"O Erro do Magnata: Uma Noite para Sempre" Capítulo 14: Crueldade
Isabella observava curiosa as costas do velho Sr. Antônio enquanto ele se afastava apressadamente.
— Ricardo, o vovô está se sentindo mal?
— Não.
Ricardo não pretendia estragar a noite com assuntos desagradáveis; ele nunca se importava com pessoas irrelevantes. No entanto, Isabella tomou a iniciativa de mencionar:
— A Jasmine não está morando aqui na mansão? Eu ainda queria vê-la hoje à noite.
Isabella falou com cautela, esforçando-se para suprimir a alegria em sua voz. Em um dia tão importante, era essencial que a pessoa que ela mais detestava estivesse presente para testemunhar sua glória.
Porém, Ricardo não se deixava levar por aquele teatro de "carinho fraternal". Embora a mimasse, ele não cedia a todos os seus caprichos. Pelo contrário, nos últimos dias, ele tentara orientá-la, esperando que ela amadurecesse. Talvez por sentir que a personalidade dela mudara drasticamente, ele a considerava imatura. Isabella sentia que Ricardo escondia muitas coisas, talvez por perceber que ela não se lembrava do passado e preferir não confrontá-la por enquanto.
Ela suspeitava até que pudesse tê-lo maltratado antigamente. Sabendo que seus pequenos truques não o enganariam, ela resolveu fazer birra, insistindo que precisava ver Jasmine. Com o rosto ainda marcado por cicatrizes, a pele bronzeada e o vestido verde, seus gestos de manha não eram visualmente agradáveis.
Mas Ricardo a observava fixamente, como se seu olhar atravessasse aquela cena para imaginar algo distante. Ele projetou a situação em suas memórias e achou a atitude quase adorável. Seu olhar suavizou e ele sorriu.
Muitos convidados ficaram surpresos ao ver o gélido Sr. Ricardo sorrir de forma tão terna para Isabella. O tratamento dado a uma "mulher dos sonhos" de juventude era realmente diferenciado. Apenas Isabella, embora aproveitasse a atenção, sentiu uma ponta de dúvida: "Do que ele está rindo?".
Ela não teve tempo de refletir. O Secretário Si aproximou-se e sussurrou no ouvido de Ricardo sobre o acidente de Jasmine. Isabella quase soltou uma gargalhada de triunfo. Cobrindo a boca rapidamente, ela perguntou o caminho e correu em direção ao local do acidente.
"Perfeito!", pensava Isabella. Jasmine caindo do segundo andar justo no dia mais importante dela? O bebê provavelmente já era. "Que maravilha!". Mas ela precisava ver o aborto com os próprios olhos.
Ricardo a seguiu, enquanto a Assistente Sun e o Secretário Si também corriam para o jardim dos fundos. A mansão ancestral ficava em uma propriedade vasta e, como havia chovido recentemente, o solo estava lamacento e difícil de caminhar.
Isabella estava tão ansiosa pelo sofrimento de Jasmine que correu depressa demais. Ao dobrar um corredor, viu Jasmine caída no chão, com o rosto ensanguentado. O entusiasmo foi tanto que ela acabou torcendo o pé.
— Ai! — gritou ela, embora a dor fosse mínima.
O barulho ao redor fez Jasmine abrir os olhos com dificuldade. Ela ainda apertava um pedaço de tecido rasgado na mão. Desde que engravidara, sentia muito sono e passara o dia dormindo. No estado entre o sono e a vigília, alguém a empurrara da cama; por instinto, ela agarrou a bainha da roupa da pessoa. O tecido não resistira e rasgara, mas o esforço servira para amortecer a queda. Caso contrário, teria caído direto sobre o ventre.
Mesmo assim, ela sentia tontura e percebia o sangue escorrendo pela testa. O impacto violento fizera sua visão turvar, despertando memórias que pareciam seladas no fundo de sua mente. Por um breve instante, ela visualizou algo: um céu azul quente e o mar, enquanto uma mão longa e clara segurava a sua.
Em sua visão periférica, seu vestido esvoaçava. A mão do rapaz era grande e quente, com a timidez típica de quem ainda não atingira a maturidade total; ele se inclinava para limpar suavemente a areia de seus pés. Mesmo sendo apenas um relance, ela pôde sentir o fervor daquele cuidado e carinho. Parecia que, há muito tempo, alguém a amara de verdade.
Os cílios de Jasmine tremeram e sua visão caótica começou a clarear. Ela achou que veria novamente aquelas mãos gentis. Mas tudo não passava de uma ilusão. O dono daquelas mãos era agora um homem de uma crueldade absoluta, que sequer lhe dirigiu o olhar.
Isabella continuava gritando, segurando o pé torcido. A expressão de Ricardo aterrorizou a todos. Ele correu em direção a Isabella com um desespero cego. Parecia uma fera prestes a explodir, com os olhos injetados de sangue, incapaz de suportar a ideia de perdê-la novamente.
Ele a pegou nos braços e saiu sem olhar para trás, levando consigo todos os médicos da família e proibindo qualquer um de se desviar para ajudar outra pessoa. Ricardo não se importava se Jasmine viveria ou morreria. Para ele, Isabella se machucara por culpa dela.
Jasmine permanecia caída no chão, ensanguentada. Seu belo rosto estava pálido pela perda de sangue, criando uma imagem de beleza trágica. O pequeno calor que sentira em sua memória fora implacavelmente estraçalhado. A realidade era o que estava diante dela.
Até o Secretário Si sentiu pena, olhando para trás repetidas vezes. Mesmo tendo percorrido o mundo atrás da amada de Ricardo e visto muitas mulheres, ele nunca vira ninguém tão deslumbrante quanto Jasmine. Ele não entendia como ela conhecera o patrão ou por que era tão detestada por ele agora. Infelizmente, diante da fúria de Ricardo, ele não ousava ajudá-la.
Jasmine viu Ricardo e os médicos se afastarem apenas para tratar um pé torcido. "Como pode existir alguém tão detestável?", pensou. Ela sentia dor na cabeça, no corpo e, principalmente, no coração. Jasmine não era uma pessoa sem fibra. Por mais alto que fosse o status de Ricardo, ela não suportava mais ser humilhada repetidamente e deixada para morrer.
Por que alguém podia ser tão egoísta e frio? Se ele amava tanto a Isabella, por que a tocara naquele hotel? E por que a torturava agora? Talvez quem a empurrara hoje tivesse sido o próprio Ricardo.
Observando as costas deles desaparecendo ao longe, ela sentiu, pela primeira vez na vida, um desejo feroz de manter aquela criança. Queria que o bebê fosse realmente de Ricardo. Queria que seu filho estivesse presente todos os dias diante dele. Queria que Ricardo tivesse apenas esse herdeiro, para que, por mais que ele a odiasse, o filho dela ficasse com todo o seu patrimônio e legado.
Dentro do carro, Isabella estava cercada por médicos. Na verdade, seu pé já não doía mais, mas ela continuava a gemer de forma dengosa, garantindo que nenhum médico fosse socorrer Jasmine. O ideal seria que Jasmine ficasse lá jogada até que o bebê morresse.
— Ricardo, minha irmã ainda está grávida do seu filho. Como ela pôde ser tão descuidada? Se algo acontecer com o bebê, o que faremos? — dizia Isabella, fingindo preocupação, enquanto debochava internamente. "Jasmine achou que usaria o papel de vítima para seduzir o Ricardo? Hahaha, ele só tem olhos para mim!".
Isabella sentia que não precisava mais se preocupar com o futuro. Após o teatro inicial, ela revelou seu verdadeiro desejo:
— No futuro, eu darei um filho para você. — Ela inclinou a cabeça, sorrindo para Ricardo, esperando que ele ficasse radiante. Afinal, qualquer homem ficaria feliz ao ouvir a mulher amada dizer que quer ter um filho seu. Além disso, achava Ricardo contido demais; nos últimos dias, ela tentara dar algumas indiretas, mas ele não reagira. "Que tédio! Não sei como a Jasmine conseguiu levá-lo para a cama", pensava.
Para sua surpresa, assim que terminou de falar, a preocupação no rosto de Ricardo travou bruscamente. Ele ergueu a cabeça e a encarou de repente.
"O que houve?", pensou ela. Ricardo tinha feições que podiam ser intimidadoras, mas ele sempre a olhara com doçura. Isabella costumava se perder naquela beleza estonteante, mas agora, sob aquele olhar fixo e sem filtros, ela sentiu medo. Seria raiva? Por que ele estaria bravo? Ele não queria um filho dela?
Isabella, por mais arrogante que fosse, não conseguia sustentar o olhar diante da intensidade de Ricardo. Felizmente, ele logo baixou a cabeça.
— Você disse uma vez que não queria ter filhos. Você não se lembra da maior parte do passado; agora está tomando uma decisão impulsiva e imatura. Pense melhor sobre isso. Se não tivermos filhos, tudo bem. Eu não me importo.
Ricardo terminou de falar e se afastou para buscar gaze pessoalmente. Isabella continuou sentada sendo atendida pelos médicos, sentindo uma raiva que a fazia querer chutar a cadeira. "Maldição! Quando foi que eu disse que não queria filhos? Será que foi algum comentário aleatório que ele guardou?".
Sem um filho, como ela poderia garantir sua posição como a Sra. Holanda? Ricardo era incompreensível: não achava as decisões de infância dela infantis, mas vivia dizendo que ela era imatura agora. Por que ele se apegava tanto à versão antiga dela?
E se a Jasmine não sofresse o aborto? Ele falara em "ficar com o filho e descartar a mãe", mas por que Jasmine daria um herdeiro aos Holanda e ela não? Os pais biológicos dela já haviam sustentado Jasmine por anos. Agora que ela finalmente entrara na elite, ainda teria que criar o filho da irmã? Isabella sentiu uma frustração imensa e uma urgência crescente. Ela percebeu que não conseguia mudar a mente de Ricardo. A convivência desses dias a fazia sentir que nunca o entenderia de verdade; às vezes tinha a impressão de que ele a amava através de uma "casca", como se o amor fosse direcionado a outra pessoa. Isso a deixava inquieta.
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