe vontade de fugir. Mas, como acabara de lhe causar um transtorno, ela assentiu.
No fim, ela disse que o convidaria, mas Ricardo já havia encomendado pratos luxuosos para serem entregues. Acabou que ela é quem ganhou um almoço dele.
Ricardo comia em silêncio; não tentou nada, nem falou de trabalho. Ele sempre fora assim: mal abria a boca durante as refeições. Mas, assim que terminava, costumava vir imediatamente abraçá-la.
E, de fato, assim que Ricardo largou os pauzinhos, aproximou-se dela naturalmente, querendo abraçá-la por reflexo. Seus braços pararam no ar.
— Tudo bem — disse Jasmine.
Ela não queria irritá-lo agora. Já que precisava dele, não seria capaz de recusar sequer um abraço.
Assim que ela permitiu, o corpo quente a envolveu em um abraço. Ricardo segurou o rosto dela e lhe deu um beijo estalado.
O rosto dela corou instantaneamente, e ela o empurrou.
— Eu não disse que podia me beijar.
Mesmo sendo empurrado, Ricardo não se irritou: — Você não disse que estava "tudo bem"?
Jasmine não imaginava que ele se aproximara apenas para beijá-la.
— Esquece.
Incapaz de dizer mais nada, ela olhou para o relógio.
— Preciso ir, não quero que eles suspeitem de nada.
Ao voltar à sala de espera, encontrou os colegas já almoçando. Silas, sempre precavido, não os deixaria esperando de estômago vazio.
Assim que Jasmine apareceu, todos olharam para ela ansiosos.
— E o contrato?
Jasmine caminhou até eles sorrindo.
— O contrato ainda não tinha chegado às mãos do Sr. Ricardo; o Secretário Silas ajudou a corrigir direto.
— Que alívio!
O grupo explodiu em euforia, puxando Jasmine para sentar e comer com eles.
— Nossa heroína! Nossa heroína!
Jasmine já estava satisfeita, mas, diante daquela comida nova, sentiu-se sem saída. Para não desconfiarem que ela já havia comido lá dentro, pegou os pauzinhos e comeu mais alguns pedaços.
Após o incidente, Jasmine percebeu que os colegas passaram a tratá-la com uma espécie de reverência mística. Talvez pelo fato de ela conhecer o Secretário Silas, aqueles que antes perguntavam sua idade para tentar apresentá-la a pretendentes pararam de tocar no assunto.
Com os ouvidos em paz, Jasmine estava de bom humor. Durante o descanso da tarde, desceu para comprar um café.
Ao sair da cafeteria, acabou esbarrando no Diretor Shen.
Ela conseguiu proteger o próprio café, mas um pouco do café de Shen respingou. Ele vestia um sobretudo de lã marrom e estava com o cabelo preto perfeitamente penteado, exalando um estilo "British elite". No entanto, agora havia uma mancha visível em seu casaco.
Jasmine ficou tensa e desculpou-se imediatamente.
— Mil desculpas, Diretor Shen. Quanto custou o casaco? Eu compro um novo para o senhor.
Ao ouvir isso, Shen Si-rong sorriu.
— Como eu poderia deixar você pagar?
Ele balançou a cabeça, sem parecer nem um pouco zangado: — Eu mesmo mando lavar e pronto.
— Deixe que eu levo para lavar.
Desta vez, Shen Si-rong não recusou; tirou o paletó e entregou a ela com um piscar de olhos.
— Muito obrigado, Srta. Jasmine.
Jasmine suspirou aliviada, segurando o casaco nos braços.
Enquanto caminhavam lado a lado de volta à empresa, ela avistou Ricardo na esquina. Ele estava parado, observando-os; era impossível saber há quanto tempo estava ali. Sua aparência era tão marcante que os transeuntes não paravam de olhá-lo, mas seus olhos estavam fixos apenas nela.
Jasmine franziu o cenho, temendo que ele ficasse bravo ou entendesse mal a situação com o Diretor Shen. Quando ia se aproximar para explicar, Shen olhou para Ricardo e, como se não o tivesse visto, checou o relógio.
— Temos uma reunião à tarde, começa em instantes. Preciso que você faça a tradução simultânea.
— Sim.
Tratando-se de trabalho, Jasmine deixou as preocupações de lado e seguiu Shen de volta.
No entanto, ela sentiu-se inquieta durante toda a reunião. Ricardo era, na verdade, um homem bastante ciumento. Antigamente, se ela chegasse um pouco mais perto de outro homem, ele não fazia nada contra ela superficialmente, mas ela sabia que ele ficava remoendo de raiva e acabava arranjando problemas para o rapaz. Às vezes, ele ficava tão enciumado que nem conseguia comer.
Se fosse a Jasmine de antes, ela não se importaria com os mal-entendidos dele. Mas agora ela tinha suas memórias de volta. Diante do amante a quem ela um dia decepcionou, mesmo que ele tivesse mudado muito, ela não queria que houvesse desentendidos desnecessários entre eles.
Assim, após o expediente, em vez de esperar que Ricardo fosse até ela para ver o filho, ela tomou a iniciativa rara de contatá-lo, dizendo que o esperaria no estacionamento da empresa dele.
De longe, avistou o homem elegante que se destacava na multidão. Ele vestia um sobretudo marrom escuro e o cabelo preto estava impecavelmente penteado para trás; no estacionamento, parecia um deus de tão bonito. Ele tinha traços que normalmente pareciam frios e distantes, mas agora seus olhos carregavam um sorriso. Isso suavizava sua aura agressiva, tornando-o devastadoramente belo.
Ricardo preferia preto; Jasmine raramente o via com cores assim e ficou hipnotizada por um momento.
Ricardo aproximou-se e olhou para o casaco que ela carregava na bolsa.
— Ficou parecido?
— Parecido com o quê? — Jasmine não entendeu de imediato.
— Quem ficou melhor vestido: eu ou ele?
Ricardo deu de ombros, e só então Jasmine percebeu que o casaco dele era quase idêntico ao do Sr. Shen. No entanto, ele era bem mais alto que Shen e tinha uma aura muito mais imponente e dominante.
Ao entender, ela sentiu-se impotente. Como ele ainda era o mesmo? Até nisso queria competir.
Sendo honesta, Ricardo ficava muito melhor, mas ela fez beicinho.
— Por que você está se comparando ao Sr. Shen?
— Eu simplesmente quero me comparar a ele.
O tom de Ricardo era idêntico ao do adolescente de anos atrás, sem um pingo de maturidade.
— E se eu disser que o Sr. Shen é mais bonito? — provocou Jasmine.
— Então eu serei um imitador. Vou me vestir igual a ele todos os dias até você admitir que eu sou mais bonito.
— Está bem, está bem... você é mais bonito.
Jasmine realmente não sabia o que fazer com ele.
Quando ia entrar no carro, ele lhe entregou um café quente.
Ao ver a embalagem, ela virou-se surpresa.
— A loja não fecha à tarde? Como você conseguiu?
Ela sempre amou o café da cafeteria no térreo, mas o dono era excêntrico e fechava em horários aleatórios. Àquela hora, era impossível comprar.
— Eu comprei a cafeteria — disse Ricardo, com a naturalidade de quem diz que comprou apenas um café. — Agora, você pode beber sempre que quiser.
Jasmine parou o movimento de abrir o café e ficou estática no lugar.
No dia seguinte.
Como o contrato com a Shengcai fora finalmente selado, o Diretor Shen estava radiante e organizou um jantar para toda a equipe.
Todos beberam bastante. Jasmine, por ter ajudado muito e demonstrado ter boas conexões, recebeu vários brindes de colegas. Ela, em tese, poderia não beber, mas ficou sem jeito de recusar totalmente e acabou dando um gole em cada brinde.
Uma coisa levou à outra e ela acabou bebendo demais. No meio do jantar, já estava debruçada na mesa, incapaz de levantar.
Bianca, vendo que ela estava bêbada, aproximou-se para ajudá-la.
— Deixe que eu levo a Jasmine para casa.
Antes que ela pudesse tocá-la, uma voz suave e agradável soou atrás dela:
— Eu a levo.
Todos ficaram surpresos. O Diretor Shen queria levar Jasmine para casa.
Diante de todos, Shen a amparou; os dois pareciam um par perfeito, como saídos de um filme. Os outros trocaram sorrisos cúmplices.
— Claro, fica por conta do Diretor Shen, então.
— Com razão o Diretor não tomou nem um gole de álcool.
Shen Si-rong apenas sorriu diante das brincadeiras e conduziu a frágil Jasmine para fora.
Assim que cruzaram a porta, uma figura alta bloqueou o caminho.
— Não precisa se incomodar, Diretor Shen.
Ricardo surgiu do nada, sendo consideravelmente mais alto que Shen, e estendeu a mão para levar Jasmine de forma irrefutável.
Shen Si-rong franziu o cenho e não recuou.
— Eu não sabia que o Sr. Ricardo tinha o hábito de seguir as pessoas. Este é um jantar da nossa empresa, e é minha responsabilidade entregá-la em segurança em sua casa.
Os dois discutiam enquanto Jasmine permanecia com a cabeça baixa, zonza. Longe dos olhos dela, Ricardo não tinha nada daquela aparência gentil e maleável de antes. Ele olhava para Shen Si-rong não como um parceiro de negócios, mas como um pobre coitado de classe inferior.
Ele ignorou solenemente as palavras de Shen e avançou para pegar Jasmine. Ele era tão imponente e agressivo que, se houvesse uma criança ali, provavelmente começaria a chorar de medo.
Shen Si-rong, pensando na casa de Jasmine e no filho dela, franziu a testa novamente.
— Eu não vou deixar você se aproximar dela e da criança, você é...
Ricardo finalmente falou:
— A criança é meu filho.
Essa frase curta e seca deixou Shen estático.
— Você...
Tudo o que ele ia dizer ficou preso na garganta. Ele nunca imaginaria que o filho de Jasmine fosse, na verdade, de Ricardo Holanda. Como pai da criança, ele parecia ter muito mais direito de levá-la.
— Mas ela claramente não gosta mais de você! — Shen disse, com a respiração acelerada. — Você não pode deixá-la em paz?
— Não gosta? — Ricardo ergueu o olhar, encarando-o seriamente pela primeira vez. — Por acaso você acha que ela gosta de você? Nós nos conhecemos há oito anos; vocês se conhecem há oito dias?
Enquanto Shen estava em choque, Jasmine foi tomada com firmeza pelo abraço de Ricardo. Ao sentir o corpo macio em seus braços, a agressividade no olhar dele se dissolveu.
Ele se despediu de Shen Si-rong uma última vez:
— Diretor Shen, obrigado por cuidar da minha esposa hoje. Em breve, nós dois faremos uma visita para agradecer formalmente.
Soou como uma despedida, mas parecia mais uma provocação. Shen Si-rong ficou parado no lugar, sentindo-se desolado enquanto via Ricardo levá-la.
Jasmine raramente ficava bêbada porque quase nunca bebia. Desta vez, querendo ganhar coragem para o ambiente de trabalho, acabou bebendo, sem imaginar que continuava tão sensível ao álcool. Ela dormiu profundamente na cama, quase inconsciente.
Somente na segunda metade da noite é que abriu os olhos lentamente.
Um quarto estranho, porém familiar, surgiu diante de seus olhos. Ela sentou-se, confusa. Tinha certeza de que nunca estivera naquele quarto, mas tudo parecia conhecido: as cortinas escuras, os lençóis bege e o criado-mudo de madeira. Aquele quarto era quase idêntico ao que ela ocupava na Alemanha.
Ao avistar as roupas masculinas escuras no armário, ela finalmente teve certeza de que não era um sonho. Aquele era o quarto de Ricardo. Então fora ele quem a trouxera? Como ele sabia do jantar da empresa?
Sem entender o que acontecera, o que mais a surpreendeu foi notar que estava sozinha no quarto; Ricardo não estava lá. Estranho... ele estaria disposto a deixá-la dormir sozinha na suíte principal enquanto ele saía? Ou estaria apenas no banheiro?
Confusa, Jasmine fez menção de levantar para olhar, mas no instante seguinte baixou a cabeça, estupefata. Ela estranhara o fato de ter acordado sentindo-se tão limpa e fresca.
Suas roupas haviam sido trocadas; agora ela vestia uma camisola de seda verde-escura.
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