"O Cativeiro do Amor Tóxico" Capítulo 15
Após desligar o telefone, Dante dirigiu até a mansão onde costumava morar com Maya. Ao acender as luzes e ver a casa ainda impregnada com a essência dela, seus nervos finalmente começaram a relaxar.
Ele não resistiu e foi até a sala de dança. Em sua mente, surgiu a imagem de Maya dançando
O Lago dos Cisnes
. Sob o holofote, ela era pura, radiante; ele se lembrou da primeira vez que a vira dançar, quando ainda eram crianças. Naquela época, Maya tinha apenas dez anos, e ele sentiu, pela primeira vez, que não queria nenhum outro homem perto dela. Por isso, tornou-se seu parceiro.
Juntos, eles conquistaram palcos cada vez maiores, até brilharem sob os holofotes internacionais. Ela era o seu único "cisne branco" da juventude, mas agora, esse cisne estava com as asas quebradas, perdida entre a vida e a morte.
Dante começou a se exercitar, repetindo exaustivamente os movimentos que já conhecia de cor diante do espelho. Quando finalmente desabou no chão, ensopado de suor, as figuras de Maya e Nara flutuaram diante de seus olhos. Na verdade, sua sincronia com Nara não chegava nem perto da que tinha com Maya, mas no momento em que viu Nara pela primeira vez, sentiu algo vibrar em seu coração adormecido. Seria apenas o desejo pelo novo ou...?
— Alô? A partir de amanhã, estou deixando a companhia de dança.
Ele tomou a decisão. Talvez nem ele mesmo soubesse o real motivo.
A vida de Dante voltou ao normal. Nara também retornou ao trabalho, mas agora focada em entrar na indústria do entretenimento. Eles não desfizeram o noivado, mas também não se viram mais. Era como se nada tivesse acontecido, exceto pelo fato de que o mundo do balé clássico havia perdido uma dupla internacional.
No hospital, Maya continuava na UTI, sem qualquer sinal de que acordaria. Dona Rosa cuidava dela diariamente e reportava o estado de saúde a Dante. Giovanni também aparecia para visitá-la com frequência. Dante, de forma deliberada ou não, não o impediu drasticamente; apenas ordenou que Dona Rosa não o deixasse entrar no quarto.
Certo dia, após resolver pendências na empresa, Dante recebeu uma ligação da casa de seu pai.
— Alô, pai — disse Dante, sentindo uma pontada de ansiedade. Seu pai raramente ligava, e quando o fazia, era por um motivo sério.
— A família Lima esteve aqui hoje — a voz do Sr. Rocha era imponente.
Dante baixou os olhos e apenas soltou um breve "Hm".
— Você sabe do que se trata. Ninguém sabe se aquela mulher vai acordar. A família dela morreu naquele terremoto; sua dívida de gratidão já foi paga há muito tempo. O que você está tentando provar agora?
Dante já havia se perguntado isso, mas não tinha a resposta. Não sabia por que continuava gastando fortunas por uma mulher de quem já havia desistido. Ele já não a amava, então por que não a deixava ir? Talvez ele apenas quisesse vê-la acordar. Mas para quê? De repente, ele sentiu falta da vivacidade dela, mesmo que fosse para vê-la com os olhos vermelhos, gritando com ele...
Como Dante não respondia, a voz de seu pai tornou-se severa:
— Dante, ouça bem: a Nara é a mulher com quem você vai casar. Foi a escolha que VOCÊ fez! O velho Lima veio me pedir o favor pessoalmente pelo filho dele. Nossas famílias são parceiras há anos, não posso negar esse favor por causa de um capricho. Deixe que levem a Maya. A partir de hoje, vocês não terão mais vínculo algum.
O tom era de autoridade absoluta. Dante, que não estava acostumado a ser comandado dessa forma, franziu o cenho. Olhando para um telão publicitário lá fora onde passava um comercial de Nara, ele respondeu com a voz embargada:
— Eu entendi.
Após desligar, ele permaneceu diante da janela por um longo tempo. As faces de Maya e Nara se misturavam em sua mente, e ele não conseguia evitar compará-las. Nara era mais jovem, de família influente e tinha uma personalidade muito mais fácil. Seu pai tinha razão: ele já havia feito sua escolha.
Ele caminhou até a mesa e ligou para Dona Rosa.
— Se o Giovanni Lima quiser levar a Maya, não o impeça.
Dante não percebeu que seus dedos apertavam o celular até as juntas ficarem brancas. Nem percebeu o rastro de pesar em seu olhar. Ele desligou, sentou-se na cadeira e abriu um arquivo sobre a mesa. Contudo, passou-se muito tempo e ele não virou sequer uma página.
Do outro lado, Giovanni já esperava ansioso na porta do hospital. Meia hora depois, o celular tocou. Ele atendeu no primeiro toque, ouvindo a voz irritada de seu pai:
— Pode ir. Por causa de uma mulher, eu tive que jogar fora todo o meu prestígio com os Rocha!
Giovanni não se importou com a bronca; pelo contrário, sentiu um alívio imenso.
— Eles aceitaram?
— É apenas uma mulher. Só não esqueça o que me prometeu.
— Eu me lembro. Já enviei meu pedido de demissão da companhia. Vou assumir os negócios da família como o senhor queria.
Dito isso, ele correu para dentro do hospital.
Maya, finalmente você é minha. Quando abrir os olhos, será que poderá olhar para mim?
Após a partida de Maya com Giovanni, Dona Rosa voltou para a mansão principal. Ela estranhou que Dante começou a frequentar a casa com mais assiduidade, sempre tarde da noite, apenas para dormir no antigo quarto de Maya e sair na manhã seguinte.
Certa noite, após o banho, Dante notou algo brilhando em um canto discreto do quarto. Ele se abaixou e pegou o objeto. Era um elástico de cabelo simples, com um enfeite comum que já estava até descascando. Mas aquele objeto insignificante foi a chave que abriu as comportas de sua memória. Lembranças de Maya jorraram sem controle.
Ele sentou-se na cama, encarando o elástico por horas. Lembrou-se de como ela sempre prendia o cabelo para cima, revelando seu pescoço longo e elegante. A pele dela era tão branca que ofuscava sob as luzes. A
Giselle
dela era insuperável. Ela se movia como uma fada na floresta, girando até entrar em seu coração. Aquela fora a primeira vez que ele sentira o coração palpitar de verdade.
Com um movimento sutil, ele colocou o elástico barato em seu próprio pulso. Deixou que a saudade o inundasse, permitindo que seus pensamentos fossem devorados pela memória dela.
...
Três meses depois, Dante recebeu uma mensagem de Nara no WhatsApp:
"Dante, meus pais não sabem da nossa crise. Eles estão indo para a mansão do seu pai agora para discutir a data do casamento. Me desculpa, eu não consegui detê-los."
Dante franziu o cenho profundamente, pegou o paletó e saiu. O pai de Nara acabara de estacionar quando viu o carro de Dante chegar. O impacto da porta do carro ao fechar foi intimidador. O Sr. Silva, surpreso, adiantou-se:
— Sr. Rocha, quanto tempo. Perdoe a visita sem aviso.
Dante lançou-lhe um olhar rápido e fixou os olhos em Nara, que estava logo atrás. Ela exibia uma expressão de impotência e vergonha, com um olhar suplicante. Dante sentiu um desconforto inexplicável, mas aproximou-se e ficou ao lado dela.
— Sr. Silva, da próxima vez pode falar diretamente comigo.
Nesse momento, as portas da mansão se abriram. O Sr. Rocha apareceu, ignorou o filho e foi direto ao encontro do Sr. Silva.
— Meu caro, por que não entraram ainda?
Os dois pais entraram conversando cordialmente. Nara aproximou-se de Dante e notou algo preto em seu pulso por um breve instante, mas logo descartou sua suspeita. Ela entrelaçou o braço no de Dante; ele não a rejeitou e a conduziu até a sala de jantar. Ela suspirou aliviada; parecia que ele ainda a amava.
Perto dali, o flash de uma câmera de paparazzi disparou. O fotógrafo partiu satisfeito. Enquanto as duas famílias discutiam os detalhes do matrimônio à mesa, uma notícia começou a subir nos trending topics:
"A estrela em ascensão Nara Silva se casará em breve com um magnata!"
"Um verdadeiro romance de cinema na vida real!"
"Dante Rocha mudou de parceira por amor e investiu fortunas na carreira de Nara. Meta de relacionamento!"
Diferente do alvoroço na internet, Dante permanecia em silêncio durante o jantar. Ouvindo os pais planejarem o casamento, ele não sentia nem um pingo de empolgação. Pelo contrário, sentia um vazio que não sabia explicar.
— Então fica decidido: o casamento será no dia cinco de setembro do ano que vem.
Os quatro brindaram. A data estava marcada.
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