"O Erro do Magnata: Uma Noite para Sempre" Capítulo 34: A Borboleta Impostora é Exposta
Ao pensar nisso, ela teve um estalo súbito.
"Não será que o Ricardo achou a minha tatuagem bonita e quis tatuar uma igual para me agradar?"
Quanto mais Isabella pensava, mais sentido fazia. Afinal, Ricardo vivia olhando para a tatuagem dela. Além disso, ele andava em falta com ela nos últimos dias; após ignorá-la bêbado na noite anterior, devia estar arrependido agora. Embora tal gesto não parecesse algo que Ricardo faria, ela não conseguia evitar a expectativa.
Afinal, ela era a "mulher ideal" dele. Agora que aceitara que ele criasse o filho, Ricardo teria que lhe dar algumas vantagens em troca. Nesses dias, mesmo que ela passasse um pouco dos limites, Ricardo certamente não diria nada, muito menos por trazer alguns amigos em casa.
Ao ver aquele grupo de herdeiros boquiabertos, ela sentiu um orgulho imenso. Até o humor azedo dos últimos dias por causa das brigas com Ricardo melhorou consideravelmente. Ela não era mais aquela caipira que acabara de ser reconhecida pela família Lima; agora, ela era a pessoa que mostrava o mundo para os outros.
Com um gesto largo, Isabella conduziu seu séquito de amigos bajuladores para dentro da vila. Embora Ricardo tivesse mania de limpeza e detestasse barulho, ele nunca a proibira de trazer amigos para se divertir. A única exigência era que não trouxesse ninguém quando ele estivesse presente e que não subissem para os andares superiores. Para Isabella, isso era o de menos, já que as pessoas que ela queria humilhar estavam justamente no primeiro andar.
Antigamente, Isabella não trazia ninguém por achar que não valia a pena. Ricardo nunca estava em casa e não havia ninguém para quem ela pudesse se exibir. Mas agora era diferente; Jasmine estava ali. Se pudesse, ela faria questão de provocar Jasmine até que ela reagisse fisicamente. Quando Ricardo voltasse, ela faria uma denúncia terrível. Não importava quem estivesse certo ou errado, Ricardo sempre ficaria do lado dela.
O olhar de Isabella transbordava ódio enquanto ela encarava a porta fechada no centro do primeiro andar.
— Vocês sabem, o Ricardo só trouxe o garoto de volta por minha causa. Ele não quer que eu sofra as dores de um parto.
Ao ouvir isso, todos ao redor ficaram atônitos. "Não querer que ela sofra no parto..." Era quase impossível associar tais palavras a um homem tão frio e implacável quanto Ricardo Holanda. Mas o Sr. Ricardo realmente parecia mimá-la ao extremo. Ontem, eles chegaram a pensar que eles e suas famílias estavam acabados; passaram a noite em claro de pavor. Se não fosse Isabella garantindo que estava tudo bem, teriam vindo pedir perdão de joelhos.
E, ao acordar, viram que realmente nada aconteceu. Eles trataram Jasmine daquela forma, e o Sr. Ricardo nem se importou. O tratamento dado às duas mulheres era como o céu e o inferno.
Nisso, alguém perguntou subitamente:
— E o garoto? Ele se dá bem com você?
Ao ouvir isso, Isabella ficou frustrada.
— Criança de um ano é um bicho teimoso, não obedece nada. Tia Wang, vá buscar o menino para que todos o vejam.
Essas palavras deixaram os jovens herdeiros lisonjeados. Aquele era o filho biológico do Sr. Ricardo. Ele sempre fora protegido a sete chaves e ninguém jamais o vira; agora eles teriam a honra de conhecê-lo. E, pelo tom de voz dela, não parecia que ia buscar uma criança, mas sim trazer um objeto qualquer. Parecia que o status de Isabella na casa era superior não apenas ao de Jasmine, mas ao do próprio filho legítimo.
Inúmeros olhares excitados voltaram-se para a silhueta de Jasmine. Ela abraçava o filho tentando voltar para o quarto, mas a Tia Wang bloqueava a porta, impedindo sua entrada. Aquela cena era assustadoramente parecida com o que acontecera dias atrás.
A postura de Jasmine estava rígida. Ela respirou fundo para se acalmar. Percebeu que errara; pensara de forma simples demais ao acreditar que bastaria se esconder. Agora ela sabia: sempre que Isabella estivesse sozinha em casa e encontrasse uma oportunidade, jamais deixaria ela e o filho em paz.
Ela não podia mais ficar esperando a morte. Podiam maltratá-la, mas ela não permitiria que Isabella atacasse seu filho repetidas vezes. A Tia Wang, temendo machucar a criança, tentava persuadi-la:
— É só para o menino ver os amigos da Srta. Isabella, logo devolvemos para a senhora.
Jasmine não se moveu. Da última vez, eles ousaram usar de força bruta porque sabiam que Ricardo não dava a mínima para o filho. Mas agora era diferente. Mesmo sabendo que Ricardo preferia Isabella, como líder da família Holanda, ele dificilmente permitiria que estranhos tocassem em seu filho dentro de sua própria casa.
Ela fixou o olhar na Tia Wang e, enquanto segurava o filho com um braço, usou a outra mão para discar um número.
Dentro do estúdio de tatuagem.
A figura alta de Ricardo estava contra a luz, com o osso da sobrancelha projetando uma sombra densa sobre seus cílios. Quando ele olhava para alguém sem expressão, sua agressividade intensa tornava o ambiente claustrofóbico. Mesmo com traços de uma beleza divina, ninguém ousava encará-lo.
O dono da loja, apesar de ser um homem robusto e tatuado, estava mudo sob a pressão da aura do homem à sua frente. Ricardo estava com um humor péssimo. Sempre que bebia, ele reencontrava a "ela" do passado. Não importava se no sonho ela ficava ou partia; para ele, eram sonhos preciosos. O sonho da noite anterior, inclusive, fora tão real que até ele mal conseguia distinguir da realidade.
Mas, ao acordar do sonho, o que ele enfrentava ainda era Isabella. Um vazio imenso e uma desolação quase o engoliam. Ele não podia esperar mais nenhum segundo; precisava do resultado.
Logo, o Secretário Silas adiantou-se e mostrou uma foto.
— Esta mulher já esteve no seu estúdio?
Sob o peso do olhar opressor de Ricardo, o tatuador baixou a cabeça, tenso. Ele queria desesperadamente dizer algo útil para que aquele cliente VIP fosse embora logo. No entanto, a mulher na foto era comum demais; com tantos clientes na loja, ele realmente não conseguia se lembrar.
Com o rosto amargurado, ele disse:
— Sinto muito, eu realmente esqueci. São muitos clientes, não consigo recordar.
— Sr. Ricardo, que tipo de tatuagem ela fez? — perguntou Silas. Ele também não sabia qual era o desenho e olhou para o patrão. Silas duvidava que Ricardo responderia. Afinal, em todos esses anos, ninguém soube como era a tatuagem da mulher que ele amava.
Achando que ele permaneceria em silêncio, Silas já pensava em outros métodos de investigação. Mas, após um longo silêncio, Ricardo finalmente falou:
— Uma borboleta. — A voz do homem era baixa e fria, carregada de uma repressão intensa. — Uma borboleta agonizante.
Quase no instante em que as palavras foram ditas, o dono da loja deu um pulo.
— Lembrei! Foi ela quem veio tatuar! Esse estilo é muito específico.
O tatuador finalmente recordou, pois poucas pessoas tatuariam um padrão assim no corpo. Agonia, desespero, como se a vida estivesse por um fio. Mas a mulher que viera era toda sorridente, nada parecida com alguém que escolheria aquele desenho.
Sem tempo para notar o brilho no olhar do homem à sua frente, o tatuador buscou imediatamente um registro da loja.
— Eu tirei uma foto logo após terminar.
A foto foi entregue a Ricardo. O desenho recém-feito deixara a pele ao redor de Isabella irritada e vermelha. Aquela borboleta negra e ressecada que, em sua memória, deveria repousar silenciosa em um mundo de brancura de neve, agora parecia jogada em uma poça de sangue.
Parecia, mais do que nunca, uma impostora.
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