"Encontrado Após Sete Anos: Meu Marido Tem Outra Mulher" Capítulo 3
Nesse momento, Bianca já havia saído do provador e exibia com alegria o belo vestido para os dois. Luna virou o rosto discretamente para limpar uma lágrima que insistia em cair.
Em seguida, Bianca arrastou Luna para continuar o passeio. Ao passarem em frente a uma loja de artigos para bebês, ela puxou Bernardo pelo braço.
Com um sorriso tímido, disse: "Querido, ouvi dizer que comprar algumas coisinhas para bebê ajuda a atrair a chegada dele mais cedo. Vamos entrar e comprar algo, por favor?"
Bernardo, com seu habitual tom carinhoso, respondeu: "Claro, vamos."
Luna, porém, permaneceu parada à porta da loja. Seus pés pareciam pesados e seu coração estava um turbilhão. Percebendo que ela não os acompanhava, Bernardo perguntou: "Srta. Simões, o que houve?"
Luna baixou o olhar, uma pontada de agonia atravessando seus olhos. "Nada... apenas lembranças que vieram à tona."
Bernardo demonstrou certa curiosidade: "A senhorita tem filhos?"
Ela tocou suavemente o próprio ventre, ainda plano, e murmurou: "Eu tive um... mas infelizmente não consegui segurá-lo..."
Bernardo pareceu surpreso por um breve segundo, mas logo retomou sua expressão impassível e gélida. Apenas disse com polidez: "Sinto muito pela sua perda."
Luna sentiu um cansaço avassalador e soltou um riso amargo e baixo: "Talvez fosse o destino."
Aquele bebê já tinha batimentos cardíacos. Ela planejava contar a novidade a Bernardo assim que ele voltasse daquela viagem ao mar. Mas o que recebeu foi a notícia do naufrágio. O choque foi tão grande que ela acabou perdendo a criança também. Se o bebê tivesse nascido, teria hoje seis anos. Se soubesse que o próprio pai não se lembrava dela, a criança também ficaria arrasada, não ficaria?
Tomada por esses pensamentos, Luna usou um mal-estar súbito como desculpa e voltou para o hotel. Seu corpo não parava de tremer. Com as mãos trêmulas sobre o ventre vazio, ela cobriu o rosto e se entregou a um choro incontrolável.
Naquela noite, Luna teve um sonho. Sonhou com o dia do casamento deles.
Era uma cerimônia temática, cercada pelo azul do oceano e do céu. Diante de amigos e familiares, ela caminhava entre hortênsias azuis em direção a Bernardo. Ele a olhava com os olhos marejados de emoção.
Ao dizer os votos, aquele homem normalmente tão contido e sério estava com a voz rouca:
"Luna, é difícil para mim me apaixonar, mas agora que aconteceu, sei que é para a vida toda."
"Você nunca teve um lar de verdade desde pequena, e eu quero te dar esse lar."
"Prometo te dar lealdade absoluta, amor e compreensão até que a morte nos separe. Você aceita ser minha esposa?"
No sonho, ela soluçava de alegria enquanto respondia com toda a convicção: "Eu aceito."
Mas, ao acordar, tudo o que restava era o vazio. A lealdade, o amor e a compreensão dele agora pertenciam a outra pessoa. As promessas foram quebradas, o vínculo de marido e mulher já não existia. O lar que ele prometeu nunca chegou a ser construído.
...
Nos dois dias seguintes, Luna se dedicou a passar as responsabilidades de trabalho para os gestores no Brasil. Pediu também que sua secretária reservasse a passagem de volta.
O Sr. Lins, pai de Bianca e diretor do grupo, provavelmente soube da partida iminente e a convidou para um jantar de despedida. Luna não tinha como recusar, mas não imaginava que, no caminho, seria vítima de um assalto.
Os pneus do carro foram estourados e os criminosos levaram tudo de valor que ela carregava. Entre os pertences estava o anel que Luna usava no anelar esquerdo há sete anos. Era a primeira vez que ela passava por uma situação tão violenta; ela tremia da cabeça aos pés, sem saber o que fazer.
Até que uma figura familiar se aproximou. Bernardo parou ao lado dela e perguntou, franzindo o cenho: "Você está bem?"
Ainda sob o efeito do pavor, Luna não conseguiu se conter e o abraçou com força.
"Por que demorou tanto para chegar..."
Bernardo ficou rígido, mas, por um instante, não a afastou. Chegou até a confortá-la, algo raro: "Está tudo bem agora."
Ele esperou que ela se acalmasse um pouco e que as lágrimas cessassem antes de se afastar delicadamente.
"A Bianca soube o que aconteceu e me pediu para vir te buscar", explicou ele.
O coração de Luna doeu profundamente. O choque do medo finalmente deu lugar à realidade. O homem à sua frente não era mais o Bernardo que a amava, que a protegia e que prometera ser o seu lar.
Luna baixou o olhar com um sorriso amargo e sussurrou: "Obrigada... e agradeça à Srta. Lins também."
Bernardo respondeu com frieza: "Espere no carro, vou falar com a polícia para entender os detalhes."
Dito isso, ele se virou e saiu. Luna observou suas costas largas e imponentes, cobriu o rosto e deixou que as lágrimas escorressem por entre os dedos. Antigamente, quando ela tinha qualquer problema, ele era sempre o primeiro a aparecer, abraçando-a para acalmá-la e resolvendo tudo. Mas ele não pertencia mais a ela.
O jantar foi cancelado e Bernardo ficou encarregado de levá-la de volta ao hotel. Durante o trajeto, ele se sentou ao lado dela, mas Luna se controlou para não cometer mais nenhuma imprudência. O silêncio durou quase todo o caminho, até que, perto da entrada do hotel, Bernardo virou-se subitamente para ela.
"Srta. Simões, para ser honesto... desde a primeira vez que a vi, não é que eu não tenha sentido nada."
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