"O Cativeiro do Amor Tóxico" Capítulo 1
— Devagar, está doendo...
O luar frio entrava pela sala de dança, iluminando as costas alvas de Maya Santos, onde gotículas de suor brilhavam intensamente.
Sentindo o corpo dela tremer, o homem atrás dela a ergueu pela cintura, tirando-a de frente do espelho e aninhando-a gentilmente em seus braços. Suas mãos grandes começaram a acariciá-la suavemente para acalmá-la, enquanto ele aumentava um pouco a temperatura do ar-condicionado.
Maya encostou a cabeça no ombro dele, sentindo as batidas do seu coração ecoarem em seus ouvidos.
Com ternura, ele a carregou de volta para o quarto e a deitou delicadamente na cama.
Dante Rocha deitou-se ao lado de Maya e, sem pressa, acendeu um cigarro.
— Vou me casar no mês que vem. Vou te dar dez milhões e, depois disso, estamos quitados.
A voz grave de Dante era fria e indiferente, como se não fosse ele quem acabara de compartilhar tanta intimidade com ela.
Maya apertou os lençóis com força. As lembranças do passado passavam como um filme diante de seus olhos, e uma amargura insuportável tomou conta de seu coração.
Ela quis muito perguntar a Dante:
"O que significaram esses dez anos que passamos juntos?"
Mas as palavras ficaram presas na garganta. Ela preferiu engoli-las para preservar o pouco que lhe restava de dignidade.
Após um longo silêncio, Maya forçou um sorriso pálido e respondeu em um tom monótono:
— Tudo bem.
Ao ver a expressão serena dela, Dante sentiu uma irritação inexplicável.
Provocador, ele ergueu o queixo de Maya, roçando o polegar em seus lábios, enquanto um sorriso de escárnio surgia em seu rosto.
— Desde quando nossa querida senhorita Maya se tornou tão materialista? Basta oferecer dinheiro e tudo fica bem?
As palavras gélidas e cruéis fizeram o coração de Maya estremecer, e suas pupilas vacilaram por um instante.
Ela fixou os olhos no homem de feições severas à sua frente e não conseguiu esconder o amargor na voz:
— E o que você queria que eu fizesse? Que eu aceitasse ser a outra, sua amantezinha?
— Eu não sou tão baixa assim.
Ao ouvir isso, Dante franziu o cenho. Seus olhos percorreram o rosto dela por um momento antes de ele soltar o queixo dela com desprezo, virando o rosto dela para o lado.
Após um silêncio prolongado, Maya percebeu que não haveria resposta.
Dante apenas abriu o guarda-roupa com movimentos precisos, vestiu-se impecavelmente e saiu da vila sem olhar para trás.
No quarto vazio e escuro, Maya afundou o rosto no travesseiro e um soluço abafado escapou de sua garganta.
— Dante, o que eu sou para você, afinal?
Eles cresceram juntos. Ao atingirem a vida adulta, ela o seguiu por dez anos sem qualquer título ou reconhecimento oficial.
Ela acreditava que a conexão entre eles era tão profunda que não precisavam de formalidades ou rituais.
No final, percebeu que tudo não passava de um amor unilateral que agora se despedaçava.
Quando o amanhecer finalmente rompeu, os olhos de Maya já estavam inchados de tanto chorar. Ela se levantou e começou a organizar suas coisas lentamente.
Cada item colocado na mala parecia ser um pedaço de Dante que ela arrancava de seu coração.
Ao ver seus olhos vermelhos no espelho da penteadeira, Maya se virou e colocou os óculos de sol.
Antes de cruzar a porta do quarto, ela não resistiu e olhou para trás uma última vez.
Onde antes ela esperava encontrar a figura dele, agora não havia mais nada.
— Adeus, Dante.
Ao se virar para partir, Maya voltou a ser aquela bailarina deslumbrante que brilhava diante das câmeras.
Assim que chegou à sala de ensaio da companhia de dança, sua empresária, Clara Teixeira, aproximou-se.
— Temos um banquete hoje às oito da noite. Prepare-se.
Maya balançou a cabeça, recusando em silêncio.
Ao ver o estado de Maya, o rosto de Clara escureceu e sua voz carregou-se de irritação:
— Por que essa pose de superioridade agora? Vai mesmo me dar as costas?
Maya sorriu amargamente, com a voz embargada de pesar:
— Você sabe muito bem o motivo. Não é que eu não queira ir, é que eu simplesmente não posso.
Dante não era apenas o parceiro de Maya; em Jiangling, esse nome era sinônimo de poder absoluto.
Não importava o quão alto ela subisse, bastava uma palavra de Dante para decidir o destino de toda a companhia de balé.
Desde pequena, ela sabia que Dante gostava de mulheres doces, daquelas que dependiam dele para tudo.
Infelizmente, Maya não nasceu para ser uma planta dependente.
E Dante, do início ao fim, nunca teve a intenção de lhe dar um lugar oficial em sua vida.
Enquanto as duas estavam naquele impasse, um barulho veio do lado de fora.
Clara olhou para a porta e soltou um riso de puro escárnio:
— As pessoas precisam aprender o seu lugar. Ambas são mulheres próximas ao Sr. Rocha, mas uma é a noiva, e a outra... não é absolutamente nada.
Cada palavra era como uma punhalada no peito de Maya.
Ela se virou e, através do vidro da porta, viu Dante, impecável em seu terno, sendo escoltado pela diretoria em direção à sala de ensaio.
Em meio ao alvoroço ao seu redor, o olhar dele estava fixo exclusivamente na mulher que sorria delicadamente ao seu lado.
— Esta é minha noiva, Nara Silva. Por favor, cuidem bem dela.
Após tantos anos de convivência, ela conhecia Dante melhor do que ninguém. Sabia que ele detestava complicações e nunca se rebaixava por ninguém.
Agora, por causa de sua noiva, ele se deu ao trabalho de vir pessoalmente.
Maya permaneceu ali, estática, observando-os se aproximarem. Seus olhos não demonstravam qualquer emoção aparente.
Pela primeira vez na vida, ela odiou o fato de conhecer Dante tão bem.
Enquanto pensava nisso, viu Dante caminhar em sua direção. Ele passou por ela com o rosto inexpressivo, sem lhe dirigir sequer um olhar.
No fim, foi Maya quem abaixou a cabeça, dominada pela angústia.
Clara seguiu a multidão e saiu.
Quando todos se dispersaram, Maya sentiu-se como um balão esvaziado e caiu desolada diante do espelho.
Ela pegou o celular e ficou olhando fixamente para a conversa fixada no topo do WhatsApp por um longo tempo, sem reação.
Pouco depois, alguém abriu a porta da sala de ensaio novamente.
Maya olhou confusa para trás e viu Nara parada na entrada, sob a luz, tão radiante quanto no momento em que estava cercada por todos.
Nara olhava para ela com um sorriso enigmático.
Clara a seguia com um ar bajulador:
— Não se preocupe, Srta. Nara. Além desta competição, a senhora será a primeira bailarina da companhia daqui por diante.
Ao ver a ficha de inscrição nas mãos de Clara, o coração de Maya afundou.
— Clara, a vaga para o Concurso Internacional de Balé já não estava definida para mim?
Antes que Clara pudesse responder, Nara se aproximou de Maya. Ela a mediu de cima a baixo com um olhar carregado de ironia:
— Então foi com esse rostinho que você seduziu o Dante?
— Realmente... tem um certo parecido comigo.
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