"O Cativeiro do Amor Tóxico" Capítulo 12
Ao chegar em casa, Dante sentou-se no sofá, com um rastro de exaustão raramente visto em seu rosto.
O celular começou a vibrar insistentemente. O nome "Nara" piscava na tela sem parar. Pela primeira vez, Dante não atendeu de imediato; no fundo, sentia uma pontada de relutância em falar com ela.
Contudo, as chamadas eram sucessivas. Dante franziu o cenho, impaciente, e finalmente atendeu.
— Alô?
— Sr. Rocha, você prometeu que voltaria para casa hoje à noite. Já estou te esperando faz uma hora, viu? — Do outro lado da linha, o tom de Nara era manhoso.
Desde sempre, toda vez que Nara queria seduzi-lo ou ser carinhosa, ela o chamava de "Sr. Rocha". Mas hoje, a voz de Maya ecoou de repente na mente de Dante. Os "Sr. Rocha" dela, ultimamente, carregavam apenas polidez e distanciamento. Na época, ele achou que era apenas uma birra; agora, percebia que, talvez, ela já estivesse planejando deixá-lo há muito tempo.
Mas por que buscar a morte? Ela poderia ter fugido, poderia ter falado com ele, poderia ter esperado o nascimento da criança para tentar partir... mas preferiu aquilo.
Os pensamentos de Dante vagavam longe, até serem interrompidos pela voz de Nara:
— Sr. Rocha? Por que não me responde? Aconteceu alguma coisa?
Dante recobrou os sentidos. Ele massageou as têmporas e soltou um suspiro profundo antes de falar.
— Tenho assuntos para resolver hoje. Não vou voltar.
A expressão de Nara mudou instantaneamente, mas ela não ousou questionar. Apenas respondeu com obediência:
— Tudo bem.
Ao desligar, o rosto de Nara tornou-se gélido. O instinto feminino lhe dizia que os "assuntos" de Dante não eram tão simples. Embora o tom dele parecesse o de sempre, ele estava estranho, distraído. Além de Maya, ela não conseguia pensar em mais nada que pudesse abalar Dante dessa forma.
Tomada por uma fúria de ciúmes, ela saiu de casa e dirigiu até a mansão onde Maya estava confinada. Ao chegar, notou que não havia uma única luz acesa na casa, o que lhe causou um arrepio estranho.
"Não havia vigilância vinte e quatro horas?", pensou Nara, franzindo a testa enquanto apertava a campainha.
Dois minutos depois, ouviu os passos apressados de uma empregada. Ao abrir a porta e ver Nara, a mulher exibiu um sorriso bajulador.
— Sra. Rocha! O que faz aqui?
Nara lançou-lhe um olhar de soslaio, satisfeita com a forma como fora chamada, e assumiu seu papel de dona da casa.
— Por que demorou tanto? Onde está a Maya?
A empregada respondeu honestamente:
— Depois que a senhora saiu ontem, a Srta. Maya pulou da sacada. Dona Rosa a levou para o hospital e ainda não voltaram.
Nara não conseguiu conter um sorriso de satisfação. Sem dizer mais nada, deu meia-volta e saiu dali. Já dentro do carro, com o humor renovado, discou novamente para Dante.
Enquanto isso, Dante acabara de sair do banho. Aquela ansiedade sufocante parecia ter se dissipado um pouco com o vapor da água. Ao entrar no quarto e ver o celular brilhar, ele atendeu rapidamente.
— Sr. Rocha, você está em casa ou no escritório? Posso ir te ver agora? — A voz de Nara era suave e hesitante.
Ao ouvir aquele tom dócil, as feições de Dante relaxaram e ele respondeu com gentileza:
— Estou em casa. Pode vir.
— Em quarenta minutos estarei aí!
— Combinado.
Dante pousou o celular e foi para o escritório adiantar alguns trabalhos. No instante em que a ligação caiu, uma notificação de mensagem piscou rapidamente na tela. Infelizmente, Dante não viu.
Quarenta minutos depois, Nara chegou à residência de Dante. Ela admirou a luxuosa mansão com olhos gananciosos. Em breve, ela seria a legítima dona daquele lugar. Sem o obstáculo chamado Maya em seu caminho, ela seria a única mulher ao lado de Dante, a invejada "Sra. Rocha".
Ao chegar ao portão, viu os portões automáticos se abrindo lentamente. Erguendo os olhos, viu Dante na janela do segundo andar, vestindo um pijama de seda, esboçando um sorriso para ela. Nara guardou seus pensamentos, devolveu um sorriso doce e entrou rapidamente.
Ao se aproximar dele, ela envolveu sua cintura firme com os braços.
— Está frio lá fora, da próxima vez use mais roupa — disse Dante, tocando o rosto gelado dela com preocupação.
Nara sorriu e esfregou o rosto na palma da mão dele.
— Não sinto frio. Receber o carinho do meu "Sr. Rocha" aquece meu coração.
Dante sorriu também e sentou-se com ela no sofá. De repente, ele falou, com uma voz difícil de decifrar:
— De agora em diante, não me chame mais de "Sr. Rocha". Eu não gosto.
O sorriso de Nara vacilou por um milésimo de segundo, mas ela assentiu prontamente:
— Está bem.
O toque repentino do celular quebrou o clima acolhedor. Dante viu que era Dona Rosa. Sentindo um pressentimento ruim, atendeu imediatamente. A voz da governanta transbordava desespero:
— Patrão, aconteceu uma tragédia com a Srta. Maya!
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