"O Cativeiro do Amor Tóxico" Capítulo 11
— Maya!
Dante levantou-se num salto, o coração disparado.
A tela do celular indicava que a chamada havia sido encerrada. Sua mente era um caos absoluto, incapaz de processar o que acabara de ouvir. Sem perceber, ele, que sempre fora o epítome da calma e do controle, sentia o peito arfar violentamente.
Pouco depois, um número desconhecido ligou. Ao atender, Dante ouviu uma voz ofegante. Era Dona Rosa, em pânico.
— Patrão, eu não consegui impedir a Srta. Maya, ela...
Dante pressionou as têmporas, tentando recuperar a compostura.
— Chame a ambulância agora. Estou indo para o hospital.
— Sim, senhor! — respondeu ela, apressada.
Ao desligar, Dante sentiu um vazio aterrador. Ele sabia o que tinha acontecido, mas seu íntimo recusava-se a acreditar. Maya pular da janela? Impossível...
Após estabilizar minimamente suas emoções, ele saiu de seu escritório. A secretária o abordou imediatamente:
— Sr. Rocha, o senhor tem duas reuniões esta tarde e um jantar de negócios com o Sr. Mendes à noite. Como deseja proceder?
— Cancele tudo. Pelos próximos dias, tenho assuntos muito mais importantes — respondeu ele, sem diminuir o passo.
A secretária, pensando na importância dos clientes, tentou insistir:
— Mas, Sr. Rocha, o contrato de hoje...
— Não me faça repetir — cortou ele, com um olhar gélido.
Dante estava com os nervos à flor da pele. No caminho para o hospital, o som incessante das buzinas parecia torturá-lo. Como alguém tão racional quanto ele podia se perder tanto por causa de Maya?
Ao estacionar e chegar à entrada do hospital, viu o fluxo constante de pessoas, a maioria acompanhada por familiares. Foi então que lhe ocorreu: Maya não tinha mais ninguém no mundo. Mesmo em um momento tão crítico, não havia ninguém para segurar sua mão ou lutar por ela.
Se não fosse por Dona Rosa... ela estaria completamente sozinha.
Naquele instante, a dor começou a criar raízes no coração de Dante. O cisne que antes brilhava com confiança e alegria havia chegado a esse extremo. Ele não queria — ou melhor, não ousava — admitir que fora ele quem, passo a passo, a destruíra. Ele havia aniquilado sua própria musa.
Ao entrar, a conversa de duas enfermeiras chegou aos seus ouvidos:
— Soube? Acabaram de trazer uma mulher que pulou de um prédio. Estava coberta de sangue.
— Pois é, está no centro cirúrgico. Acho difícil ela sobreviver.
— E estava grávida, coitada. Ninguém para acompanhar, só uma empregada esperando lá fora. Deve ser esposa de algum figurão.
— Eu aposto que é amante de algum ricaço. Estava abraçada a uma urna de cinzas. Que marido deixaria a esposa chegar a esse estado?
Dante parou diante delas, e o silêncio foi imediato.
— Onde ela está? Levem-me até lá — ordenou ele, com a autoridade de quem está acostumado a mandar.
Intimidadas, as enfermeiras baixaram a cabeça. Uma delas o conduziu rapidamente ao elevador. Somente quando as portas se fecharam é que a outra percebeu: era o Sr. Rocha, o homem que havia oficializado o noivado com tanto alarde semanas atrás!
Dante chegou à porta da emergência. Dona Rosa, que andava de um lado para o outro, correu ao seu encontro.
— Patrão... o bebê da Srta. Maya não resistiu. — Ela relatou com a voz trêmula. — E o médico disse que ela mesma... não demonstra vontade de viver.
Dante permaneceu em silêncio por um momento antes de dizer, com a voz grave:
— A criança se foi, não há o que fazer. Mas ela tem que viver. Não me importa o método ou quanto custará. Mantenha-a viva.
Dona Rosa nunca o vira ser tão taxativo. A vida e a morte pertencem ao destino, e médicos não são juízes do inferno. Além disso, sem o desejo de viver da própria Maya, aquela ordem parecia impossível. Mas, vindo de Dante, ela não teve escolha a não ser ir falar com a equipe médica.
Dante sentou-se no banco frio do corredor e fechou os olhos, mantendo uma expressão ilegível. Durante a cirurgia, seus únicos movimentos eram abrir os olhos ocasionalmente para checar a luz da sala de operação.
Vários especialistas entraram e saíram. Após cinco horas intermináveis, a luz finalmente se apagou e um médico surgiu.
— Quem é o responsável pela paciente?
Dante levantou-se e aproximou-se.
— Doutor, como ela está?
— O senhor é parente? — o médico confirmou. Dante assentiu. — O quadro é extremamente complexo. Várias funções vitais foram comprometidas. Ela precisará de observação contínua, mas as chances de ela acordar são mínimas.
Dante mergulhou no silêncio novamente. O médico hesitou antes de continuar:
— O tratamento contínuo terá um custo altíssimo. A família pretende continuar ou...
— Salve-a! — interrompeu Dante. — Não importa o preço, tragam-na de volta. O Grupo Rocha arcará com todas as despesas.
O médico, surpreso ao ouvir o nome do grupo, assentiu prontamente:
— Fique tranquilo, Sr. Rocha. Faremos o nosso melhor.
Pela primeira vez na vida, Dante sentiu uma ansiedade que não conseguia controlar. Momentos depois, Dona Rosa voltou ao corredor.
— Patrão, a equipe para cuidar da Srta. Maya já foi organizada.
Nesse instante, as portas se abriram e Maya foi levada para fora. Dante deu um passo à frente, mas estancou no lugar.
O cisne radiante que um dia dominou os palcos estava agora inerte em uma maca. Sua cabeça estava envolta em gazes, o corpo coberto por gesso e feridas. A pouca pele visível estava de uma palidez cadavérica.
Dante não sabia descrever o que sentia, mas sabia que Maya não deveria estar assim. Algo que estava adormecido em seu peito por muito tempo começou a tremer violentamente. Ele franziu o cenho, e um rastro de pânico cruzou seu olhar.
Enquanto Maya era levada, ele permaneceu imóvel.
— Patrão? — chamou Dona Rosa baixinho.
Dante forçou-se a sair daquele transe e fechou os olhos por um segundo para se recompor.
— A partir de hoje, cuide dela com dedicação total. Faça o que for preciso para que ela acorde, não importa o sacrifício.
Dona Rosa hesitou por um segundo e assentiu: — Sim, senhor.
Dante não a acompanhou até o quarto; ele deu as costas e saiu do hospital. A dor continuava a se espalhar silenciosamente por sua alma. Ele detestava aquela sensação de perda de controle e, acima de tudo, detestava ver Maya naquele estado de morte em vida.
— Maya... eu não te dou permissão para morrer.
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