"Renascida das Profundezas: A Vingança de Um Coração Partido" CAPÍTULO 16
Um homem vestindo o uniforme da equipe de resgate entrou no salão. Ele era alto e ostentava uma expressão gélida. Era Ricardo.
Ele caminhou direto para o centro do tapete vermelho, percorreu o ambiente com o olhar e, por fim, fixou seus olhos em Letícia, que estava pálida como um papel.
— Senhorita Letícia — ele começou, sua voz ecoando por todo o recinto através do microfone.
— Já entregamos à polícia todas as evidências sobre sua conluio com o grupo de piratas, o planejamento do ataque ao navio e a tentativa de homicídio contra a Senhorita Clara.
Ele ergueu um pen drive:
— Isso inclui registros de transferências bancárias, gravações de comunicações e o depoimento do líder dos piratas.
O som das sirenes de polícia aproximou-se rapidamente. Vários policiais entraram no salão e caminharam diretamente até Letícia.
— Senhorita Letícia, a senhora é suspeita de homicídio doloso, associação criminosa com bandidos, fraude de grande valor, entre outros crimes. Por favor, acompanhe-nos.
Quando as algemas foram fechadas em seus pulsos, Letícia finalmente desmoronou. Ela se debateu, olhando desesperada para Bernardo:
— Bernardo! Me salve! Eu te amo!
Bernardo ficou parado no mesmo lugar, imóvel. Ele observou Letícia ser levada pelos policiais, viu os olhares de choque e desprezo dos convidados, e contemplou o chão coberto de rosas e os pedaços do véu de noiva rasgado. Então, ele ergueu a cabeça e olhou para Ricardo.
— Onde ela está? — ele perguntou, com a voz seca. — Onde está a Clara?
Ricardo o encarou. Não havia compaixão em seu olhar, apenas um julgamento frio.
— Senhor Bernardo — disse ele.
— A Clara disse que não tem mais nenhuma relação com você. No momento em que você a jogou ao mar com as próprias mãos, tudo entre vocês acabou.
Dito isso, Ricardo virou-se e foi embora, sem dedicar nem mais um olhar a Bernardo.
— Minha filha... minha filha! — Os pais de Clara não suportaram o baque e caíram no choro.
Bernardo permanecia no centro do tapete vermelho, em meio aos restos daquele casamento desastroso. Ele lembrou-se subitamente de que Clara não dissera uma única palavra antes de cair no mar.
— Com razão... — ele murmurou.
— Foi porque ela já havia desistido de mim completamente?
Enquanto isso, longe dali, na Ilha do Luar, Clara estava de pé à beira-mar, observando o pôr do sol mergulhar no horizonte.
O vento soprava seus longos cabelos. Ela fechou os olhos e respirou fundo.
Não havia mais correntes atrás dela, nem abismos à frente. Apenas um mar novo e vasto.
Sala de visitas do centro de detenção.
Letícia vestia o uniforme laranja de prisioneira. Estava sem maquiagem e com o cabelo desgrenhado.
Ao ver Bernardo do outro lado do vidro, seus olhos brilharam instantaneamente e ela avançou contra o vidro, batendo com as mãos.
— Bernardo! Você veio! Eu sabia que viria me salvar! — Sua voz saiu pelo interfone, chorosa e urgente: — Eu sou inocente! Aquela maldita da Clara me armou uma cilada! Ela tem inveja de mim, me odeia por eu ter conquistado você, por isso falsificou as provas! Bernardo, você precisa acreditar em mim. Eu te amo tanto, como eu faria essas coisas?
Bernardo estava sentado silenciosamente do outro lado. Ele parecia exausto, com os olhos injetados de sangue.
Parecia alguém que teve a alma drenada, exceto por seus olhos, que encaravam Letícia fixamente. Letícia, vendo que ele não respondia, ficou ainda mais ansiosa, e as lágrimas começaram a rolar:
— Bernardo, diga alguma coisa! Me ajude, contrate os melhores advogados para me tirar daqui! Quando eu sair, faremos o casamento de novo, eu te darei muitos filhos, nós vamos...
— Filhos? — Bernardo finalmente falou, com a voz rouca.
Ele tirou um documento da pasta e o jogou sobre a bancada em frente ao vidro. O papel deslizou até Letícia. Era um laudo de exame de fertilidade.
A expressão de Letícia congelou por um milésimo de segundo, mas logo ela agarrou o laudo e o rasgou em mil pedaços sem sequer ler.
— Mentira! Isso é falso! A Clara falsificou isso! Ela não suporta me ver bem! — Ela gritava, com uma voz estridente:
— Bernardo, eu carrego o seu sangue no meu ventre! Como você pode duvidar de mim? Naquela noite no navio, nós claramente...
— Eu sou estéril — Bernardo a interrompeu.
As três palavras foram como uma faca cravada nos ouvidos de Letícia. Ela ficou de boca aberta, todas as suas desculpas presas na garganta. Sua cor sumiu pouco a pouco, até ficar pálida como papel.
— O... o que você disse?
— A Clara escondeu isso de mim o tempo todo, para não ferir minha autoestima — Bernardo a encarava com uma mistura de dor e fúria absoluta.
— Só depois que ela "morreu" é que fiz um check-up completo. É congênito, não tem cura.
Ele se inclinou para frente, quase encostando a testa no vidro:
— Então, Letícia, me diga: de quem é esse filho que você carrega?
Letícia cambaleou para trás, as unhas cravando na borda da mesa até sangrar.
— Impossível, você está mentindo para mim...
— Ainda quer fingir?
Bernardo tirou uma pilha de fotos e as colou uma a uma no vidro. Eram todas de Letícia.
Aos doze anos, chorando ao tirar a boneca das mãos de Clara para jogá-la no lixo logo em seguida, sorrindo vitoriosa para uma empregada da família que tirava fotos escondida.
Aos quinze anos, deitada na cama de princesa de Clara tirando uma selfie com a legenda: "Finalmente consegui o que queria, aquela feiosa só merece dormir no sótão."
Aos dezoito anos, alterando secretamente a opção de faculdade de Clara no sistema e gravando a própria risada triunfante:
"A vaga na universidade de elite é minha, você que se vire em uma faculdade de quinta, irmãzinha."
Aos vinte e dois anos, segurando um teste de gravidez, sorrindo para um homem desconhecido ao telefone:
"Tudo certo, aquele idiota do Bernardo acreditou."
Uma por uma, eram estarrecedoras. As mãos de Bernardo tremiam.
— Todos esses anos, você a humilhou. Roubou as coisas dela, destruiu o futuro dela, tomou o carinho que era dela. E eu... — Sua voz embargou, os olhos vermelhos:
— Eu fui como um cego! Não vi nada! E ainda ajudei você a maltratá-la!
A última foto era de Clara no navio, no instante antes de ser jogada ao mar, olhando para trás. Calma, sem vida, sem luz.
— Por quê? — Bernardo desferiu um soco no vidro, produzindo um estrondo abafado.
— Letícia! Por que você fez isso com ela?! Ela é sua irmã! Ela nunca te fez nada de mal!
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