"O Cativeiro do Amor Tóxico" Capítulo 4
O que antes era uma cumplicidade sem segredos transformara-se em um silêncio cortante.
O ar entre os dois tornou-se pesado e sufocante enquanto seus olhares se enfrentavam. Dante franziu o cenho e quebrou aquele silêncio insuportável com uma voz gélida:
— O que você veio fazer aqui?
Ao ouvir o tom de indignação dele, Maya apertou a barra da blusa. Seus olhos, traindo sua vontade, ficaram vermelhos instantaneamente.
— Sr. Rocha, pelo bem dos dez anos que passei ao seu lado... me dê uma resposta.
Dante soltou um riso de puro desprezo, carregado de ironia.
— Você não queria dinheiro? O que foi? O dinheiro que te dei já acabou ou o seu novo amante é pão-duro demais para te bancar?
Cada palavra dele era como uma lâmina cravada diretamente no coração dela. Maya não tinha como escapar; apenas sentia aquela dor corrosiva, seus olhos fixos nele em descrença.
— Dante, você sabe muito bem do que eu estou falando. Por que você teve que...
— Chega! — A voz sofrida dela foi interrompida brutalmente por ele. — Suma daqui! Sinto náuseas só de olhar para você.
Dito isso, ele fez menção de bater a porta. Em um gesto desesperado, Maya usou o próprio corpo para impedir que a porta se fechasse, com os olhos escarlates transbordando lágrimas.
— Dante, o que eu te fiz de errado? Por que está me tratando assim? E por que fez aquilo com o Luan?
As emoções que ela vinha reprimindo finalmente explodiram. As lágrimas rolavam como contas de um colar partido, e sua voz soava rouca:
— Você sabe que ele é o último parente que eu tenho! Você prometeu ao meu irmão que cuidaria...
Maya não conseguiu terminar a frase. Sua visão escureceu e ela desabou inconsciente no chão.
...
Quando Maya acordou, estava em um leito de hospital. Vozes abafadas vinham de perto.
— Sr. Rocha, de acordo com os exames, a Srta. Maya está grávida de quatro semanas.
Dante virou a cabeça e, através do vidro da divisória, encontrou os olhos vazios de Maya.
Um sentimento inexplicável surgiu em seu coração calmo; em todos esses anos, ele nunca a vira com um semblante tão devastado. Ao entrar no quarto, ele parou ao lado da cama, parecendo hesitar por um momento.
Nenhum dos dois disse nada, até que o toque repentino de um celular rompeu o silêncio. Dante olhou para a tela e virou-se imediatamente, ficando de costas para Maya ao atender.
Como o quarto estava silencioso demais, a voz manhosa de Nara atravessou o receptor:
— Dante, estou com saudades...
— Comporte-se, querida. Já estou terminando o que tenho para fazer aqui.
— Então vamos escolher as alianças hoje à tarde?
— Veja primeiro se tem algum modelo que você goste...
Maya observava as costas dele, sentindo os olhos se umedecerem novamente. Após desligar, Dante respirou fundo e virou-se para ela, encarando-a com superioridade.
— Vamos negociar os termos.
As pálpebras de Maya tremeram. Ao virar o rosto para evitar o olhar dele, uma lágrima solitária caiu sobre o travesseiro. Dante, ignorando os sentimentos dela, jogou um cartão sobre o cobertor.
— Você não pode ter esse filho.
Ao ver que Maya não se movia, ele continuou rapidamente:
— Tem dez milhões de reais nesse cartão. Não quero que você apareça na minha frente nunca mais.
Com o rosto ainda marcado pelas lágrimas, Maya fixou o olhar no homem diante dela.
— Dante, todos esses anos... eu me enganei completamente sobre você. Você não tem coração!
— Você só se aproximou de mim por dinheiro — ele retrucou com desdém. — Esse valor por dez anos da sua vida já está bem acima do preço de mercado. Não seja ingrata!
Dito isso, ele saiu sem olhar para trás. Maya observou a porta se fechar lentamente, sentindo como se o castelo que construíra por anos desmoronasse pedra por pedra.
Ela levou a mão ao ventre e as lágrimas voltaram a cair. Primeiro algumas gotas, depois um fluxo contínuo e silencioso que banhava seu rosto.
Maya saiu para fazer um exame e, ao retornar, encontrou Giovanni sentado em sua cama de hospital.
— O que você está fazendo aqui?
Giovanni folheava o prontuário médico dela. Ao ouvir a voz dela, ele ergueu a cabeça, estreitando os olhos.
— Você está grávida?
Embora houvesse um sorriso em seu rosto, a voz de Giovanni era fria como gelo, e seu olhar exalava perigo. Maya ficou paralisada; diante daqueles olhos que lembravam os de uma serpente, sentiu um calafrio de pavor.
O sorriso de Giovanni desapareceu lentamente enquanto ele se aproximava dela, passo a passo.
— Maya, uma mulher tão orgulhosa como você... quem diria que se entregaria aos prazeres de outro homem.
Maya apertou as mãos com força, recuando até onde podia. Sua voz saiu falha:
— O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta.
Quando ela não tinha mais para onde fugir, o olhar de Giovanni tornou-se sombrio. Ele estendeu os braços, prendendo-a contra a parede.
— Se ele pode, por que eu não posso?
Maya sentiu o coração saltar à boca, e sua respiração ficou curta. Quando a mão de Giovanni tocou seu rosto, ela fechou os olhos com pavor. No entanto, o calor do toque desapareceu e, após um estrondo violento da porta batendo, o silêncio voltou ao quarto.
Sem forças, Maya escorregou até o chão. Olhando para o prontuário que Giovanni jogara no chão, ela respirou fundo, como se tivesse acabado de sobreviver a um desastre.
Naquela noite, o sono não veio. No amanhecer, ela pegou o celular e enviou uma mensagem para Dante:
— "Vou tirar a criança. A partir de hoje, não temos mais nada a ver um com o outro."
Já que a história começara com ela, que terminasse com ela também.
Em frente à sala de procedimento, Maya apertava o celular com força, com a visão embaçada pelas lágrimas.
— Próxima: número 30, Maya Santos.
Ao ouvir o chamado da enfermeira, o coração de Maya deu um solavanco. Ela respirou fundo algumas vezes e secou as lágrimas. Com o olhar decidido, começou a caminhar em direção à sala de cirurgia.
Mas, quando estava prestes a entrar, uma mão a segurou por trás.
Giovanni estava ofegante, com as palmas das mãos quentes. Sua voz grave ecoou:
— Tenha esse filho. Ele terá o meu sobrenome!
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